A vida na Ordem Maçónica possibilita-nos sempre aprender mais. É ficar atento, alerta, ao que nos passa, ao que se passa. A paisagem das alamedas faz parte da nossa vida. Por que relegá-la? Ou secundá-la? As alas também são parte do nosso caminho. Como Aprendiz muito tomamos, muito recebemos, muito aprendemos, se somos atentos. Mas, do mesmo jeito muito também aprendemos, se quando Mestres também nos colocarmos atentos. O bom Professor é aquele que aprende também quando ensina.
Não vejo oposição, choque entre Ciência e Religião. São dois enfoques em busca de entendimento e explicação do mundo. Dentro da nossa Ordem temos, não podemos nem devemos negá-lo, os dois enfoques. E temos de ampliar as nossas condições de entendimento.
A humanidade já estudava, formalmente, pela divisão do Conhecimento feito pelas áreas científicas das Artes Liberais, herdadas da formação educacional greco-romana, o Trivium (a Gramática, a Retórica e a Lógica) e o Quadrivium (a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia).
Existe uma Lógica quando destacamos o lado “Científico” em alguma observação. Tomamos um dos lados da apreciação. Mas nunca é o único. Sempre há outro aspecto a poder ser considerado. E isso a nossa Ordem não relega, bem ao contrário, fica atenta, alerta.
Assim, a leitura do universo pela Astrologia não é uma restrição. Pretende mesmo se apresentar como um alargamento do conhecimento. Propõe-se a fazer a leitura das combinações dos astros nos seus posicionamentos e os seus respectivos efeitos sobre os seres humanos e as coisas. Não há necessariamente um choque directo entre Astronomia e Astrologia. Mas enfoques diversos. Há sim, uma lógica nessas interpretações. Existe, demonstradamente, o efeito dos astros sobre o nosso Planeta Terra, sobre os mares, sobre o clima, inegavelmente, sobre as pessoas também há de ter efeitos.
Estas leituras são muito antigas, de muitos milhares de anos. Assim sendo, não se trata só de simples posicionamento a imposição dogmática de Fé. Não é leitura religiosa, mística, ainda que tenha tido os seus resultados sobre populações imensas de povos no arcadismo da história humana.
Vida Normal?
Pois é, se pensarmos que, todos os anos, terminado o Horário de Verão (no tempo em que havia, aumentava-se uma hora no tempo diário), a vida deve seguir as suas normas reais, sempre se fez preciso que retomássemos o seguir das nossas próprias existências. E, sob outro aspecto, aí por Fevereiro, vamos entrando no Novo Ano Lunar, ou, se preferir o Ano Novo Chinês.
Que tal olharmos alguns caminhos que a Astrologia nos indica, de há muito? Ainda que hoje tudo isso, para muitos, pareça bobagem pura. A verdade é que, queiramos ou não, as plantas e as águas são influenciadas pelos astros. E nós, ilustres seres humanos, não? Por quê?
A Antiguidade respeitava muito os ditames da Astrologia, e já sabia da Astronomia. Os povos da época buscavam interpretar o que observavam, o que hoje chamamos de “coincidências”, aspectos que se exibiam firmes e fortes. Aqueles povos, fossem do Antigo Egipto, do Oriente Médio, do Extremo Oriente ou da Europa, especialmente os mais antigos, como os nórdicos, consideravam a vida em ciclos. E assim a interpretavam. E todos se apercebiam de factos que lhes vinham como determinantes período a período.
Uma constante em todas essas civilizações era a constatação dos Solstícios e Equinócios. Já na Europa, no Vale do rio Boyne, na Irlanda, foi construído em Newgrange, um monumento de 280 mil toneladas de pedras, por volta de 3.500 a.C. Isto pode espantar alguns hoje se fizerem comparações. Estamos falando de uma construção que ocorreu mais de mil anos antes dos egípcios erguerem a pirâmide de Quéops e mais de 2.500 anos antes dos pedreiros de Hiram terem iniciado a construção do Templo de Salomão. Pois sob essa construção na Irlanda, extremamente pesada, há uma câmara que recebe a luz dos astros, especialmente, de Vénus, mas também a do Sol, nas manhãs de Equinócio e de Solstício, a cada um dos ciclos de 8 anos. Com essa periodização os povos elaboravam o seu calendário e expectativas. Sabiam que estariam mais influenciados para esta ou aquela direcção, nas suas emoções, como nas suas reacções.
No Velho Testamento temos algumas indicações, tomemos por exemplo o caso de Enoch, no Oriente Médio, que seria filho de Jared e pai de Matusalém, e teria vindo em 3.382 a.C., conforme fontes judaicas, e teria subido aos céus em 3.017 a.C. (com mais de 300 anos portanto). Pois, observem que interessante, seria na mesma época da construção em Newgrange. Por outro lado, ainda Enoch teria sido bisavô de Noé, portanto antes do Dilúvio. Interessante também considerarmos que cientificamente sabemos hoje que teria havido uma inundação global cerca de 8.000 antes de Cristo. Pelo relato bíblico hebreu o Dilúvio teria sido cerca de 2.400 a.C., o que reafirma o relato de Enoch. Não estamos discutindo datas.
Observe-se que o Templo de Salomão também atentava para a luz no Equinócio e no Solstício com precisão milimétrica. Percebiam que algo diferente ocorria. Talvez não tivessem plena consciência da distância aqui e ali alternada do Sol em relação com a Terra. E os períodos dos ciclos, de 8 anos, de 40 anos, 400 anos, e 1.400 anos, desses eventos são indicativos muito firmes por todo o relato bíblico, com a referência à Estrela “Shekinah”, que na realidade, era uma combinação de luz emitida por Vénus e Mercúrio.
Todos os estudiosos da Astrologia preparavam-se para os períodos, como Magos que eram. Aí, veio a luz da “Estrela de Belém”, a “Shekinah”, que no seu período teria indicado a vinda de Jesus (ano 7 a.C.). E em cada calendário, em cada ciclo, alguém vinha com uma característica.
São tantas as “coincidências”! Os chineses diziam que naquele nosso 2018 (quando escrevi esta prancha) se iniciava o ano do Cão, no Calendário da Lua, que valoriza a Ética. Precisamos desse alerta? Quantas luzes se nos oferecem?
Mas, não podemos relegar as possibilidades de alcance do conhecimento, elas são diversas, mas efectivas.
Conhecimento
Existem algumas interpretações do que seja Conhecimento. Para ser mais explícito, estou aqui me referindo a ter uma ideia, ter uma noção de algo, de uma coisa, de um facto, de um ser. Isso implicaria uma informação sobre tais coisas e situações. Estou me referindo a algo que vai além de só a consciência da própria existência. Claro, isso também está embutido no nosso conhecimento. Mas vai mais adiante do que ser uma simples informação, ou uma notícia que venhamos a saber.
Como cientista, fui formando lá minhas teorias. Pois é, iniciei minhas pesquisas em nível rigoroso há uns quarenta anos, indo para os cinquenta anos, quando comecei a preparar o meu primeiro Mestrado. Ainda era só na área de Linguística, depois foi passando para a Antropologia e cheguei na Semiótica, e assim na Semiótica das Culturas. Coisas da vida de quem inicia e vai seguindo em busca de saber um tanto mais e vai descobrindo que ainda tem mais a saber e a coisa não para nunca.
Tive a possibilidade de alcançar alguns conhecimentos pelos caminhos que fui percorrendo. Encontrei muita gente que me apoiou. Pude ver alguns relacionamentos se tornarem amizades. Bom isto, muito bom! E, com certeza, também encontrei gente que não me via bem. Enfim, fui seguindo. E chegando a algumas constatações, algumas descobertas, de facto a alguns conhecimentos.
Não vamos iniciar ampliando a apreensão do Filósofo/Teólogo Giovanni Pico della Mirandola (1463 – 1494) um neoplatónico e humanista do Renascimento Italiano, que considerava três mundos na sua leitura do Universo, o Natural, o Celestial e o Supracelestial. Não vamos também, aqui e agora, desenvolver as questões de Magia, sobre o lado celestial, nem, igualmente, a do “Livros dos Espíritos”, de Allan Kardec, de 1857, com o seu mundo Supracelestial.
Se nos afastarmos um tanto do que aqui apresentamos, devemos reflectir sobre aquilo que são considerados genericamente os três mundos do conhecimento humano mais simples e generalista: o Mundo Animal; o Mundo Vegetal e o Mundo Mineral. Estes são os três aspectos que nos são trazidos ainda hoje como passíveis de conhecimento do Ser Humano.
Neste ponto podemos trazer para consideração uma interpretação de como pode o Ser Humano buscar entender o alcance da sua percepção, como vamos expor mais abaixo.
Observo que, há já vários anos, como pesquisador universitário, busquei estabelecer uma visão tripartida na identificação do Conhecimento do Universo. Visão essa a que formalizei como sendo o Triângulo do Conhecimento, um mapa que compreende os seguintes aspectos:
- Ângulo Cultural;
- Ângulo Natural; e
- Ângulo Imaterial (ou Divino).
Fui considerando por aquelas coisas que a gente vai identificando nas suas variedades. Cada ângulo oferecia uma área de informação.
Assim, teríamos na base um dos ângulos do que nos oferece o Conhecimento do “Cultural”, que representaria tudo aquilo que é produzido pelo fazer humano. O Homem e a Mulher produzem aquilo que resulta das suas mãos, da sua mente, e isso se oferece ao entendimento de todos, ou seja a todos os demais seres, a sua interpretação, com gosto ou não. Ou seja, aquilo que o homem faz directamente e exibe como resultado aos demais.
O outro ângulo da base refere-se ao Conhecimento do “Natural”. Este implica em tudo o que nos chega em realidade da Natureza, o que não é produzido pelo homem directamente, mas o que se nos oferece pelo mundo exterior ao humano, sejam animais ou vegetais ou minerais, como até agora sabemos.
O terceiro ângulo é aquele a que denominei de Conhecimento do “Imaterial”. Referindo-se aquilo de que não sabemos a origem, sejam o que corriqueiramente alguns de nós chamamos de “coincidências” enquanto outros chamam até de “milagres”. Alguns amigos, com formação mais fortemente religiosa ou mística preferiam denominar de Conhecimento do “Divino”. É um Conhecimento que também alcançamos muitas vezes, a que chegamos a saber. O que não sabemos, ou ainda não somos capazes de entender, não quer dizer que não existe. Não é mesmo?
O Conhecimento Humano se faz como pode ser identificado pelo grafismo desse triângulo pela sua forma equilátera. Assim, o ângulo do Aspecto Natural na base do Triângulo do Conhecimento refere-se à Vida na sua forma genérica. E aqui podemos, se quisermos, considerar os Eixos da Vida, como exposto desde 1735, por Linnaeus, que reconhecia apenas: 1. Vegetabilia e 2. Animalia. Ou, como mais recentemente, os cinco Eixos do Reino da Vida de Whittaker (1969) identificados (1. Animalia, 2. Plantae, 3. Fungi, 4. Protista e 5. Monera. Ou dos Seres Vivos da Hierarquia de Cavalier-Smith (1998) nos seus seis enfoques (1. Animalia, 2. Plantae, 3. Protozoa, 4. Chromista, 5. Bacteria e 6. Fungi), como até o momento identificamos, posto poder ser superado a qualquer instante.
E, claro, ainda no Aspecto Natural do Triângulo do Conhecimento, além dos vivos, temos também os Minerais. E, sem esquecermos que muitos consideram os Minerais como altamente influentes no modo de agir, na personalidade das pessoas.
O Aspecto Cultural, na base ainda do Triângulo do Conhecimento pelo seu lado é aquele que o ser humano produz, formaliza nas suas expressões, Comunicativas, Artísticas e Científicas.
E, finalmente, o Aspecto Imaterial (ou por Aspecto Divino, como pode ser reconhecido por alguns) do Triângulo do Conhecimento refere-se àquilo que não temos plena condição de explicar, mas que constatamos existir, podendo ser além do mito, do místico, ou compreendido como resultado da Fé.
Na Idade Média o mundo era entendido como uma plataforma. Se navegássemos pelo oceano cairíamos no espaço. Até que Colombo exibiu mais largamente a ignorância da antiga visão.
Temos tanto a alcançar ainda. Será que nos abrimos a todas as formas de conhecimento?
Tendo passado por uma Experiência Quase Morte (EQM) tenho uma compreensão, talvez algo diversa de tantas pessoas, desse aspecto a que denominei de Conhecimento Imaterial. Mas o que é exactamente isso de EQM?
Muito se tem escrito sobre EQM. Tentemos sintetizar:
Experiência Quase Morte (EQM)
Esta expressão Experiência Quase Morte (ou EQM) tem referencia a umas tantas compreensões, ou visões ou sensações por muitos vinculadas à situações de morte iminente. Muitos tem projectado a compreensão de uma possível consciência de si mesmo que se daria pelo que tem sido com frequência denominadas de “projecção astral”, “experiência fora do corpo”, “desdobramento espiritual”, “emancipação da alma” e assim por diante. Alguns inclusive tem relatado algo a que se tem chamado de “sensação de serenidade” bem como a uma “experiência do túnel”.
Tais fenómenos são por muitas vezes referidos após algumas pessoas terem sido diagnosticadas como mortos clinicamente ou muito próximo da morte. Eis a razão desta denominação de “EQM”.
A expressão normalmente utilizada em francês “expérience de mort imminente” (experiência de morte iminente), foi utilizada pelo psicólogo e epistemólogo francês Victor Egger em 1896 em “Le Moi des Mourants” (algo como “O Eu dos Moribundos”), que resultou de várias discussões entre filósofos e psicólogos ao final do século XIX.
Porém foi a partir de um trabalho publicado em livro “Vida Depois da Morte” (1975) pelo psiquiatra e parapsicólogo norte-americano Raymond Moody que se alargou por imenso a atenção ao tema das EQMs.
O que muitos cientistas alegam é que os relatos de EQM não são acompanhados por provas concretas. Isso leva a um maior questionamento sobre as suas causas e possíveis significados.
Os entendimentos de que as EQMs seriam demonstrativos da vida pós a morte é leitura feita por muitos parapsicólogos e espiritualistas, ainda que saibamos desse mesmo entendimento por certos médicos e pesquisadores. De mesmo modo temos também aqueles que consideram as EQMs apenas como alucinações, como outros tantos considerando apenas como fenómenos paranormais.
Desde 1978 existe a International Association for Near-Death Studies (Associação Internacional de Estudos do Quase-Morte) nos EUA. Esta entidade utiliza a expressão “near-death experience scale” (“escala de experiência de quase morte”), um método criado pelo psiquiatra e parapsicólogo Bruce Greyson para determinar as EQMs que podem ser consideradas como legítimas.
O Instituto Gallup realizou pesquisa em 1982 que indicou cerca de 8 milhões de norte-americanos já tendo passado pela experiência de quase morte, ou que entendiam tê-la vivenciado. Observe-se que até 2005 em 95% dos países tinham sido constatadas tais experiências.
Indica-se que a mais antiga referência a EQM aparece na obra de Platão “A República” (Livro X).
Isto posto, e apesar disso tudo, temos de reconhecer igualmente que os relatos das pessoas que vivenciaram EQM são extremamente semelhantes. Isto deve ser considerado levando-se em conta os relatos feitos em muitas línguas e culturas absolutamente diversas. Eu mesmo já relatei em outras oportunidades, depois de passar pela minha EQM. Vejam:
“Vivi uma EQM, em Outubro de 1969. Sofri um acidente de carro, em Pinheiros, cidade de S. Paulo, Brasil. Fui internado no Hospital das Clinicas, onde fiquei 3 dias em coma. E lá vivi a EQM, com meu corpo saindo de mim, ou minha mente se afastando do meu corpo. Eu via o corpo de fora dele. E via todos a minha volta numa sala do Hospital. Quando comecei a morrer tive a percepção de que começava a morrer pelos extremos dos membros. Minha sensação era a de “dever cumprido”. Era militante político, com 23 anos. Depois, como se estivesse acordando de um sono, vi os médicos e estudantes de medicina a minha volta. E um deles disse: “Ele está acordando!”. Na época era ateu. Não vi Deus. Nem lembro de visão do Paraíso. Mas morria tranquilo. E, depois disso, não busco a morte, mas também não tenho medo da morte, nem tive mais esse medo, mas, sim, a consciência de que um dia ela virá naturalmente, sem terror. Tinha o sentimento de que havia mais coisas a fazer, por isso não partiria daquela vez”.
A EQM, acredito eu, pode levar-nos a buscar compreender fenómenos, como o da separação da mente do corpo, como algo que implica em duas realidades que se oferecem ao conhecimento.
Assim, se considerarmos a leitura mística ou religiosa teríamos alma e corpo em referência ao ser humano. Se considerarmos uma leitura mais racional teríamos o corpo e a mente. Em ambos os casos teríamos que a morte se daria estritamente em referência ao corpo, ponto mais frágil. A alma, ou a mente, de acordo com a leitura feita, permaneceria viva. Ainda que mesmo não sendo do conhecimento dos demais seres humanos que tivessem relação ou não com aquele corpo que viesse a morrer.
Assim, esta interpretação, no entanto não pode ser simplesmente confirmada com o conhecimento que temos até aqui. Pessoas com condições especiais podem ter mente com potencial reduzido. Esta mente ainda assim sobreviveria? Ou haveria morte a posteriori, com relativo espaço de tempo após a morte física da pessoa?
Observe-se também que uma criança tem uma mente precariamente elaborada. Essa mente evolui em vida até tornar-se em condições de entendimento adulto. No caso da morte física de uma criança, a sua mente seria preservada para atingir a evolução às condições de idade adulta? Ou não?
Não temos acesso a tais informações fora do eixo do racionalismo. As situações de videntes que dizem receber a manifestação da mente de outros já mortos fisicamente seria um facto real? O importante é que ainda não temos como reconhecer a veracidade dessas alegações.
Não sabemos nem mesmo qual o período de preservação da mente sobrevivente após a morte física, do corpo, de uma pessoa.
A postura de fé, da leitura religiosa ou mística, não nos responde com eficácia a questão racionalista que se nos faz: a mente sobrevive após a morte física? E por quanto tempo? Haveria efectivamente a “vida após a morte”?
Sem as respostas das questões acima expostas, não caberia aqui também o questionamento da reencarnação como possibilidade afora a leitura religiosa ou mística.
Todas as questões devem ser colocadas. E temos de nos questionarmos sobre tais situações dada a situação real oferecida a partir da Experiência Quase Morte.
Ciência e Religião
Anos depois daquela EQM, reflectindo sobre como poderia me colocar ante Deus, ante um Senhor, depois de tantos anos como ateu, dei-me conta de que precisava aprofundar o raciocínio sobre tais pontos. Estava há anos antes de ser iniciado na Ordem, nem havia sido questionado sobre tais pontos ainda.
Nem me colocava nos debates entre religião e ciência. Aliás, faz pouco meses num artigo maçónico, sem identificação do autor (“O Eterno Conflito entre a Ciência e Religião”, Freemason.pt), li citações interessantes retiradas da Enciclopédia Britânica:
“A Ciência é um qualquer sistema de conhecimento que esteja preocupado com o mundo físico e os seus fenómenos, implicando obrigatoriamente observações imparciais e experimentação sistemática. Em geral, uma ciência envolve uma busca de conhecimento que cobre as verdades gerais ou as operações das leis fundamentais”; Em suma, a Ciência, procura a verdade das leis da Aritmética e a sua harmoniosa Música, na Geometria dos Astros”.
“Por seu lado, “a Religião é a relação dos seres humanos com o que eles consideram sagrado, absoluto, espiritual, divino ou digno de reverência especial. Por norma é também considerado como a forma como as pessoas lidam com as preocupações do seu dia a dia e o seu destino após a morte”; É assim o entendimento Lógico da Bondade de Deus através da Beleza na Retórica da palavra espalhada pela Verdade da Gramática”.
Ainda neste artigo, outra citação nos traz uma fala, que também destaco aqui, do cientista Stephen Hawking (no seu livro “Uma Breve História do Tempo”): “tanto quanto o Universo teve um princípio, nós poderíamos supor que tenha um Criador”, mas “no entanto, se nós descobrirmos uma teoria completa, então nós conheceríamos a mente de Deus“.
Como anteriormente nesse presente estudo já tratei disso, do Trivium e do Quadrivium, temáticas realçadas na nossa Ordem, creio não ser preciso ampliar tais referências.
Mas sinto necessário citar outro estudioso, em artigo do nosso Irmão lusitano Rui Bandeira (“Deísmo, Teísmo, Ateísmo”), no Blog “a partir pedra” (30.10.2008), que explicita, de modo simples, compreensões importantes para nós aqui:
- “Deísmo– posição filosófica que pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão, em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a “revelação divina”, os dogmas e a tradição”.
- “Teísmo– posição que resulta da crença na existência de Deus através da fé, designadamente por via da crença na Revelação em textos sagrados e ou nas profecias de portadores de mensagens tidas como oriundas da Divindade”.
Deísmo e Teísmo entendem do mesmo modo a “crença num Ser Superior”. O deísta entende que se trata de uma compreensão racional, necessária para se aceitar a feitura do universo. O teísta entende esse Ser Superior como uma questão de “Fé”, que é o factor dominante.
- “Ateísmo– posição que postula a inexistência de Deus”.
O ateu não aceita qualquer compreensão de Ser Superior, entendimento que lhe é determinante na leitura do universo.
Dados estes pontos, não vejo como a Ordem Maçónica tenha porque se colocar contra Deístas. Uma das suas exigência é recusar o Ateísmo, ainda que saibamos existirem locais que até os aceitem, ou não o questionem.
Fé e Razão são focos diferentes, diversos, nesta apreciação que aqui fazemos. Mas não possibilitam o choque destrutivo entre Religião e Ciência.
Assim, depois da minha EQM, como pesquisador Estruturalista, racionalmente não conseguia deixar de reconhecer a existência de um Ser Superior que em tudo interviesse de algum modo.
Desde que me compreendi como Deísta, há coisa de uns trinta anos, não sigo nenhuma religião. Mas sinto que não sabemos tudo, em especial neste Mundo Imaterial. Falta-nos muito de conhecimento. Não vejo como sinónimos, ou antónimos, as expressões “alma” (Teísta) e “mente” (Deísta). Mas sinto que poderiam ser referência a algo imortal no nosso ser, efectivamente (a EQM assim me exibiu). E que estariam, de algum modo, que ainda não nos apercebemos plenamente, vinculadas a um Ser Maior, o G:. A:. D:. U:., como com perfeição é interpretado pela Ordem Maçónica. Que tanto nos indica, ainda que tenhamos dificuldade de entender, caminhos e formas de agir para nos dirigirmos a pontos maiores e melhores para todos, ou ao menos, para mais gente.
Enfim
A nossa Ordem também prioritariamente trabalhando com a melhoria do ser humano, com o seu aperfeiçoamento, não se restringe a um enfoque estritamente racional ou lógico. Avança também sobre aquilo que nos pode alargar a apreensão, exactamente o Conhecimento em ângulos mais amplos.
Ainda que não sejamos uma Religião, estamos ligados, também, às apreensões religiosas. E mesmo que alguns dos nossos graus possam implicar na apreensão determinante pela Fé, não devemos, nem temos porquê, abandonar o Racionalismo.
Podemos fazer mais do que é bom, e juntos, com certeza, ainda seria melhor. Este é o propósito da nossa Ordem Maçónica.
Suami Paula de Azevedo, M:.M:.

- A Cadeira de Salomão
- Restauração de Templos Vivos – os Maçons
- Breve histórico da fundação da Grande Loja Unida de Inglaterra
- A Identidade Social
- Do Conhecimento… à Sabedoria


Obrigado, queridos Irmãos, da “freemason.pt”, por mais esta publicação minha.
Chegando aos 30 anos de Ordem, como Grau 33, como Arco Real, como Templário,
sei que não podemos parar de estudar.
E repassar o quanto pudermos do que vamos aprendendo.