Landmarks e a Regularidade Maçónica

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Este texto surge de uma viagem interior, numa tradição iniciada com a mão fraterna que me guiou na busca do conhecimento.

Há 11 anos fiz uma pergunta, onde posso saber mais? A resposta foi uma viagem pelas entranhas das livrarias antigas do Carmo.

Aí fui escutando o que a história tinha para me dizer e com o tempo senti a necessidade de estender essa mesma mão a outros que a quiseram receber, o desafio lançado (Publicado em freemason.pt) lá e aqui é o mesmo: desvendar um pouco do véu, para que cada um faça o caminho.

Numa dessas viagens surge este tema, num livro de Nicola Aslan, “Landmarks e outros problemas Maçónicos”, nele me embrulhei, me questionei e reflecti. Deparei-me que é um desafio para uns, um problema para outros, pois poderá não ter solução e aí iniciei a jornada.

Facto, é que a palavra “Landmarks” é composta de duas palavras, “land” que significa terra e “marks” que exprime limite ou marco. Que o seu significado deriva de vários versículos da Bíblia em que é referenciada, como “Há os que removem os limites” (Jo, XXIV, 2), “ Não removas os marcos antigos que puseram os teus pais” (provérbios XXII, 28); “Maldito aquele que mudará os marcos do seu próximo” (deuter, XXVII, 17). Este acto de remoção do marco era considerado pela lei judaica como sendo gravíssimo e punido com penas severíssimas.

A palavra “Landmarks”, surge na Maçonaria em 1720 na Grande Loja de Londres, através de George Payne, que a introduziu no regulamento, no artigo 39:

Cada Grande Loja anual tem inerente poder e autoridade para modificar este regulamento ou redigir um novo em benefício desta Frater­nidade, contanto que sejam mantidos invariáveis os antigos Landmarks”.

Em 1723 com as constituições de Anderson, a palavra “Landmarks” seria substituída por “Rules”, que passariam a ser os estatutos ou regras que haveriam de permanecer invariáveis ou alteráveis, com o juramento desse princiípio por todos os Irmãos. Descobri que o grau de Mestre foi introduzido e muitas lutas se travaram entre Antigos e Modernos.

Descobri que existem de 3 a 54 “Landmarks”, que a Grande Loja de Nova “York”, utiliza 6, que são os capítulos das constituições de Anderson, que Mackey enunciou 25 regras, que outro Irmão famoso Roscoe Pound agrupou os 25 em 7, que na GLLP praticamos as 12 regras da Regularidade.

Naveguei à deriva com Boucher e a sua simbologia devorando cada página com a sua sapiência, na curva conheci o velhinho York de 926 d.C., com a interpretação de Malcolm Duncan’s e a descrição de Gould e Sheville no Guia do Arco Real.

Como Belo, Cheio de Força e sabedoria é o nosso Rito de York.

Hoje 11 anos depois defronto-me mais uma vez com a regularidade, aliás sempre me acompanhou a Regularidade: A Sua “Mão” continua estendida para quem a quiser receber.

Perdi-me no peculiar sistema de moralidade dos antigos e interpretado pelo Irmão Jeffrey J. Peace, O Universo é uma Unidade; Todas as coisas materiais estão em todas (Publicado em freemason.pt) as coisas; todas as coisas provêem do todo e o todo está em todas as coisas; O Universo é Divino.

Todos os Maçons na GLLP/GLRP são obrigados a respeitar e a cumprir fielmente as seguintes doze regras Maçónicas da Regularidade Universal:

  1. A Maçonaria é uma fraternidade iniciática que tem por fundamento tradicional a fé em Deus, Grande Arquitecto do Universo.
  2. A Maçonaria refere-se aos “Antigos Deveres” e aos “Landmarks” da Fraternidade, na óptica do respeito absoluto pelas tradições específicas da Ordem Maçónica, essenciais à regularidade da jurisdição.
  3. A Maçonaria é uma Ordem, à qual só podem pertencer homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr em prática um ideal de paz.
  4. A Maçonaria visa, também, a elevação moral da Humanidade inteira, através do aperfeiçoamento moral dos seus membros.
  5. A Maçonaria impõe, aos seus membros, a prática exacta e escrupulosa dos ritos e do simbolismo, meios de acesso ao conhecimento pelas vias espirituais e iniciáticas que lhe são próprias.
  6. A Maçonaria impõe a todos os seus mem­bros o respeito das opiniões e crenças de cada um. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa. É um centro permanente de união fraterna, onde reina a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros.
  7. Os Maçons prestam os seus juramentos sobre o Volume da Lei Sagrada, a fim de lhes dar um carácter solene e sagrado, indispensável à sua perenidade.
  8. Os Maçons reúnem-se, fora do mundo profano, em Lojas onde estão sempre expostas as três grandes luzes da Ordem: o Volume da Lei Sagrada, um Esquadro e um Compasso, para aí trabalharem segundo o ritual do rito, com zelo e assiduidade e conforme os princípios e regras prescritas pela Constituição e pelos regulamentos gerais da Obediência.
  9. Os Maçons só devem admitir nas suas Lojas homens de honra, maiores de idade, de boa reputação, leais e discretos, dignos de serem bons irmãos e aptos a reconhecer os limites do domínio do homem, e o infinito poder do Eterno.
  10. Os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor da Pátria, a submissão às leis e o res­peito pela Autoridade constituída. Consideram o trabalho como o dever primordial do ser humano e honram-no sob todas as formas.
  11. Os Maçons contribuem, pelo exemplo activo do seu comportamento viril, digno e são, para o irradiar da Ordem, no respeito do segredo maçónico.
  1. Os Maçons devem-se mutuamente, ajuda e protecção fraternal, mesmo no fim da sua vida. Praticam a arte de conservar em todas as circunstâncias a calma e o equilíbrio indispensáveis a um perfeito controle de si próprio.

A presente Constituição é um texto definitivo e não pode ser modificado sob pretexto algum. Krishsnamurti disse, “Não aceiteis o que digo. A aceitação destrói (Publicado em freemason.pt) a verdade. Testai-o”, exorto os Irmãos a efectuarem esse caminho, o esoterismo do que está oculto dá sentido à vida de mistério. Temos de nos confrontar com o nosso Eu e nos conhecermos, com base nesse autoconhecimento seremos livres de condicionamentos e encontramos a Verdade.

Podia ter desenvolvido um texto, cheio de temas, páginas e páginas de transcrições, descobertas fantásticas, mas quis o Grande Arquitecto do Universo, que esta pedra fosse esculpida com base nas doze regras e na forma mais invulgar para mim, um Poema:

Irmãos,

Surge de uma forma terna,
pela naftalina da história,
na mão dada de forma fraterna
nela deposito essa memória.

Escrevo com cuidado,
Sobre algo que nada ou tudo é,
um oceano de tinta derramado,
no ponto de ficar sem pé.
Do Landmark que impera,
do homem que o Governa,
da limitação criada na Terra,
no Deus que nele hiberna.

A Lenda do Mestre,
Nesse tempo se ergueu
O Especulativo engrandece
O Operativo esmoreceu.

Do Templo a coberto,
emerge do Livro sagrado
a verdade a céu aberto,
o caminho do iluminado.

Esse é o desígnio
Daqueles que são os escolhidos,
O Maçom limita o domínio
pelo sinuoso caminho dos Penedos
muitos serão os colhidos,
outros caminham sem medos.

Bem sei que já o fomos,
Mas imperativo já o Universo é,
Se eu sou Aquele que sou,
Tu és aquele que és,
Juntos somos o que somos,
Num Mundo que não o é.

G. Ribeiro

Bibliografia

  • Ambeilan, Robert, “A Franco Maçonaria” Editora Ibrasa, 1999.
  • Anderson, James The Constitutions of the Free-Masons, 1734.
  • Aslan, Nicolan, “Landmarques e outros Problemas Maçónicos”, Editora Aurora, 1971.
  • Boucher, Jules, “A Simbólica Maçónica”, Editora Pensamento, 1948.
  • Duncan, Malcolm, “Duncan’s Masonic Ritual and Monitor or a Guide to the three Symbolic degrees of the Ancient York Rite, Mark Master, Past Master, Most Excellente Master and the Royal Arch”, Editora Kessinger.
  • Gould, James e SHEVILLE John, “Guide to the Royal Arch Chapter”, Editora Macoy, 1981.
  • Pearce, Jeffrey, “A Peculiar System of Morality”, Rose Cross of Gold, 2005

Bibliografia Electrónica

  • http://www.gllp.pt/12-regras.html
  • http://www.rrcg.org/
  • http://quatuorcoronati.com/ http://www.freemasons-freemasonry.com/landmarks-freemasonry.html

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