O meu nome é Mulher (a Mulher na Maçonaria)

we can do it 12wedfgsa

Ao assumir, por dois mandatos, o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de Goiás, coloquei como objectivo principal resgatar o valor da mulher dentro da instituição, que hoje, não pode prescindir da sua actuação. Nos trabalhos ritualísticos, ainda não, mas na essência maçónica a mulher é fundamental, como é na família, na orientação cristã e educacional dos filhos e no suporte ao homem, o seu companheiro. Homem frágil que é dependente das mulheres em todos os momentos da sua vida. O homem não existe sozinho. Sozinho ele torna-se um solitário e triste.

Há que referir também que a mulher, hoje com o seu poder aquisitivo próprio, na maioria das vezes, menor que o homem, é força para manutenção de milhares de lares, com o seu trabalho crescente no campo profissional. A população é constituída em mais de 50% por mulheres.

Não deveria existir só um dia para esta comemoração. O valor da mulher companheira, mãe, trabalhadora dia e noite, ser humano continuadamente ligado ao seu produto, que são os filhos, deveria ser comemorado todos os dias, todas as noites e constantemente.

Vou ao escritor Luis Fernando Veríssimo, famoso pelas suas crónicas e textos de humor, para reafirmar meu respeito e admiração pelas mulheres, na maçonaria denominadas cunhadas, pelo Dia Internacional da Mulher.

Veríssimo num dos seus escritos intitulado “Mulher, a sua origem e o seu fim”, expressa-se assim com perspicácia:

“Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma das suas costelas e com ela fez a primeira mulher. E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e aguentar o seu mau humor enquanto ele convalescia da operação.

Uma variante desta lenda diz que Deus, com o seu prazo para a Criação estourado, fez o homem às pressas, pensando “Depois eu melhoro”, e mais tarde, com o tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou Mulher, que significa “melhor” em aramaico.

Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro e esmerou-se nas suas formas;  aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só para não ter de jogar barro fora.

Pergunta na crónica: “Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?

Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta. Venho observando-as durante anos – inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto – e julgo ter coleccionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo.

Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa.

Ultimamente têm tentado dissimular a peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e fazendo coisas – como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado – impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar as nossas diferenças, que estavam a começar a dar nas vistas”.

Conclui o texto: “São de uma civilização superior, o que podem as nossas armas contra os seus exércitos de encantos? Em breve dominarão o mundo”.

Nas minhas palestras, declamo sempre uma poesia intitulada “Meu nome é Mulher”, que me toca profundamente. A sua autora é Fátima Aparecida Santos de Souza, ou simplesmente Pérola Negra, como também se identifica. É uma mulher policia, que luta pelo reconhecimento do seu trabalho.

Aqui fica a transcrição:

No princípio eu era Eva,
Criada para a felicidade de Adão
E meu paraíso tornou-se trevas
Porque ousei libertação!

Mais tarde fui Maria,
Meu pecado remiria
Dando à luz Aquele
Que traria a salvação!
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão!

Passei a ser Amélia,
“A mulher de verdade”
Para a sociedade!
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade!

Muito tempo depois decidi:
“Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!”
Mas o preconceito atroz
Meus 129 nomes queimou
Então o mundo acordou
Diante da chama lilás!

Hoje não sou só esposa ou filha;
Sou pai, mãe, arrimo de família;
Sou ourives, taxista, piloto de avião
Policial feminina, operária em construção!
Ao mundo peço licença
Para actuar onde quiser!
Meu sobrenome é Competência
E meu nome é Mulher!

Adaptado de texto escrito por Barbosa Nunes – Grão-Mestre do G∴ O∴ B∴ – G∴ O∴

Artigos relacionados

2 thoughts on “O meu nome é Mulher (a Mulher na Maçonaria)

  • Avatar

    Concordo e aplaudo o artigo sobre a Mulher. No seio da Natureza, o TODO que TUDO e todos envolve e onde tudo de transforma, não sei, nem posso especular sobre o surgimento da fêmea do animal racional. Parece-me uma questão menor na impossibilidade de a compreender. Sou licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa. Falou-se de memória. Da eidética. Creio que a diferença entre o animal homem e os restantes animais reside na capacidade do primeiro em reter acontecimentos que uma vez presenciados se mantêm na sua mente, permitindo-lhe avaliá-los, manipulá-los, compará-los entre si, imaginá-los maiores ou menores e por diante.
    A esta possibilidade da sua mente, entendida como «razão», se deve todo o sistema social existente.
    Com tudo o de bom e menos bom que contém.
    O melhor e o pior da vida não se devem ao ser humano, mas à natureza da própria Natureza.
    A tal que tudo cria e tudo transforma.

    Reply
  • Avatar

    MEU NOME É MULHER, um belo texto, que reflete o espirito da Mulher Companheira, Guerreira e Irmã

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *