Escotismo e Maçonaria – o paralelismo

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O Escotismo e a Maçonaria são movimentos independentes em todo o mundo, ambos fundados em princípios morais, existindo muitos paralelos entre os dois movimentos.

O primeiro deles, e o principal requisito de adesão a cada Movimento, é que aqueles que se juntam deverem professar uma crença num Ser Supremo. Por não exigir que o Ser Supremo de um membro seja especificamente o entendimento cristão de Deus, tanto o Escotismo quanto a Maçonaria se tornaram atraentes para pessoas de todo o mundo. E ambos os movimentos também se tornaram um lugar onde pessoas de diferentes credos se pudessem encontrar em comunhão e harmonia, com valores morais partilhados, apesar das diferenças religiosas, sociais, culturais e nacionais.

O segundo princípio moral partilhado pelos dois movimentos é o serviço aos outros. Cada movimento expressa este valor à sua maneira. A Maçonaria exige que cada novo membro, ou iniciado, se comprometa por um desejo sincero de se tornar mais amplamente útil para os seus semelhantes. Mais tarde, na sua progressão maçónica, ao ser elevado ao terceiro grau, o Maçom assume uma obrigação que está amplamente relacionada com o serviço aos outros. O Escotismo ensina serviços a outros na sua Promessa e Lei. Um Escoteiro promete ajudar outras pessoas (“não importa a qual país, classe ou credo o outro possa pertencer“).

O terceiro princípio moral que têm em comum é cuidar e desenvolver-se. Novamente, isto é expresso em termos diferentes. No Escotismo, aprende-se sempre a “Dar o seu melhor” e a “Estar Preparado”, bem como desenvolver os jovens na realização de todo o seu potencial físico, intelectual, social e espiritual para que possam ocupar um lugar construtivo na sociedade. A Maçonaria oferece desenvolvimento pessoal na forma de uma jornada espiritual, mas não religiosa. A estrutura de grau e o ritual da Maçonaria enfatizam o crescimento do Maçom à medida que ele progride da ignorância para a iluminação.

Ao progredir do primeiro para o segundo grau, o Aprendiz da Maçonaria aprende que a maçonaria é descrita como “Um sistema peculiar de moralidade, velado em alegorias e ilustrado por símbolos”. Esta explicação sedutora significa simplesmente que a Maçonaria tem um código moral dedicado e comunica isto por meio de histórias e símbolos. O escotismo, sem dúvida, tem o seu próprio código moral, expresso na Lei Escoteira.

Baden-Powell usou histórias, ou fios para comunicar as suas mensagens, especialmente no seu “livro ritual – Escotismo para Meninos” e usou símbolos, principalmente no seu uniforme, distintivos e emblemas.

A obrigação de primeiro grau do Maçon exige que o Candidato faça uma promessa, na presença do Ser Supremo e dos membros da Loja, de manter a sua honra e obedecer a um código moral, e ao compromisso da Maçonaria com a caridade e o amor fraterno, que é paralelo à Promessa do Escoteiro para ajudar outras pessoas.

Existem dois outros paralelos bastante mais visíveis entre o Escotismo e a Maçonaria. Ambos usam apertos de mão diferentes daqueles usados no dia a dia normal. Os escoteiros cumprimentam-se com um aperto da mão esquerda, que foi escolhido para ser diferente da direita para permitir que os escoteiros se identificassem. O sistema de apertos de mão da Maçonaria está ligado ao grau a que um Maçom pertence. O aperto de mão é um meio de reconhecer outro Maçom do mesmo grau e “Serve para distinguir um irmão tanto de noite como de dia”.

O segundo desses paralelos visíveis é o sistema de saudações. Os escoteiros saúdam com três dedos, representando as três partes da Promessa do Escoteiro, que são: –

  • dever para com Deus e para com a Rainha
  • ajudar outras pessoas
  • manter a Lei do Escoteiro

Os maçons usam um sistema complexo de saudações como expressões físicas da Ordem. O iniciado torna-se um Aprendiz ao receber a sua primeira obrigação, um Companheiro ao ser passado para o segundo grau e um Mestre Maçom ao ser elevado ao terceiro grau. Em cada ponto, ele assume uma obrigação “restrita a esse grau”. Depois disso, ele pode fazer mais progressos tornando-se Venerável Mestre da sua Loja. O escotismo também se baseia num sistema de progressão. Primeiro, uma criança de seis anos junta-se como um escoteiro Lobito, seguido por escoteiro júnior e, em seguida, escoteiro; aos quatorze anos, escoteiro explorador. Em todos estes estadios reforçando o seu desenvolvimento e valores pessoais e princípios do Escotismo. O estadio final de desenvolvimento, sendo o líder escoteiro da sua tropa ou seção.

A Maçonaria concede honras aos seus membros por serviços valiosos. Dentro de uma Loja particular, a maior honra que pode ser concedida é a de Venerável Mestre da Loja. As Grandes Lojas Provinciais nomeiam Maçons dignos para o Grandes Oficiais Provinciais em diferentes graus. As Grandes Lojas concedem o mesmo em graus semelhantes, ao nível Nacional.

O escotismo também reconhece o bom serviço adulto ao longo de muitos anos ao conferir um de quatro prémios, a saber, a Comenda de Escoteiro Chefe por Bom Serviço, a Medalha de Mérito (por serviço notável), a Bolota de Prata por serviço especialmente distinto) e o Lobo de Prata (por serviço da natureza mais excepcional).

Um paralelo interessante é o da diversidade. Das seis áreas de diversidade (idade, deficiência, género, sexualidade, raça, religião ou crença), o escotismo e a Maçonaria têm abordagens semelhantes. Ambos os Movimentos têm como membros pessoas de diferentes raças, religiões e crenças e ambos exigem que os membros acreditem num Ser Supremo. Ambos os movimentos tomam medidas activas para acomodar membros deficientes. Ambos têm limites de idade inferiores, mas sem limites superiores de idade, para adesão.

Um paralelo coincidente é que, no Reino Unido, ambos os Movimentos têm, na posição sénior, S.A.R. O Duque de Kent, KG, que é o Grão-Mestre da Grande Loja Unida de Inglaterra e o Presidente da Associação dos Escoteiros. Na verdade, ele é o último de uma longa linha de patronos reais que endossaram o trabalho de ambos os Movimentos desde os seus primeiros dias.

O paralelo final é aquele que só pode ser realmente apreciado por alguém que foi membro de ambos os Movimentos. O Escotismo deu-nos nossa base moral, os valores e o código que foram buscados ao longo das nossas vidas. Dá-nos um sentimento de pertença e propósito nas fases difíceis da nossa infância e adolescência. Com o Escotismo, aprendemos responsabilidade, autoconfiança e a importância de servir os outros. A Maçonaria deu-nos um veículo por meio do qual podemos desenvolver a nossa compreensão desses mesmos valores. Isto permitiu-nos desenvolver o nosso senso de propósito e construir força interior e resiliência.

Escotismo e Maçonaria: dois Movimentos paralelos

Tony Harvey

Tradução de António Jorge

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One thought on “Escotismo e Maçonaria – o paralelismo

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    Excelente aprendizado- Excellent learning

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