Compromisso de Aprendiz

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MMQQII, este é o meu compromisso de aprendiz que resulta do trabalho realizado em silêncio, em cada sessão e em cada aprendizagem de instrução recebida, nomeadamente pelos MMIIVV Alexandre e Vítor Hugo, pelo NQI João Correia e pelo NQI Antigo Venerável Mestre Custódio Coelho. Reflete também as várias leituras do Manual de Aprendiz e essencialmente dos momentos de trabalho na minha “Pedra Bruta”, onde procurei o melhoramento interior e ter a consciência do que significa ser Maçom Retificado, ou seja, a Consciência de pertencer a uma Ordem Iniciática, a Consciência do Seu foco “Humanista e da Caridade”, a Consciência da Essência do Rito, e a Consciência do Reencontro com DEUS.

Com a Consciência de pertencer a uma Ordem Iniciática

MMQQII, guiado pelas leituras sobre o “Esoterismo – a tríade mística”, que sumariza as escritas sobre a Iniciação Martinista e os escritos dos Mestres Jacob Boehme, Martinès de Pasqually e Louis-Claude de Saint-Martin, as Ordens Iniciáticas caracterizam-se por três manifestações: A Tradição, a Iniciação e o Sigilo.

A Tradição, única, transcendente, é transmitida do mestre para o discípulo. Trata-se dum conhecimento não-racional, intuitivo, presente em todo o ser humano, mas que deve ser despertado pela filiação espiritual e pela Iniciação.

A Iniciação assegura a transmissão da Tradição. Ela, é, em si, o tempo e o início para aquele que entra na Procura de um retorno à origem, ao princípio, graças ao influxo espiritual que passa do Iniciador para o Iniciado e o transmuta num discípulo da Luz. Assenta na presença dos Símbolos e na força Espiritual. É o início da nossa caminhada interior e do nosso caminho para a Reintegração.

O Sigilo mostra-se necessário para garantir a proteção dos ensinamentos e rituais. Visa preservar a integridade e a eficácia dos ensinamentos, a fim de reservar o seu acesso aos que buscam e o merecem. Assim o Sigilo é o interior oculto que o ser humano, em busca da sua unidade, deve procurar e descobrir por si mesmo.

Nas suas notas “Discurso Sábio e Iluminado para a Recepção de um Aprendiz Maçom, Chegado da Itália e Natural da Alemanha, 1780”, JB Willermoz ensina-nos:

“A Maçonaria é um segredo que perdura desde a criação do mundo. Este segredo tem passado de geração em geração até os dias atuais, e continuará assim até o fim dos tempos. Este mistério é impenetrável não apenas para os não iniciados, mas também para os maçons apáticos, preguiçosos e superficiais. Ser maçom é, portanto, buscar sinceramente o merecimento para ser iniciado em nossos mistérios”.

E continua o ensinamento dizendo:

“Para compreender essa procura, é necessário ser guiado; a natureza encarrega-se de nos inspirar esse sentimento. Todo ser humano nasce com o desejo de Ser feliz, todo Ser humano nasce com o desejo da virtude. No entanto, a natureza por si só não é suficiente para aperfeiçoar o homem, ela sabe-o bem, e ela mesma o motiva a consultar a razão. Da combinação dos cuidados e influências da natureza e da razão surge a educação. A educação desses dois excelentes guias só pode produzir a perfeição. A perfeição no homem é o amor pela justiça; assim a nossa terceira guia será, portanto, a sabedoria”.

MMQQII, estes dois Ternários: Tradição – Iniciação – Sigilo e Natureza – Razão – Sabedoria estão sempre presentes nos trabalhos da nossa Loja, por isso assumo perante os MMII o compromisso de defender a Consciência da Ordem Iniciática Regular a que pertenço.

Com a Consciência do foco “Humanista e da Caridade”

Segundo o nosso fundador:

“A origem e o propósito essencial desta Instituição são muito antigos, porém, em grande parte, pouco conhecidos, até mesmo por muitos que ostentam o título de Maçom. Isso ocorre porque muitos contentam-se apenas com a superfície, negligenciando a procura pelo seu verdadeiro significado. Alguns querem o título apenas para desfrutar de entretenimentos misteriosos e das amizades, por vezes tão frágeis quanto o gosto que os une. Outros almejam a distinção para participar coletivamente de uma benevolência louvável e honrosa, objetivo explícito e geral da Sociedade. Por fim, há aqueles que, incapazes de conceber que uma instituição cuja origem se perde na noite dos tempos possa existir e resistir a todas as vicissitudes sem ter um propósito fundamental e essencial para os seres humanos de todas as classes, idades e países, elevam-se a um nível mais elevado”.

MMQQII, esta Consciência absolutamente retificada, ecoou profundamente do meu Coração, até pela formação Cristã e Humanista que recebi da minha Família. Por isso, ela é e será sempre uma pedra Basilar do meu caminho de reintegração que agora reafirmo assumo como compromisso do meu trabalho de Obreiro com esta Família Pedra de Fecho.

Com a Consciência da Essência do Rito

Na sua Obra “O Homem-Deus: Tratado das Duas Naturezas”, Willermoz diz-nos:

“Com a vida, o homem recebeu o livre-arbítrio, ou seja, colocado entre o bem e o mal, é livre para escolher. É-lhe mostrada toda a felicidade que deve obter seguindo o bem que já conhece e é ameaçado com os tormentos mais cruéis se se aliar a um inimigo perigoso que também lhe é mostrado”.

MMQQII, uma vez que o homem perde de vista a verdadeira luz, ou é impelido por uma curiosidade criminosa que o leva a ultrapassar os limites prescritos, ele só cai de erro em erro, percorrendo vastos espaços. A sua presunção faze-o ver tudo como simples meios para atingir o objetivo proposto. Esse objetivo, claro, não é outro senão a verdade ou a felicidade, mas, privado pela sua culpa da tocha que deixou para trás, ele apenas murmura, pois, as trevas impedem que veja que não está no caminho certo. Em vez da paz e da verdade que procura, encontra apenas sofrimento. O remorso e a confusão envolvem-no; pode ter viajado muito, trabalhado muito, mas enquanto permanecer nesse caminho, não encontrará nada.

Reforça ainda Willermoz: “Somente depois de ficar cansado dessa procura inútil, depois de tanto esforço mal-empregue, depois de ter enfrentado todas as fadigas do corpo, da alma e do espírito, é que finalmente, retornando àquela inclinação inicial pelo verdadeiro, pelo bom e pelo belo, renunciamos aos nossos erros. Sacudimos os preconceitos e voltamos atrás em auxílio de nossa consciência transtornada. É quando o apelo de nossos guias benevolentes é ouvido imperiosamente; guias que buscam incansavelmente retomar seus direitos sobre o homem. Então, para encontrarmos a verdadeira felicidade, é preciso submetermo-nos, resignarmo-nos, fazer o sacrifício do que nos é mais querido, renunciar a direitos, sofrer a morte e a privação de tudo o que possuía. E se o Homem se submete a esse castigo totalmente merecido pela sua rebelião, o homem ingrato e perverso alcançará a graça quando só espera a destruição. Quem é esse amigo generoso que intercede por ele? É seu Criador, é a própria sabedoria.

MMQQI, esta é a dialética e a essência do RER, entre a Queda e a Reintegração pela mediada pela ação do Criador. Esta é a Consciência que assumo neste compromisso, vencer a luta interior contra as Trevas, iniciar o caminho da procura da Luz e paralelamente ajudar os MMII a encontrar esta Essência.

Com a Consciência do reencontro com DEUS

MMQQII, O trabalho que realizamos na Loja é sagrado. É sagrado, pois é dedicado a Deus e realizado para Sua maior Glória. Este compromisso é feito sobre o Evangelho e a espada. “Prometo sobre o Santo Evangelho…”, diz o candidato, e une o gesto à palavra. A sua mão direita – aquela que compromete – é colocada nua sobre o Santo Evangelho e a espada. A mão não está suspensa no ar, mas em contato físico direto com um e outro. É, portanto, na união com Cristo, não só espiritualmente, mas fisicamente, através do contato da nossa mão com a sua Presença, que todos nós MMQQII, contraímos nosso compromisso iniciático. Fomos, portanto, consagrados “irrevogavelmente” a Deus como Maçons, isto é, pelos trabalhos que vamos realizar como tais. Esta consagração é renovada, a cada abertura dos referidos trabalhos, pela oração, que de alguma forma constitui o memorial: “Grande Arquiteto do Universo, Ser Eterno e Infinito, Tu que és a Bondade, a Justiça e a Verdade”.

JB Willemoz, no manuscrito “Carta a um candidato a ser admitido em uma loja retificada” ensina-nos:

“A Maçonaria é uma escola que gradualmente testa o aprendiz, transformando-o em um homem moral e útil em qualquer parte da sociedade humana onde a Divina Providência o tenha colocado ou planeie colocá-lo no futuro. Nessa escola, ele é moldado sob o véu de símbolos, emblemas e alegorias adequados para exercitar a sua inteligência de acordo com a sua capacidade. O estudo é suavizado por entretenimentos sociais honestos e decentes, tornando-se interessantes pelo mistério que os envolve. Além disso, o aspirante é formado, caso ainda não o esteja, ou fortalecido no amor por uma prática constante dos deveres religiosos, morais e sociais”.

Ensina-nos ainda Willermoz:

“Se o desânimo e o assombro estéril não o abalarem, se ele for constante com sinceridade, constância e fervor, o homem usará proveitosamente esse brilho para alcançar a grande Luz. Não esqueçamos que essa recompensa deve ser o fruto de uma jornada longa e penosa, e mesmo que tenhamos nos tornado indignos no passado, ela é-nos dada sob um novo sinal de confiança e sob as provas mais autênticas de nossa fidelidade, prudência e submissão”.

No manuscrito “Meus pensamentos e os dos Cohen”, Jean Baptiste Willermoz orava assim a Deus:

“Verdade Eterna, Tu cercas-me com os Teus raios, mas as sombras escuras da minha alma elevam-se sem cessar e impedem-me de dirigir os olhos para Ti. Todos os dias, às tardes e à meia-noite, às manhãs e ao meio-dia, Te invoco com ardor. Os meus esforços são vãos e inúteis. O espesso véu das minhas afeições materiais afastam a minha vista da Tua Luz. As imagens dos objetos aos quais entreguei os meus sentidos colocam-se entre a Tua ação benfeitora e os débeis esforços da minha vontade; elas apartam-me do caminho e levam-me pelo caminho das ilusões enganadoras. Tu escapas-me, e perco a esperança de chegar a Ti. Oh verdade, sem a qual o meu ser não é nada, nunca deixarei de Te invocar. Até que tenhas escutado o meu desejo, os meus desejos serão a minha única existência. Escuta a minha voz, vem ao socorro daquele que Te chama com tanto ardor. Renuncio aos objetos sensíveis; é a Ti somente que quero amar e sempre contemplar como a minha única vida. Pois Tu és a vida do homem e, sei, com clareza, que o meu destino é viver para sempre em Ti e por Ti”.

MMQQII, o aprendiz retificado, precisa volta-se seriamente para si mesmo e encontrar o raio de luz que todos recebemos na nossa iniciação. Mas precisa fazê-lo com o desejo sincero de se conhecer, de conhecer DEUS e a conexão entre ele mesmo e o Divino, e só esse desejo puro o conduzirá à prática mais escrupulosa de seus deveres nesta Augusta Ordem. É tendo Consciência do início reparador deste reencontro com DEUS que assumo convosco o Compromisso que honrar e trabalhar sempre à Glória de DEUS.

Onde estou EU agora?

Estou “dentro” das palavras sábias de Willermoz: “O homem só alcança o que deseja ao consultar a natureza, a razão e a justiça; a primeira é a porta na qual deve bater, a segunda é o caminho a seguir, e a terceira é o objetivo a aspirar. Adentre em si mesmo, estude-se e chame para ser ouvido; busque na sabedoria e além do material o que somente ela pode fazer você encontrar, e peça ao Criador de toda justiça a compreensão do que procurou e encontrou. Ah, não é, por acaso, uma grande recompensa ter obtido a convicção de que devemos depositar toda a nossa confiança Naquele de quem tudo recebemos? Quem mais além Dele pode nos dar nossa recompensa? Já sabemos que outro que não Ele nos fez errar e que inutilmente procuramos fora Dele o que só podemos encontrar Nele”.

MMQQII, assim, é neste estado de sincero retorno a Ele que espero receber a minha recompensa, pois, quando este retorno é verdadeiramente sincero, é seguido por uma doce emoção, mais fácil de sentir do que de verbalizar e para a qual a palavra felicidade é curta.

Tenho a Consciência que não cheguei a nenhum destino, mas pelo menos sei que desfruto da satisfação de estar na rotam justa que levará ao objetivo desejado. Por mais distante que a luz esteja, ela é tão intensa que ilumina o meu caminho. Posso significar este estágio como: “plena confiança em Deus” e “forte Amor Fraterno aos MMII”

Concluo com a reflexão de Jean-Marc Vivenza, na obra “O caráter operativo do regime escocês retificado e sua vocação espiritual”: A Obra de Purificação / Retificação impõe- se como a “Via” por excelência que propõe o Regime Escocês Retificado aos seus membros, “Via” representada sob a forma de um caminho que remonta até a essência primitiva da qual o homem se afastou pela sua queda, de uma lenta ascensão até o centro da criação que foi estabelecida pelo nosso Pai, enquanto agente imediato da Divindade, num estado de glória e perfeição.

MMQQII, percorri apenas os três primeiros passos, por isso, tenho a consciência do estágio embrionário em que ainda me encontro e estou consciente do caráter próprio de minha missão no RER. Esse é o caminho que faço aqui, nesta R:.L:. lado a lado com cada um de Vós.

Américo Mateus, C. M. – RL Pedra de Fecho n° 121 a Oriente de Sagres (GLLP / GLRP)
2 de Março de 6024

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1 thought on “Compromisso de Aprendiz”

  1. EBERT LEONARDO DOS SANTOS

    O texto reflete uma jornada de busca por autoconhecimento e transformação, enraizada nos princípios de uma tradição iniciática. Mesmo sem ser maçom, consigo enxergar a profundidade e relevância desses valores. O compromisso com a “pedra bruta”, a ideia de que o ser humano está em constante lapidação, é algo que vejo como essencial, não só para membros de uma Ordem, mas para qualquer pessoa que busque evolução pessoal e espiritual.

    Ao olhar para o que é apresentado aqui — Tradição, Iniciação e Sigilo — percebo que esses três pilares são formas de preservar e transmitir um conhecimento que transcende o tempo e o espaço. É uma busca por algo maior, algo que nos conecta ao sagrado e ao propósito de vida, o que, para mim, ressoa com a necessidade humana de encontrar sentido em meio às distrações modernas.

    A maçonaria, como apresentada no texto, parece ser uma escola que convida seus membros a confrontarem suas sombras e a encontrarem a luz. Isso me faz pensar em como, na sociedade de hoje, muitas vezes ignoramos esse processo interno. Buscamos soluções rápidas e respostas fáceis, quando na verdade a verdadeira transformação exige paciência, introspecção e uma conexão profunda com valores éticos e espirituais.

    Ao falar sobre a “Consciência do reencontro com Deus”, o texto evoca uma responsabilidade maior: entender que o caminho espiritual não é apenas um exercício individual, mas também uma contribuição para a humanidade. Para mim, isso se traduz na necessidade de vivermos de forma mais intencional e solidária, algo que, embora muitas vezes esquecido, continua essencial nos tempos atuais.

    Por fim, esse processo de reintegração, que o texto coloca como central, é algo que todos podemos entender. Não é sobre um caminho externo, mas sobre uma jornada interior de reconexão com aquilo que nos torna verdadeiramente humanos — sejam esses valores espirituais ou éticos. Para mim, isso é o que o texto destaca de forma mais impactante: a busca por uma vida mais profunda, alinhada com princípios que nos guiam para além do material e nos aproximam de algo transcendental.

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