O ágape na maçonaria não é uma exclusividade da actual maçonaria especulativa. O ágape é tão antigo quanto as escolas de mistérios no planeta Terra. Engana-se o Maçom que pensa que o ágape foi inventado pela maçonaria e que após as sessões ele faz algo jamais visto no mundo. O ágape sempre fez parte das reuniões entre os Iniciados, inclusive desde a antiguidade.
Entretanto, o modo como o ágape vem sendo conduzido pela actual maçonaria especulativa está cada vez mais distante do verdadeiro sentido do ágape para uma ordem iniciática como a maçonaria. Cada vez mais o ágape vem sendo conduzido como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões. Assim, como no mundo profano, as pessoas se reúnem pelos mais diversos motivos para comer e beber, os maçons têm conduzido o ágape como uma mera reunião de comes e bebes entre amigos, esquecendo-se do carácter sagrado do ágape que deve haver na maçonaria, pois a maçonaria é sagrada e o sagrado deve gerar o sagrado, assim como o profano gera o profano. O ágape na maçonaria não deve ser uma mera confraternização entre irmãos, mas deve ser o que sempre foi para os Iniciados: uma parte do ritual.
Quando uma pessoa recebe um comentário negativo de alguém ela coloca-se numa posição de perfeição negando sumariamente o comentário que recebeu e desqualifica o seu crítico para desqualificar o comentário recebido. A pessoa criticada sequer chega a ponderar sobre o comentário negativo que recebeu para avaliar o quanto aquilo poderia estar correcto. Muita baboseira é dita em relação à maçonaria, mas algumas coisas acabam tendo sentido se considerada a postura como a actual maçonaria especulativa vem conduzindo a maçonaria. Há quem diga que a maçonaria é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber. Em termos tal afirmação não há de ser desqualificada, considerando que a actual maçonaria especulativa vê o ágape como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões para estreitar os laços fraternos. Se a maçonaria não concorda com a opinião dos que dizem que ela é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber, a maçonaria deveria avaliar se o seu ágape não se transformou numa mera confraternização com comida e bebida. A transformação da visão externa é de dentro para fora, inclusive a maneira de como o mundo profano vê a maçonaria.
O ágape sempre fez parte dos rituais dos Iniciados. Hoje o acesso a um templo é fácil e cómodo. É possível encontrar lojas maçónicas na esquina, no próprio bairro e a poucos minutos de automóvel. Na antiguidade o caminho até um templo era difícil para muitos. Iniciados faziam verdadeiras peregrinações, até mesmo de meses, para chegar a um templo. Os templos ficavam até mesmo em lugares de difícil acesso físico para que se ocultassem dos olhares profanos. Tudo era mais difícil no plano material. O ágape na antiguidade era também uma forma de satisfazer a necessidade fisiológica de nutrição após todo o esforço físico para participar de um ritual. Pessoas que tinham passado por grandes restrições físicas para chegar ao templo e participar do ritual tinham então o momento para se alimentar e se recompor. O Iniciado, mesmo após todo o esforço físico para participar de um ritual, faminto, diante da oportunidade de saciar a sua fome e sem certezas sobre o seu retorno, se portava de uma forma introspectiva e contemplativa, pois o Iniciado sabe da importância da introspecção e da contemplação. A sabedoria vem pela introspecção e contemplação e não é à toa que o mundo profano trabalha contra isto, inclusive demonizando tais comportamentos.
Pessoas gostam de rezar ou orar antes das suas refeições como uma forma de gratidão a Deus pelo alimento. Mas basta que digam o “amém” para que comecem a comer feito porcos. À mesa gritam, falam alto, deixam a televisão e o aparelho de som ligados da pior maneira possível, falam de assuntos absurdamente tolos, inúteis e abomináveis, atacam verbalmente os outros, presentes ou não, com indirectas ou directas, falam sobre as intimidades das relações sexuais, inclusive sobre a vida sexual dos outros, e tratam o ritual de alimentação como se estivessem defecando no banheiro. É evidente que não adianta agradecer a Deus antes de comer e depois comer com o Diabo, fazendo do ritual de alimentação um banquete no inferno. A “gratidão” a Deus, essa “gratidão” que virou moda falar para tudo quanto é coisa – “gratidão” para cá, “gratidão” para lá -, não se dá por palavras, mas pela conduta. Assim como o que importa em relação ao Amor não são as palavras, mas a conduta. A gratidão a Deus pelo alimento não vem pelas rezas e orações ou por só comer verdurinhas, mas pelo respeito ao acto de se alimentar, alimentando-se conscientemente durante todo o ritual de alimentação, estando consciente do que aquilo representa na Criação.
A maçonaria preza pela fraternidade não apenas entre os irmãos, mas também com as cunhadas e os sobrinhos. Isto é bom, mas a obrigação ritualística deve sempre ser obedecida e estar acima dos interesses pessoais e transitórios. Um dos objectivos do Maçom como iniciado numa ordem iniciática é perpetuar a ordem através da obediência incondicional às leis maçónicas e à ritualística. Da mesma forma que as cunhadas e os sobrinhos não participam das sessões fechadas também não devem participar do ágape, pois o ágape faz parte do ritual. A maçonaria dá às cunhadas e aos sobrinhos incontáveis oportunidades de viverem a fraternidade maçónica, mas esta confraternização não deve ser feita no ágape. A função do ágape não é confraternizar. Quando um homem ingressa na maçonaria, por mais que a ordem inclua a família do Maçom, este é o seu caminho. A evolução espiritual é sempre um caminho individual. Cada um evolui conforme os seus próprios méritos. Todos evoluem individualmente e se a maçonaria é o caminho do Maçom, as cunhadas e os sobrinhos também terão os seus caminhos. O desejo de ser amigo de todo mundo não pode se colocar acima da obediência à ritualística.
Desta forma, entendemos que ao Maçom resulta no seu respeito a Deus e ao modo como Deus faz as coisas; o respeito que vem não pelo medo, mas justamente por viver a harmonia entre amar a Deus, ser amado por Deus e estar sujeito ao seu poder supremo. A alimentação é um dos modos de como Deus faz as coisas. O processo de se alimentar é o sistema que Deus tem para o homem se nutrir e se Deus tem este sistema ele deve ser respeitado. O Iniciado respeita o ágape porque no ágape o homem se alimenta e a alimentação é como Deus faz as coisas. Por isto a alimentação deve ser respeitada e ser feita com consciência, na introspecção e contemplação natural que acompanham todo Iniciado. Em todo o processo da alimentação o Iniciado deve estar ciente de que este é o modo como Deus faz as coisas e respeitar este acto é respeitar o próprio Deus. Os Iniciados da antiguidade realizavam o ágape como parte do ritual pela consciência da importância da alimentação por ser a alimentação o modo como Deus faz as coisas, não para confraternizar. Os Iniciados tinham tanta consciência do sagrado que tornavam tudo sagrado, inclusive o acto de se alimentar. O Iniciado consagra, o profano profana. O ágape deve ser consagrado, não profanado.
O ágape não é uma mera confraternização de pessoas que se reúnem para comer e beber bem, mas é parte do ritual. Sendo parte do ritual, o ágape deve ser conduzido e respeitado como tal, assim como se conduz e se respeita o ritual dentro do templo. No seu âmbito de estreitar os laços da fraternidade o ágape não é um fim, é um meio. Os maçons não devem ter o ágape para comemorar a fraternidade, mas para estreitar os laços que os levarão às coisas maiores em favor da humanidade. A informalidade do ágape abre portas que não poderiam ser abertas no ritual, mas as portas são muitas e cabe a cada Maçom escolher qual porta quer abrir, já que as chaves lhe serão dadas. Há os que consideram a maçonaria como uma associação de homens de negócios que se reúnem com o intuito de estreitar as relações comerciais e utilizam o ágape para estreitar tais relações, vendo o ágape como a oportunidade para conversar sobre negócios e ganhar dinheiro. É na liberdade da informalidade do ágape que cada Maçom irá externalizar o que verdadeiramente espera da maçonaria. A última ceia de Jesus Cristo foi um ágape e aqueles que Jesus expulsou do templo foram aqueles que queriam aproveitar-se das escolas de mistérios para enriquecer.
Adaptado de Autor desconhecido

- Léxico Maçónico – Agape
- Os símbolos em Maçonaria: o ensinar e o aprender
- Maçonaria – a arte do amor
- A Grande Loja Simbólica Espanhola e a Grande Loja das Canárias acordam uso to Templo de Tenerife


Resumindo em uma única palavra “MARAVILHOSO”
O agape seria obrigacao da lj ou dos Ir. ‘ . Do quadro da lj
Prezados irmãos, não é desconhecido que, há muito, algumas inconsistências com os ágapes vêm ocorrendo nos alojamentos maçônicos, sobretudo quando se utiliza dele para se fazer verdadeiras festas entre irmãos que acabam na metade do dia seguinte ou mesmo convidando profanos para participar de ágapes, que, sim, fazem parte inarredável do ritual.
No entanto, gostaria muito de saber qual a proposta do irmão redator para mudar este cenário.
Meu WhatsApp é 55 071992889830
Bom dia meu irmão,por acaso o irmão não teria algum artigo sobre José
E também sobre Melquisedeque
Experimente fazer uma busca no site. TAF
Já fiz um comentário que foi eliminado sem eu saber porquê!!
M:. Q:. I:. Luis Rosa Dias. Para além deste, ja fizeste mais dois comentários que estão activos. Recebe um TAF de António Jorge