Ao longo da nossa vida, dia após dia, estamos exercitando a nossa capacidade de compreender códigos, sejam eles aplicados através de uma comunicação verbal, não-verbal, ou de ambas imagem. Tais códigos apresentam-se como informações, proibições, regras, alertas, instruções e tantas outras finalidades.
A leitura é a nossa principal ferramenta para que possamos entender o mundo que nos rodeia. Sendo bem mais abrangente do que a leitura de uma escrita, gostaríamos de falar sobre a leitura do cotidiano, do olhar, do gesto, da emoção de uma pessoa; de um ambiente e a sua mobília; do cenário da vida, que, por muitas vezes, passa tão imperceptível ao nosso olhar descuidado, embaçado pela avalanche de informações de um mundo tecnológico.
Parte do nosso quotidiano, as imagens, mais do que as palavras, insistem em nos comunicar ideias, muitas vezes, interferindo nas tomadas de decisões. Usando uma forma subliminar, semeiam no atento observador o seu arquétipo, levando-o a mergulhar no mundo das interpretações e, conforme o seu estado de consciência, estimulando-o a se enveredar na tentativa de se fundir com a ideia manifestada.
O sucesso das campanhas publicitárias apoia-se nesta ciência da comunicação das mensagens visuais, que levam o consumidor a se encantar com o produto apresentado.
A imagem que escolhemos para ilustrar este texto, cujo objectivo da sua escolha outro não é, senão o de nos induzir a uma breve, porém necessária reflexão, expressa a dura realidade da nossa Ordem, no momento actual. Imaginem uma pessoa (Maçon), solitária, no meio de um vazio cinzento e nebuloso, que sobe alguns degraus de uma escada, a fim de tentar contemplar o horizonte, auxiliado por um binóculo.
Na visão de alguns, tal pessoa (o nosso Irmão) poderia estar tentando avistar o longínquo passado de glórias da nossa Ordem, quando maçons proeminentes mudaram a história deste país, muitos com o sacrifício da própria vida, em prol da liberdade da população. A História dos nossos heróis são, incansavelmente, repetidas em livros, trabalhos e palestras no seio dos Templos maçónicos, sobre a qual muitos preferem debruçar-se, no meio da sua ociosidade. Na verdade, há muito que não conseguimos ver a nossa instituição participando, directamente, nas decisões deste país.
Outros poderiam interpretar, na mesma imagem, que o momento é nebuloso, cinzento e frio, e que, apesar de o auxílio do binóculo e da escada, ainda assim, torna-se impossível enxergar uma saída, a curto prazo, para situação. Sufocados pela tortura diuturna de uns meios de comunicação a emitir tantas notícias catastróficas, que até mesmo o G:. A:. D:. U:. duvida, banham-se de desesperança, ao ver a inércia da nossa instituição, diante dos factos.
Poucos, decerto, enxergaria na imagem, na sua postura, na sua consciência de um Verdadeiro Iniciado que, embora envolvido por um cenário caótico, não se deixou abalar, mantendo uma postura erecta e a seriedade no olhar, expressando a confiança de dias melhores.
Enfim, esta imagem, na verdade, é você, sou eu, é cada um de nós, que, semanalmente, se reveste orgulhosamente de um avental e frequenta um Templo dedicado ao G∴ A∴ D∴ U∴, com o objectivo de tornar feliz a humanidade!
A Maçonaria somos todos nós! Se a leitura deste texto, com base nas leituras da imagem, te levou à reflexão, transportando-o para os degraus daquela escada, por si só, já estamos contente. Se tal reflexão te levou a questionar em que postura te enquadrarias contemplando o horizonte, estaremos por demais satisfeito. Mas se tudo isto te motivar a ser um agente de transformação da nossa Ordem, saiba que, de facto, a leitura da imagem te revelou o seu verdadeiro arquétipo, com o objectivo de que você com ele se funda!
Façamos em nós a mudança que gostaríamos de ver no mundo!
(Mahatma Gandhi)
Francisco Feitosa

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Muito bom, grande alento!