Lisboa, cidade com mais de 2.500 anos, por onde passaram diversos povos, historicamente identificada com diversos nomes, Ofiusa – terra da serpentes onde habitavam homens sábios, Ulisseia, Ulysipona, Olissipo – local com porto seguro (cidade fundada por Ulisses / designação pré romana atribuída aos Fenícios), Olissipona, Oliosipon (nome dado por Ptolomeu), Ulishbon (designação atribuída pelos Visigodos), al-Ushbuna (nome atribuído pelos Mouros).
Maçonicamente, Lisboa resulta da junção de “Lis” com “Boa”, cidade com sacralidade. “Lis” expressão que provém da Flor de Liz, símbolo de iniciação e mistério, que representa o Sol Tríplice ou Santíssima Trindade. “Boa”, termo que designa a água, associado à identificação de uma das colunas do Templo de Salomão – Boaz, pilar de Deus, o qual está situado em lugar representativo de entrada na cidade – Praça do Comércio/Terreiro do Paço, coluna de beleza universal, expressão de Força e Rigor.
Lisboa ergue-se no estuário do Tejo num anfiteatro assente em sete colinas, à semelhança das duas históricas e sagradas cidades de Roma e Jerusalém, não apenas pelo lado religioso, mas sobretudo pelo seu lado esotérico e simbólico.
A citação referente às sete colinas de Lisboa aparece pela primeira vez no século XVII por Frei Nicolau de Oliveira, o qual procurava arranjar um paralelo com a cidade de Roma. À data as sete colinas sobre as quais estava assente Lisboa seriam: São Jorge (na Mouraria), São Vicente (em Alfama), São Roque (no Bairro Alto), Santo André (na Graça), Santa Catarina (a partir do Camões), Chagas (no Carmo) e Sant’Ana (sobre o Largo da Anunciada).
Após a calamidade D. José I ordenou que se tomassem as medidas necessárias para garantir a segurança dos vivos e se enterrarem os mortos, contando com o empenho e total dedicação do seu secretário de Estado, o Marquês de Pombal – Sebastião José Carvalho e Mello, o grande ideólogo da reconstrução da cidade, o qual segundo algumas teorias, terá sido iniciado na Maçonaria em Londres.
A reconstrução da cidade após o terramoto de 1755, esteve a cargo de homens conectados com a Maçonaria, os quais conjuntamente com o Marquês de Pombal, levaram a cabo tão grandioso e audacioso projecto, Karl Mardel (húngaro que chefiou toda a equipa de arquitectos), Manuel da Maia e Eugénio dos Santos.
A orientação e as proporções da reconstrução de Lisboa têm uma simbologia própria, as ruas da baixa terão sido desenhadas segundo a proporção áurea (com base no número de ouro – aproximadamente 1,61803398875) de Euclides (a geometria euclidiana é uma das grandes inspirações da Maçonaria), tendo como ponto de medida o eixo que divide a actual Rua Augusta, rodando o mesmo 13 graus em relação ao norte.
A Baixa Pombalina foi reconstruída tendo por base o Templo de Salomão, em que o Ocidente estaria na margem do Tejo junto à Praça do Comércio e o Oriente no Rossio.
Como primeiro elemento de tal paralelismo simbólico, temos a entrada na cidade pela Baixa Pombalina, através da Praça do Comércio, considerando-se que toda a Praça se encontra “entre colunas”.
A entrada neste espaço é ladeada por colunas, entremos por mar ou por terra (colunas “B” e “J”, respectivamente Boaz e Joaquin, simbolizando Força e Estabilidade, Rigor e Misericórdia, Força e Beleza, Ciência e Conhecimento).
A entrada para quem entra por mar, a entrada no “grande templo”, faz-se pelo Cais das Colunas, por sua vez quem chegava por terra, de costas voltadas para o Rio Tejo e Cais das Colunas, tem lateralmente de cada um dos lados um Torreão, os quais simbolizam igualmente as Colunas do Templo Salomão (pormenor que pode ser observado através de planta ou por vista aérea – Google Maps, onde se pode reconhecer o desenho das letras mencionadas – “J” à esquerda e “B” à direita).
Na Praça do Comércio, tal como quando se entra no “grande templo”, apesar da secreta discrição, podemos contemplar um conjunto de aspectos simbólicos patentes em todo o espaço edificado.
A Praça do Comércio é o átrio que conduz ao santuário das sete colinas, o templo da sabedoria, em que existe uma intencionalidade no traçado dos arcos, construído segundo o livro sagrado de Thot, conhecido também por Tarot. À semelhança do número de cartas que compõe o Tarot, a praça tem 78 arcos que se dividem da seguinte maneira:
- Na fachada principal, à direita e à esquerda do Arco da Rua Augusta contam-se 22 arcos, 11 em cada direcção, que simbolizam os Arcanos Maiores ou esotéricos/espiritual (ou iniciáticos), que representam a realização oculta, o mundo iniciático, para lá do conhecimento, o caminho da Iluminação, ou seja, desde aprendiz até ao Supremo grau 33;
- Nos edifícios laterais contam-se 28 arcos de cada lado, num total de 56 arcos, que correspondem no simbolismo das cartas aos Arcanos Menores ou exotéricos, representando a manifestação profana.
Ainda na Praça do Comércio realça-se o simbolismo e elementos presentes na estátua do cavalo de D. José I, estrategicamente colocada entre o arco da Rua Augusta e o Cais das Colunas:
- José I está vestido à romana, com a capa curta da Ordem de Cristo, empunhando o ceptro imperial mandatário, simbolizando a sacralidade;
- Aos pés do cavalo temos inúmeras serpentes, símbolo da sabedoria e da cura, as quais poderão ser tidas como guia do cavalo e do rei com a sua sabedoria e representando o conhecimento;
- Na lateral temos o anjo da trombeta, o elefante e o anjo da palma, junto dum cavalo, ambos esmagando o homem velho e a profanidade, os quais designarão as tradições iniciáticas Oriental-Ocidental unidas, encontradas em Portugal, onde acaba a terra e o vasto mar começa;
- Na retaguarda encontramos um baixo-relevo no qual estão patentes diversos símbolos maçónicos como as chaves, o compasso e o esquadro e, mais abaixo, a arca aberta com o tesouro, a jóia do conhecimento. Ao centro, um menino coroado, conhecido por Quinto Império, ostentando uma coroa de louros, símbolo da vitória e uma estrela de cinco pontas, conhecida na Maçonaria como o símbolo da iluminação e da sabedoria.
Ainda no centro da Praça do Comércio é de se observar os pormenores, a disposição do arco da Rua Augusta e das ruas laterais.
O arco da Rua Augusta, arco das três virtudes maiores, suportado por duas colunas, tem um profundo significado esotérico, por ser como o Umbral dos Mistérios, a passagem das trevas (mundo profano) para a luz (mundo espiritual), da morte para a imortalidade, que é concedida pela sabedoria das idades:
- O arco sustenta a coroação dos Deuses Minerva e Apolo pela Lusitânia Triunfante, expressão da Grande Mãe Universal, representando a Iluminação e o Entendimento;
- Nos lados, estão 4 estátuas de figuras emblemáticas da História de Portugal, sendo elas (da esquerda para a direita): Viriato, Vasco da Gama, Marquês de Pombal e Nuno Álvares Pereira, tendo a ladeá-las outras duas representando os Deuses do Génio e Valor (alegorias aos rios Tejo e Douro, representando a união do Norte e Sul do País como um todo indissociável);
- O triângulo por cima do arco é também um símbolo maçónico por excelência;
- Na abóboda do arco estão presentes diversos símbolos maçónicos, os quais à primeira vista parecem apenas motivos naturais como flores, frutos e ramagens, no entanto, com um olhar mais atento, observamos que os mesmos correspondem a romãs (símbolo da fecundidade e da fertilidade pela quantidade de sementes e que representam a unidade na multiplicidade), alcachofras (símbolo ligado ao ritual da purificação pelo fogo, associado ao renascimento após a morte, ao alcançar da pureza espiritual) e folhas de acácia (que simboliza a imortalidade da alma e é também o símbolo da iniciação de uma nova vida).
A disposição das ruas na Baixa Pombalina também não é ao acaso, tendo estas um paralelismo associado a um edifício/templo de construção tipicamente maçónico:
- Da Praça do Comércio, em direcção ao Rossio, temos três ruas – a Rua Augusta ao centro (representativa da coluna do Oriente, associada ao Sagrado/Supremo e aos Mestres), a Rua do Ouro à esquerda (representativa da coluna do Sul, associada ao Sol e aos Companheiros) e a Rua da Prata à direita (representativa da coluna do Norte, associada à Lua e aos Aprendizes);
- Posteriormente e após a passagem do arco da Rua Augusta temos três fiadas de prédios dispostos horizontalmente, por oposição aos seguintes cinco, dispostos verticalmente. As três primeiras fiadas de prédios na horizontal correspondem aos três passos de entrada em Loja do aprendiz, passos ritualmente curtos. As outras cinco fiadas de prédios, dispostos na vertical, sendo que os três primeiros com mais dois representam os cinco passos de entrada em Loja dos companheiros. A soma dos seguintes corresponderá ao número de passos de entrada em Loja dos mestres.
- Rua de São Julião – sede do BPI: As portas apresentam detalhes idênticos aos que se encontram presentes na abóbada do arco da Rua Augusta, com destaque para a alcachofra, a qual conforme anteriormente referido, simboliza o renascimento e a purificação do fogo;
Rua do Ouro – Banco Santander, antiga sede do Banco Totta e Açores: a fachada do edifício é marcada por dois símbolos associados à Maçonaria. O leão, símbolo da força, do valor e do carácter; e, o caduceu, símbolo antigo que representa o bastão de Hérmes (deus grego da sabedoria, mas também das ciências ocultas e esotéricas), o qual na Maçonaria simboliza o equilíbrio entre as forças antagónicas do bem e do mal e a dualidade infinita (duas serpentes) penetrada pelo saber (o bastão);
- Cruzamento da rua Augusta com a rua de São Nicolau: na esquina do prédio visualizamos uma águia de asas abertas, como se estivesse a ascender ou a voar de uma labareda que se encontra por baixo dela. Este símbolo assente na expressão “pelo fogo se renova a natureza inteira” adquire dimensão e expressão no contexto da reconstrução da cidade de Lisboa após o terramoto de 1755. Tal como fénix renasce das cinzas, segundo o mito, também a águia ulissiponense renasceu das chamas destruidoras provocadas pela destruição, ganhando outra e mais moderna feição pelas mãos e ordens de Marquês de Pombal;
- Rua do Ouro / Rua do Carmo – antigos Armazéns Grandella (actuais armazéns do Chiado, o fundador Francisco de Almeida Grandella era maçom): na fachada destes antigos armazéns, onde actualmente se localizam algumas lojas de vestuário de marca de referência, encontramos um símbolo com um “G” e um “A” sobrepostos, símbolo de inspiração maçónica que nos transpõe para o símbolo em que encontramos a letra “G” no centro do esquadro e do compasso (dois instrumentos de trabalho dos mestres maçons). A letra “G” surge associada a diversos significados, dos quais a título ilustrativo, se identifica God (Deus), GADU (Grande Arquitecto do Universo), Grande Geómetra, Gnose, etc. Encontramos ainda um segundo símbolo nos pilares do edifício, o qual tem presente o lema dos antigos Armazéns Grandella, “sempre por bom caminho e segue”, o qual envolve uma estrela de cinco pontas, cujo desenho em baixo relevo lembra um pentagrama, também conhecido por “estrela de Pitágoras”, símbolo iminentemente maçónico, o qual simboliza o poder gerador da natureza e a chama provocadora da sabedoria;
- Rua do Ouro – sede do Banco Montepio: no topo da fachada do edifício por cima da entrada principal encontramos uma representação de um pelicano com três crias, símbolo católico e também maçónico, associado à caridade, em que segundo a lenda do Pelicano Eucarístico, na falta de peixes para alimentar seus filhotes, o pelicano bica o próprio peito oferecendo sua carne e sangue aos filhos. O Pelicano, significa Deus alimentando o seu cosmos com a própria substância (no caso o sangue e a sua carne), um dos mais elevados símbolos da Maçonaria, o qual simboliza o sacrifício pelo outro, o abdicar de algo necessário à sua própria sobrevivência, em favor de outros. Na representação do Pelicano são sempre apresentados os seus filhotes de acordo com os números sagrados para os maçons (3, 5 ou 7). O símbolo em causa corresponde ao símbolo de um dos altos graus da Maçonaria, o grau 18, Cavaleiro do Pelicano ou Cavaleiro Rosa-Cruz.
Era na Praça do Rossio no Palácio dos Estaus ou Paço dos Estaus, localizado no topo norte da Praça do Rossio, centro histórico de Lisboa, lugar onde desde o século XIX se encontra o Teatro D. Maria II, que funcionava o Tribunal do Santo Ofício, ocorrendo os autos de fé na própria Praça do Rossio, Largo da Igreja de São Domingos e Praça do Comércio, sendo usual o cheiro a carne humana queimada na rua (os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 2 mil foram mortas na fogueira).
A Maçonaria, embora estivesse presente há uns anos em Portugal, sendo um mistério para os Inquisidores, foi também perseguida e teve as suas vítimas. No período de 1760 a 1770, no governo de Marquês de Pombal, os maçons não foram perseguidos.
Na Praça do Rossio, salienta-se ainda pelo seu simbolismo esotérico, a coluna monumental onde se encontra D. Pedro IV que segura, com a mão direita, a Carta Constitucional de 29 de Maio de 1826. Este monumento “equivale ao mundus, o ponto axial, centro para onde convergem todas as direcções da cidade, e porque não? do País, já que Lisboa é capital. Aqui o temos, sobre este falo erecto, apadrinhado pelos guardiães das quatro direcções universais, os quatro naipes do tarô, paus, espadas, copas e taças. No cristianismo, são conhecidos como Rafael, Michael, Ariel e Gabriel”.
Circulando em torno da estátua temos quatro guardiões, cada um representando um naipe das cartas do Tarot:
- Copas, a apontar a Rua de Santo Antão, o Anacoreta do Deserto “a qual inclina 17 graus para direita”;
- Ouros, indicando a gare do Rossio, “o caminho alquímico, o ouro vivo, a pedra filosofal, onde está a Estátua do Encoberto, aquele que cavalga o cavalo branco, o Avatar, o Cristo Aquário, o Senhor do Quinto Império”;
- Paus, a vara divinatória que indica o “Carmo, o lugar onde surgiu o culto matriarcal à mãe divina, o convento onde repousa Frei Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira. Um convento que a tradição associa a mutações alquímicas, e onde se pode ver, numa lápide, a imagem alegórica do alquimista trabalhando debaixo da terra”;
- Espadas, “a espada da lei e da virtude, a que premeia e salva, a que protege ou castiga, que aponta em direcção à Sé Patriarcal de Lisboa, a quinta catedral gralística do ocidente, por onde cerca do ano 985 a Taça do Santo Graal passou e ficou até finais do século XII”.
Passando pela Estação Ferroviária Terminal do Rossio é de assinalar algum simbolismo da mesma, onde as oito portas combinam com as nove janelas e com o relógio incrivelmente decorado, situado no cimo da fachada, em estilo gótico, o qual como o seu nome indica, da raiz gálica God, “Deus”, é um estilo que assinala a Ascense, a contemplação do Divino. Esta é a mais pura, sensível e estética expressão da arte arquitectónica de fixar na pedra antes bruta a polidez da Harmonia Universal.
Na fachada da estação temos duas arcadas cruzando-se, as quais fazem lembrar as ferraduras de um cavalo, o cavalo branco de el-rei D. Sebastião, nome este que em hebraico é Sbhs ou “Serpente”, é o Grande Dragão da Sabedoria, aquele que foi um dos santos mais querido dos Templários. Entre as arcadas encontrava-se até há pouco tempo uma estátua com D. Sebastião segurando um escudo com 7 castelos, em que as mãos ocultam dois deles. Eventualmente uma referência ao V Império.
Na interior da estação encontramos ainda diversos painéis de azulejo alusivos à cidade de Lisboa, representando São Vicente de Lisboa, Santo António e a Sé, Santo Condestável e o Convento do Carmo, rainha D. Leonor e a Madre de Deus, os Jerónimos e a Ordem de Cristo, Francisco de Holanda e a sua obra sobre Arquitectura, D. Sebastião, o Encoberto, Padre António Vieira e o V Império, Almeida Garrett e o Teatro D. Maria II, Alexandre Herculano e a História, Pessoa e o caminho da Serpente, e no acesso à gare pelos Restauradores o painel sobre a fundação de Lisboa por Ulisses, todos criados pelo Mestre Lima de Freitas.
R. A. – M:. M:.

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- A Maldição Maçónica na Arquidiocese de Braga (1800-1830)
- A Maçonaria em Portugal (Parte I)
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Pela relevância da matéria, gostaria de pedir-lhe que me guiasse na Bibliografia que seguiu neste estudo! Poderia?
Muito grata. EV
Lamento, mas não tenho o contacto do Autor. Cumprimentos
SENSACIONAL a matéria! Tudo que eu não sabia em relação à Linda Lisboa!!
Muito esclarcedor
GOSTEI MUITO, POIS NÃO TINHA CONHECIMENTO DOS FATOS EXPOSTOS, MOSTRA-NOS QUE DEVEMOS PESQUISAR MAIS ESTUDAR MAIS MAÇONARIA, CUJAS INFORMAÇÕES SEMPRE TRAZEM NOVOS CONHECIMENTOS PARA NOS ENGRANDECER E EVOLUIR.