Maçonaria – casa dos mistérios

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templo, maçonaria

É uma coisa engraçada voltar para casa. Nada muda. Tudo parece o mesmo, sente-se o mesmo, até cheira ao mesmo. Percebemos que o que mudou fomos nós.”

Eric Roth

Já alguma vez se interrogou sobre o verdadeiro significado de “casa”? A interpretação mais fácil seria equiparar a casa ao espaço físico em que vivemos. Mas será que “casa” sugere algo diferente das quatro paredes de um edifício? Que elementos, poderíamos perguntar, constituem de facto uma “casa”? A minha sensação é que as nossas casas servem como recipientes de uma história notável que nos liga aos nossos antepassados através de profundos e antigos fios de significado. Podemos não saber de onde vêm estes costumes e símbolos ou o que significam, mas a sua presença enriquece a tapeçaria das nossas vidas. Da mesma forma, a Maçonaria é frequentemente aclamada como a “Casa dos Mistérios”. O que, então, faz do Templo um “lar” e quais são os laços místicos que ligam os maçons às Tradições dos Mistérios?

Para responder a estas questões tão importantes, é necessário fazer uma breve viagem à história da evolução da Ordem.

De onde vem a Maçonaria?

A investigação sobre as origens e a evolução da Maçonaria continua a ser um dos assuntos mais desconcertantes. Os relatos históricos afirmam que, em 24 de Junho de 1717 d.C., a Maçonaria surgiu em Londres como uma entidade visivelmente organizada, aparentemente do nada. Embora todos os cenários sejam possíveis, alguns historiadores perspicazes questionam se este evento se desenrolou exactamente desta forma.

Para retomar os fios da origem da Ordem, muitos estudiosos concordam que é preciso começar com origens extremamente antigas. O irmão Maçom Manly Palmer Hall vai ao ponto de dizer que se acredita que a ordem maçónica teve origem “na infância da humanidade”, uma data que continua a ser objecto de debate nos círculos científicos, mas que o esoterismo situa aproximadamente há 18,5 milhões de anos. De acordo com o seu ponto de vista, o Esoterismo dos Himalaias desempenhou um papel crucial ao conferir ao Egipto a sua sabedoria lendária que mais tarde encontrou o seu caminho para a Maçonaria. Nos seus escritos, ele cita historiadores gregos clássicos que relataram explicitamente que certos conceitos místicos foram trazidos da Índia para o Egipto. Estes conceitos místicos referem-se a um conjunto de conhecimentos sobre o cosmos, o divino e o ser humano. Tratam dos aspectos visíveis, mas, sobretudo, das dimensões invisíveis, metafísicas ou espirituais.

Considerando “a infância da humanidade” como o período potencial de nascimento do edifício maçónico, estamos perante um cidadão muito idoso, um sábio antigo que atravessou vastas distâncias através da passagem do tempo.

Este caminho antigo começa com a Sabedoria Esotérica oculta da Irmandade dos Himalaias, onde se encontra a origem dos Vedas e dos Upanishads, escreve a Irmã H. P. Blavatsky. A partir daí, a história se estende até ao Egipto, passando pelos Mistérios gregos e romanos e por Pitágoras, culminando nos gnósticos posteriores. A transmissão do conhecimento oculto na tradição ocidental continua depois através das seitas gnósticas e dos árabes, evoluindo para a alquimia e chegando finalmente aos Templários. A partir daí, foi transmitido a grupos como os Rosacruzes e os seus contemporâneos, incluindo os Maçons.

linhagem

Tudo isto sugere um intrincado legado pelos mistérios às gerações futuras através de uma cadeia de doutrinas metafísicas interligadas. Os iletrados sem interesse nas tradições místicas e no esotérico podem considerar as escolas de mistérios, como as do Egipto, meramente como locais de rituais pagãos, adornados com hieróglifos estranhos e enormes estruturas construídas por inúmeros trabalhadores.  No entanto, os indivíduos com uma compreensão mais profunda, particularmente aqueles que se submeteram aos rituais de iniciação maçónica, reconhecerão uma ligação entre estas tradições metafísicas e as modernas escolas de mistérios, das quais a Maçonaria é uma delas.

No livro “Rays & Initiations”, é-nos dada uma afirmação espantosa de que os antigos Mistérios, incluindo a Maçonaria, “contêm a pista para o processo evolutivo, escondida em números e em palavras; eles ocultam o segredo da origem e do destino do homem, retratando para ele, em ritos e rituais, o longo, longo caminho que ele deve percorrer“.

Que sinais tem o ensinamento maçónico para justificar uma responsabilidade tão crucial como agente do avanço da evolução mundial? Qual é a nossa posição actual?

sábio

O livro seminal do Irmão C. W. Leadbeater “Glimpses of Masonic History” descreve quatro escolas principais que existem nos tempos actuais e que actuaram como “casas” do pensamento maçónico.  Cada uma delas tem a sua própria abordagem aos Mistérios.

As quatro escolas do pensamento maçónico

  1. Escola Autêntica – Vê a Maçonaria como um aspecto da investigação, da erudição e da filantropia.
  2. Escola Antropológica – Aplica as descobertas da antropologia ao estudo da história maçónica, tais como sinais e símbolos em pinturas murais antigas, entalhes, esculturas e edifícios das principais raças do mundo.
  3. A Escola Mística – Declara que os graus da Ordem são simbólicos de certos estados de consciência que devem ser despertados no indivíduo iniciado se ele aspira a ganhar os tesouros do espírito.
  4. A Escola Oculta – Treina toda a natureza, física, emocional e mental, até que ela se torne uma expressão perfeita do espírito divino interior e possa ser empregada como um instrumento de serviço eficiente para a evolução da humanidade.

Estas quatro escolas (e outras) procuram descobrir elementos das tradições de mistérios e restaurá-los à sua beleza, intenção e natureza original. Na literatura teosófica, é-nos dito que se prevê um processo triplo para esta restauração. A primeira fase abrange uma elevação generalizada da consciência e do conhecimento em todos os aspectos da existência humana. A seguir a isto, uma reorientação económica abrangente ir-se-á desenvolver como segunda fase. A terceira fase, intimamente ligada aos Mistérios, envolverá a apresentação pública da Terceira Iniciação como um rito significativo.

Porque é que é tão difícil imaginar um mundo onde os mistérios antigos nos transportam para muito além das fronteiras da rotina diária? Talvez seja porque muitos grupos maçónicos são impermeáveis à espiritualidade em geral. Mas, dizem-nos, quando a ênfase errada é posta de lado, o simbolismo, os rituais e as lições da Maçonaria terão um grande valor instrutivo para a humanidade. O despertar espiritual é o derradeiro regresso a casa. É a descoberta de um lar que nunca poderemos deixar e a compreensão de que nunca estivemos noutro lugar que não fosse o nosso lar.

O que é um mistério deixará de o ser, e o que foi velado será agora revelado; o que foi retirado emergirá para a luz, e todos os homens verão e juntos se regozijarão“.

Aforismo antigo

Pamela McDown

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

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1 thought on “Maçonaria – casa dos mistérios”

  1. Francisco das Chagas

    Muito bom estar conhecendo estes artigos, que põe vez sempre consigo me encontrar em partes deles

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