História do cargo e funções do Mestre de Harmonia em Loja

Partilhe este Artigo:

piano, Mestre de Harmonia

Introdução

Ainda hoje se discute que tipos de músicas são permitidas e, se permitidas, que tipos podem ser ouvidas. Como questões que interrogam temos: podem ser clássicas orquestradas? Podem ser músicas clássicas cantadas? Podem ser músicas instrumentais? Podem ser músicas populares orquestradas? Se orquestradas elas podem ou não ter carácter maçónico? Questões sobre os recursos a que recorriam a Maçonaria como, por exemplo: podem os músicos ou coros cantar ao vivo? Sabemos que contemporaneamente as lojas utilizam gravações e equipamentos electrónicos devido à practicidade.

Em sentido amplo, a harmonia é a ciência da combinação dos sons, que formam os acordes musicais. A palavra grega MOUSIKE não significa apenas música, mas todas as formas de expressão que tenham por finalidade a criação e a beleza. Pitágoras usava a música para fortalecer a união entre os seus discípulos, por entender que a música instruía e purificava a mente.

Para Pitágoras a música era uma disciplina moral que actuava como freio aos ímpetos agressivos dos humanos. A aprendizagem revela-se através dos sentidos, sendo conquistada, não só pela contemplação das formas e da beleza que nos rodeiam, mas pela audição de ritmos e melodias que acalmam ímpetos e paixões. Assim, angústia, anseios, frustrações, agressões verbais e stress mental podem ser eliminados pela audição de músicas suaves e agradáveis (FADISTA, 2018; GUIMARÃES, 2013). Conforme Guimarães (2013), numa reunião Maçónica deve-se tocar a música que melhor traduza os sentimentos dos Irmãos em cada momento do ritual.

História

Desde os períodos primitivos da sua história, a Maçonaria beneficiou-se do auxílio da música durante os seus Rituais e Cerimónias. As questões sobre este cargo, até hoje não estão bem esclarecidas, pois o reconhecimento formal não foi unânime e variam naqueles ritos ou jurisdições que têm este cargo formalmente reconhecido. Em alguns casos, o Mestre de Harmonia existe de facto, mas sem previsão expressa no ritual ou no regulamento. O Repertório musical verifica-se uma grande variação quanto aos tipos músicas permitidas ou recomendadas.

As primeiras composições maçónicas datam de 1723, sendo publicadas junto com a primeira Constituição de Grande Loja de Londres. Entre estas composições estão: A Canção dos Aprendizes de Matthew Birkhead; A Canção dos Companheiros de Charles Delafaye; A Canção do Vigilante de James Anderson; A Canção do Mestre de James Anderson, publicada em 1738, com a segunda edição das Constituições de Anderson. No Brasil, compuseram-se obras como: o Hymno do REAA de Silveira Neto e Jerônimo Pires Missel; o Hino Maçons Avante de Jorge Buarque Lira e Mário Vicente Lima; o Hino Maçónico de D. Pedro I; o Canto Ritualístico Maçónico de Francisco Sabetta e José Bento Abatayguara e o Hino Maçónico de Abertura e Fechamento dos Trabalhos de Otaviano Bastos. Também existem composições maçónicas para Ritual de Iniciação, de Elevação de Exaltação, de Reconhecimento Conjugal e de Pompas Fúnebres.

Alguns irmão, que eram compositores produziram belas músicas que merecem e devem ser ouvidas nos nossos Templos. Entre estes podem ser citados: Mozart, Haendel, Sibelius, Franz Lizt, John Philipp Souza (de ascendência portuguesa), Luigi Cherubini, Antonio Salieri, Carlos Gomes (brasileiro) e outros (GUIMARÃES, 2013).

No que se refere a Função, o Mestre de Harmonia é um oficial incumbido de promover, organizar e executar a parte musical efectivando de facto a harmonia sonora e espiritual necessária durante sessões maçónicas. O mestre de Harmonia  deverá escolher músicas ou trilhas sonoras apropriadas aos diferentes momentos do ritual. Também deve conservar instrumentos, equipamentos de som, organizar o repertório  musical e ter responsabilidade pela iluminação, além de dar instruções a respeito do seu cargo.

A coluna da harmonia

Esta tarefa requer saber o que é Coluna da Harmonia. Nicolas Aslan (2006) no Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, a Coluna da Harmonia é a coluna do Mestre encarregado da parte musical em qualquer Solenidade ou Cerimónia Maçónica (ZAPOLLA, 2018). Com frequência se utiliza o termo “Coluna da Harmonia” para se referir ao conjunto de músicas, instrumentos e equipamentos associados à música do trabalho maçónico. Com o avanço tecnológico algumas lojas têm apenas um equipamento de som ou fundo musical electrónico, sob comando deste Mestre de Harmonia.

Questiona-se também quais os Símbolos associados ao Mestre de Harmonia. A jóia do Mestre de Harmonia costuma ser uma lira, instrumento antigo e simbólico da música, da poesia que representa a harmonia. A Importância simbólica da música em loja incorpora a música à ritualística da Maçonaria, representando algo mais que ornamentação: ela ajuda no ambiente espiritual, na elevação, na reflexão, prepara os participantes para os trabalhos e marca momentos simbólicos. Assim, o Mestre de Harmonia é visto quase como um mediador entre o profano e o sagrado através da música.

Ao empossar o Mestre de Harmonia na direcção da Coluna da Harmonia o Venerável declara: revisto-vos com a jóia do cargo, a LIRA, devendo lembrar-vos que o principal objectivo da música, quer no preparo do ambiente, tornando-o solene, inspirador e belo, quer como complemento dos trabalhos, é contribuir para a elevação dos nossos sentimentos de amor e bondade. Com essas palavras o Venerável Mestre empossa o Mestre de Harmonia e, em seguida, o Mestre de Cerimónias o conduz ao seu lugar em loja (ZAPOLLA, 2018).

A Coluna da Harmonia é a única coluna de uma Loja Maçónica constituída de um só Irmão(grifo nosso): o Mestre de Harmonia. No passado, a Coluna da Harmonia era composta por Irmãos músicos que contribuíam para o brilhantismo dos rituais e festejos maçónicos. Com o avanço tecnológico, os músicos foram substituídos por aparelhos electrónicos operados pelo Mestre de Harmonia (FADISTA, 2018).

Durante o trabalho na Coluna da Harmonia, no decorrer da sessão ritualística maçónica existe o hábito generalizado de se ouvir música ambiente. A música deve criar estados de espírito aos ouvintes para possibilitarem a harmonia entre os presentes na sessão. A responsabilidade da condução musical numa loja maçónica é do Mestre da Harmonia (RAIMUNDO, 2018).

Quanto a sua posição em loja, qual seria o lugar do Mestre de Harmonia? Segundo o Ritual de Aprendiz do GOB, edição 2001, o Mestre de Harmonia ficará no sudoeste do Templo, à direita da entrada entre o Cobridor Interno e a parede lateral. Nesse local estão instalados os aparelhos da Coluna da Harmonia. O lugar no templo costumeiramente será sudoeste do Templo, à direita da entrada, entre o Cobridor Interno e a parede lateral.

A harmonia, no seu sentido mais amplo, é a ciência da combinação dos sons que formam os acordes musicais e tem por finalidade a formatação de uma das expressões da criação da Beleza. No passado, a Coluna da Harmonia era composta por Irmãos músicos que tocavam, buscando propiciar a harmonia que deve reinar entre os Obreiros e equilibrar as emoções durante os rituais maçónicos. Hoje, os músicos foram substituídos por aparelhagem electrónica, operada pelo Mestre de Harmonia (GUIMARÃES, 2013).

A função do Mestre de Harmonia, embora de grande importância, não exige que o irmão seja um Doutor (Grifo Nosso) em música para o seu desempenho. Contudo, sendo desaconselhável aos Irmãos Aprendizes desempenhá-la, seja por sua pouca experiência maçónica ou pela proibição ritualística de Aprendizes terem acesso à Coluna do Norte (ZAPOLLA, 2018).

A importância da função do Mestre de Harmonia vai além das palavras ouvidas na sua posse e para o facto que deve haver compatibilidade e adequação entre o sentido do evento de uma sessão e a música que o acompanha. Nem toda música pode entrar nos Templos Maçónicos (grifo nosso), daí a importância do Mestre de Harmonia, cuja escolha deve recair num Irmão criterioso, com bom senso para manter a compatibilidade e adequação do evento com a música (ZAPOLLA, 2018; FADISTA, 2018).

A posição de Zapolla (2018) e Fadista (2018) exige que as sessões maçónicas económicas ou magnas, a música adequada e recomendada por todos os ritos praticados, é a música clássica (grifo nosso). Assim, não eles não aceitam a execução de músicas populares, sacras religiosas, músicas cantadas, mesmo que o autor ou as letras tenham cunho maçónico, um exemplo disso é a Acácia Amarela, do irmão Luiz Gonzaga, que algumas lojas tocam.

Esta corrente de pensadores maçónicos defende a não programação de músicas de carácter religioso nas sessões ritualísticas, visto o carácter universal da Ordem, evitando constrangimentos de Irmãos que adoptam outros cultos religiosos. Outra corrente sugere a não execução de músicas cantadas, salvo as entoadas por Coral. Porém, a maioria entende que deve se utilizar música instrumental. Uma quarta corrente orienta que o fundo musical deve ser ouvido desde o início, quando os irmãos ainda estão na sala dos Passos Perdidos, com melodias que os elevem aos mais nobres sentimentos, preparando-os para o início dos trabalhos (GUIMARÃES, 2013).

A música utilizada deve ser escolhida em razão da mensagem que deverá causar impressões inesquecíveis na mente do iniciado, transmitindo-lhe os ensinamentos seculares e a síntese filosófica da instituição em que está ingressando e que recordará quando associadas à música.

Numa preparação de harmonia para o Templo Maçónico, os sons são energias que nos aproximam do GADU, estimulando os nossos sentidos conduzidos pelo Espírito com mãos hábeis e sensíveis para a sustentação do ambiente favorável ao trabalho, mantendo livre o fluxo de energia que deve circular em loja, provendo a Sabedoria, a Força e a Beleza, tríade que compõe as colunas que sustentam os nossos princípios de nos tornar Homens Bons, Justos e Perfeitos em loja e no nosso dia a dia (GUIMARÃES, 2013).

Quanto ao repertório, deverá ser o mais amplo e ecléctico possível, (Grifo Nosso), evitando-se repetições constantes dos mesmos temas nos mesmos momentos das sessões, transformando à Coluna da Harmonia em repetição semanal da mesma selecção musical, por melhor que ela seja. Esta coluna é de tema amplo e digno de um texto exclusivo onde se possa analisar os tipos de músicas, as diferenças de sessões, os autores, enfim, todos os critérios que norteiam a própria selecção do repertório.

No exercício do cargo, compete ao Mestre de Harmonia:

  1. Dirigir a execução da sua Coluna;
  2. Assessorar o Venerável Mestre nos assuntos pertinentes à Coluna da Harmonia;
  3. Manter em estado de conservação, organização e funcionamento os equipamentos e materiais desta Coluna;
  4. Propor ao Venerável Mestre a aquisição de CDs, fitas e material necessário à execução da função;
  5. Seleccionar os efeitos especiais e trechos musicais para os trabalhos ritualísticos, incluindo pausas e eventos previstos. Não se pode seleccionar qualquer música sem cuidado ou critério, sendo indispensável a compatibilidade e adequação entre o sentido, a natureza do evento e o trecho que o acompanha;
  6. Organizar e gravar a sequência musical adequada a cada tipo de sessão, ouvindo o Venerável Mestre para a perfeita correlação entre os tempos dos conteúdos da Cerimónia e as músicas utilizadas;
  7. Sugerir ao Venerável Mestre treinamento prévio, antes de sessões complexas na preparação da trilha sonora, para que a cerimónia não transcorra mais rápida ou mais lenta que os andamentos dos trechos musicais escolhidos;
  8. O Mestre de Harmonia só interromperá a música quando terminar a fase ritual.

A inobservância destas regras compromete a beleza da combinação da música com o evento. Estando a harmonia bem adequada oferecerá condições para a concentração da egrégora, criando clima propício para acalmar os espíritos e enlevar a alma para que a sessão maçónica seja mais agradável, leve e útil (ZAPOLLA, 2018).

O Mestre de Harmonia preparará o programa a ser executado, de acordo com o tipo de reunião e de acordo com o Ritual. Como exemplo, pode-se citar que numa Iniciação do Rito Escocês Antigo e Aceito destacará os seguintes momentos:

  1. Entrada dos Candidatos Profanos com “A Criação” de Haydn e, trechos que descrevem a passagem do Mundo do Caos para a Ordem e o das Trevas para a Luz (Ordo ab Chao); Oração ao GADU – “Cravo Bem Temperado” de Bach. Ou a Melodia que convida à concentração e à meditação como a “Taça Sagrada”;
  2. A Primeira Viagem com as “Tempestade e Chuva” e efeitos sonoros com ruídos de chuva, ventania e trovões;
  3. A Segunda Viagem com “A Vitória de Wellington” de Beethoven, adequada para acompanhar o toque “descompassado das espadas”;
  4. A Purificação Pela Água com a “Música Aquática” de Haendel, músicas cujos efeitos sonoros acentuam o significado do evento;
  5. A Terceira Viagem com “Romance Para Violino nº 2” de Beethoven, melodia que transmite a suavidade emocional do evento;
  6. A Purificação pelo Fogo com “As Valquírias” de Wagner, cuja Cena do Fogo Mágico reforça o sentido dramático do ritual;
  7. O Tronco de Beneficência com “Pannis Angelicus” de Cesar Frank, que marca o significado da solidariedade;
  8. O Juramento com “Prelúdio nº 1 em dó maior do Cravo Bem Temperado” de Bach, adequada para a meditação e que marca a solenidade do momento ritual;
  9. A LUZ com “Assim Falou Zaratustra” de Strauss, parte inicial do poema sinfónico que descreve o nascer do sol e o sentimento do poder de Deus sobre o homem;
  10. O deslumbramento do profano aumenta com o momento culminante da Iniciação e o Abraço do Venerável com “Marcha Festiva” de Grieg, Suite Sigurd Jorsalfar, Opus 56;
  11. A entrada do Neófito também pode ser com “Glória aos Iniciados”, Coro final da Ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart ou o “Coro de Graças a Ísis e Osíris” nas congratulações aos Iniciados, que pela sua coragem conquistaram o direito à Beleza, à Sabedoria;
  12. As Proclamações com a “Ode à Alegria” de Beethoven ou Excerto Orquestral da “Nona Sinfonia” que deve ser tocada após cada uma das Proclamações: um hino que traduz a alegria dos Irmãos ao receber os recém Iniciados (FADISTA, 2018).

Conclusão

A escolha da música para a reunião maçónica exige do Mestre de harmonia um mínimo de sensibilidade e cultura para interpretar o significado de cada passagem do ritual. A música deve estar em sintonia com cada momento da ritualística, induzindo nos Irmãos a purificação das suas mentes, deixando-os dispostos à emissão de sentimentos de amor e fraternidade, promovendo as suas faculdades intelectuais e espirituais, permitindo que eles vibrem em sintonia com os acordes da harmonia Universal cujas leis tudo governam, e pelas quais se busca o aprimoramento moral e espiritual da Humanidade (FADISTA, 2018).

Por fim, nem todos gostarão dos temas musicais que escutam no decorrer da sessão, fruto das mais variadas preferências musicais de cada um, mas se a energia que brotou da sessão for a ideal (Grifo Nosso), o Mestre de Harmonia alcançou êxito e ouvirá dos irmãos que saíram contentes e satisfeitos (RAIMUNDO, 2018).

Daltro Lucena Ulguim, M. M.

Mestre em Filosofia. Doutor em Educação. Doutorando em Filosofia. Mestre Maçom da Loja Antunes Ribas nº 80, Oriente de Pelotas, RS e Mestre dos Altos Graus da Loja Hipólito José da Costa do REEA. Email: [email protected]

Referências

  • ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. São Paulo: Madras Editora, 2006.
  • FADISTA, António Rocha. COLUNA DA HARMONIA. M. I. , Loja Cayrú 762, GOERJ/GOB. COLUNA DA HARMONIA / Maçonaria.Net https://www.maconaria.net/coluna-da-harmonia/ 1 de 3 06/05/2018, 20:53.
  • RAIMUNDO, Nuno. O trabalho da Coluna da Harmonia. In: A Partir Pedra. Blog sobre Maçonaria.  Escrito por mestres da loja Mestre Affonso Domingues.
  • GUIMARÃES, Sérgio Quirino. In A importância do mestre de harmonia em sessões maçónicas. Universo Maçónico. 10 de Janeiro de 2013.
  • ZAPOLLA, Antonio Douglas. ARLS Luz de Brodowski 072. In: Zally Barros de Araújo e Nicola Aslan. Ritual de Aprendiz do GOB, Rito REAA. <http://www.luzdebrodowski.com.br/harmonia.htm> 1 de 3 06/05/2018, 20h:50m.

Artigos relacionados


Partilhe este Artigo:

1 thought on “História do cargo e funções do Mestre de Harmonia em Loja”

  1. José Luís da Silva Santos

    Caríssimos II.,
    É necessário ressalvar que o presente artigo deve ser visto pela perspectiva do REAA (ou outro Rito de origem “continental” e/ou do escocismo).
    Reparem que, no Craft Inglês (onde o Ritual de Emulação é o mais praticado), o ofício chama-se de “Organista” pois, nas salas onde se executavam as sessões, havia (ou levava-se) um pequeno órgão, ou harmónio, para, então, o I. a quem o ofício recaiu, tocasse a música para a sessão.
    Ao contrário de outros trabalhos ritualísticos maçónicos, no Ritual de Emulação há música específica para específicos momentos, e estes, são poucos. Passo a citar:
    – Cortejo de entrada do Mestre da Loja;
    – Ode de Abertura;
    – Cortejo de Entrada do Grão-Mestre (na eventualidade deste aparecer);
    – Ode de Encerramento;
    – Hino Nacional; e,
    – Cortejo de saída.
    MAIS NADA! Nem em momentos “x” ou “y” da sessão, ou em Cerimónias (Iniciação, Passagem, Elevação, Exaltação, Instalação).
    Poderá, o I. Organista, durante o “Descanso”, ou quando o Candidato recupera o seu “conforto pessoal”, obsequiar-nos com um som diferente, até mais mundano – são momentos em que a L. não está a fazer absolutamente nada -, mas tal não é nem necessário, nem obrigatório!
    Escreveu o autor, o I. Daltro Lucena Ulguim o seguinte:
    “Esta corrente de pensadores maçónicos [Zapolla (2018) e Fadista (2018)] defende a não programação de músicas de carácter religioso nas sessões ritualísticas, visto o carácter universal da Ordem, evitando constrangimentos de Irmãos que adoptam outros cultos religiosos.” (entrada em colchetes minha).
    Curiosamente, as músicas das Odes de Entrada e de Saída, no Ritual de Emulação (Craft Inglês), são músicas de hinos das Igrejas Protestante Históricas: Ode de entrada – St. Bees; Odes de saída – St. Oswald ou St. Sylvester!
    Se adicionarmos aos britânicos o facto de o seu “God Save the King” ter, também ele, música de outro hino de igreja, teremos, portanto, muita música sacro-cristã a ser tocada numa sessão maçónica… E isto praticado em todo o mundo!
    Outra enorme incongruência que o artigo tem, reside na escolha das melodias para as diferentes passagens da cerimónia de Iniciação, no REAA… Ora vejamos…
    “6. A Purificação pelo Fogo com “As Valquírias” de Wagner, cuja Cena do Fogo Mágico reforça o sentido dramático do ritual;” – É impossível contornar que “Der Ring des Nibelungen”, de R. Wagner é a ‘magnum opus’ para a ópera clássica e, efectivamente, a criação por Wagner dos “leitmotiv” fez com que itens/motivos estivessem associados a melodias (e.g., o do fogo). No entanto, durante as 4 óperas, o desenvolvimento baseia-se nos desentendimentos entre as divindades (deuses), mostrando que estas pouco mais são que os humanos e, no final do ciclo, é efectivamente isso que se mostra: os deuses, por não serem melhores, “caem”, enquanto que o Homem, supera-os e substitui-os. É o término/fim/morte/queda do GADU (ou suas diferentes representações) que se vai defender numa sessão maçónica?
    “9. A LUZ com “Assim Falou Zaratustra” de Strauss, parte inicial do poema sinfónico que descreve o nascer do sol e o sentimento do poder de Deus sobre o homem;” – Esta, então, deixou-me lívido… “Zaratustra”? A sério? Strauss inspirou-se no livro homónimo de Friedrich Nietzche (avesso à religião), onde a frase mais famosa da personagem principal (Zaratustra, o sábio eremita que desceu do monte para transmitir a sua sabedoria) é: “Deus está morto”… Pois…
    Bem, pelo menos, percebe-se que, de facto, o trabalho do I. M. da Harmonia requer, não algum mas, muito estudo prévio e boa escolha!
    A todos, um Grande e Fraternal Abraço!

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top