Uma das obrigações, ou seja mais que funções, de um Mestre Maçon é prover à instrução. Surge então aqui a questão sobre se todos os Mestres têm que ser instrutores e ainda uma segunda sobre quem são os destinatários dessa instrução.
Numa análise simplista, e que convém a muito boa gente, a instrução estaria acometida ao 2º Vigilante e teria apenas como destinatários os aprendizes sob a sua alçada.
Numa análise mais lata, haverá quem inclui aqui o 1º Vigilante e a sua coluna de companheiros.
Raramente, mas muito raramente se fala e mais raramente ainda se pratica instrução para Mestres, aquilo que no nosso mundo se chama Formação de Formadores, e que aqui por analogia se deveria chamar Instrução de Instrutores.
Fala-se há muito tempo do inicio de uma academia maçónica, …. eu já me apresentei como voluntário para ensinar…. mas ainda não tive resposta.
Na verdade nunca na minha vida dei uma aula, fui professor, nem sequer eduquei filhos, porque não os tenho, mas acho que aprendi bastante sobre maçonaria, e que é meu dever partilhar o que sei.
Decidi portanto criar eu próprio a minha escola. Não uma escola com bancos e quadro e giz e essas coisas ( hoje é mais quadro electrónico, computador, projector…. mas desculpem eu ainda sou muito antigo ainda uso papel e caneta para muitas coisas ) mas escola no sentido de criar coisas novas e tentar que outros venham a seguir o que estou a por em prática.
Pode parecer imodesto pretender ser o percursor de uma forma de passagem de conhecimento, mas na verdade e a meu conhecimento aqui na GLLP até agora ninguém fez nada parecido com o que tenho vindo a fazer nos últimos meses.
Ao longo dos tempos fui ficando absolutamente convencido que a forma tradicional de instrução, embora de grande utilidade, era escassa e logo seria fundamental criar algo em complemento. Não foi de um dia para o outro que cheguei lá.
Mas aqui há uns meses um Irmão abordou-me e disse :
– Oh Ruah, achas que podias ir lá à minha Loja e falar sobre…..
respondi:
– Claro que sim, se achas que é necessário eu faço isso com o maior prazer.
Mal acabara de aceitar o desafio e já estava com um problema enorme. Como fazer o que me era pedido, para que fosse bem aceite pela Loja a que se destinava e que no fim produzisse efeitos.
Tive a sorte de que a visita foi adiada, e que na tarde do dia em que finalmente ocorreu ter tido que ficar, no meu âmbito profissional, à espera fechado numa sala de reuniões durante 45 minutos. Nesse tempo escrevi 4 paginas A4 ( a caneta ) com o alinhamento do que iria ser a sessão dessa noite.
O resultado foi muito acima do que esperava.
Interrompo aqui a minha prosa, porque na Maçonaria há sempre um “peixe maior e mais experiente” que nós e por isso aprendi com o Rui Bandeira que se fraccionarmos os textos, temos para mais semanas e os leitores chateiam-se menos.
Até para a semana
José Ruah
Publicado no Blog “A partir pedra” em 1 de Novembro de 2011

- A tarefa da Maçonaria na modernidade
- Os Vigilantes
- Prancha de Traçar
- Teorias sobre a origem da maçonaria
- Após dois anos e meio, o Maçom já sabe tudo!!!


Parabéns pelo artigo. A vontade de ensinar/instruir faz parte de poucos, pois demanda tempo, dedicação e conhecimento, mas muitas vezes esbarra na falta de tempo e objetivos diversos dos irmãos.
A algum tempo atrás, quando fiz pós-graduação, havia uma matéria que se chamava “tecnologia da pesquisa cientifica” que nos preparava para produção de textos técnicos ou científicos, não se aplicando a nenhum ramo especifico mas uma matéria bem generalista, facilmente aplicável ao conteúdo maçônico. cheguei a sugerir que fosse obrigatorio a todos os irmãos mestres para que possamos produzir matéria maçônica de alta qualidade, preguei no deserto.
Prezado Ruah, hoje está completando 10 anos de vossa primeira publicação; tenho curiosidade enorme de saber como evoluiu vossa estratégia; é complicado, muito complicado, a questão de instrução, ensino, aprendizado, educação, seja como se queira chamar esta ação em maçonaria.
O mais difícil é persistir; o esforço é grande e se perde, na maioria das vezes, na vontade – ou falta dela -, nas mudanças de mentalidades e focos nas administrações das Lojas, nas alterações dos próprios quadros das Lojas e, por fim, na própria desistência dos bem intencionados, seja por cansaço, seja por incompreensões, seja por mudança de foco na vida.
E assim vamos em uma boa proporção das Lojas Maçônicas…
Na Loja ao qual pertenço (ARBLS Palmeira da Paz 2121/ Or Blumenau/SC/Brasil – GOB) fizemos um programa “de ensino” em 2010 que, com várias alterações, quase sempre ligadas a alegação de ser muito exigente, segue até hoje; atualmente discute-se uma nova versão…
E assim vamos…
Parabéns tenho lido as suas instruções e tenho aprendido muito uma pena que é pouco aproveitado