Em pensamento contrário ao que pugna o nosso Irmão gobiano, o ilustre Ir∴ José Castellani, que se opunha ao termo “Egrégora”, por não ser antigo e/ou não existir tal vocábulo em Língua portuguesa, ou ser inexistente para a Maçonaria, ou por não acreditar nesse “tal carácter esotérico de entidade colectiva psicofísica e os seus fluidos benéficos”, curiosa e diametralmente contrário, outro grande pilar da literatura maçónica, o Irmão Geeleano, Ir∴ Rizzardo Da Camino, no seu livro “Maçonaria Metafísica”, discorre sobre registros de pesquisa e provável assimilação do termo esotérico “Egrégora” da Teosofia, absorvido que foi paulatinamente pela Maçonaria, a partir do final do século XIX, mais precisamente em 1892, constando “Egrégores“, no Glossário Teosófico, editado por G. R. S. Mead, em Londres, com publicação em português, (inclusive). Assim como também, somam-se os Irmãos Nicola Aslan, em Dicionário de Maçonaria e Simbologia, Ed. Artenova, 1974, RJ, Vol. II, como também citados os Irmãos Alec Mellor e Jules Boucher, contido no Dictionaire Rhéa, editado em Paris, em 1921.
Esotérica, metafísica, ou por convenção meramente de uso corriqueiro e de entendimento subjectivo maçónico, relacionando-se à união e os seus benefícios, a egrégora existe e é admitida entre maçons, todavia, em contraposição ao senso-comum e a esta convenção com linha ténue que beira à superstição; e do ponto de vista científico e absolutamente racional, e em não se podendo provar essa espécie de “energia”, como bem diz o Ir∴ Ubirajara de Souza Filho em “Quebrando a Egrégora”, partindo do ponto de vista e conclusão racionais, cientificamente “egrégora” não existe e, assim relata:
“Em nome da verdade, devo admitir que não encontrei absolutamente nada que comprove, justifique ou explique de forma coerente e racional a existência das “egrégoras”.
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Inicialmente, vale o registro de que não encontrei o termo “egrégora” em nenhuma passagem nas versões na língua portuguesa de alguns principais Livros Sagrados que pesquisei: a Bíblia (católica e protestante), o Torá, o Bhagavad-Gita e o Alcorão; e nem em livros referentes ao kardecismo (“O Evangelho segundo Kardec”) e budismo (“A Bíblia do Budismo”). Nenhuma destas obras relacionadas fazem qualquer citação ao termo “egrégora”. Da mesma forma, afirmo que nenhum dos rituais maçónicos que tive acesso, nos três graus simbólicos: Schröeder, REAA, YORK, Brasileiro, RER, Adonhiramita e Moderno, assim como os rituais dos Altos Graus do REAA, Moderno, Adonhiramita, ou mesmo do Sagrado Arco Real de Jerusalém, em nenhum deles, aparece a citação do termo “egrégora‟, muito menos das suas tão propaladas benesses de energia.”
Para não deixar, aqui, o Irmão Ubirajara de Souza Filho, sozinho, e sem qualquer “egrégora”, levando-se em conta que a “egrégora” forma-se a partir de uma segunda pessoa, (segundo definição pré-estabelecida por convenção meramente de uso, por alguns maçons, ou de modo esotérico, pelos esoteristas), tomei o devido cuidado de também procurar nos nossos Rituais do GOB, vigentes, a palavra “Egrégora” e, absolutamente, NÃO EXISTE.
Uma vez que o Maçom é livre para acreditar no que quiser e obter, sempre, o amplo respeito que é devido de toda a Membresia, há de se considerar que esse conceito de “egrégora” é muito frequentemente utilizado entre maçons e admite-se, figurativamente, o seu uso e a sua crença, em caracteres simplesmente subjectivos, para exprimir ou traduzir, por exemplo, a união e uniformidade de concepções e cumprimentos litúrgicos harmoniosos. Todavia, à luz da razão, não há como provar cientificamente essas “vibrações” de “energia” e essa dita “energia” emanada de uma “entidade colectiva”, ou seja, é algo de âmbito e espectro altamente esotéricos e, quando se trata, sobretudo do ponto de vista de Ritos Maçónicos racionalistas, não se pode admitir tal “entidade”, muito menos, “egrégoras”, a não ser numa força de expressão linguística figurada, literária, conotativa, que signifique união, coesão e/ou uniformidade de acção harmoniosa pelos Irmãos, ou quaisquer outros termos sinonímicos, semânticos, mas nunca como uma espécie de “poder mágico” ou “sobrenatural”, emanado pelo ser humano ou de grupo de seres humanos “em corrente”.
Na literatura, conforme Egrégoras [1], “o primeiro autor a adaptar “egregore” num idioma moderno parece ser o poeta francês Victor Hugo, em La Légende des Siècles (“A Lenda das Eras”), Primeira Série, 1859, onde usa a palavra “égrégore” primeiro como adjectivo, depois como substantivo, deixando o significado obscuro. O autor parece ter precisado de uma palavra que rima com palavras que terminam com o som “ou”. Não seria o único exemplo de criação de palavras de Victor Hugo. No entanto, a palavra é a forma normal que a palavra grega ἑγρήγορος (Watcher) usaria em francês. Este foi o termo usado no Livro de Enoque para grandes espíritos anjos. ”
A nossa Força Maçónica e de Corpo existem! Mantém-se vivos e vigorosos, graças à nossa União, às nossas Virtudes, à nossa Fraternidade, ao nosso Conhecimento, à nossa Fé num Ente Superior, à nossa Sublime Arte, mas nunca proveniente de forças supersticiosas formadas por “egrégoras”. Cientificamente e de modo provável, não há energias emanadas de uma entidade psíquica colectiva formada por egrégora. O que existe é um conceito esotérico, que, exemplificativamente, o seu aparecimento deu-se, no meio dos escritores esotéricos, com o ocultista Eliphas Levi (8 de Fevereiro de 1810 – 31 de Maio de 1875) – pseudónimo de Alphonse Louis Constant – foi um escritor, ocultista e mago cerimonialista francês que definiu “egrégora” como “capitães das almas”.
“NA HISTÓRIA DA MAGIA, de Eliphas Levy, está escrito “EGRÉGORAS SÃO OS CAPITÃES DAS ALMAS”: é a edição de 1924, traduzida do francês, onde se lê: ”les egrégores sont les capitains des âmes”, na edição de 1883. Segundo o Ir∴ Luciano Rodrigues, postado por Tibério Sá Maia [2], os ocultistas, mágicos, talvez cabalistas, os autores franceses do século XIX, que influenciaram na formação da palavra “egrégora”, e que se trata de um conceito completamente estranho à tradição maçónica e, são pelo menos três autores:
- Alexandre Saint-Yves d’Alveydre (1842-1909)
- Eliphas Levi (ou Alfonse Louis Constant) (1810-1975)
- Stanislas de Guaita (1861-1898)
Estes três autores foram os que inventaram o conceito ocultista de egrégora, um conceito que nunca esteve presente nos textos maçónicos anteriores ou, pior ainda, nem mesmo nos seus próprios textos, mas em obras póstumas, como no caso de Eliphas Levi.
Ainda, segundo o Irmão Luciano Rodrigues, abrem-se aspas:
“A questão é que egrégora não pertence a tradição maçónica e tivemos que esperar por um Maçom famoso como Oswald Wirth, falando da Maçonaria francesa, para iniciar a introdução do conceito ocultista e mágico de egrégora, por volta de 1935.
Em outras palavras, meus irmãos: Antes de um século, não há nada que relacione egrégora com as noções básicas da Maçonaria.
Portanto, é Oswald Wirth quem vai conceituar para nós, esta noção de egrégora.
Oswald Wirth não só era um Maçom, mas sim, um admirador ocultista e fervoroso de Stanilas de Guaita, conforme as suas obras, onde ele expressa a sua confiança em poderes paranormais.
Wirth afirma que Guaita fez perceber a existência do “espírito” chamado egrégora, formado em qualquer grupo humano, seja grande ou pequeno. Esta noção que o ocultista Wirth adopta e escreve, é encontrado em todos os seus livros. Por exemplo, em “O Livro do Mestre” (reeditado em 1972):
“Temos que voltar ao Logos de Platão, o Grande Arquitecto ou Demiurgo, a luz que ilumina progressivamente o iniciado? Podemos abordar modestamente o que os maçons chamam de seu Mestre Hiram, mas como podemos representar essa entidade?
Longe de ser um personagem é uma personificação. Mas de que? O pensamento iniciático, deste conjunto de ideias que sobrevivem, apesar de um cérebro e não ser capaz de vibrar sob a sua influência. Isso que é importante não morrer e subsistir como num estado latente, até que um dia se apresente a oportunidade de se manifestar…”
“… a virtude pentacular está na ideia, sentimentos de energia ou o estado da alma que evoca a imagem … mas o que dizer de um pentagrama invisível desenhado por uma vida inteira de esforço pelo serviço de um ideal superior? Não se trata aqui de infantilidade, mas de fortalecer o poder secreto dos iniciados…”.
“O verdadeiro iniciado tende a concentrar em si, as energias difusas de um ambiente vasto; e tem assim uma forma muito real, de poder ilimitado, proveniente dos deuses, no sentido iniciático da palavra. O Maçom que dedica toda a sua inteligência e todo o seu coração para a execução do plano do Supremo Arquitecto, pode cumprir com uma tarefa muito maior do que os seus meios pessoais: não estará sozinho, porque com ele se solidarizam todas as energias que estimulam a mesma boa vontade. A Cadeia de União é eficaz para qualquer adepto sincero que tenha realizado o equilíbrio recebido na mesma medida que dá, beneficiando-se da corrente que se estabelece e transmite”.
Podemos ver que Oswald Wirth falando de Maçonaria, se apropriou da ideia feita por Guaita para torná-lo vivo no nosso universo maçónico. ”.
Então, Oswald Wirth não foi o único responsável por introduzir a egrégora na Maçonaria, mas a partir de Stanislas de Guita foi o primeiro elo na transmissão.
A introdução real da palavra e do conceito foi realizada por seu discípulo, Marius Lepage (1901-1972). Simbolista, ocultista e Maçom, Marius Lepage foi para Oswald Wirth, mais ou menos o que ele foi para Stanislas de Guaita. Era seu amigo e discípulo fiel.
Então, no ano de 1935, aparece pela caneta de Marius Lepage, o primeiro artigo maçónico, onde a palavra egrégora é associada com o conceito ocultista. Tratava-se de um novo estudo sobre a Cadeia de União, que sete anos antes, no mesmo jornal, Oswald Wirth já havia publicado uma versão inspirada em Guaita mas onde a egrégora da loja foi descrita, mas não nomeada.
Finalmente Jules H. Boucher (1902-1955) deu corpo ao conceito de egrégora utilizado actualmente: “É chamado de egrégora, uma entidade, um ser colectivo que aparece num conjunto. Cada conjunto de indivíduos formam uma egrégora. Há uma para cada religião e essa egrégora é poderoso pela força dos fiéis, acumulada durante séculos. O mesmo podemos dizer sobre a Maçonaria: Cada loja tem a sua egrégora, cada obediência, a sua, e a reunião de todas essas egrégoras, formam A Grande Egrégora Maçónica”.
Portanto, mesmo em face de toda e qualquer crença, muito fraternal e respeitosamente, à luz da tradição maçónica e da razão, não existem egrégoras maçónicas e os seus “poderes”, mas um conceito esotérico de reunião com fins unos e que vem sendo paulatinamente assimilado, em âmbitos esotérico e subjectivo, não encontrando, pelo menos ainda, respaldo ou amparo de registro nos nossos Rituais Maçónicos.
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Notas
[1] https://www.deldebbio.com.br/egregoras/
Fontes
- GÓMEZ, Gabriel Fernando. A Egrégora Maçónica. Ed. “A Trolha”. Londrina. 2016.
- https://bibliot3ca.com/egregora-maconica/
- https://www.deldebbio.com.br/egregoras/
- Informativo Maçónico “JB News nº 482”.
- LEVY, Eliphas. Na História da Magia. 1924.

- A Maçonaria e o valor perene da Sabedoria
- O comportamento do Maçom dentro e fora do Templo
- Qual a noção de Liberdade do/no Rito Francês?
- Sobre Esoterismos
- Perguntas sobre Maçonaria e os Maçons – A Loja Maçónica


Egrégora crer ou não crer?
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
Mateus 18:20
Numa reunião de pessoas ali é formado um egrégora onde ele dá força e ajuda a esses membros. Quando esse grupo se defaz esse egregora morre…