A Loja maçónica “La Flandre” em Bruges abriu excepcionalmente as suas portas ao público para desmistificar as actividades da Maçonaria. “La Flandre” é um local onde os membros se reúnem com discrição para trocar pontos de vista e discutir diversos assuntos. Em Janeiro, desconhecidos quebraram uma janela do edifício com uma pedra. Após esse incidente, os membros da loja decidiram mostrar ao público o edifício, o templo e explicar as suas actividades.
Desde a sua criação em 1881, “La Flandre”, a mais antiga Loja maçónica da Flandres Ocidental, reúne-se no centro de Bruges. E há mais de um século que o faz na Beenhouwersstraat, no seu atelier, como os membros chamam ao seu espaço de reunião. A encantadora fachada esconde, entre outras coisas, uma grande sala de reuniões, um bar, uma sala de banquetes e um templo.
Duas vezes por mês, os membros reúnem-se, apenas os membros, ou seja, cerca de 90 pessoas no total, pois durante décadas nenhuma pessoa externa pôde entrar neste edifício. No entanto, o incidente de 4 de Janeiro levou a “La Flandre” a rever a sua posição.
Uma janela partida por um lançamento de pedra
“Durante uma reunião, ouvimos um barulho surdo”, conta Philip S., o Venerável Mestre da Loja. “Quando alguém foi ver o que tinha acontecido, havia vidros e um grande paralelepípedo no chão. Alguém tinha atirado uma pedra e partido a janela acima da porta”.
“O facto é que a nossa Loja foi vítima de uma agressão física pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial”.
Histórias rocambolescas
Circulam muitas histórias rocambolescas sobre o que se passa por trás das paredes da nossa Loja. “Eu também as conheço, claro. Diz-se que os candidatos têm de passar por testes físicos dolorosos para se tornarem membros. Que sacrificamos animais. E que nos entregamos a rituais de sacrifício. Mas isso é obviamente totalmente falso”.
Muitos elementos egípcios decoram as paredes, resultado da egiptomania que reinava na época da construção do templo, por volta de 1910. Há também duas filas de cadeiras de cada lado da sala e três mesas na frente para o presidente, o secretário e o orador, ou o orador convidado.
“Esta é a essência das nossas actividades: organizamos conferências sobre temas socialmente relevantes. Como o aborto e a eutanásia, por exemplo. E sim, certos rituais fazem parte das nossas tradições”.
“Decidimos abrir-nos mais”
“Optamos por nos reunir num local fechado para podermos falar livremente. Não podemos esquecer que, antigamente, os maçons eram perseguidos”, explica Philip S., Venerável Mestre da loja.
No entanto, “La Flandre” deseja abrir mais o seu edifício às pessoas interessadas, em resposta ao acto de vandalismo ocorrido há três meses.
“Reflectimos seriamente sobre esta decisão e concluímos que era necessário agir assim. Isto permite pôr fim aos muitos boatos que circulam sobre nós. Qualquer pessoa que tenha perguntas poderá colocá-las livremente. Além disso, durante as Jornadas do Património, o edifício poderá ser visitado por um número limitado de participantes”.
Eric Steffens
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex-Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- A acácia
- Gays na Maçonaria
- Simbolismo dos números na Maçonaria – O número Cinco
- Os instrumentos de trabalho do 2° grau
- O Símbolo Perdido – O ponto dentro de um círculo

