O objectivo da Maçonaria, a perfeição da Humanidade, o crescer, só pode ser alcançado pelas vias da Acção e do Dever.
Quando olhamos para trás na vida, as recordações de experiências vividas durante a infância, adolescência e idade adulta passam diante dos nossos olhos. No entanto, escapa-nos a percepção de como se deu o processo de crescimento e maturidade, segundo a segundo, e como se deu a expansão da compreensão. Tudo parece uma série de etapas vividas; os frutos de cada uma delas são apreciados à luz da seguinte. Enquanto vivíamos, não compreendíamos a relevância do particular no futuro; o processo de crescimento em curso. No entanto, quando olhamos para trás, a ligação é evidente. A maior parte do caminho foi doloroso nas nossas actividades multifacetadas, porque houve uma falta de compreensão da congruência dos passos que deviam ser dados: um a um.
A maçonaria proporciona, ao buscador da Luz, um treino único que, se levado a sério, o obriga a trilhar o Caminho – partindo de onde ele se encontra agora para uníssono com o Plano Divino. Precisamos de compreender o significado da vida e de nós próprios, e aprender a reconhecer e a ultrapassar os obstáculos que impedem a nossa visão. O homem é feito para ser feliz e ter a paz interior que é fruto do dever cumprido. Despertar esta consciência de unidade, dentro de nós e com o todo, é o objectivo da Maçonaria. Daí a importância do crescimento conseguido através do dever bem cumprido.
Passando pelos estágios de Aprendiz, Companheiro, Mestre Maçom, e como oficiais de uma Loja, é dada a oportunidade a cada irmão de desenvolver sistematicamente aspectos de si mesmo. Cada etapa da Maçonaria tem obrigações bem definidas; que quando reconhecidas e cumpridas produzem os frutos do crescimento. Este é o “porquê” dos graus cuidadosamente delineados e das responsabilidades prescritas para o cargo. Pois a ligação perfeita torna possível, quando cada etapa ou cargo é levado a sério e vivido, uma expansão gradual da consciência e da interacção, treinando assim todo o homem para uma vida mais plena.
O nosso ritual é um reflexo da ordem perfeita subjacente ao Plano Divino. No nosso trabalho maçónico, somos nós, como indivíduos, que ficamos aquém do que deve ser feito. O primeiro dever de um maçon é compreender o que isso realmente significa e qual a parte da sua responsabilidade individual na totalidade do trabalho. Assumimos livremente obrigações atrás de obrigações, que são tomadas com demasiada ligeireza, e que é suposto serem tomadas com plena consciência.
Eu, como Mestre, tenho uma responsabilidade que é dupla. Há um aspecto interior e um aspecto exterior que não pode ser ignorado. A obrigação de planear o trabalho antes da reunião, de o ver realizado, de instruir os irmãos no Ofício e de acompanhar os assuntos da Loja durante todo o mês faz parte do meu trabalho actual. No plano interior, é meu dever tentar perceber, tanto quanto possível, o significado interior do cargo e as qualidades que sou chamado a desenvolver por causa do cargo. Devo interrogar-me: o que é que significa ser Mestre? Estou a cumprir a minha missão? Cada um de nós que tem um cargo tem de se confrontar com essa dupla face. Cada um deve perguntar a si próprio se está a cumprir a sua parte.
Cada cargo guarda um segredo para aquele que é capaz de o desvendar; cada um dá o fruto que contém a semente para o seguinte. Cada etapa da maçonaria é uma oportunidade e um privilégio que nos é concedido. Até que ponto nos apercebemos disso?
Haverá dias em que seremos convocados e nos sentiremos preguiçosos e indolentes. Se nos dermos uma oportunidade, as desculpas serão muitas. A inércia instala-se; assim, a negligência do que é nosso dever passa despercebida, e aquilo que faz parte do nosso trabalho não é feito por nós. Lembremo-nos de que assumir a responsabilidade de um cargo antes e depois da reunião é o que é importante; pois a maioria de nós, com um pouco de prática, pode realizar a parte cerimonial. É então, quando as coisas se tornam difíceis, que o treino maçónico é mais eficaz. Somos postos à prova e, se formos sérios, isso impele-nos a flexionar os nossos músculos e a fazer a nossa parte. Uma das funções do trabalho cerimonial é treinar o homem no desempenho dos seus deveres, independentemente das suas inclinações nesse momento particular. Os seus sentimentos são secundários em relação aos deveres que lhe são impostos. Pela acção, ele fortalece a sua força de vontade e aprende a vencer. O desenvolvimento da sua vontade e a força para manter o rumo escolhido são a chave para ultrapassar os obstáculos que encontrará na sua caminhada pela vida.
A Maçonaria tem um objectivo: a perfeição da Humanidade. O seu Caminho é o da Acção; a sua Via é a do Dever. Irmãos, podemos fazer pouco ou muito, de acordo com isso, se sempre submetidos à Lei, progrediremos nas nossas Artes Maçónicas. Isto manifestar-se-á nos instrumentos de trabalho pessoal que cada um traz consigo, com os quais esculpe a sua vida.
Rosario G. Menocal 33o
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- Estrela de Seis e de Cinco Pontas
- Os efeitos psicológicos da prática do Ritual Maçónico
- Sois Maçom?
- As colunas do Templo de Salomão
- Os quatro elementos

