“É melhor que a Maçonaria feche e desapareça com dignidade do que vê-la ser manipulada de forma flagrante pelo regime”
Em Julho de 2025, a Maçonaria cubana atravessa uma crise sem precedentes, marcada por tensões internas e uma pressão crescente do regime. Uma frase impactante, proferida pelo escritor Ángel Santiesteban e analisada com o advogado Edel González numa entrevista recente publicada no Diário de Cuba, resume o que está em jogo: “É melhor que a Maçonaria seja encerrada e desapareça com dignidade do que vê-la ser manipulada de forma flagrante pelo regime.” Esta declaração ilustra um debate profundo sobre a autonomia desta instituição face à ingerência estatal, um assunto que preocupa os membros e suscita interrogantes sobre o futuro da Maçonaria em Cuba.
Uma instituição sob influência
Historicamente, a Maçonaria desempenhou um papel influente na sociedade cubana, especialmente durante as lutas pela independência no século XIX. No entanto, sob o regime actual, ela enfrenta uma regulamentação rigorosa imposta pelo Ministério da Justiça, que supervisiona as suas actividades. Segundo analistas, essa tutela transformou-se numa forma de controlo, com acusações recorrentes de infiltração por agentes da Segurança do Estado. Ángel Santiesteban, conhecido pelas suas críticas ao governo, destaca que esta manipulação visa alinhar as Lojas com os objectivos políticos do Partido Comunista, minando assim a sua independência espiritual e filosófica.
Edel González, advogado comprometido com a defesa dos direitos humanos, acrescenta que os fundos em moeda estrangeira, essenciais para o funcionamento das Lojas, são criminalizados ou confiscados, aumentando a pressão financeira. Esta estratégia, segundo ela, visa enfraquecer a organização por dentro, tornando os seus membros vulneráveis às directrizes estatais. Estas intervenções levantam questões sobre a capacidade da Maçonaria de preservar os seus valores tradicionais, como a liberdade de pensamento e a fraternidade, num contexto autoritário.
Uma revolta interna
A crise atingiu o seu auge com acções espectaculares levadas a cabo por membros dissidentes. Em Julho de 2025, grupos de maçons tentaram retomar o controlo da Grande Loja de Cuba, acusando o Grão-Mestre, Mayker Filema Duarte, de ter sido imposto pelo regime. Esta destituição, decidida em reuniões extraordinárias, marca uma ruptura aberta com os líderes considerados “falsos irmãos” ao serviço da ditadura.
Estes acontecimentos, amplamente divulgados nas redes sociais, traduzem uma vontade de resistência, mas também uma fractura no seio da instituição. Os testemunhos recolhidos indicam que esta implosão é o resultado de uma tensão crescente, acumulada ao longo de vários anos. Alguns membros consideram que a Maçonaria cubana, outrora um espaço de debate e reflexão, se tornou um instrumento de propaganda, esvaziando os seus rituais do seu significado original.
Esta situação leva parte da comunidade a preferir a dissolução a uma submissão degradante.
Uma dignidade ameaçada
A frase de Santiesteban reflecte um dilema ético central: preservar a integridade da Maçonaria ao preço do seu desaparecimento ou deixá-la sobreviver sob uma forma distorcida. Para González, esta opção de encerramento seria um acto de resistência simbólica, permitindo aos membros manter a sua honra diante de uma manipulação que trai os ideais maçónicos. No entanto, esta perspectiva divide, com alguns defendendo uma luta interna para restaurar a autonomia, apesar dos riscos.
Em 2025, esta crise insere-se num contexto mais amplo de restrições sociais em Cuba, onde as liberdades individuais são cada vez mais limitadas. A Maçonaria, como organização estruturada e influente, torna-se um símbolo dessa batalha entre o controlo estatal e a aspiração à independência. Os debates sobre o seu futuro reflectem, assim, uma luta mais ampla pela dignidade e identidade num país assolado por desafios económicos e políticos.
Um desfecho incerto
Até o momento, o desfecho dessa crise permanece incerto. As tentativas de recuperação da Grande Loja suscitaram reacções contrastantes, que vão da esperança à repressão. O regime, por sua vez, nega qualquer interferência, afirmando respeitar a autonomia das organizações privadas, uma posição amplamente contestada. Enquanto isso, a comunidade maçónica cubana encontra-se numa encruzilhada, dividida entre a resiliência e a resignação.
Este episódio ilustra uma tensão universal:
Até que ponto uma instituição pode preservar os seus valores diante de pressões externas? Para Ángel Santiesteban e Edel González, a resposta reside numa escolha radical, em que a dignidade prevalece sobre a sobrevivência a qualquer custo.
Em Julho de 2025, a Maçonaria cubana encarna assim um microcosmo das lutas pela liberdade num contexto autoritário, oferecendo uma reflexão comovente sobre os compromissos impostos pelo poder.
Erwan Le Bihan
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex-Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
Fonte original
- Jornal cubano diariodecuba.com

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- Carta aberta sobre a interferência do regime cubano na Maçonaria
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Nossa, este comentário acima e nada são a mesma coisa…
Que valores ditatoriais são estes, em Cuba, que os maçons tanto reclamam?
O texto sinaliza ingerência do Governo confiscando capital investido no Exterior ou algo semelhante para o funcionamento das Lojas. Mas, eu me questiono: de que servem Lojas Maçônicas sem homens livres, nem que seja do vil metal?
A maior Liberdade da Contemporaniedade vem, de acordo com todos os meus estudos, em 34 anos de vida humana, da Liberdade Financeira, coisa que “Os Ditadores” fazem na América Latina. E isto não é promover a Igualdade?!
Se uma Fraternidade qualquer fecha por questões financistas (e não “financeiras” meramente), a culpa é da futilidade social que conduz os homens e mulheres às Trevas.
O Governo de Esquerda, no Brasil, só começou no Século XXI. Você se lembra como era antes disso? Ou eu vou ter que pedir, educadamente, pra você expressar sua preferência política por militares, empresários e exibicionistas?!
Sua baixa moralidade reflete o tipo de maçom que é.
Você é um profano de avental!
Quanto às noticias expressas em si, aqui, fico encantado com o avanço salutar de alguns homens em lutar por Liberdade num país que sofre a Ditadura Mundial do Capitalismo.
Eu não ligo.
Quer ser barulhento contra um Governo que te dá tudo? Que seja!
Jesus, Deus, não foi traído e morreu pra renascer?
O artigo acima vêm confirmar que a relação entre a Maçonaria e os regimes ditatoriais é um tema complexo e delicado. A Maçonaria, com seus princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, é fundamentalmente incompatível com regimes autoritários que restringem as liberdades individuais e coletivas.
Em Cuba, vemos um exemplo claro de como a Maçonaria pode ser sufocada por um regime ditatorial. A ingerência estatal e a perda de influência da Maçonaria na sociedade cubana são consequências diretas da incompatibilidade entre os valores maçônicos e os interesses do regime.
No Brasil, é importante que os irmãos maçons estejam cientes do risco de um governo autoritário e reflitam sobre a importância de defender os valores da democracia e da liberdade. A aproximação do atual governo brasileiro com ditadores da América Latina é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.
É fundamental que a Maçonaria brasileira se mantenha vigilante e defenda seus princípios e valores, garantindo que a liberdade de ação e a autonomia da instituição sejam preservadas. A história de Cuba serve como um lembrete de que a Maçonaria não pode coexistir pacificamente com regimes que restringem as liberdades individuais e coletivas.
*Chamado à reflexão:*
– Qual é o papel da Maçonaria em um regime democrático?
– Como podemos defender os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade em um contexto de ameaça autoritária?
– O que podemos aprender com a experiência da Maçonaria cubana?
É hora de refletir sobre esses questionamentos e garantir que a Maçonaria brasileira continue a ser uma força positiva na sociedade, defendendo os valores que nos são caros.