Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a UGLE analisou as mulheres maçons com a ajuda da HFAF – Maçonaria para Mulheres,
A UGLE celebra o Dia Internacional da Mulher
Pode uma mulher aderir à Maçonaria? Esta é uma pergunta antiga que a Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE) recebe muitas vezes e a resposta é um retumbante sim.
Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a UGLE explorou o desenvolvimento da Maçonaria feminina, bem como o que a Maçonaria significa para elas enquanto mulheres.
O Dia Internacional da Mulher é uma celebração global anual centrada nos direitos das mulheres, destacando questões de igualdade de género para ajudar a criar um mundo livre de estereótipos e discriminação.
Honorável Fraternidade de Maçons Antigos
Existem dois ramos de maçons femininas que são separados da UGLE e da Maçonaria masculina. São eles a Order of Women Freemasons (OWF) e a Honourable Fraternity of Ancient Freemasons (HFAF), actualmente conhecida como Freemasonry for Women.
Para obter mais informações, falámos com Christine Chapman, Grã-Mestra da HFAF.
Christine aderiu à HFAF nos seus vinte e poucos anos, a pedido da sua mãe, que também era Maçona.
Ela disse: “O meu pai era Maçom e o meu falecido marido também, por isso estava rodeada de pessoas que eram maçons e decidi aderir.
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Entrei para agradar à minha mãe, ela pediu-me duas vezes e eu pensei “porque não”. Pensei que se o meu marido gostava, o meu pai gostava e a minha mãe gostava, então não podia haver nada de errado“.
Christine continuou a explicar como as suas suposições estavam correctas e como entrar para a Maçonaria foi ainda mais do que ela esperava.
Ela disse: “Apaixonei-me logo por ela, fazia muito sentido para mim e consegui ver um padrão.
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Disseram que eu andava de um lado para o outro durante a cerimónia com um grande sorriso na cara porque estava a gostar“.
Falando das suas memórias favoritas de ser Maçona, descreveu a sua instalação na cadeira.
Ela disse: “A recordação que me deu mais prazer foi quando fui instalada na Cadeira pela primeira vez. Não há nada que se compare a isso, fiquei a andar no ar durante dias e fiquei absolutamente emocionada“.
Christine era originária de Hackney, em Londres, antes de se mudar para South Woodford e depois se estabelecer em Eastbourne, na costa sul. Christine deverá reformar-se do seu cargo de Grão-Mestre no próximo ano.
E acrescentou: “Terei mais tempo para ler mais livros sobre os antecedentes da Maçonaria“.
Tem sido um início de ano atarefado para Christine, que recentemente apareceu como convidada no Craftcast, o podcast oficial da UGLE.
As mulheres e a Maçonaria
Para compreender melhor a Maçonaria feminina, Christine fez-nos uma visita guiada à história da Honorável Fraternidade dos Maçons Antigos.
As origens da Maçonaria feminina remontam à França pré-revolucionária do século XVIII. Christine explicou-nos como existiam Lojas de Adopção, que eram Lojas da sociedade onde as mulheres podiam aderir. Estas Lojas especiais também tinham homens, mas caíram no esquecimento quando a revolução chegou.
Mais tarde, em 1882, uma reformadora social francesa chamada Maria Deraismes foi convidada a juntar-se a uma Loja de homens. Depois de Maria ter entrado, juntaram-se mais algumas mulheres e um grupo separou-se rapidamente para formar uma Loja mista. Esta nova formação de uma Loja mista para homens e mulheres chegou então ao Reino Unido em 1902, graças a Annie Besant, uma reformadora social vitoriana. Em 1908, insatisfeitos com o facto de serem governados por França, um grupo de homens e mulheres quis que a sua própria organização fosse puramente governada em Inglaterra, à semelhança da UGLE, pelo que se separaram. Isto desenvolveu-se no que é actualmente conhecido como a Order of Women Freemasons.
Christine continuou a contar-nos que, em 1913, um grupo dentro desse grupo decidiu que queria praticar o grau do Arco Real, pelo que se separou e formou a HFAF. Nessa altura, ainda eram co-maçons, mas na década de 1920 decidiram restringir o grau às mulheres e, em meados da década de 1930, tinham atingido esse objectivo.
Christine disse: “A maioria dos homens saiu porque as mulheres eram mais numerosas do que eles e depois muitos deles voltaram para a UGLE“.
Uma das principais críticas feitas aos maçons masculinos é que excluem as mulheres, mas Christine disse que essas críticas não são correctas.
Ela explicou: “Na verdade, estamos felizes a fazer as nossas próprias coisas“.
Dia Internacional da Mulher
Perguntámos à Christine o que significa para ela o Dia Internacional da Mulher e de que forma as suas mensagens e objectivos se relacionam com a Maçonaria.
A Christine disse: “Acho que devemos celebrar as mulheres. Somos pelo menos metade da população deste planeta, por isso, por favor, celebrem-nos. Tivemos séculos de opressão, por isso, celebrem-nos a todos os títulos“.
Christine contou-nos que algumas das primeiras mulheres maçonas eram sufragistas e que a Maçonaria as atraía devido à ideia de igualdade entre os sexos.
Disse-nos: “Nos primeiros tempos, o movimento de co-maçonaria que veio de França defendia muito a igualdade de direitos e o sufrágio universal. Foi isso que atraiu as sufragistas.
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Continuamos a difundir a mensagem de capacitação e de igualdade de direitos“.
Christine explicou-nos o que significava para ela a palavra “empowerment”.
Disse: “Para mim, é ser capaz de sentir confiança em si própria como pessoa. Não é sentirmo-nos intimidados ou que não podemos falar. É sentir que se pode falar e ser ouvido e que as nossas opiniões são tão importantes como as de qualquer outra pessoa“.
A Responsável pela HFAF continuou a explicar alguns dos desafios de uma mulher Maçona.
Ela disse: “É história, como é que as mulheres podem estar a fazer Maçonaria, porque é a forma como os homens olhavam para as mulheres. Penso que todas as mulheres que assumiram funções em profissões que eram principalmente para homens ou que são masculinas tiveram de lutar contra todas estas barreiras de misoginia preconceituosa do tipo “as mulheres não podem fazer este trabalho” ou “as mulheres não podem fazer aquele” e foi contra isso que lutámos todos estes anos“.
Christine salientou a forma como as coisas mudaram ao longo do tempo e que foi recentemente convidada para um evento especial na UGLE para celebrar o tricentenário das Constituições de 1723.
Disse: “A última coisa a que fomos na UGLE foi maravilhosa. Foi-nos permitido participar e pediram-nos para irmos com os nossos trajes, o que foi a primeira vez e um bom sinal de que éramos considerados maçons a sério, o que nem sempre sentimos“.
Uma mulher que Christine considerou particularmente inspiradora foi a antiga Grã-Mestre da HFAF, Eileen Gray.
Christine disse: “Ela inspirou-me porque era uma grande empreendedora e conseguiu muito na sua vida e não apenas para as mulheres da Maçonaria.
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Quebrou os limites do ciclismo internacional para que as mulheres fossem aceites no desporto, competissem e o reconhecessem como desporto olímpico.
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Foi política local e foi Presidente da Câmara de Kingston sabe-se lá quantas vezes e arranjou tempo para fazer estas coisas e também para a Maçonaria. Ela inspirou-me“.
Christine contou-nos ainda que a sua maior realização no seu cargo foi a criação de uma Loja HFAF na Índia.
Disse: “Toda a gente me disse que era um grande erro e que nunca iria resultar, mas agora são muito, muito grandes e têm muitos membros. Esperam que voltemos lá no próximo ano para consagrar mais duas Lojas, pelo menos.
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Foi realmente uma necessidade, uma vez que muitas delas eram casadas com maçons e viram como os seus maridos se divertiam e a alegria que tinham por pertencerem a uma Loja e quiseram algo semelhante para elas“.
Porquê aderir à Maçonaria Feminina
Christine resumiu a sua experiência da Maçonaria nestas três palavras: fraternidade, amizade e auto-aperfeiçoamento. Em seguida, explicou porque é que as mulheres devem pensar em aderir à Maçonaria.
Christine disse: “Dizemos que se aderirem à Maçonaria Feminina, sentimos que ficam com mais poder. Acreditamos nisso enquanto mulheres e há outras vantagens em aderir.
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As pessoas obtêm todo o tipo de benefícios, dependendo do que procuram. Algumas pessoas aderem pelo lado social, outras pela amizade“.
Christine prosseguiu salientando o que faz da HFAF uma organização tão única e especial de que se pode fazer parte.
Disse: “Não somos uma organização grande, por isso temos tendência a ter uma relação muito pessoal com muitos dos nossos membros, porque os conhecemos a todos.
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Estamos sempre a esforçar-nos e a pensar no futuro e no que podemos fazer nos próximos anos e é isso que a torna tão especial para mim, porque podemos realmente mudar as coisas e podemos ter uma influência positiva”.
Para terminar a nossa última publicação no blogue, Christine deu-nos alguns dos conselhos mais importantes que tem para as mulheres.
Ela disse: “Não desistir quando as coisas são difíceis, continuar!”
Para mais informações e para saber como aderir, pode visitar a página da Honourable Fraternity of Ancient Freemasons na Internet.
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- A Corda de Nós e a prática da Solidariedade
- A importância da mulher para a Maçonaria
- Afinal, o que é o segredo maçónico?
- O meu nome é Mulher (a Mulher na Maçonaria)
- Comentários sobre os graus primitivos da Maçonaria


Li o artigo da maçonaria feminina felizmente moro no interior do estado de Pernambuco Brasil onde a maçonaria feminina não existe.prevalece apenas a masculina.
Olá, Maria! No Brasil não há maçonaria feminina, existem fraternidades para-maçônica como, por exemplo, as filhas de Jó. Algumas “lojas” femininas que surgiram e que ainda funcionam não são reconhecidas pelas potências regulares, isto é, não são lojas “oficiais”. Por isso, é necessário cautela para não ser enganada e sofrer algum tipo de prejuízo financeiro.