Esoterismo do avental maçónico

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antigo avental, maçonaria

Muito temos conhecimento da relação que é feita entre os actuais aventais maçónicos com os da época da Maçonaria operativa nos canteiros de obras medievais.

Porém o nosso estudo estará focado no seu aspecto mais intrigante e esotérico do que o Avental representa na simbologia da Loja Maçónica actual.

Podem sem dúvida variar conforme o rito que se está praticando, mas na grande maioria dos aventais temos a presença de uma figura geométrica constante de um triângulo e um quadrilátero, podendo ser um rectângulo ou um quadrado.

quadrado, triângulo

E a partir desta definição iniciamos as nossas análises. O triângulo remete-nos ao número 3, pois é uma figura com três lados e três ângulos, enquanto o quadrado nos remete ao número 4 por ter quatro lados e quatro ângulos. A soma dos ângulos internos do triângulo revela-nos 180 graus enquanto que a soma dos ângulos de um quadrado nos fornece 360 graus.

O número três tem grandes representações simbólicas na Loja Maçónica começando pelas três grandes luzes a saber o Esquadro, Compasso e o Livro da Lei; as três pequenas luzes a saber o Venerável, e os dois Vigilantes; as representações dos luminares celestes que são o Sol, a Lua e a Estrela entre outras simbologias.

O número quatro por sua vez tem a sua presença marcante na Loja Maçónica por representar os quatro pontos cardeais nos quais a loja se orienta, o formato da loja como um quadrilátero, os quatro elementos que são exaltados nas cerimónias entre outras representações.

O número três relembra as trindades divinas de todas as religiões, e por tal relação está a representar o divino, o espiritual, o superior. Já o número quatro relembra a criação, os quatro elementos criadores de tudo e de todos da manifestação divina, na natureza, portanto do material, do inferior. Desta forma um complementa o outro, o Criador e a Criatura, e estão sempre unidos, como representados nas figuras do Esquadro e Compasso em Loja.

Muitos relacionam o número 3 ao Compasso pois para o desenho de um círculo são necessários três movimentos do mesmo, o apoio no centro, a abertura do raio e finalmente o giro para o traçado. Já o quadrado é obtido com o uso do esquadro que possui um ângulo recto ou de 90 graus fixo, auxiliando no traçado do quadrado ou rectângulo. Assim em Loja constituída, o Compasso está sempre unido ao Esquadro, Espírito e Matéria, o 3 unido ao 4.

E assim temos uma primeira expressão interessante que é o 3 mais o 4 que nos fornece o padrão de movimento universal do SETE. Sete são as cores, as notas musicais, os dias da semana e tudo o mais que se repete infinitamente pois é o padrão evolutivo da natureza manifestada. A este princípio septenário estão relacionados os movimentos diários do nosso planeta, da sua rotação em volta do seu eixo percorrendo assim uma volta completa pelo universo local.

Tal é a razão dos maçons trabalharem do meio dia a meia noite com referência ao ciclo diário da nossa Terra. A este ciclo comparamos o trabalho dos Aprendizes que devem diuturnamente trabalharem as suas emoções na busca de transformar os seus vícios em virtudes, os preparando para a condição de alcançarem maiores conhecimentos.

Mas com certeza teremos aqueles que dirão que a mescla do 3 com o 4 também nos fornece o 12, dos 12 signos zodiacais, dos 12 meses do ano. Referência esta ao movimento de translação do nosso planeta ao redor do Sol, num compasso quaternário de solstícios e equinócios devido a inclinação do seu eixo em relação ao plano da eclíptica do nosso sistema solar. Tais solstícios e equinócios são parte das comemorações cerimoniais dos maçons.

ponto, círculo

Tais datas estão representadas pelas colunas J e B nos templos assim como nos padroeiros São João, o Batista e o Evangelista.

Aqui retomamos o compasso quaternário mais amplo da natureza, o das estações da Primavera, Verão, Outono e Inverno, donde muitas relações simbólicas estão presentes nas cerimónias maçónicas, com ênfase na Lenda Hirâmica da regeneração primaveril após o Inverno tenebroso do HA morto e enterrado sob pesado manto da frieza invernal dos companheiros assassinos do espírito humano.

Tais mistérios cabem ao Companheiro Maçom decifrar e aprender uma vez que dentro do seu período instrutivo, além do estudo do Trivium e do Quadrivium, ou seja do 3 e do 4 novamente, estão os princípios universais mais abrangentes da Estrela Flamejante Vénus assim como as suas relações com o Pentagrama sagrado.

E aqui tocamos em mais uma relação simbólica importante e que não podemos abster-nos de mencionar como uma grande tradição maçónica e que nos foi brindada por Pitágoras quando nos revelou a regra do triângulo rectângulo formado pelos números 3 e 4 resultando com o número 5. Tal regra foi a base para que os maçons operativos medievais pudessem de forma simples construir paredes e demais elementos arquitectónicos perfeitamente angulados em 90 graus utilizando o princípio de Pitágoras com uma corda de 12 nós.

12 nós

Tal regra pitagórica foi brilhantemente provada através da Geometria por Euclides (a.C.) na sua 47a proposição e que veio a constituir como o pingente maior da jóia do Past Master ou Mestre Instalado na Ordem Maçónica pela sua importância simbólica e operativa.

esquadro, compasso

Não é sem razão que cabe a ele, o Past Master, como Sumo Sacerdote da Loja, abrir o Livro da Lei e fazer as orações em prol da sua Loja. Somente ele tem o direito de ficar dentro do Tetraedro formado pelos oficiais na abertura dos trabalhos e manusear o Livro da Lei assim como o Compasso e o Esquadro. Se verificarmos, aqui estão as representações do 3 Compasso, do 4 Esquadro e do 5 pelo Livro da Lei, e somente o Past Master é o oficial e carrega os mistérios pitagóricos no seu peito na sua jóia oficial. Na falta deste em Loja, o Past Master anterior a ele assume a função.

E se considerarmos ainda o Tetraedro, temos uma figura geométrica tridimensional formada por 4 triângulos (o 3 e o 4 novamente), sendo o Past Master o quinto elemento ali presente no momento da abertura.

pirâmide

Citamos como 5 sendo o Livro da Lei na correspondência das Três Grandes Luzes, e alguns poderiam contestar dizendo: mas 5 é o número do Homem, que se confunde com a Estrela quando de braços e pernas abertos como Leonardo da Vinci nos mostrou no homem vitruviano.

homem vitruviano

E assim dizemos nós, sim o Livro da Lei e o Homem estão relacionados ao número 5 pois outra não é a missão das mensagens do Livro da Lei senão a de iluminar o Homem com as suas profecias e conceitos de elevação espiritual.

O número três da figura triangular e os seus 180 graus possuem uma relação com os Pórticos triangulares utilizados nos frontispícios dos edifícios magnificentes da antiguidade, assim como nas catedrais medievais.

Tais elementos arquitectónicos tem a sua relação simbólica com os domos das catedrais que são metade da esfera. A esfera é a representação tridimensional do círculo, gerado pelo Compasso, portanto do número 3, do divino, do espiritual. Portanto no topo das catedrais, em geral acima dos altares existe um domo semiesférico como representação do divino. Já o Cubo é a representação tridimensional do quadrado, do número 4.

Enquanto que as plantas baixas de tais catedrais representam uma cruz, como quadriláteros relacionados ao Esquadro e ao número 4, do material, do manifestado, na parte superior das catedrais encontramos domos e pórticos triangulares.

Assim temos nas construções dos nossos mestres maçons operativos a representação do 3 e do 4 novamente, nas plantas quadradas ou em cruz, com pórticos triangulares e domos semiesféricos.

Catedral de Florença
Catedral de Florença

Podemos arriscar mais uma interpretação simbólica ao dizer que o Maçom, o número 5, o Homem, quando com o seu Avental 3 mais 4, está assim realizando a grande alquimia da transformação interior, e estando em condições simbólicas equivalentes às Três Grandes Luzes que são activadas e reverenciadas na sua Loja Maçónica. Cabe a ele portanto realizar no seu interior tudo aquilo que o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso representam.

Ao vestir o seu Avental, o Maçom deveria ter além de muito respeito, sentir-se honrado por portar um símbolo dos mais profundos e que os seus mais diversos ancestrais eternizaram nas diversas construções de mais pura elevação espiritual que a humanidade já realizou.

Compilado por Alberto Feliciano

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1 thought on “Esoterismo do avental maçónico”

  1. José Fava

    O avental, tal como o painel de Loja são uma base de especulação que depende muito do artista que o pinta, borda ou decora de qualquer modo.
    Eu próprio já me dei ao trabalho (… e prazer) de desenhar em AutoCad os paineis dos três graus. Por mais ortodoxia que se pratique, a Liberdade do artista conduz a tantas soluções que me levam a dizer, que a Liberdade de compôr não é senão uma forma de especular e que deverá sempre ser bemvinda. O autor terá sempre as suas razões que podem e devem ser aproveitadas nas nossas sessões pois com este infinito tema se pode especular como nos compete.
    Imaginem, se pelo contrário houvesse regras estritas para o traçado quer do painel quer do avental. Que sensaboria! Lembro no entanto que é uma obrigação do aprendiz saber traçar o painel de Loja, a giz, no chão da Loja, para se apagar no fim da sessão, o que já vejo fazer poucas vezes.
    Que percentagem da instrução do aprendiz está na discussão do traçado? Façam a experiência e como antigamente façam os aprendizes executar o traçado do respectivo painel e vão ter surpresas.
    O mesmo para os paineis dos graus de Companheiro e de Mestre, nas sessões do respectivo grau.
    Tenham uma boa experiência!

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