Na p. 54 do Ritual de Cerimónias Aprovadas do Rito de York, Gr. 3, 2009, e na p. 108 do Ritual do Rito de York do GOB, 2020, versa sobre tal carácter medievo feudal e, derivado de uma antiguidade perdida nas vetustas penumbras do tempo, sobre o crime da não fidelidade ou traição ao seu senhor, ao seu ofício, diante do Altíssimo e, portanto, traição a Deus – traição das traições. [0]
O que seria felonia?
Felonia.
sf.
1. Acto de traição; DESLEALDADE; PERFÍDIA
2. Acção cruel; FEROCIDADE; MALDADE
3. Hist. Rebelião do vassalo contra o senhor
[F.: Do fr. félonie.] [1]
Felão
que comete traição
desleal
que comete felonia [2]
A Traição da Traição: Felonia
A felonia, a traição aos laços de fidelidade que prendiam o vassalo ao seu suserano, consistia, aos olhos dos homens do Medievo, num crime inominável. Uma traição aos homens e a Deus.
O conceito de felonia é inerente ao sistema feudal. Instrumento jurídico fundamental que conota a maior das transgressões, ele é absolutamente necessário para a manutenção das tensas e turbulentas relações feudo-vassálicas. Na sua definição estão presentes os mecanismos de controle unidos ao plano do sagrado, através de fórmulas e ritos que a transformam num crime não só contra o senhor legítimo, mas numa afronta directa à ordem divina. [3]
O vassalo devia serviço militar ao seu suserano, sendo desta forma obrigado a disponibilizar as suas tropas sempre que houvesse necessidade. Por outro lado, o suserano deveria garantir a protecção do seu vassalo e ceder uma parcela da sua propriedade para o mesmo. Quando houvesse necessidade, o suserano poderia promover esse mesmo compromisso com outros vassalos. Da mesma forma, um vassalo poder-se-ia tornar suserano de outros nobres que não detinham propriedade de terras. [4]
Assim, como o vassalo, os pedreiros, (maçons da Idade Medieval), comprometiam-se, também, e por sua vez, a uma fidelidade ao seu senhor, ao seu feudo, e a à sua guilda. A Maçonaria adopta princípios e conteúdos filosóficos milenares, que foram adoptados por instituições como as “Guildas” (na Inglaterra), Compagnonnage (na França), Steinmetzen(na Alemanha). O que a Maçonaria fez foi adoptar todos aqueles sadios princípios que eram abraçados por instituições que existiram muito antes da formação de núcleos de trabalho que passaram à história com o nome de Maçonaria Operativa ou de Ofício. [5]
Há de se mencionar, também, que quando na literatura maçónica depararmo-nos com o termo em inglês – “exposures”; (em português – “exposições”), tratam-se ali de “revelações”; de traições de segredos maçónicos históricos publicados, publicizados; quebras de sigilo maçónico que aconteceram, no todo ou em parte, através de revelações escritas, numa época em que a liturgia era totalmente praticada verbalmente e, portanto, como era a coberto, não se tinha qualquer registro historiográfico ainda de como realmente a Maçonaria ocorria.
Muito embora seja um acto de traição abominável moralmente, um crime de PERJÚRIO, uma leviandade; essas “exposures” têm a sua importância histórica e de pesquisas em que se encontram constatações, (algumas relativas), de como eram praticadas as sessões maçónicas, transmitidas que eram somente em carácter oral à época, e em total segredo. Estas exposições são fontes, hoje, de estudos por maçonólogos sobre como ocorriam as liturgias, formas, palavras, meios, estrutura, etc., do sistema de trabalho maçónico. É a única ocorrência em que um perjúrio, um dos piores crimes maçónicos, pôde ter sido muito sabiamente “aproveitado”, pela Maçonaria, para o bem dela mesma, com fins de especulação, estudos, descobertas, estudos comparativos, averiguação e constatações de pesquisa.
Na Maçonaria Operativa, assim como hoje, na Maçonaria Especulativa, o pedreiro; o Maçom, embora pertença à sua guilda, ao seu Alojamento de Trabalho, à sua Loja, este é livre e de bons costumes para trafegar para outros canteiros de obras, outros feudos, outras guildas, em respeito ao seu juramento, através do seu honrado placet, a sua autorização ou passaporte legal, com a maçónica verificação antiga do seu legítimo conhecimento de ofício e pertencimento a uma guilda como pedreiro livre, sem felonia, sem perjúrio, com fidelidade aos segredos de ofício e ao Grande Arquitecto do Universo.
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Referências
[0] RITUAL DE CERIMÔNIAS APROVADAS DO RITO DE YORK. GR 3. GOB. 2009. RITUAL DO RITO DE YORK DO GOB. GR 3. 2020.
[1] DICIONÁRIO AULETE. https://www.aulete.com.br/felonia
[2] WIKICIONÁRIO. https://pt.wiktionary.org/wiki/fel%C3%A3o
[3] A TRAIÇÃO DA TRAIÇÃO: FELONIA E LEGITIMIDADE NO REINO DE ASTÚRIAS E LEÓN. https://periodicos2.uesb.br/index.php/politeia/article/view/3893/3202
[4] AS RELAÇÕES DE SUSERANIA E VASSALAGEM. https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/as-relacoes-suserania-vassalagem.htm
[5] A ORIGEM DA MAÇONARIA. https://gobrasileiroescoces.com.br/a-origem-da-maconaria/

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