General Francisco Franco, o anti Maçom

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General Francisco Franco

A Maçonaria ao longo da sua história foi perseguida por aquilo que mais combate: “a intolerância”. Líderes mal-intencionados, aproveitando-se do baixo nível cultural da população e das suas crenças, declararam guerra à nossa Sublime Ordem.

O anti maçonismo pode ser dividido em duas vertentes: o anti maçonismo religioso e o anti maçonismo político; isto não significa que uma não se tenha apoiado na outra nas suas actividades detractoras. Este texto versa sobre um dos mais famosos personagens do anti maçonismo político da história: o polémico General Francisco Franco Bahamonde, conhecido popularmente como General Franco.

Francisco Franco nasceu na cidade galega de Ferrol em 4 de Dezembro de 1892, estudou na Academia de Infantaria de Toledo e entre 1912 e 1917 destacou-se nas campanhas militares do norte de África, em especial no Marrocos espanhol. Aos 34 anos, foi promovido a general de brigada. Em 1923, Franco casa-se com Carmem Pólo, filha de uma das mais importantes famílias da burguesia das Astúrias, ganhando com isso prestígio e fortalecendo-se politicamente. Entre 1928 e 1931, dirigiu a Academia Militar de Zaragoza.

Com a criação da República Espanhola, em 1931, foi afastado de cargos de responsabilidade. Em 1933, a eleição de um governo de direita recolocou-o em altos cargos do exército. Foi o mentor da brutal repressão à Revolução das Astúrias (1934) com tropas da Legião e, no ano seguinte, foi nomeado chefe do Estado-Maior Central. Em 1936, o governo da Frente Popular enviou-o para as ilhas Canárias. Nas eleições desse ano em Espanha, os partidos de esquerda que formavam a Frente Popular saíram vitoriosos. Mas Franco, junto a opositores de direita formaram uma frente golpista, dividindo o país e deram início à Guerra Civil Espanhola. Com o apoio da Itália Fascista e da Alemanha Nazista, Franco une todos os partidos de direita e finalmente em Janeiro de 1938 converte-se em chefe de Estado e de Governo e posteriormente em Generalíssimo.

A Cruzada Franquista Contra A Maçonaria

Francisco Franco nutria um grande enorme pela Maçonaria, pois temia que a Ordem ameaçasse o seu poder após o término da guerra civil espanhola. O país encontrava-se destruído e fragilizado, e Franco temia uma expansão da influência maçónica na reconstrução política do país e na ameaça ao seu poder.

Muitas foram as acções de Franco contra a Maçonaria. Em 1935, o Congresso Espanhol aprovou por 82 votos contra 26, uma moção para que fossem afastados das Lojas Maçónicas todos os chefes e oficiais do Exército nelas inscritos. Em 15 de Setembro de 1936, Franco inicia uma dura repressão contra a Maçonaria em Espanha. É formado um tribunal contra a Maçonaria, o comunismo e demais sociedades ditas como clandestinas. São emitidos 80.000 expedientes contra Maçons, sendo que em Espanha não haveria na época mais de 15.000 Maçons. A Falange Espanhola, partido político de Franco, ocupa o Templo Maçónico de Tenerife, e organiza visitas à Câmara de Reflexão, mediante pagamento de 0,50 pesetas.

Segundo o livro “Franco Contra Los Masones“, de Xavi Casinos e Josep Brunet, Franco incumbiu uma mulher conhecida por “Anita de S” de se infiltrar e espiar as acções dos Maçons espanhóis, que se encontravam exilados em Portugal. “Anita de S” conseguia ter acesso às informações e passá-las a Franco por ser esposa de um dos líderes da Maçonaria espanhola.

O primeiro decreto de Franco contra a Maçonaria data de 15 de Setembro de 1936 e foi emitido em Santa Cruz de Tenerife quando ele era então o comandante-em-chefe das Ilhas Canárias. Nele constavam ordens de confisco de bens maçónicos, multas e prisões por crime de rebelião para todas as pessoas que supostamente fossem associadas à Maçonaria Espanhola. Em 1938, Franco determina a destruição de todas as inscrições e Símbolos Maçónicos em solo espanhol.

Em 1 de Março de 1940, promulga a sua lei mais contundente, onde determina como ilegal a Maçonaria, o Comunismo e todas as organizações ditas como clandestinas, declarando-as como desagregadoras da religião, da pátria, das instituições fundamentais e contra a harmonia social, determinando penas que variavam entre 12 e 30 anos de prisão. Segundo a nova lei, os Maçons pertencentes ao Grau 18 a 33 ou que tivessem desempenhado outro cargo ou comissão que implicasse confiança especial da seita ou ordem, seriam considerados criminosos com circunstâncias agravantes.

Uma das teorias sobre a origem da obsessão do ditador contra a Maçonaria afirma que ele teria sido rejeitado como membro; tal rejeição teria despertado o seu ódio pela Ordem.

O Franquismo foi uma das mais ferrenhas ditaduras da Europa. Mesmo isolado pelos países aliados no pós-guerra, Franco conseguiu consolidar o seu poder no país, governando a Espanha até Junho de 1973. Em 1975, após a sua morte, o príncipe Juan Carlos subiu ao trono e Espanha foi reconduzida à democracia. Dava-se fim a um dos mais repressivos e autoritários regimes políticos da Europa, mas que jamais foi capaz de concluir os seus objectivos antimaçónicos.

Talvez se Francisco Franco conhecesse um pouco mais sobre a História Universal saberia que muitos foram os déspotas que tiveram iniciativas antimaçónicas, utilizando todos os artifícios contra a nossa Sublime Ordem, mas que, no entanto, nenhum foi capaz de calar a luta da Maçonaria pela fraternidade, solidariedade, tolerância e pelo auto desenvolvimento do ser humano.

Jefferson de Alexandre Pessoa – Or∴ de Palmas – TO

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3 thoughts on “General Francisco Franco, o anti Maçom

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    Obrigado pela Prancha Ir.’.

    Franco deu ordens para matar todos os maçons, muitos pediram exílio em outros países em oposição à ditadura Franquista. Outros mantinham em segredos as reuniões e tinham codinomes para não serem reconhecidos.
    Alguns maçons pediram exílio no México, e se reuniram e formaram uma Loj.’. no exílio. Essa loja existe até nos dias de hoje e se Chama Renacer Ibérico.
    Sinto muito orgulho de fazer parte desta loj.’.

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    Obrigado pelo belíssimo texto, vou apresentar em minha loja pois é muito importante sabermos a história de nossa Ordem e assim continuarmos nossa luta contra a intolerância e perseguição que infelizmente ainda existe.

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    Já acompanho a algum tempo essa nobre fonte de conhecimento… fico deveras grato pela oportunidade de agregar conhecimentos à minha vida… sou “profano”, porém admirador da Ordem.

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