Quando a Grande Loja Feminina da Roménia condena antes do julgamento

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tribunal, Grande Loja Feminina da Roménia

Uma intimação transformada em exposição pública

Em 24 de Agosto de 2025, a página oficial da Marea Loja Feminina a Romaniei (Grande Loja Feminina da Roménia) publicou no Facebook uma convocatória dirigida a uma das suas irmãs, Ionela Cuciureanu. O documento, datado de 1 de Agosto e assinado por Daniela Popa, presidente da Câmara de Justiça, convida-a a comparecer no dia 30 de Agosto perante o Tribunal Maçónico da Obediência.

Mas, para além do texto em si, que já era problemático quando foi colocado online foi o título da publicação que surpreendeu:

“Grandeza e decadência!
O chanceler torna-se arguido quando o amor fraterno é mal compreendido!

Uma manchete solene, quase teatral, que lança um olhar negativo sobre Ionela antes mesmo do início do seu julgamento. Esta escolha de palavras, publicada num canal oficial, equivale a uma condenação pública antecipada e transforma uma irmã num símbolo de declínio.

Uma sentença antes da audiência

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A carta recorda que Ionela está suspensa de todas as actividades maçónicas desde 9 de Junho de 2025, três meses antes do seu julgamento. A associação desta suspensão a um comentário mordaz publicado na página oficial constitui um claro ataque à sua reputação.

O que deveria ser um procedimento interno e confidencial foi exposto na praça pública, acompanhado de um juízo de valor que põe definitivamente em causa a presunção de inocência.

A humilhação pública como método

Na tradição maçónica, a justiça interna visa preservar a dignidade de cada um, mesmo quando há divergências profundas. Neste caso, é adoptado o procedimento inverso: a citação é apresentada como prova à multidão e o título da publicação funciona como uma sentença moral.

Ao descrever Ionela como uma figura de “decadência“, a Grande Loja Feminina da Roménia ultrapassou largamente o âmbito da informação interna. Passou a estigmatizar Ionela perante um público leigo, em total contradição com os princípios da discrição, do respeito e da fraternidade.

Reacções: rejeição maciça

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A publicação desencadeou uma torrente de críticas, tanto na Roménia como no estrangeiro. As vozes levantadas são do mesmo tom:

  • Este caso deveria ter sido estritamente interno, para não prejudicar a imagem da Ordem.
  • A publicação de um documento incriminatório com nomes antes de qualquer decisão é considerada “inadmissível” e contrária ao princípio do contraditório.
  • Vários recordaram que uma citação não é uma sentença: torná-la pública, acompanhada de acusações graves, é uma violação da dignidade e da presunção de inocência.
  • Outros denunciaram o tratamento degradante, contrário às leis do país e às regras maçónicas, em particular a proibição de revelar a identidade dos membros envolvidos num processo interno.

Em suma, a decisão de tornar pública esta convocatória é vista não como um acto de transparência, mas como uma degradação deliberada de uma irmã e uma falha institucional.

O perfil da irmã: uma voz livre e empenhada

Ionela Cuciureanu
Ionela Cuciureanu

Para além do prisma do seu estatuto disciplinar, é essencial destacar a notável carreira desta irmã, uma figura respeitada em vários círculos maçónicos internacionais.

É autora e moderadora de um blog dedicado à reflexão crítica sobre a Maçonaria, a arte e a sociedade. Este blog, espaço de livre pensamento maçónico, reúne artigos, entrevistas, simbologia e notícias internacionais, tudo escrito num estilo empenhado, sensível e erudito Hermana Spes.

Além disso, é actualmente Secretária-Geral da CLIPSAS, a Confederação Maçónica Liberal Internacional, o que faz dela uma figura central na cena maçónica mundial g-o-s.org.

A sua convocação pública não é, portanto, de uma desconhecida, mas de uma irmã empenhada cuja legitimidade intelectual e institucional foi reconhecida pelos seus pares.

Direito romeno e europeu

Na Roménia, a difamação foi descriminalizada desde 2014, mas uma pessoa cuja imagem é publicamente manchada pode levar o seu caso a um tribunal civil e obter uma indemnização por danos morais. Neste caso concreto, Ionela podia basear-se não só na difusão da convocatória, mas também nas palavras denegridoras que a acompanhavam.

A jurisprudência europeia é clara: a ausência de um interesse público evidente torna este tipo de publicação desproporcionado e prejudicial à reputação.

Uma cisão irreversível

Ao optar por publicar a convocatória de Ionela sob o título provocatório Grandeza e Decadência, a Grande Loja Feminina da Roménia ultrapassou um limite: o limite entre a justiça fraterna e um julgamento mediático humilhante.

Este ataque à imagem de uma irmã ultrapassa o quadro do direito maçónico: inscreve-se numa lógica de descrédito público, contrária tanto à ética da Ordem como aos direitos humanos fundamentais. Apesar de si própria, Ionela tornou-se o símbolo de uma deriva em que o amor fraterno, em vez de ser protegido, é abertamente ridicularizado.

Redacção do Blog Maçónico 450.fm

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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2 thoughts on “Quando a Grande Loja Feminina da Roménia condena antes do julgamento”

  1. Marco Piva

    Cremilton, essa é uma opinião que até devemos respeitar como livre pensadores, todavia, esse preconceito (muito clara em seu texto) não condiz com a maçonaria atual, parece o pensamento de velhos conservadores pregados em suas cadeiras apontando o dedo para os defeitos das mulheres, dos homossexuais, dos diferentes, enfim.. As mulheres devem sim participar da maçonaria regular, para que ela evolua e não fique como era no tempo dos operativos, como é hoje. Ignorância, sinal de que não saíram da Câmara de Reflexões anda, como a maioria dos maçons, particularmente dos ritos teístas, que se divertem com ritualística e não debatem ou estudam os movimentos da sociedade, fugindo da responsabilidade que temos com ela. Então, se uma mulher entrar na maçonaria e tiver algum romance, como você menciona, a culpa é dela? E o maçom com quem ela manteve o caso? os Hipócritas homens pode ter a oportunidade de evolução moral e intelectual que a maçonaria oferece, a mulher não, é isso mesmo? porque ela seria o problema. Oras, um caso de briga interna que ocorreu na Grande Loja Feminina da Romênia não pode ser dado como exemplo depois de tantos e tantos escândalos que vimos dentro das Obediências regulares (Regulares ?) como caso de roubos dos caixas, assedio sexual com funcionárias, homossexualismo entre irmãos (talvez o Ir aprove isso), e má conduta como profano. Tenho absoluta certeza de que, apesar de tudo, as mulheres teriam muito menos escândalos, até porque mostram maior inteligência emocional, mas, mesmo que houvesse, no sentido em que menciona teria que ser com um “ilustre e virtuoso” maçom, home.. sem cabimento meu fraterno, volte à Câmara de Reflexões para se encontrar, porque, mentalmente, aprece que foi esquecido lá, desde o dia da sua Iniciação, com todo o respeito e carinho que lhe devo.. defendo a iniciação das mulheres, seja em Lojas ou obediências femininas, ou em Obediências mistas e lamento profundamente o conservadorismo britânico que criou, pelo mundo, tanto preconceito, apagando toda sua historia (como dos Modernos de Londres de 1717 e seus princípios e fundamentos) e criando mais uma religião paralela ao cristianismo mais ortodoxo, conservador e até retrógrado, em minha modesta opinião.. TFA
    Ahhh só para esclarecer, sou membro ativo de uma Loja em Santa Catarina, Brazil, so rito Francês ou Moderno, iniciado no REAA, há 45 anos, e tenho um preparo intelectual razoável, para não desconfiar de que eu seja um aventureiro dando opinião em seara alheia. Nunca visitei uma Loja mista porque respeito as leis da minha obediência regular, mas torço pela nossa evolução que acontecerá se depender da minha opinião, não sou woke ou um esquerdista militante, embora liberal, creio ser uma questão de justiça a defesa da participação feminina..é só filtramos bem, homens e mulheres, que não teremos escândalos ou calças justas para atacarem a instituição.

  2. CREMILTON SILVA

    Há pouco tempo elaborei um artigo defendendo a mulher na Maçonaria, sob o argumento de que estamos em pleno século XXI e olhando pelo retrovisor. Como se estivéssemos na maçonaria operativa, quando era inimaginável aceitar uma mulher para carregar pedras. Hoje temos mulheres em todos os seguimentos, competindo com homens na ciência, tecnologia, economia, política, etc… Enfim, olhando sempre pelo lado fraterno, humano e reto. Uns meses depois, antes da publicação, solicitei o cancelamento e a introdução de um outro contestando veementemente a iniciação da mulher. Posição que permanecerei com ela para sempre, em se tratando da Maçonaria regular. E a minha mudança de visão constitui no simples fato de que sendo a maçonaria uma instituição fechada, onde ainda existe preconceitos com falácias de que é “secreta”, ninguém sabe o que ocorre dentro do templo, com o slogan do “bode”, etc… pensei comigo. Já imaginou o que será da maçonaria se a onda pegar e começar a surgir romances, envolvendo ele ou ela casados? Como iremos explicar isso? Não será um prato cheio para quem não tem a maçonaria como algo sério? E quem pode garantir que num ambiente de homens e mulheres, sem visibilidade para terceiros, não venha surgir algo dessa natureza? Portanto, minha opinião pessoal. O ingresso da mulher na Maçonaria poderá trazer mais desgraça do que agregar benefícios para a instituição. Este artigo pra mim não ficou claro, mas com certeza tem algo semelhante envolvendo ciúmes e tudo mais. Como ficará daqui para frente a credibilidade dessa instituição feminina?!

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