O Grande Oriente de Itália colocado sob administração judicial

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Grande Oriente de Itália (GOI)
Grande Oriente de Itália (GOI)

Abriu-se um abismo no Grande Oriente de Itália (GOI) e não há sinais de que vá fechar. A obediência histórica da Maçonaria italiana está cada vez mais desgastada e corroída por grupos de vingança transversais e lutas internas pelo poder. Acima de tudo, o grupo principal, liderado por Stefano Bisi (actual Grão-Mestre do GOI) e sediado na Calábria, está dividido entre António Seminário (o Grão-Mestre deposto) e o obscuro Bellantoni.

Vibo parece ser o verdadeiro centro do poder oculto. O grupo de Bisi está firmemente enraizado nas suas posições e comporta-se menos como uma associação do que como um bando que persegue quem se atreve a falar de crime e de dinheiro. Insiste em não reconhecer a realidade das coisas e até mesmo a justiça comum italiana que, entretanto, colocou o GOI sob curadoria, nomeando um curador.

Em Novembro passado, o Tribunal de Roma proferiu uma decisão importante: o Grande Oriente de Itália foi oficialmente colocado sob administração. A nomeação foi confiada ao advogado Raffaele Cappiello, que foi nomeado curador especial nos termos do artigo 78º do Código de Processo Civil.

Este facto tem implicações importantes. O poder de Bisi, que se manteve nos últimos anos, deixou efectivamente de existir. Os tribunais já decidiram por diversas vezes que ele já não representa nada. Existem agora dezenas de vias judiciais e processos que muitos prometem, bem como recursos. E também documentos sobre as contas, a gestão dos fundos e as despesas. Apesar disso, Bisi e os seus homens continuam a gerir as reuniões, os tribunais internos, as promoções e a direcção. De facto, a partir de Vibo (e onde mais?) condenam também aqueles que ousam lançar petições anti-máfia, como o notário siciliano Silverio Magno.

“Condenado à pena de censura solene, com exclusão da participação em trabalhos maçónicos pelo período de um ano, com proibição de exercer qualquer cargo pelo período de 3 anos, além do pagamento de 3000 euros de custas judiciais”.

São estas as palavras da sentença proferida a 29 de Novembro, na sede do Vibo Valentia. E quais são as culpas de Magno? Várias, mas todas giram em torno das suas declarações, nas quais acusa o clima repressivo e submisso das obediências sicilianas e calabresas. Magno tinha também manifestado dúvidas sobre a gestão dos fundos no caso da casa maçónica de Cosenza, bem como no famoso caso Vibo. É também acusado Bisi em relação às decisões tomadas sobre os assuntos jurídicos de V. Lauria. Em suma, crimes de opinião.

Mas enquanto a justiça interna do GOI segue os desejos do bando, a justiça externa continua a atacar em várias frentes. Em Novembro passado, por exemplo, foi novamente condenado a pagar 10 mil euros, mais despesas, a Il Fatto Quotidiano, por um artigo de Barbacetto que, entrevistando um certo Minnicelli, afirmava que as máfias se tinham espalhado pelo Norte, explorando a Maçonaria. O Tribunal considera que o artigo não é difamatório e anexa páginas de documentos e relatórios que sustentam esta opinião. Uma opinião também partilhada pelo antigo Grão-Mestre Di Bernardo na entrevista que nos deu há alguns meses (aqui está o link https://www.youtube.com/watch?v=RyhGztguJT0 – Em italiano). Ficarão felizes por saber como está a ser gasto o dinheiro do GOI.

Taroni, o principal adversário, desafia e espera. E está a recolher informações. É demasiado cedo para dizer quem ganhará esta batalha feroz e a que preço. Até porque, entretanto, outros movimentos foram registados a partir de Malta. Mas isso é outra história…

Alice Dubois
17 de Dezembro de 2024

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Nota

Relativamente a este assunto, o Grande Oriente de Itália, através do seu Grão-Mestre, Stefano Bisi, emitiu em 27 de Novembro o seguinte comunicado:

Comunicado do Grande Oriente de Itália

O Grande Oriente de Itália, na pessoa do seu Grão-Mestre Stefano Bisi, comunica que hoje o Tribunal de Roma – no caso da acção cautelar interposta pela lista nº 1 contra o despacho de 14 de Agosto de 2024 (que tinha indeferido os pedidos cautelares) em que o GOI já estava constituído com o então Grão-Mestre Antonio Seminario – tendo em conta o despacho cautelar de 28 de Outubro de 2024 que, como se sabe, suspendeu a proclamação do Grão-Mestre, e nomeou um administrador especial para o único fim da constituição nesse caso.

Este comunicado tornou-se necessário porque a Nossa Comunhão foi induzida em erro pela publicação de notícias erróneas segundo as quais o GOI teria sido “comissariado” ou colocado em estado de “administração judicial”.

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