Os Landmarks de Albert Mackey constituem apenas uma das 18 ou mais compilações de Landmarks existentes no mundo de hoje.
Alega-se, portanto, a sua relatividade, pois nenhuma das Grandes Lojas dos Estados Unidos adoptam os Landmarks “de Albert Mackey” e a Grande Loja Unida de Inglaterra, que nem toca nessa questão, segue as “Rules” próprias para estabelecer no resto do mundo o que é certo ou errado.
Reparem, portanto, que a coisa apenas muda de nome de lá para cá (e de cá para acolá): essas tais “Rules” são regras (tradução literal); são regulamentos, leis, preceitos, mandamentos, normas, ditames e prescrições (regulations, laws, precepts, commandments, norms, dictates and prescripts, na língua deles), o que dá na mesma: “table” não deixa de ser mesa; “pencil” não deixa de ser lápis e “recklessness” não deixa de ser imprudência.
Na mesma linha de raciocínio, “land” é terra; e “mark” é marca – donde Landmark deve ser entendido como “ponto de referência”, fronteira delimitativa de até onde se pode chegar, recomendação, conselho, aviso e ADVERTÊNCIA. O preceito é bíblico e está em Provérbios 22:28 “nolumus leges mutari”: não removas os antigos limites que os teus pais fixaram.
É neste sentido que as Grandes Lojas no Brasil, a COMAB (Grandes Orientes Estaduais Independentes) e o GOB adoptam e entendem os Landmarks de Albert Mackey.
Uma vez iniciados numa destas Potências, assumimos “um pacto” de observância dos Landmarks e das Constituições de James Anderson. Somos elevados, exaltados e instalados conforme as normas, ditames e prescrições desses antigos documentos; é pegar ou largar. Não vale aceitá-los de joelhos, com as mãos sobre o Livro da Lei e depois negar-lhes a validade. Como dizemos no Direito, “pacta sunt servanda”, os acordos de vontades firmados entre duas ou mais partes têm que ser observados. Estes acordos (contratos ou pactos) resumem-se na ideia de que o que foi ajustado tem força obrigatória. Imaginem, os bondosos Irmãos, se não houvesse tais preceitos e governássemos a Maçonaria “de portinholas abertas”!
Querem um exemplo? Tentem impedir a entrada de um desses Irmãos “modernosos” como visitante em Loja. Garanto-lhes que ele correrá aos tribunais maçónicos para reclamar os seus direitos fundamentados no Landmark n° 14 de Mackey (direito de visitar e tomar assento em qualquer Loja) mesmo que, noutras ocasiões, ele questione os outros vinte e quatro da lista.
Querem uma ilustração da nossa desobediência? No parágrafo 2 da página 62 das “Constitutions of The Freemasons” (ou Constituições de Anderson, 1723) está escrito:
“Por sermos de todas as nações, línguas e parentesco, prescrevemos contra todas as políticas, uma vez que elas nunca trazem bem-estar para a Loja, nem nunca trarão” – no original: “We are also of all Nations, Tongues, Kindreds, and Languages, and are resolv’d against all Politicks, as what never yet conduc’d to the welfare of the Lodge, nor ever will”.
Deste preceito decorre a proibição de não misturarmos a vida política cidadã com a vida das Lojas: uma vez na condição de maçons, não se discute política; em Loja (isto é, “como maçons”) não podemos tomar posições políticas que envolvam a escolha em favor de um lado, em prejuízo de outro. Contudo, não passa um ano sequer sem presenciarmos algum escândalo no mundo político que nos constranja diante de fotografias de maçons posando em fotos oficiais ao lado de alguém que tenha virado personagem da crónica policial por corrupção ou desvio de conduta. O desgaste decorrente desses constrangimentos a todos nos obriga, em justificativas e explicações perante nossas famílias, filhos e amigos, por uma falha que não comete- mos.
“Nolumus leges mutari”: não removas os antigos limites que os teus pais fixaram, diz o Livro da Lei. Mas se tudo é relativo ao tempo e às épocas, vamos reescrever também os Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
“O tempora o mores!” – exclamou Cícero num de seus discursos contra Catilina: “Oh! os tempos! Oh! os costumes!”
CONCLUSÃO: Se as Constituições de Anderson estão incomodando ou “atrapalhando” a Maçonaria desses novos tempos nos quais tudo é permitido; ou se os Landmarks de Albert Mackey estão em choque com estes “evoluidíssimos” costumes sociais, restam-nos duas alternativas somente:
- pararmos de “fazer de conta” e assumirmos, corajosamente, a disposição de rompermos com o passado Iluminista da Ordem; convoquemos novos génios para reescreverem novas regras que se coadunem com o nosso particular modo de pensar e agir;
- pararmos de “fazer de conta” e assumirmos, mais corajosamente ainda, os deveres que assumimos na forma prescrita na nossa Iniciação.
Eu, particularmente, opto pela segunda opção. Podem chamar-me de velho.
José Maurício Guimarães

- Landmarks e Autoridade da Lei Maçónica
- Maçonaria Universal – Princípios de reconhecimento
- Reconhecimento de Corpos Maçónicos
- A função do Orador


A segunda opção, sem dúvida alguma.
T:. F:. A:.
Partilho do segunda opção.
Oportuna colocação do Amado Ir:
Também opto pela segunda. Sou velho mas respeito o compromisso da iniciação. Disse