(Continuação – Ligação para a Parte II)
Conclusões
Acabada que foi a investigação para encontrar respostas, retomam-se as perguntas inicialmente formuladas:
O que é a Maçonaria, Que objectivos prossegue, De que instrumentos se serve para os realizar?
Em Portugal, existe? numa óptica profana, racional, científica e prática, ocorre perguntar: Contabilidade, tem? Presta contas, como e a quem?
Relativamente às questões particulares e ao primeiro grupo dir-se-á que:
- A Maçonaria é uma Ordem Iniciática (aperfeiçoamento por via espiritual, numa progressão iniciática) e Simbólica ( utiliza a terminologia operacional dos mestres arquitectónicos); procura o ideal de perfeição humana, permanentemente e em benefício da sociedade. A sua origem remota situa-se na construção do templo de Salomão e tem acompanhado as transformações sociais.
- Evoluiu de operativa (membros construtores), para especulativa (aceita membros não construtores: inicialmente aristocratas, burgueses e intelectuais);
- Nasceu no séc. XVII com o Liberalismo económico – império Britânico (Inglaterra e Escócia), de onde se difundiu; tem inicialmente um cunho marcadamente protestante; distingue-se a maçonaria regular, com expressão maioritária no mundo (exceptuam-se a Bélgica e a França na Europa);
- Os elementos chave da filosofia maçónica regular são de natureza religiosa e ética:
- Crença em Deus e na imortalidade da alma sem apelar à revelação;
- Tolerância (aplicada a todos os domínios da relação humana, sobretudo político e religioso);
- Respeito pelos poderes civis e pela Nação;
- Necessidade de o maçon se revelar Homem de Bem, de honra, de lealdade e de probidade;
- Escolha da Paz e dos seus benefícios ;
- Segredo respeitante aos membros das Ordens e suas actividades.
- O cumprimento dos objectivos da maçonaria regular, de acordo com aqueles princípios em obra feita, levou à constituição de organizações mundiais nomeadamente a ONU, a OMS, a Cruz Vermelha, a UNICEF e os Escoteiros.
- Não se indagou sobre a existência de sistemas contabilísticos na Organização, mas é impossível que realize os fins que prossegue sem recursos económicos, pelo que se assume a existência daqueles sistemas e os que lhe são afins, nomeadamente administrativos.
- Relativamente ao segundo grupo de questões, o que a Portugal respeita, conclui-se que:
- O ideal maçónico se difundiu em Portugal a partir de dois fluxos:
- 1) o da comunidade britânica residente no país mercê do prestígio e do seu peso económico e político; coincidiu, sensivelmente, com a emergência do movimento liberal na Inglaterra a partir o séc. XVIII;
- 2) o da influência dos portugueses, que terão sido iniciados fora de Portugal ou terão obtido a cultura maçónica;
- A existência e implementação da maçonaria foi um veículo de modernização do país sobretudo com as reformas Pombalinas, que o preparam para a instituição de regimes democráticos: o movimento Liberal do séc. XIX e ainda no seu decurso o que conduziu à 1ª República quer mais tarde já no Estado Novo;
- Mau grado a defesa do ideal maçónico opina-se sobre a insuficiência da sua realização a que não terão sido alheias, por um lado as condições naturais do país, nomeadamente geográficas e económicas e por outro a idiossincrasia portuguesa, que se admitiu ter sido moldada por actuação estrutural no domínio do condicionamento da liberdade: Inquisição – religioso/político e Estado Novo – político e indirectamente religioso.
- Do ponto de vista da aceitação política da Ordem Maçónica refere-se que desde a Monarquia Constitucional (Regimes Liberais), nenhuma das constituições políticas a proibiram; também nenhuma delas, mesmo a da Ditadura (1933), se lhe referem. A diferença é que esta última fez promulgar uma Lei que proibiu a constituição de AS e extinguiu as existentes (Lei 1901/35);
- O quadro em que se desenvolve a acção da GLRP – Associação, é o da Maçonaria Regular vinda do país do séc. XIX, suspensa entre 1926/74 e posteriormente retomada.
- O ideal maçónico se difundiu em Portugal a partir de dois fluxos:
No tocante à obra realizada pela Ordem destaca-se do passado a realização de actividades de solidariedade social de que é exemplo ainda vivo, o Montepio Geral;
do presente, considerando o ideal maçónico, a Associação tem desenvolvido trabalho de solidariedade e nomeadamente: apoio a grupos sociais em risco (vg. toxico- dependentes, sem – abrigo e reclusos); concessão de bolsas de estudo, recolha de sangue destinada a instituições especializadas, distribuição gratuita de livros no mundo lusófono e doações monetárias a algumas Instituições Particulares de Solidariedade Social.
Finaliza-se com a resposta à questão geral que justificou a realização do trabalho, que é afirmativa.
Contabilidade, tem? Presta contas, como e a quem?
- Do passado concluiu-se terem existido Arquivos de cujo estudo se individualizaram os administrativos e os contabilísticos, estes agrupados no título geral de Contas Correntes ( de cada obreiro e do tesoureiro para com a loja);
- A existência e conservação destes arquivos foi prejudicada pela instabilidade social – tumultos e perseguições que poderão, em alguns casos, ter conduzido à sua destruição;
- O presente está inserido num quadro de legalidade a todos os níveis:
- A actividade da organização realiza-se através de uma Associação, com personalidade jurídica adquirida por depósito, contra recibo, de um exemplar do acto de constituição e dos estatutos no Governo Civil da sua área e publicada no Diário da República e num dos jornais mais lidos da região;
- A sua existência obriga-a legalmente a ter número de contribuinte e a observar o respeitante a impostos no tocante a IRC, IRS, Contribuições para a Segurança Social e IVA;
- No âmbito da Contabilidade e no cumprimento das suas obrigações, conjugadas as questões de regularidade da Associação, Contabilidade e Fiscalidade, afirma-se que anualmente as suas contas são elaboradas por um TOC de acordo com a legislação em vigor, aplicando o POC e observando os preceitos nele incluídos, particularmente no respeitante a: Qualidade da informação financeira; PCGA; Critérios Valorimétricos; Elaboração do Balanço e Demonstração de Resultados (ABDR); Relatório de Gestão; Relatório e Parecer do Conselho Fiscal; Acta da Assembleia de Aprovação de Contas.
Quanto ao suporte material, a organização tem de cumprir e cumpre o comum aos serviços administrativos, no respeitante à validade e arquivo dos documentos contabilizados.
ANEXOS
ANEXO I
QUADRO 1 – MAÇONS PORTUGUESES ILUSTRES ( Relação não exaustiva)
| ACTIVIDADE | NOME |
| Artes e Letras | Escritores e Poetas
António Feliciano de Castilho Bocage Teixeira de Pascoaes Almeida Garrett Alexandre Herculano Camilo Castelo Branco Trindade Coelho Jaime Cortesão (Historiador) [46] Músico/Compositor – João Domingos Bontempo |
| Ciência | – Abade José Correia da Serra (Fundador da Academia das Ciências)
– Duque de Lafões (Fundador da Academia de Ciências) – Avelar Brotero – José Anastácio da Cunha – Egas Moniz – Gago Coutinho |
| Forças Armadas | Gomes Freire de Andrade, Norton de Matos, Gago Coutinho |
| Política | REIS
D. Pedro IV e D. Fernando II DUQUES – de Loulé e de Saldanha PRESIDENTES DA REPÚBLICA – António José de Almeida – Bernardino Machado – Sidónio Pais (também matemático) MINISTROS – António Augusto de Aguiar – Costa Cabral – Elias Garcia – José António de Aguiar OUTROS Hipólito José da Costa – (Diplomata – Encarregado dos negócios nos EUA (1798-1800) – Gomes Freire de Andrade – Norton de Matos (General) – Candidato à Presidência da República. |
| Religião | – D. Frei Francisco de S. Luís (Cardeal Saraiva)
– D. Manuel B. Rodrigues da Silva (Cardeal Patriarca de Lisboa) – D. Frei Francisco Anes de Carvalho (Arcebispo de Évora) – D. Frei Alexandre da Sagrada Família (Bispo de Angra) – D. António de Gouveia Osório ( Bispo de Betsaida) |
Fonte: Anes, op. cit. pp. 29-31.
ANEXO II
QUADRO 2 – MAÇONS ESTRANGEIROS ILUSTRES
(Relação não exaustiva)
| ACTIVIDADE | NOME |
| Artes e Letras | – Walter Scott, Marc Chagall, Peter Sellers.
Música – Bach, Haydn, List, Sibelius |
| Ciência | – Alexandre Fleming |
| Forças Armadas | – Generais Pershing, George Marshal, MacArthur |
| Política | – Presidentes da República (EUA): Benjamim Franklin, George Washinton, Theodore RooseveltHarry Truman, Gerald Ford;
Reis – Eduardo VII (Inglaterra); Frederico Guilherme IC (Prússia); – Gustavo (actual Rei da Suécia); Primeiro Ministro – Winston Churchill. |
Matilde Estevens
Notas
[46] Também no Oriente Eterno e já perto de nós está o Historiador Oliveira Marques, maçon assumido ainda em vida e a quem se deve uma obra única em Portugal: A História da Maçonaria em Portugal (1990) e o Dicionário da Maçonaria Portuguesa (1986).
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Legislação
- Carta de Lei de Junho de 1836 – promulga o Código Comercial de Borges, José Ferreira.
- Carta de Lei de 28 de Junho de 1888 – promulga o Código Comercial de Veiga Beirão , Francisco António da Veiga.
- Lei n°. 1901/35 de 21 de Maio – Proíbe a existência de Associações Secreta, publicada no Diário do Governo n°. 115, 1a. Série, pp. 699-670, de 21 de Maio, de 1935.
- Portaria n°. 8127/35 de 5 de Junho – Substitui a portaria n°. 8115 que estabelece os modelos das declarações a prestar em cumprimento do disposto na Lei n°. 1901, acerca das associações secretas, publicada no Diário do Governo n°. 128, 1a. Série, pp. 821-822, de 5 de Junho, de 1935.
- Lei n°. 45 103/63, de 1 de Julho, Aprova o Código da Contribuição Industrial, publicado no Diário do Governo n°. 11, 1a. Série, pp. 845-867, de 1 de Julho de 1963.
- Lei n°. 39660/54 de 20 de Maio – Insere disposições complementares à regulamentação prevista sobre o direito de associação, publicada no Diário do Governo n°. 110, 1a. Série, pp. 557-558, de 20 de Maio, de 1954.
- Decreto – Lei n°. 594/74 de 7 de Novembro, revoga a Lei n°. 1901 de 21 de Maio de 1935 e institui o livre exercício do direito de se associarem para fins não contrários à Lei, ou moral pública publicado, Diário da República I Série, n°. 259. pp. 1342-1344, de 7 de Novembro de 1974.
- Lei n°. 47/77 de 7 de Fevereiro, Aprova o Plano Oficial de Contabilidade (POC), Diário da República I Série, n°. 31, pp. 200(6)-200(53) de 7 de Fevereiro de 1977.
- Lei n°. 442-B/88 de 30 de Novembro, Aprova o Código do IRC, Diário da República I Série, n°. 277, pp. 200(6)-200(53) de 7 de Fevereiro de 1977.
- Lei n°. 262/86 de 2 de Setembro, aprova o Código das Sociedades Comerciais, Diário da República I Série n°. 201 , pp. 2293-2385, de 2 de Setembro de 1986.
- Lei n°. 442B/88 de 30 de Novembro, aprova o Código do IRC, Diário da República I Série n°. 27, pp. 4457(38) (4754(71), de 30 de Novembro de 1988.
- Lei n°. 408/89 de 21 de Novembro, aprova o Plano Oficial de Contabilidade (POC), Diário da República I Série, n°. 268 pp. 5112 (1)-5112 (32) de 7 de 21 de Novembro de 1989.
Outros
- Diários da República -III Série, n°s. 227 de 1991/10/02, n°. 18 de 1997/01/22 e n°. 67 de 1997/03/20, constituição da GLRP – ASSOCIAÇÃO

- O Futuro da Maçonaria: desafios e respostas
- Inquisição em Portugal e um banquete maçónico
- Maçonaria e intervenção na Sociedade
- Acordo entre a Grand Lodge of England (Moderns) e quatro lojas de Portugal – 1802


Grande sonho poder participar e ser um pedacinho dessa grande família, com amor e fraternidade