Governo cubano colocou antigo Grão-Mestre desacreditado de volta no cargo… novamente

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Grande Loja de Cuba
Grande Loja de Cuba

O governo de Cuba obrigou a Grande Loja de Cuba a violar as suas próprias regras internas para reinstalar o seu antigo Grão-Mestre, Mario Alberto Urquía Carreño. Ele tinha sido forçado a demitir-se há um ano, foi recolocado no cargo por ordem do Ministério da Justiça do governo e foi novamente destituído como chefe da ordem pelos membros da Grande Loja em Maio. O governo tomou a medida sem precedentes de interferir na fraternidade mais uma vez, colocando o seu administrador escolhido a dedo de volta no Oriente.

Carreño foi acusado no ano passado de desviar quase US$ 19.000 da Grande Loja e roubar outros US$ 20.000 em dinheiro de um cofre do escritório. Quando se demitiu, nomeou o seu próprio sucessor, Mayker Filema Duarte, que era visto pelos maçons cubanos comuns como mais um informador do governo. Duarte deveria realizar eleições em 25 de Maio, mas cancelou a grande sessão, suspendeu as eleições até novo aviso e impediu os irmãos de entrarem na sede no centro de Havana.

Mario Alberto Urquía Carreño
Mario Alberto Urquía Carreño

Em protesto, 120 maçons cubanos realizaram uma sessão improvisada da Grande Loja na calçada do lado de fora, destituindo Duarte e nomeando o então vice Grão-Mestre Juan Alberto Kessel Linares como o novo Grão-Mestre em exercício até que uma reunião para eleições gerais possa ser realizada em Setembro.

Agora, o Ministério da Justiça do governo interveio mais uma vez e exigiu que Mario Alberto Urquía Carreño fosse recolocado como Grão-Mestre.

Do site em inglês Cuba Headlines, em 18 de Junho:

A reintegração de Mario Alberto Urquía Carreño como Grão-Mestre do Conselho Supremo e da Grande Loja pelo governo cubano provocou uma onda de descontentamento entre os maçons cubanos. Urquía Carreño foi reintegrado pela Direção de Associações do Ministério da Justiça (MINJUS), ignorando a decisão da maioria de rejeitá-lo após acusações de desvio de US$ 19.000 de seu escritório no início deste ano e outras acções consideradas “alta traição” pela comunidade maçónica.

“Os maçons não aceitam Urquía; muitas lojas decidirão não o reconhecer e notificarão o Registo de Associações do MINJUS”, disse uma fonte maçónica que desejou permanecer anónima ao meio de comunicação independente Cubanet. A mesma fonte acrescentou que há “muita confusão, mas um sentimento unânime de rejeição”.

Os maçons parecem determinados a demitir-se dos seus cargos se o Grão-Mestre não renunciar. Outros planeiam reunir-se em grande número no edifício da Grande Loja para protestar e exigir a destituição de Urquía, de acordo com a Cubanet.

Um desses indivíduos é o Mestre Karel Miralles Sánchez, que organizou uma manifestação na Grande Loja de Cuba como forma de protesto, pedindo que Urquía apresentasse uma renúncia formal assinada. “Não estou a pedir nada nem a ninguém; sou motivado por uma situação pessoal, exercendo o meu direito de protestar, um dos primeiros direitos que me foram conferidos quando entrei para esta augusta instituição”, afirmou ele num vídeo.

Outra fonte entrevistada pela Cubanet argumentou que “se a maioria dos maçons decidir que não o queremos, ele deve demitir-se. Se o MINJUS achar que esta não é a forma correcta de o expulsar, repetiremos o processo imediatamente”. Acrescentaram que “uma esmagadora maioria não deseja que ele continue a liderar a nossa fraternidade, pois é material e moralmente responsável pela perda de fundos doados para ajudar irmãos em dificuldades. Nada imposto funciona num sistema democrático como o nosso”.

Ecoando este sentimento, outro Maçom acusou a Segurança do Estado de estar por trás da situação, sugerindo que “eles estão a brincar com o fogo. Este pode ser o empurrão que nós, maçons, precisamos para finalmente liderar as mudanças que Cuba necessita”.

Vários funcionários da Grande Loja de Cuba demitiram-se em protesto, de acordo com a Cubanet. Em Março, Urquía Carreño foi expulso da sessão semestral da Alta Câmara.

O facto de a ditadura marxista cubana permitir que a Maçonaria opere abertamente, realize as suas próprias eleições e funcione como uma organização fraternal de caridade é notável entre os regimes comunistas em todo o mundo. Esses governos desconfiam enormemente da Maçonaria devido à sua reputação de sigilo. Afinal, não se pode impedir uma revolta dos burgueses e dos proletários se eles forem membros de sociedades secretas, trocarem apertos de mão secretos, prepararem jantares de bolo de carne no mercado negro e contarem piadas privadas sobre ditadores na loja:

“Toc, toc!”
“Quem está aí?”
“NÓS FAZEMOS AS PERGUNTAS!”

Então, como é que os maçons cubanos evitaram os pelotões de fuzilamento sob Castro e os seus sucessores? Conta-se que o revolucionário marxista Fidel Castro e o seu irmão Raoul foram escondidos e receberam ajuda e apoio dos maçons durante a sua revolução em 1959 contra o governo de Baptista. Quando Castro tomou o poder, elogiou os maçons e deu-lhes a rara autorização para manterem as suas lojas e organização intactas.

É difícil dizer para onde tudo isto vai levar, mas já passou mais de meio século desde que um agradecido Fidel Castro abraçou os maçons cubanos e lhes deu a sua bênção. O actual regime da ilha pode já não ser tão amoroso.

Christopher Hodapp

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

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