Maçonaria não vota, não apoia e não opina

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Esse é um post para não-maçons.

Nos últimos tempos, tenho acompanhado com alguma preocupação a forma como a Maçonaria tem sido retratada na mídia, e confesso que isso me incomoda profundamente. Ao ver manchetes como as que se acumulam no print que guardei (e que certamente vocês também já viram por aí ) fico com a nítida sensação de que há uma tentativa insistente de encaixar a Maçonaria numa caixa que simplesmente não lhe pertence.

“Maçonaria apoia candidato X”, “Maçonaria volta em força com ligações ao Governo”, “Líder maçônico agita campanha eleitoral”. Parecem trechos de um roteiro de ficção, onde uma entidade monolítica e quase sobrenatural manipula os cordéis do poder. Mas a realidade, meus caros, está muito longe disso.

É preciso deixar bem claro, e com letras garrafais se preciso for: A Maçonaria não vota, não apoia e não opina.

A Maçonaria é uma instituição de caráter iniciático e filosófico, que reúne indivíduos livres e de bons costumes, unidos por ideais de fraternidade, aperfeiçoamento moral e busca pela verdade. E a palavra-chave aqui é indivíduos. Cada membro da Maçonaria é, antes de tudo, uma pessoa com suas próprias convicções, suas próprias opiniões políticas, suas próprias escolhas religiosas e suas próprias preferências em todos os aspectos da vida.

Dizer que a Maçonaria tem uma posição unificada sobre qualquer assunto, seja ele político, social ou econômico, é tão absurdo quanto afirmar que todos os membros de um clube de leitura torcem para o mesmo time de futebol ou que todos os frequentadores de uma academia de ginástica votam no mesmo partido. Não faz sentido, não é mesmo?

Dentro das Lojas, o debate sobre política partidária ou temas que gerem discórdia é explicitamente desencorajado. Nosso foco é o aprimoramento individual, a discussão de princípios éticos e morais, a prática da caridade e a construção de uma sociedade melhor, sim, mas através do exemplo e da influência individual de cada um de nós.

Não temos um “Papa” da Maçonaria, um líder supremo global que dita as regras ou as posições de todos os maçons no mundo. A Maçonaria é descentralizada, composta por Grandes Lojas independentes em cada país ou jurisdição, cada uma com sua própria autonomia. A ideia de um comando centralizado que emite diretivas sobre quem deve ser apoiado ou o que deve ser pensado é uma fantasia.

Quando um Maçom se destaca na política, na vida pública ou em qualquer outra área, isso se deve ao seu próprio mérito, às suas próprias convicções e ao seu próprio trabalho. Se ele é Maçom, isso é uma característica pessoal dele, assim como pode ser músico, médico ou pai de família. Não é a Maçonaria, como instituição, que o está impulsionando ou opinando através dele. Ele é um cidadão exercendo seus direitos e deveres, com suas próprias visões.

A Maçonaria não é um partido político disfarçado, nem um lobby de interesses ocultos. É um espaço de encontro para homens que buscam o autoconhecimento e a prática da virtude, e que, uma vez fora dos templos, atuam no mundo de acordo com suas próprias consciências e princípios.

Portanto, da próxima vez que você ler uma manchete que tenta pintar a Maçonaria como uma unidade pensante, peço que reflita sobre o que acabo de dizer. Lembre-se que por trás do véu do mistério, há apenas homens independentes, cada um com sua voz e seu voto, mas unidos por uma senda de aprimoramento pessoal. E essa distinção é fundamental para compreender a verdadeira natureza da nossa Ordem.

Fábio Serrano, M. M. – R. L. Mestre Affonso Domingues nº 5 (GLLP / GLRP)

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6 thoughts on “Maçonaria não vota, não apoia e não opina”

  1. CREMILTON SILVA

    Maçonaria não pode ser partidária. Mas ela é essencialmente política, sim. E quando vemos essa degradação moral, política e a desconstrução da família, a Maçonaria deveria honrar seus princípios e se manifestar contra essa vergonha. Nosso País está caminhando para uma ditadura e com ela oficializada, aí sim não teremos mais voz. Veja Cuba, China, Coreia do Norte, Venezuela. Procure ver se maçom lá abre a boca para falar em liberdade. Tem que estar agradando o ditador. De mais a mais, a Maçonaria foi protagonista na Independência do Brasil, para não citar outros países. Foi protagonista na abolição da escravatura e Proclamação da República. Estavam errados os Irmãos daquela época? A Maçonaria não é mais especulativa? O que vemos hoje é maçom em cima do muro. Devemos sim, criar vergonha na cara, parar com discurso e entrar em ação. O tempo urge!

  2. Walter Roque Teixeira

    Prezado Irmão Fábio, sendo propositalmente ambíguo, concordo e discordo.

    Concordo que a Maçonaria é e deve continuar a ser uma Instituição discreta.
    Até concordo, em especial hodiernamente onde as relações políticas e sociais beiram quase sempre ao radicalismo, que se deve deixar a participação política que, no fundo, é o foco de vossa manifestação, para os irmãos, segundo suas convicções e interesses (no sentido de foco).

    Mas discordo na generalização do conceito “… unidos por uma senda de aprimoramento pessoal.”

    A Maçonaria não deveria – é minha visão, ser apenas introspectiva, fechada em si mesma, acreditando que se ‘aprimoramos o homem maçom, estaremos aprimorando a sociedade”; entendo ser um caminho legal, mas pouco influente; é questão estatística; somos poucos, com um halo de influência muito restrito; difícil acreditar que mudando o indivíduo, em nosso caso, influenciaremos a sociedade de forma significativa.

    Realmente, a Maçonaria não deve ter posições; realmente, “não vota, não apoia, não opina”; quem o faz, somos nós, dentro de convicções estritamente pessoais e que devem ser respeitada.

    Mas a Maçonaria é fruto da sociedade, dela faz parte e a ela pertence; até porque, a Maçonarias somos nós, indivíduos, unos, mas parte integrante de ambas; consequentemente, com compromissos com ambas; irrefutáveis.

    O retrato é complexo; a Maçonaria é um mosaico e está presente nos mais variados rincões do mundo e temos que olhar as necessidades da sociedade que nos rodeia, especialmente em países com menor índice de desenvolvimento socioeconômico.
    Usando da discrição, esta sim, uma característica fundamental da Instituição, podemos sim, influenciar e devolver dividendos a quem devemos muito.
    Devemos meditar sobre exposições desnecessárias nas mídias, mostrando comportamentos fúteis, com peitos carregados de medalhas, como se crianças ou “Mutleys” fôssemos; não podemos ser diferentes dentro e fora dos Templos; as convicções que temos lá fora, devem seguir os princípios e ensinamentos que aprendemos aqui dentro; são indissociáveis..

    Liberto-me da vaidade, para expor estas convicções com mais detalhes, em dois textos aqui publicados:

    1. https://www.freemason.pt/por-que-as-estatuas-sao-de-bronze-ou-o-medalhismo/;
    2. https://www.freemason.pt/competencias-individuais-e-a-maconaria-pos-moderna/

    Teríamos muito a oferecer e fazer, sempre de forma discreta, pela sociedade e por nosso entorno, enquanto nos aperfeiçoamos.

    Aliás, este aperfeiçoamento seria inútil se não nos ajudasse a ajudar a sociedade.

  3. Milton de Oliveira Bordin

    Diego:
    Outros tempos.
    Depois destes acontecimentos ela não se manifestou mais, pelo menos oficialmente.
    De qualquer maneira, Fábio, a culpa é realmente dos Maçons. Eu não saio por aí dizendo que sou maçom. Não coloco adesivo no meu carro para me identificar como tal. Não uso anel ou outra quinquilharia qualquer que me identifique como maçom. Quando algum maçom, devidamente identificado como tal se manifesta, o povo acha que é a Ordem que está se manifestando. Generalizam. Temos que ser o mais discreto possível, pois hoje em dia ser “secreto” é utopia.

    1. Diego Almeida Scherer

      Outros tempos, mas sempre contra a Monarquia. Como se a República fosse solução! Veja sem romantismo nossa “democracia”…
      A cada dia a Noite Escura se aproxima, como em outros lugares, ela permanece mais densa.
      E nenhuma instituição ou homem livre doa sua vida para que a Luz retorne…

      1. Milton de Oliveira Bordin

        Diego:
        Perfeita colocação e concordo contigo.
        Mas temos dentro de nossas colunas diversidade que, no meu ver, nem poderiam ser chamados de maçons, baseados em nossos ensinamentos. Se a Ordem se posicionar, como ficaria a situação nas Lojas? É um assunto bastante complexo. Grande e fraterno abraço.

  4. Diego Almeida Scherer

    Vejamos a Independência do Brasil…

    https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2023/08/18/homenagem-aponta-papel-da-maconaria-na-independencia-do-brasil

    https://gob-rj.org.br/portal/a-maconaria-e-a-independencia-do-brasil-uma-sintese/

    https://fraternidadesergipense.mvu.com.br/site/maconaria-e-independencia-do-brasil/NKdcm1mHo1I-3/nta.aspx

    https://www.freemason.pt/a-maconaria-e-a-independencia-do-brasil/

    Vejamos a Proclamação da República no Brasil…

    https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/desventuras/como-a-maconaria-trabalhou-nos-bastidores-politicos-que-resultaram-na-queda-do-imperio.phtml

    https://www.amvbl.com/post/a-ma%C3%A7onaria-e-a-proclama%C3%A7%C3%A3o-da-rep%C3%BAblica

    https://jornalocompasso.com.br/a-maconaria-e-a-proclamacao-da-republica/

    Nas Américas e no continente europeu a maçonaria esteve envolvida, de uma forma ou outra, na queda das Monarquias. Menos na Inglaterra onde a Ordem surgiu. Muito peculiar esse fato…

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