Aplicação moral e operativa da doutrina simbólica do grau de Companheiro (III)

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A auto-cultura

A auto-cultura ou cultura de um mesmo, nas suas múltiplas acepções será por conseguinte objecto dos esforços do Companheiro, com o fim de desenvolver as suas faculdades e potencialidades latentes que, como temos dito, devem manifestar-se progressivamente da letra G que constitui o centro da sua Estrela individual.

A auto-cultura baseia-se, pois, sobre o reconhecimento de que em nós se encontra, em estado latente, o germe de todas as possibilidades e que devemos empenhar por adquirir consciência delas para que se convertam em poderes activos e qualidades operativas na nossa vida. O uso de uma determinada faculdade, pressupõe naturalmente um primeiro grau de consciência da mesma, patenteado no desejo ou vontade de expressá-la; e o esforço para o uso, activa e exterioriza este desejo potencial. Por sua vez, todo uso contribui ao maior desenvolvimento da consciência da faculdade, que desta maneira se expressa em nós desde o interior ao exterior, e se faz evidente pelos seus efeitos, ou produtos visíveis da actividade da mesma faculdade; persistindo no uso, tal faculdade se possui de uma maneira sempre mais plena e completa e, com o seu amadurecimento, abre o caminho para a expressão de novas faculdades, e das possibilidades que naturalmente germinam delas.

Por conseguinte a Auto-cultura é uma ciência e uma arte que se aplica na vida, e pode dizer-se que é idêntica, praticamente, a Ciência e a Arte Real que a nossa Instituição nos revela por meio dos símbolos da construção.

Cultivar-se a si mesmo, desenvolver as faculdades, potencialidades e poderes que se encontram em estado latente no nosso ser, é uma tarefa que compete ao Maçom em todos os graus, e a mesma iniciação pode considerar-se como ingresso na consciência de uma determinada faculdade ou poder. Há pois, efectivamente, uma distinta iniciação por cada uma das faculdades e potencialidades latentes no nosso ser, por meio das quais nos convertemos em aprendizes daquela mesma faculdade; progredindo no uso dela passamos do grau de Aprendiz ao de Companheiro e, uma vez que dominamos por completo, somos mestres daquela faculdade, que se converteu num poder que se exerce na nossa vida.

A expressão dos talentos

Toda a nossa vida e todo o nosso ser são também uma progressiva manifestação desde dentro para fora, ou seja, a potencialidade espiritual latente, a capacidade activa e consciente, e desta a actividade exterior que faz evidente uma faculdade ou poder, traduzindo-o em efeitos visíveis.

Esta é a Lei Soberana que preside a todo desenvolvimento, a todo o que na nossa vida se pode manifestar e que nunca é obra da causalidade, senão sempre expressão de uma actividade ou

estado de consciência íntima, o efeito visível de uma Causa Invisível que está no nosso ser. Nada vem por si mesmo, senão que todo se produz ou é atraído desde dentro, por efeito de um correspondente estado de consciência, ou maneira e condição de ser.

Assim se expressam em nós os nossos talentos: uma aspiração indefinida é o primeiro impulso com o que tocam a porta da nossa consciência, manifestando-se, uma vez reconhecidos, numa aspiração ou um desejo determinado e preciso. Este desejo produz o esforço e ambos reforçam e fazem sempre mais clara a consciência do talento, por meio do qual chega o mesmo a possuir-se num estado todavia rudimentar e, por meio do uso, se desenvolverá depois em toda a plenitude.

De nada serve, pois esperar passivamente algo do exterior; unicamente podemos fazê-lo segundo este “algo” que se estabelece na nossa mesma consciência, como talento, faculdade ou poder activo, que realiza em nós interiormente a condição necessária para a sua manifestação exterior. De nada serve resignar-se inactivamente a condições ou necessidades exteriores que não sejam do nosso agrado: o que devemos fazer é buscar dentro na expressão do talento correspondente, a capacidade, a força e o poder, por cujo meio podemos atrair para nós o que desejamos e libertar­mos das condições que nos limitam e demais coisas indesejáveis. Em vez de obstáculos e dificuldades, devemos considerar a estas como oportunidades para a expressão dos talentos correspondentes, que só podem desenvolver-se e converter-se em poderes activos com o uso que os faz da latência a potência.

Não se refere esta Lei unicamente as qualidades interiores, senão também se aplica as coisas e condições externas.

Qualquer coisa que podemos desejar, qualquer condição ou circunstância, tem a sua raiz e o poder activo que pode atraí-la ou manifestá-la ao redor de nós num talento correspondente de que devemos adquirir a consciência, a expressão e o uso. E no processo de manifestar tal talento cresceremos em harmonia com as possibilidades que o mesmo nos concede.

A riqueza, as honras, e a satisfação de uma determinada ambição ou desejo, não podem lograr-se senão na medida em que um se esforça no desenvolvimento e o uso dos seus próprios talentos, pois todo – todo indistintamente – deve manifestar-se primeiro dentro, como consciência e actividade, depois do qual podemos esperar ver a sua expressão exterior nas condições desejadas, formadas e atraídas para nos por aquele determinado estado de consciência ou condição interior que, por ter-se estabelecido, como potencial activo, se faz fecundo e produtivo.

Tudo o que podemos desejar, querer ou ambicionar deve ser, por conseguinte, o primeiro impulso iniciador para a expressão dos nossos talentos individuais no trabalho ou actividade particulares que se acham mais adequados a sua plena manifestação.

Com o que acabamos de ver sobre os sentidos e talentos estamos agora em melhores condições de compreender a Religião do Trabalho, sobre a qual especialmente deve concentrar-se a atenção do Companheiro, para o uso operativo dos princípios adquiridos com o estudo.

A nossa actividade

A nossa actividade há de ser a que melhor expresse os nossos talentos individuais e nos revele as nossas mais elevadas e melhores possibilidades.

Para cada ser humano, e especialmente para quem aspire a progredir, há algo em que pode esforçar-se melhor que em toda outra coisa, algo que ele pode fazer melhor que os demais, e no qual pode, por conseguinte, ter mais êxito e fortuna. Não é esta, pois, uma deusa cega, qual se figuram os homens vulgares, e a venda que cobre os olhos é, em realidade, uma imagem da ignorância dos que não conhecem a Lei justa e perfeita que governa a todo ser e a toda coisa, tanto as que nos parecem mais importantes, como as que consideramos insignificantes.

Tenha pois o Companheiro, um Alto Ideal da sua actividade e aspire sem medo para ele, para o que melhor encha as suas aspirações e desejos. Porém saiba também que o seu poder de o lograr estriba primeiro em que, por meio de tal actividade se proponha, como coisa fundamental, ser melhor e mais útil para os seus semelhantes; e segundo, que é igualmente necessário que se faça digno dele, possuindo a capacidade e estando em condições de fazer devidamente todas as obrigações que se relacionam com essa particular actividade.

Sem dúvida, qualquer pode ser esta actividade ideal do Companheiro, conforme as suas mais elevadas aspirações, não deve este conduzi-lo a despreciar a sua actual ocupação seja qual for o género da mesma, ou descuidar os seus actuais deveres. Tão pouco há de conduzi-lo a recusar ligeiramente uma particular actividade ou trabalho que se lhe apresente e que possa fazer utilmente.

Ao contrário, o nosso trabalho actual, e aquele que espontaneamente se nos oferece, em que se nos apareça inteiramente distinto do que temos desejado, devemos considerá-lo como o meio e a oportunidade que se nos deparam para desenvolver os talentos de que mais necessitamos na actualidade, e ao mesmo tempo como o único, mais direito e melhor caminho que pode conduzir-nos a realização do nosso Ideal, apesar de que não vemos na actualidade a sua razão de ser.

Sem deixar de aspirar constantemente para o melhor e mais elevado, segundo indica o compasso da sua inteligência, seja ao mesmo tempo régua prática do Eclesiastes (IX-10): “Tudo o que vem a mão para fazer, faça, segundo tuas forças”. Tudo quanto nos apresenta, em qualquer momento é, pois, a nossa oportunidade para aquele dia, e nunca deve o Companheiro descuidar das oportunidades, por ser estas os meios para desenvolver e multiplicar com o uso, indistintamente, todos os talentos que possuímos ou necessitamos.

Qualquer coisa que façamos, devemos realizá-la “segundo as nossas forças”, quer dizer, o melhor que podemos. Pois a sua utilidade directa, o simbólico e melhor salário que podemos sacar do nosso esforço, é nosso próprio desenvolvimento na direcção do trabalho oferecido à nossa oportunidade.

Quem se encontra temporariamente desocupado, faça-se estas duas perguntas:

  • O que de melhor posso fazer? em que posso usar os meus talentos actuais e desenvolver minhas possibilidades latentes?
  • O que é que posso fazer agora que seja mais útil para meus semelhantes e as pessoas que me rodeiam?

Fixe a sua mira ali onde se concentram todas as aspirações mais profundas da sua alma, e disponha-se agora mesmo a proceder neste caminho. Faça este trabalho “segundo as suas forças”, o melhor que pode, cessando de se preocupar com as suas necessidades imediatas ou longínquas, e concentrando toda a sua atenção no esforço ou actividade, pois a solução do seu problema não se pode encontrar senão no uso actual dos seus talentos.

Alegria, fervor, liberdade

Qualquer que seja a sua obra ou actividade, o Companheiro deve fazê-los com alegria, fervor e liberdade. Eis aqui três condições que não devem esquecer-se nunca, pois do contrário viveremos constantemente desfraldados do nosso melhor salário. Segundo posso o Companheiro afastar de si toda preocupação relativa ao seu salário material, concentrando toda a atenção na obra, e fazendo-a à Glória do Grande Arquitecto, ou seja com expressão do seu ser mais elevado e das suas internas faculdades, e como cooperação com o mesmo Princípio Construtor do Universo e do Ser, como individual entrega para expressão de um dos planos perfeitos dessa Grande Inteligência: qualquer que seja a natureza humilde ou elevada da sua obra, melhor saberá cumprir com a sua tarefa, e encontrar-se-á capaz de fazer frente a todas as suas necessidades e deveres, dado que o Grande Arquitecto jamais se esquece dos seus fiéis obreiros.

A alegria é uma expressão natural da nossa alma, uma luz que se faz interiormente afastando de si toda sombra e iluminando o nosso mundo interior, um raio de sol que penetra na estância mais íntima do nosso ser.

E que melhor expansão e alegria pode existir na nossa alma, que aquela que acompanha a expressão das nossas faculdades mais elevadas? O trabalho feito a Glória do Grande Arquitecto, é pois, Fonte inesgotável da Paz, verdadeiro Gozo e Alegria, remédio soberano para toda forma de tristeza, melancolia e enfermidade moral.

O fervor nasce do empenho da atenção que pomos na obra: é um fogo que se ascende em nós, um calor que invade toda a nossa alma e afasta o cansaço, a preguiça e o aborrecimento, como o benéfico calor que se produz no nosso organismo pela sua harmónica actividade.

Qual o melhor fervor pode, pois, produzir-se em nós que aquele que produz naturalmente do conhecimento e da realização interior de que estamos cooperando com o mesmo Grande Arquitecto do Universo para a expressão de um dos seus planos? Como pode haver um entusiasmo são, equilibrado, sereno e imperturbável, que afasta de si toda preocupação moral e material, senão fazendo do mesmo trabalho a mais prática entre as religiões?

Este reconhecimento liberta-nos igualmente de toda forma de escravidão, interior como exterior, económica como moral: dá-nos aquele perfeita e soberana liberdade que não nos seria possível conquistar efectivamente de outra maneira.

Seja a nossa actividade pessoal independente, ou sujeita as ordens de um patrão ou superior, qual é na realidade o nosso verdadeiro Chefe, Mestre e Superior, senão o mesmo Grande Arquitecto do Universo, o nosso Pai e o Princípio de Vida que mora em nós? Que outra liberdade mais absoluta das preocupações materiais podemos conseguir, fora da que se realiza por meio do reconhecimento profundo da nossa alma que, ao trabalhar sob as suas ordens e para a expressão do seu Plano Perfeito no mundo, tem que prover-nos de tudo o que necessitamos para o nosso mesmo trabalho, assim como para a ávida material, exigindo-nos só por Nele a confiança mais completa, absoluta, serena e imperturbável?

A afirmação que nasce da união das duas palavras sagradas do Aprendiz e do Companheiro, complemente, este, necessário da primeira, estabelecerá em nós aquele perfeito estado de consciência que nasce da Fé e da Esperança que se unem numa só Força Omnipotente e Invencível, sendo o acto de fé da Religião do Trabalho que todo verdadeiro Maçom deve esforçar-se por realizar e fazer efectivo na sua vida.

Os “talentos” materiais

Além dos talentos espirituais ou interiores, há que considerar os talentos materiais ou exteriores com os quais pode um ser dotado pelas circunstâncias e que, como os primeiros, o foram confiados unicamente para o uso, sendo por conseguinte o uso inteligente e sábio dos mesmos, feito com toda justiça e equidade, a primeira condição para que possa só conservar a sua possessão, e para que se lhe multipliquem.

O que não se usa, acaba por perder-se, ainda com o direito de tê-lo. Unicamente o uso sábio e inteligente pode garantir uma possessão, qualquer que seja a sua natureza espiritual, moral ou material.

Esta Lei Soberana explica-nos a razão espiritual e a perfeita justiça dos chamados “golpes de fortuna”, pelos quais chega um a perder quanto tinha – bens, possessões, posição social, honra e dinheiro -, da mesma maneira que se atrofiam as faculdades ou talentos interiores que não se exercem: sempre há, pois, uma profunda razão e uma finalidade fundamental benéfica, que se escapa a observação superficial, revelando-se a uma mais atenta consideração de toda coisa e acontecimento.

Em todo sucesso da nossa vida, em todo o que se verifica em redor de nós, há uma lógica oculta que se nos revela na medida em que penetramos através da aparência e reconhecemos o lado interior das coisas. Pois, como temos dito, toda coisa exterior tem uma raiz interna, da que se produz e se manifesta exteriormente: secando-se e desaparecendo a raiz, a árvore também tem que secar-se e morrer, com todos os seus ramos, folhas, flores e frutos.

Igualmente a semente que se desenvolve no nosso ser íntimo, por mínima que seja, pode desenvolver-se e produzir a árvore maior e esplendida. Cada talento é uma tal semente, ima potencialidade interior ou ideal de infinitas possibilidades concretas.

Faça, pois, o Maçom, o uso mais sábio dos talentos materiais, dos quais é actualmente possuidor: profissão, posição, riqueza, posses, oportunidades. Seja um, sejam dois ou cinco talentos, faça cada qual o melhor uso que pode dos mesmos, desde o ponto de vista mais elevado, para que redunde em benefício tanto de si mesmo como dos seus semelhantes. Pois deles deve dar conta a Quem se lhes confiou e segundo o seu uso pode conservá-los e multiplicá-los, e igualmente perdê-los.

Tudo o que um possui, seja qual for o seu título para tal posse, há de servir para o bem de todos, sendo útil para colectividade, o ambiente e a sociedade em que se encontra. O mesmo deve ocorrer com os seus talentos interiores como com os exteriores. Isto pode e deve entender o Companheiro muito melhor que o Aprendiz, por ser menos escravo que este do egoísmo e da ignorância profanos.

Este é o mais verdadeiro comunismo que a Maçonaria quer realizar, por meio do seu poder espiritual, e que não deve confundir-se com a interpretação profana de tal palavra, entendida e realizada geralmente por meios exclusivamente materiais: não se despoje a nada do que possui, senão unicamente aprenda a despojar-se do egoísmo (que é a terra na que o servo infiel temeroso sepultou o seu único talento) e fazer assim o uso mais sábio, inteligente e proveitoso de todos os talentos de que lhe dotaram a Natureza e a Vida, pelo seu próprio mérito e pelas circunstâncias.

Deveres do Companheiro

A qualidade de Companheiro é, como temos dito, a confirmação da de Aprendiz; neste segundo grau se faz portanto mais íntimo o seu nexo com a Instituição, da que compreende melhor as finalidades e, por conseguinte, lhe compete uma melhor e mais fiel observância dos seus deveres de Maçom.

Deve especialmente distinguir-se, e ser um modelo para os Aprendizes, pela sua assiduidade e exactidão nos trabalhos da Loja a que pertence, não permitindo que nenhuma razão profana seja tão forte para lhe impedir a sua constante e fiel assistência nas conquistas, afastando-se deste primeiro e mais elementar dever para a Instituição.

A efectividade e o valor dos trabalhos de uma Loja depende, em primeiro lugar, da fidelidade e assídua assistência de todos os seus membros: quem transgrida este primeiro dever, negando a Oficina a que pertence a cooperação da sua presença nas conquistas, que, se por si só é suficiente a demonstrar a sua boa vontade, quando falta sem grave motivo, demonstra da mesma maneira que é indigno de pertencer a sua Loja, e a Instituição.

A Maçonaria é, pois, a resultante do esforço colectivo e cooperativo de todos os seus membros indistintamente, que se agregam em Lojas segundo as suas recíprocas afinidades ideais, para poder assim levar a cabo um labor comum. Cada membro deve ser tal em toda a extensão do término, levando constantemente, segundo as suas forças, a função que lhe compete, como o membro de um organismo, que cessaria de ser tal quando a actividade e presença de alguma das suas partes se suspenderá por intervalos regulares ou irregulares.

Dada a importância da fiel assistência nos trabalhos, nunca deveria conceder-se o aumento de salário ao Aprendiz que não demonstre esta primeira e necessária condição para ser um bom Maçom, pois nunca pode converter-se em tal, quem não cumpre com tal dever elementar. O salário efectivo e desejável para todo Maçom é, pois, a verdadeira compreensão da Arte na sua profunda essência e nas suas finalidades universais, e esta compreensão (que é o segredo real da Instituição) não se consegue senão como prémio ou salário da fidelidade e da perseverança individuais.

O interesse das conquistas é igualmente a resultante do interesse individual dos seus membros em concorrer fielmente as mesmas, primeiro com a sua pontual assistência, e segundo com a cooperação ou entrega ideal, de acordo com as suas capacidades, interesses e actividades. As conquistas se farão sempre mais interessantes quando todos os membros de uma oficina concorram regularmente e levem o tributo dos seus talentos, fomentando-se as discussões serenas e construtivas, num ambiente de perfeita tolerância e cordialidade.

Pois em que não seja pelas discussões que pode chegar-se a Verdade, com a convicção pessoal de cada um dos que escutam, estas servem para estimular a pensar e reflectir e a opinião individual, serenamente expressa por cada um dos presentes com perfeita tolerância da opinião dos demais, constitui uma óptima matéria prima para o trabalho pessoal dos ouvintes.

Por outro lado, não é indispensável possuir uma inteligência brilhante e uma clara penetração para ser um bom Maçom e levar uma contribuição apreciável e efectiva as conquistas. A presença silenciosa de quem esta animado por um verdadeiro espírito de fraternidade e cooperação, assim como pelo desejo de progredir na compreensão das finalidades da Ordem e converter-se num bom Maçom, não deve considerar-se por nenhum motivo como menos valiosa e desejável que aquela cooperação intelectual mais brilhante, porém não sempre igualmente sólida na sua base moral e filosófica. Esta última é, pois, a que faz ao verdadeiro Maçom, e a melhor inteligência de nada serve quando falta este sólido fundamento sobre o qual unicamente pode ser edificada essa preciosa qualidade.

O pensamento em si mesmo (especialmente se baseia sobre uma profunda convicção fraternal) é uma força poderosa, sobre tudo se acha convenientemente expressa num verbo exterior adequado. E o Companheiro que, em vez de se esforçar em brilhar diante dos seus irmãos pelos seus conhecimentos e dotes intelectuais, põe todo o seu empenho em se converter interiormente num bom Maçom, assistindo a todas as conquistas e levando constantemente a cooperação da sua boa vontade, será sempre uma sólida coluna da sua Loja e da Ordem.

Maxell Egens

(continua)

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