Prezado Senhor, vou revelar-lhe um pouco do que é a Maçonaria.
Encontram-se na literatura diversos tipos e níveis de definições para o que é Maçonaria. Algumas prendem-se a aspectos formais da sua estrutura, organização e objectivos pragmáticos; outras, realçando a sua dimensão jurídica e institucional; e também, as que se ocupam mais estritamente da sua dimensão transcendental, filosófica e iniciática.
Em sentido lato a Maçonaria é uma “escola” de deveres, de formação cívica e moral; embora estes sejam resultados inerentes e recorrentes da acção maçonicamente orientada para ajudar a atingir a perfeição na arquitectura do Universo, da sociedade humana. É uma ciência que objectiva a busca da verdade divina e material, uma instituição cujo fim é dispersar a ignorância, combater o vício e inspirar amor fraterno à humanidade.
É uma instituição filantrópica, filosófica e progressista. Os seus membros acreditam num deus e na imortalidade da alma, praticam virtudes e estudam moral, ética, ciências e artes. É altamente espiritualizada e não é uma religião. Nas suas salas de reuniões, denominadas templos, aprende-se a investigar a verdade como fonte de acção transformadora do mundo através da actividade consciente e racional dos homens; é um grande salto da inteligência humana, onde princípios iluministas propiciam a convivência harmoniosa de pessoas das mais variadas religiões e facções políticas discutindo assuntos que auxiliam na estruturação da sociedade.
Como instituição busca e cultiva a verdade e a justiça pelas leis do amor, porque é da sua base filosófica que só o amor fraterno é capaz de transformar os homens e o mundo; de movê-los de forma justa e perfeita.
O comportamento ético e moral dos seus homens, assim como as suas actividades operativas, são limitados pelo nível de conhecimento que cada um detém e do comprometimento individual com a acção de cada Maçom na sociedade. Não raro encontram-se pessoas sem formação académica alguma no seu meio. O facto de possuírem apenas instrução elementar não limita o desenvolvimento na ordem maçónica; existem inúmeros exemplos de pessoas que se destacam como possuidores de inata capacidade de liderar e elevada sabedoria decorrente da convivência e esforço em se melhorarem.
Viver a Maçonaria implica uma vida abnegada, dedicada ao estudo. Sem se polir nenhum iniciado Maçom integra com garbo a construção do suposto templo universal – a sociedade onde ele vive e onde é simbolicamente uma pedra angular desta edificação. Maçom que não estuda, não progride. Para ele seria mais inteligente e divertido frequentar um clube social que ocupar a cabeça com a resolução de problemas da humanidade.
A Maçonaria tem simbologia mística e segredos. Detém as espirais do conhecimento transcendental, de uma simbologia que enriquece a percepção a cada passo que se conquista na busca do conhecimento destes segredos. É uma simbologia hermética, fechada, esotérica, transcendental e infinita; quanto mais portas são abertas, outras tantas se apresentarão. Não é secreta, apenas tem segredos como a actuação de qualquer categoria profissional ou empresa da sociedade, para simplificar, basta citar que uma loja maçónica tem os seus estatutos e regimentos legais regularmente inscritos em cartório de registo público de documentos. Entretanto, as suas informações esotéricas apenas se revelam na medida em que o indivíduo se torna merecedor deste conhecimento, quando ele mesmo o descobre em si mesmo e conforme se abrem coração e mente, quando evolui no conhecimento do universo transcendental, do não visto e apenas percebido pelos sentidos.
Este processo não é passível de acesso senão ao iniciado que prossegue na sua jornada junto de outros iguais, frequentando todas as reuniões, e isto demanda tempo. Nestas reuniões o indivíduo é modificado pelo poder do grupo, assim como se manifesta este poder modificador desde os tempos das cavernas, e é a única forma de entender e aprender o significado da sua simbologia. É a razão da inutilidade em a tentar ocultar, porque nunca se revela, nem poderá ser revelada e, menos ainda, compreendida, senão por aquele a quem foi desvelado o “pórtico” que demarca o início do caminho, e que depois vive a sua condição de iniciado, da melhor forma possível, mal-grado as suas imperfeições, pelo resto da sua existência. Metaforicamente, quem conhece os sinais e símbolos esotéricos da Maçonaria, compreende a inutilidade de comunicá-los aos que não os conhecem – é uma experiência idiossincrática e transcendental – cada iniciado apenas poderá sentir o que é capaz de suportar e compreender, alicerçado nos seus próprios referenciais e limitações. Livrarias disponibilizam livros que expõem os segredos mais íntimos da Maçonaria e ainda assim, não revelam o conhecimento; alcançável apenas pela constante convivência.
Durante a efémera vida, cada um só colhe o que planta. Por isto, é recomendado apenas plantar da semente boa. Não em qualquer solo, ensina a parábola de Jesus Cristo. A Maçonaria escolhe na sociedade aqueles que já são bons terrenos de semeadura; não acolhem pessoas subservientes, ovelhas passíveis de conduzir facilmente aos redis da escravidão; os escolhidos portam mente desenvolvida e independente. Pessoas com tal característica são difíceis de modificar, e nisto se encontra uma das grandes máximas da Maçonaria – o amor fraterno, o único meio de modificar as pessoas mais obstinadas e solucionar todos os problemas da humanidade, visando Liberdade, Igualdade e Fraternidade. E como a verdade nem sempre é doce e afável, existem casos onde ela é um chicote que, em acção, é amargo, rude e áspero, daí a necessidade do aporte da disciplina e obediência assemelhada àquelas encontradas nas forças armadas. É pelo constante treino da obediência que o Maçom se torna bom líder na vida em sociedade, pois é de conhecimento geral que a civilização está sempre em perigo quando o direito de comandar é concedido àqueles que nunca aprenderam a obedecer. Os líderes que nunca se saíram bem quando estiveram sob alguma autoridade tendem a ser rígidos e orgulhosos demais, sem noção, com tendência a exercer o poder de forma ilimitada e absoluta, e isto, a Maçonaria combate. Na ordem maçónica a boa liderança é exercida por homens que buscam obter a compreensão do mundo em que vive o liderado, isto porque todo trabalho é sempre realizado por outros líderes igualmente servidores, todos voluntários, que submetidos à lei do amor obedecem à lei escrita no papel e esta convivência modifica pessoas e pereniza a prática da Maçonaria.
A Maçonaria abre caminhos; portas. Existem aqueles mais toscos que entendem este abrir de portas como o acesso a gabinetes de outros maçons colocados em cargos importantes na sociedade humana. Quem entra na Maçonaria para abrir portas, para fazer contactos importantes, já está simbolicamente fora da ordem. É lógico que a maioria dos destacados maçons da sociedade possivelmente chegaram onde estão devido ao treino de liderança que desenvolveram com auxílio da metodologia da Maçonaria. Um Maçom só defende ao outro quando for justo; não existe qualquer acordo em defender àquele que fez algo ilegal, ou de facilitar acesso a um cargo para o qual não tem qualificação. O abrir de portas está estreitamente ligado à evolução da pessoa humana, da eliminação da ignorância, do inculto, da aspereza, na formação de vínculos de amizade profunda com outros seres; aí sim, abrem-se portas materiais de acesso a gabinetes de pessoas importantes, pois aquele que segue o caminho de busca da perfeição tem por merecimento todas as portas deste tipo abertas para si.
É uma ordem filantrópica porque o seu profundo amor à humanidade não se restringe ao aliviar da fome e frio dos necessitados e desvalidos, mas em mostrar caminhos e construir pontes que unem os seres humanos. A maior obra beneficente da ordem maçónica é aquela em que, no calor das reuniões, constroem-se seres humanos melhorados, e não aquela em que se dá o pão ao próximo para aliviar a fome por mais um dia, aonde, na maioria das vezes, geram-se mais dependentes ou acomodados. Auxiliar os carentes é o exercício que desenvolve os sentimentos e eleva a auto-estima do Maçom; é parte da sua aprendizagem, o exercício de bondade, benevolência e caridade, e se estas não forem as molas propulsoras da beneficência, então a actividade não passa de hipocrisia. A benemerência bem orientada e eficiente é aquela onde o Maçom aprende a “pescar” o bom peixe que o nutrirá, proporciona qualidade de vida e, por consequência, levam-no a ensinar outros a “pescar” igualmente.
A Maçonaria não se reduz a conceitos. As definições interessam apenas àqueles que buscam o conhecimento superficial e genérico. Ao se afirmar que “é uma instituição essencialmente iniciática” indica-se que este conceito apenas aponta o “umbral”, o limite da instituição em relação ao Universo e ao mundo social. Por isso é difícil e embaraçoso expressar o que seja Maçonaria. É uma “escola”, um caminho para um mundo justo, perfeito e verdadeiro. Caminho difícil, mas doce. Caminho aberto para todos os homens de sensibilidade e de boa vontade. Se alguém soubesse definir com precisão o que é a Maçonaria, com certeza não é Maçom, é apenas um curioso.
Agora que o senhor já conhece um pouco do que é Maçonaria, resta incentivar que siga em frente, busque conhecer-se, seja bom cidadão, porque é a única maneira de ser visto por um Maçom que o represente dentro da ordem maçónica e defenda a sua entrada na instituição. Não se trata de uma sociedade na qual o senhor manifesta a vontade de entrar, paga a jóia de um título de sócio proprietário, continua pagando uma mensalidade de manutenção, e pronto, a partir disto torna-se Maçom. Mesmo depois que o senhor obtiver quem o defenda lá dentro, existe um intrincado e complexo processo investigatório da sua vida em sociedade, cujo conjunto de hábitos deverá pautar pela honra, amor, honestidade e outras virtudes. Não é dado a ninguém revelar quem são os maçons da comunidade, porque o Maçom deve ser precavido na escolha de meus companheiros, haja vista a Maçonaria ser feita da convivência entre pessoas que dispõem da orientação mental de combater absolutismo, injustiça, vaidade, ditadura, e outras, e isto não se faz sem se expor a uma série de perigos devidos aos soberbos, poderosos e opressores. Se buscar a felicidade da humanidade é a disposição que orienta a sua mente, se esta inclinação é honesta e verdadeira, o senhor já é um homem Maçom, falta-lhe apenas conquistar o símbolo de trabalho do Maçom, o avental; o senhor já é Maçom sem avental. Continue a levar a vida recta e justa para que, um dia, um Maçom, da Sublime Ordem Maçónica Universal da Maçonaria, da sua comunidade, descubra em si os valores exigidos de homem livre e de bons costumes e lhe propicie a iniciação.
Mas não pense meu caro senhor, que a vida de Maçom é um “mar de rosas” – ela é uma senda repleta de perigos e constrangimentos, isto porque não se combate maldade, ignorância, vaidade e intolerância do mundo real sem se expor ao perigo de cruéis inimigos, onde o pior adversário é o senhor mesmo. Considere adicionalmente que todos os maçons são homens imperfeitos em busca da perfeição, e que entre eles certamente encontrarás alguns que lhe trarão desalento, característica de qualquer associação humana. Mas o facto deles gastarem o seu tempo e recurso para se reunirem com os seus iguais com regularidade já os torna merecedores e dignos de confiança para uma caminhada a perfeição. Mesmo com prováveis percalços é importante perseverar, conviver e deixar irradiar a própria luz sobre justos e injustos, cultos e incultos, bons e maus, despóticos e liberais.
Tudo o que se aprende na Maçonaria de nada vale se não for colocado em prática. A aprendizagem em actividade, aplicada, demonstra sabedoria e irradiará como um luzeiro, qual sol, sobre aqueles que convivem em comunidade. Se a intenção de entrar na Ordem for curiosidade, vaidade ou valores materialistas, então não aceite a iniciação, porque a responsabilidade é imensa e a experiência frustrada uma inútil perda de tempo e de recursos financeiros. Ser Maçom exige denodada vida preconizada pela dedicação a si mesmo, a família, ao trabalho, ao próximo, e isto, custa – tanto em valores monetários como em tempo, paciência, obediência e outros.
Se apesar destas advertências o senhor ainda persiste em se tornar Maçom, então, que Deus o proteja e guarde! Siga em frente, vá ombrear com outros maçons os sublimes objectivos da Maçonaria Universal, não importa aonde.
Charles Evaldo Boller

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Grato pelas palavras sinceras. E também pela objetividade Balanceada pela exposição das atitudes valores regras a se fazerem presentes como busca atitudes SaberesDeveresBuscasViênciasNecessárias ao iniciante como opções escolhas aceitação para tal missão. Renúncia Humildade não necessariamente como certeza mas como desejo princípio desejados e por esforço como subir uma montanha descontração… Por hora tento com tais palavras humildemente apenas dizer do sentido talvez um tanto compreendido… Quem sabe um dia digno de poder vivenciar tal condição valores renúncias certamente sobretudo.