Conceito de liberdade Maçónica

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“A Maçonaria é uma instituição filosófica”; “o carácter principal do Maçom é ser livre e de bons costumes”; “O objecto essencial da Maçonaria é, na verdade, a sua acção moral”; “Maçons fazem um estudo sereno e sério dos fenómenos históricos da religião e política”; “trabalham para o advento de novas ideias”; “a inteligência é, para nós, a mais perfeita manifestação da vida”; “… Onde o ensino é permanente, não pela palavra do presidente e do orador, mas, principalmente, pelo trabalho do adepto”; “A fecundação das ideias faz-se no silêncio”; “A amizade fraternal, que liga os bons maçons, é o laço de união da ordem maçónica”; – (Ritual do grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito). O que vem a ser liberdade maçónica? Em resumo, a liberdade maçónica preconiza o amor fraternal como única solução para todos os problemas da humanidade: sinónimo de liberdade; causa de igualdade; razão da fraternidade.

São três os aspectos onde se desfruta da mais ampla liberdade: consciência, espiritualidade e pensamento. Nenhum déspota pode mudar ou censurar o que se passa na mente do cidadão. Legisladores podem escrever as leis mais perfeitas que estas são nada perante a vontade individual. Apenas o próprio cidadão se pode sabotar ou se libertar no recôndito dos seus processos mentais; é o trabalho na pedra bruta; o autoconhecimento. Daí ser lógico afirmar que a Maçonaria não dá nada para ninguém; todo progresso pessoal é resultado de esforço individual e intransferível. A liberdade jaz dormente na memória das pessoas, é parte do projecto da criatura, basta uma leve provocação para despertá-la; é o que ocorre nos debates entre os obreiros na sublime instituição. A Maçonaria entra com o sistema, o local, as ferramentas; o adepto com a sua alma, coração e mente. Liberdade é resultado da convivência fraterna de pessoas em busca da sua liberdade individual.

Liberdade maçónica não é aquela em nome da qual já foram cometidos os mais perversos crimes, opressão, desajuste social, desequilíbrio e desilusão. Liberdade maçónica reside no pensamento. É nos processos cognitivos que qualquer cidadão se torna absolutamente livre. É isto que o sistema da Maçonaria tenta – poucos o percebem – incutir na mente dos seus adeptos. É pelo pensamento que a Maçonaria liberta o homem para a sua função de edificador social. É do pensamento, da conceituação deísta da Maçonaria, que nasce a noção, o conceito de Grande Arquitecto do Universo, a síntese de liberdade absoluta e que permite a convivência pacífica dos seres humanos. É pelo amor fraterno que o homem se torna digno do sopro de vida que anima o seu trabalho sobre a superfície paradisíaca deste lindo planeta azul, o qual se desloca numa velocidade vertiginosa a um destino desconhecido. Cabe a criatura fazer parte nesta viagem pelo espaço infindo desfrutando de liberdade absoluta no seu pensamento e de liberdade relativa nas suas relações com as outras criaturas da biosfera terrestre.

Charles Evaldo Boller

Bibliografia

  • BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Cavaleiros do Oriente, da Espada e da Água, Segunda Série de Graus Históricos e Capitulares, primeira edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 64 páginas, Rio de Janeiro, 1925;
  • CAMINO, Rizzardo da, Introdução à Maçonaria, Doutrina, História e Filosofia, ISBN 85-737-4876-1, primeira edição, Madras Editora Ltda., 431 páginas, São Paulo, 2005;
  • CAMINO, Rizzardo da, Simbolismo do Primeiro Grau, Aprendiz, ISBN 85-7374-076-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 188 páginas, São Paulo, 1998;
  • CHARLIER, René Joseph, Mosaico Maçónico, primeira edição, Editora Maçónica a Trolha Ltda., 224 páginas, Londrina, 1995;
  • LACERDA JÚNIOR, Luiz Antonio Grieco e, Maçonaria, Manual do Candidato, primeira edição, Grande loja do Estado de São Paulo, 119 páginas, São Paulo;
  • PETERS, Ambrósio, Maçonaria, Verdades e Fantasias, primeira edição, 252 páginas, Curitiba, 1927;
  • RIGHETTO, Armando, Maçonaria, uma Esperança, primeira edição, Editora Maçónica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 1992;
  • SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Jurídica, 158 páginas, Florianópolis, 2000.

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