Homero Manzi: entre tangos, esquadros e compassos

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Homero Manzi
Bar e esquina Homero Manzi

Introdução

Na admirável história do tango argentino, em meio a tantas figuras de destaque, tais quais: Alfredo Le Pera, Aníbal Troilo, Carlos Di Sarli, Carlos Gardel, Celedonio Flores, Cátulo Castillo, Enrique Santos Discépolo, Francisco Canaro, Juan D`Arienzo, Mariano Mores, Osvaldo Pugliese, Pascual Contursi, Roberto Firpo e Roberto “Polaco” Goyeneche, destaca-se também outro ícone desse tradicional género tipicamente portenho de música, poesia e dança: Homero Manzi, o grande poeta e compositor de emblemáticos tangos e milongas, como “Malena”, “Sur” e “Milonga Triste”.

Jornalista, militante político, roteirista de cinema e apaixonado pelo tango, Manzi ainda tinha outro qualificativo: também foi iniciado na Ordem Maçónica. No mundo do tango, além de Manzi também há apontamentos de outros personagens que teriam sido iniciados na Arte Real, entre eles o violinista Francisco Canaro, famoso director de orquestras do mesmo período.

Figura 1 – Homero Manzi - Fonte: autor desconhecido. Homero Manzi, 1942. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:HomeroManzi.jpg
Figura 1Homero Manzi – Fonte: autor desconhecido. Homero Manzi, 1942. Disponível AQUI

Homero Manzi

Homero Manzi, cujo verdadeiro nome era Homero Nicolás Manzione Prestera, nasceu em 1 de Novembro de 1907, na cidade de Añatuya, província de Santiago del Estero, norte da Argentina. Aos 9 anos de idade, mudou-se com a família para Buenos Aires, passando a viver em Pompeya, bairro que mais tarde seria tema de vários dos seus tangos (Braga, 2014; Lerendegui, 2014; Selles, 1987).

Ainda jovem, quando cursava a escola secundária no Colégio Luppi, Manzi interessou-se pela literatura e também pela política. Anos depois, estes dois interesses cristalizaram-se na sua formação, quando já estudante de Direito na Universidade de Buenos Aires. A sua vida universitária, no entanto, foi logo interrompida; filiado à Unión Cívica Radical (UCR), tradicional agremiação política argentina, foi preso e expulso da academia em 1931, após o presidente Hipólito Yrigoyen ter sido deposto do seu segundo mandato pelo golpe militar do General Uriburu de 6 de Setembro de 1930. Neste mesmo período, também por igual motivo, Manzi foi desligado do seu trabalho como professor de literatura no tradicional Colégio Mariano Moreno, na capital argentina (Firpo; Mestre, 2022).

Em 1935, Manzi participou da fundação da Fuerza de Orientación Radical de la Joven Argentina ou FORJA, agremiação com raízes no ideário político de Hipólito Yrigoyen, juntamente com Arturo Jauretche, Luís José Dellepiane, José Constantino Barro, Gabriel Del Mazo, entre outros. Estes cinco personagens tinham em comum a filiação ao radicalismo e também o facto de serem todos maçons. O grupo político, que teve marcante presença no cenário político nacional até 1940, pode ser caracterizado de tendência nacionalista e popular, que se concentrou nos problemas da Argentina e da América Latina. Em relação ao conflito europeu daquele período, a agremiação defendia uma posição de neutralidade.

Figura 2 – Cartaz da FORJA - Fonte: Museo del Bicentenario. Afiche correspondiente a la Agrupación “F.O.R.J.A.”, de la Unión Cívica Radical, en oposición al golpe de estado de 1930. 2012. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Museo_del_Bicentenario_-_Afiche_FORJA.jpg
Figura 2Cartaz da FORJA – Fonte: Museo del Bicentenario. Afiche correspondiente a la Agrupación “F.O.R.J.A.”, de la Unión Cívica Radical, en oposición al golpe de estado de 1930. 2012. Disponível AQUI

Em 1934, Manzi fundou a revista Micrófono, que abordava assuntos relacionados à radiotelefonia, ao cinema argentino e à produção cinematográfica. Foi também cineasta, notável por seu trabalho durante a época clássica do cinema argentino. Escreveu o roteiro de Nobleza Gaucha, em 1937, em colaboração com Hugo Mac Dougall, e uma nova versão do filme mudo de 1915, Huella, em 1940, pelo qual recebeu o segundo prémio da Prefeitura de Buenos Aires. Também trabalhou em Confesión, em 1940, sem obter sucesso comercial com nenhum desses filmes (Salas, 2001).

Em 1940, Manzi inicia uma duradoura colaboração com Ulyses Petit de Murat (1907-1983), poeta e roteirista argentino, escrevendo o roteiro de Con el dedo en el gatillo (1940), Fortín alto (1940) e La Guerra Gaúcha (1942). Em 1943, Manzi e Murat ganharam o Prémio Condor de Prata de Melhor Roteiro Adaptado pelo roteiro de La Guerra Gaúcha, ofertado pela Associação Argentina de Críticos de Cinema.

Figura 3 – Lucas Demare, Homero Manzi e Ulyses Petit de Murat - Fonte: Autor desconhecido. Lucas Demare, Homero Manzi e Ulyses Petit de Murat, 1942. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Manzi-Demare-Petit_de_Murat.jpg
Figura 3Lucas Demare, Homero Manzi e Ulyses Petit de Murat – Fonte: Autor desconhecido. Lucas Demare, Homero Manzi e Ulyses Petit de Murat, 1942. Disponível AQUI

Considera-se que Manzi foi influenciado pela poética de Evaristo Carriego e José Gonzáles Castillo. Assim, destacou-se como poeta e letrista de músicas, tendo escrito as letras para vários tangos e milongas famosos, tais como Milonga Sentimental (1932), Milonga Triste (1937), Malena (1941), Negra María (1942), Sur (1948), Discepolin (1950), Che Bandoneón (1950), entre tantos outros. É neste contexto, que Braga (2014) destaca a vasta produção de Manzi. Entre as suas obras clássicas, considera-se que Milonga Triste teria sido escrito quando do assassinato do poeta espanhol Frederico Garcia Lorca, com quem Manzi havia estabelecido relações de amizade quando o espanhol esteve na Argentina. Também segundo Braga (2014), Manzi escreveu versos para quase 300 canções num intervalo de tempo de 25 anos, ou seja, esse total corresponde à incrível média de uma canção por mês durante todo aquele período.

Um tema reiterado por Manzi nos seus tangos será o do subúrbio, retratado como uma área de mitos e convivência amigável. Coerente com as suas convicções políticas, com posições contra a discriminação racial, também abordou nas suas canções a população negra de Buenos Aires, com o qual ganhou a admiração de Nícolas Guillén, destacado escritor cubano (Braga, 2014). Em 2006, mais de 50 anos após a morte de Manzi, o músico Juan Cedrón musicalizou dez letras de Manzi, que estavam inéditas até então. Assim, foi possível apreciar novamente em alguns dos seus tangos, essa inclinação do poeta pelo subúrbio, visto como prolongação rural da cidade (Antoniotti, 2022).

Como letrista, Manzi destacou-se por manejar com maestria um vocabulário culto, afastando-se do lunfardismo [1] e criando assim um tango mais literário (Suárez, 2019). O poeta Manzi transcenderá em muito os clichés dos desentendimentos amorosos, típicos dos primeiros tangos, com uma visão mais moderna e avançada das mulheres e dos relacionamentos (Antoniotti, 2022).

Segundo Estrázulas (1968), Homero Manzi tinha uma diferença fundamental: os seus escritos para o tango podem ser lidos independentemente da música, o que nem sempre é fácil. A sua poética tem identificação com grupos de vanguardas da literatura argentina, entre os quais pode-se encontrar, por exemplo, Jorge Luís Borges, Horacio Rega Molina e Oliverio Girondo.

Sobre Manzi, Real (1987, p. 3699) assinala que: “Em par com o poeta que vagou por regiões em nuvem, foi o homem que falou sobre a vida vivida. Ele era um criador. Ele determinou a etapa manziana do verso no tango. Está na galeria dos grandes nomes, nesse sentido.” Manzi pode ser considerado um poeta de elite da literatura portenha. Para se ter uma ideia do seu calibre, o grande escritor Ernesto Sábato afirmou que trocaria toda a literatura que ele próprio havia produzido para ser o autor da letra de “Sur”, um tango clássico de Manzi, musicado por Aníbal Troilo (Lavocah, 2015).

O mesmo autor também destaca que, na história do tango, Francisco Fiorentino, o extraordinário vocalista de Troilo desempenhou um papel importante na interpretação das letras mais famosas de Manzi. Em 1942, por exemplo, a orquestra de Troilo, com a voz inigualável de Fiorentino, estreou o tango Malena, com letra de Manzi e música do pianista Lucio Demare. O tango foi um sucesso e, a partir daí, tornou-se um clássico do repertório tanguero, sendo posteriormente gravado por inúmeros outros intérpretes (Pereira, 2014). Segundo Benedetti (2017), essa gravação é uma das mais perfeitas de toda história do tango, com uma combinação exemplar da orquestra, cantor, autor, compositor e arranjador.

Lerendegui (2014) assinala que Manzi também desenvolveu uma parceria autoral e uma forte amizade com o grande maestro Aníbal Troilo. Tanto eram grandes amigos que, após a morte de Manzi, Troilo compôs e dedicou-lhe o belíssimo tango instrumental Responso.

Manzi, um Irmão de Ordem

Ainda que não haja muitos documentos sobre a iniciação de Homero Manzi na Arte Real, algumas pesquisas vinculam o artista de Santiago às denominadas, na época, sociedades secretas. A filiação do poeta e militante Santiaguenho à Maçonaria foi confirmada pelo ex-Grão-Mestre da Gran Logia de la Argentina de Libres y Aceptados Masones, Jorge Clavero, durante uma visita que fiz à Gran Logia em Fevereiro de 2025. Na oportunidade, o então ex-Grão-Mestre Clavero afirmou que existem documentos que corroboram a filiação de Manzi e a possível influência da Maçonaria nas suas acções políticas durante a década de 1930.

O boletim mensal Símbolo, publicado pela Secretaria de Imprensa da referida Gran Logia, faz referência a Manzi anualmente nos seus aniversários. Homero Manzi era Maçom, bem como muitos outros artistas argentinos renomados, explicou Jorge Clavero. O historiador Emilio Corbière (2007) é outro autor que relaciona Manzi com a organização, contando uma história que o homem de Santiago, que também era roteirista de cinema, era o encarregado de proteger a identidade de alguns dos seus Irmãos.

Segundo consta, Homero Manzi, Arturo Jauretche, Luís José Dellepiane, José Constantino Barro e Gabriel Del Mazo, todos fundadores da FORJA, a organização política de orientação radical, foram introduzidos na Maçonaria nos primeiros anos da década de 1930 pelo professor e historiador Gabriel Del Mazo, na Respetable Logia Bernardino Rivadavia n.º 364, que se reunia num templo situado na Av. Boedo. Ao que consta, o nome de Jauretche está registrado na Circular de Propostas n.º 359 e o de Homero Manzi na de n.º 356. À época, também faziam parte dessa Loja maçónica outras personalidades da elite intelectual portenha (Lupo, 2010).

Figura 4 – Irmão Jorge Clavero e o autor - Fonte: do autor
Figura 4Irmão Jorge Clavero e o autor – Fonte: do autor

Não há como afirmar que a FORJA fosse uma organização maçónica, no entanto, pode-se inferir que, sendo ela dirigida por um grupo de maçons, constituiu-se num espaço no qual Homero Manzi e os seus companheiros de militância exerceram a influência das suas Lojas. A FORJA tinha como uma das suas actividades realizar pesquisas político-sociais, com um posicionamento crítico em relação ao regime e que eram divulgadas por meio de impressos, conferências e debates que ocorriam num local de reunião situado na Rua Lavalle, em Buenos Aires. A tendência política do grupo, bem como os encontros privados guardavam semelhanças com as correspondentes da Maçonaria àquela época.

Últimos dias

Homero Manzi faleceu prematuramente, por conta de um câncer, doença que impôs ao poeta seis cirurgias e uma lenta e dolorosa agonia. Aos 43 anos de idade, numa quinta-feira, 3 de Maio de 1951, o Maçom e grande poeta do tango passou para o Oriente Eterno. Os seus restos mortais encontram-se em Buenos Aires, no famoso Cementerio de La Chacarita (Tuma, 2021), local onde também estão sepultados Ada Falcón, Agustín Magaldi, Ángel Villoldo, Aníbal Troilo, Carlos Di Sarli, Enrique Cadícamo, Enrique Santos Discépolo, Francisco Canaro, Juan D`Arienzo, Osvaldo Pugliese, Paquita Bernardo, Roberto Goyeneche e outros tantos expoentes do tango argentino.

Sobre este triste período de enfermidade de Manzi, Braga (2014) ainda cita um facto interessante: na sua última etapa de internação, Manzi enviou de presente uma pulseira a Eva Duarte Perón, a quem muito admirava e para quem já dedicara uma das suas canções. Naqueles dias, Evita, como era conhecida, estava internada no mesmo hospital e também enfrentava igual doença. Aqui vale a observação de que Manzi, em meados dos anos 1940, já afastado da UCR, havia aderido ao peronismo.

Considerações finais

Homero Manzi, o grande letrista da década de ouro do tango argentino, considerado por amplo sector do público e da crítica como o maior poeta de tango de todos os tempos (Bennedetti, 2027), também foi iniciado na Arte Real. Não obstante a carência de muitas informações sobre a sua vida maçónica, a Gran Logia de la Argentina de Libres y Aceptados Masones têm registros da sua iniciação e sempre faz referência ao poeta nas datas anuais do seu aniversário.

Em Buenos Aires, além da homenagem anual que lhe presta a Gran Logia, Homero Manzi também foi imortalizado em vários locais da capital argentina. Talvez o mais emblemático deles seja a esquina Homero Manzi, onde está situado o café e restaurante que leva o mesmo nome. Situado no encontro das avenidas San Juan e Boedo, no bairro de San Cristóbal, ele resiste ao tempo como um símbolo da alma portenha.

Declarado Sítio Histórico Nacional pelo Senado da Nação Argentina, o café/restaurante Esquina Homero Manzi fica distante do tradicional circuito turístico de Buenos Aires, apesar de também receber diariamente a visita de turistas, além dos moradores da cidade. Símbolo da cultura portenha dos anos 40, a década de ouro do tango argentino, a Esquina Homero Manzi era então frequentada pelos grandes músicos da cidade, responsáveis por tornar esse género de música e dança numa expressão artística portenha por excelência. Foi nessa esquina que Homero Manzi escreveu a letra de Sur e de vários outros dos seus famosos tangos.

O local convida os visitantes a reviverem aqueles tempos gloriosos, não só pela arquitectura e pela decoração do edifício, mas também pelos shows que oferece. O exterior do prédio destaca-se por belos janelões, coroados por cartazes típicos da Buenos Aires antiga, onde impera a quase extinta técnica do fileteado portenho. Durante o dia, o local funciona como café e restaurante; durante a noite, belíssimos espectáculos de tango para fazer o visitante sentir-se de volta ao passado.

Figura 5 – Bar e esquina Homero Manzi - Fonte: Defensoría del Pueblo de la Ciudad de Buenos Aires. Bar y esquina Homero Manzi, bar notable de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Setembro de 2016. Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:DefPuebloCABA_-_Esquina_Homero_Manzi_Boedo.jpg
Figura 5Bar e esquina Homero Manzi – Fonte: Defensoría del Pueblo de la Ciudad de Buenos Aires. Bar y esquina Homero Manzi, bar notable de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Setembro de 2016. Disponível AQUI

Rubens Pantano Filho, M. M. – ARLS Cedros do Líbano II (GOB-SP). Oriente de Valinhos/SP – Brasil. Presidente da Academia Campinense Maçónica de Letras. E-mail: [email protected].

Notas

[1] O lunfardo é uma gíria argentina/uruguaia, originada da variação dos dialectos dos imigrantes, principalmente os italianos, que se fixaram na periferia e na região dos portos de Buenos Aires, sendo utilizada com muita frequência nas letras do tango argentino no seu início.

Referências

  • ANTONIOTTI, Daniel. El arrabal como frontera en Homero Manzi. Letras, Universidad Católica Argentina, n° 85, p. 10 a 29, enero – jun. 2022.
  • BENEDETTI, Héctor. Nueva História del Tango. De los orígenes al siglo XXI. Buenos Aires: Siglo XXI, 2027.
  • BRAGA, Mauro Mendes. Tango: A música de uma cidade. Belo Horizonte: UFMG, 2014.
  • CORBIÈRE, Emílio J. La masoneria II: tradición y revolución. Buenos Aires: DeBolsillo, 2007.
  • ESTRÁZULAS, Enrique. Homero Manzi: Poeta del suburbio. BRECHA, Montevideo, Ano 1, n.º 1, p. 2-7, nov. 1968.
  • FIRPO, Jorge; MESTRE, Diana. Homero Manzi y enrique Santos Discépolo: dos grandes poetas militantes del pensamiento nacional. In: PANTANO FILHO, Rubens; SOSA, Cristhian; FRANCO, Gabriele; TEIXEIRA, Olivia. Temas de Tango – Argentina & Brasil. Salto: FoxTablet, 2022.
  • LAVOCAH, Michael. Histórias de Tango – La Música nos Lleva. Buenos Aires: 42líneas, 2015.
  • LERENDEGUI, Diego S. Tango para Dummies. Buenos Aires: Planeta, 2014.
  • LUPO, Garcia. La conjunción de l ética y e nacionalismo democrático. Masonería Símbolo – Revista de cultura y Opinión. Gran Logia de la Argentina de Libres y Aceptados Masones, Buenos Aires, n.º 92, p. 20-23, 2010.
  • PEREIRA, Avelino Romero. Malena canta el tango como ninguna: o tango femenino. Artcultura, Uberlândia, v. 16, n. 28, p. 7-21, jan-jun. 2014.
  • REAL, J. C. Martini. Homero Manzi, poeta nacional. In: La História del Tango. n.º 19. Los Poetas 3. Buenos Aires: Corregidor, 1987.
  • SALAS, Horacio. Homero Manzi y su tiempo. Buenos Aires: Vergara, 2001.
  • SELLES, Roberto. Sur, Paredón y Después… in: La História del Tango. n.º 19. Los Poetas 3. Buenos Aires: Corregidor, 1987.
  • SUÁREZ, Nicolás. El regreso de Nobleza gaúcha: Homero Manzi y la ampliación del paisaje criollista en el cine sonoro. Revista de la Asociación Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual, Buenos Aires, n.º 19, p. 171-216, 2019.
  • TUMA, Maria Helena. Masones en el Cementerio de la Chacarita. In: Encuentro Iberoamericano de Valoración y Gestión de Cementerios Patrimoniales, XXII. Los cementerios como museos a cielo abierto. Catamarca, AR: 29 nov.-3 dic. 2021.

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