José Anastácio Lopes Cardoso e sua acção contra a Maçonaria luso-brasílica (1799-1804)
Cinjo-me a factos que posto não estejão evidentemente provados, parecem levar para ali a boa razão.
Lopes Cardoso (1803)
O corregedor e a conspiração dos iluminados
As origens e a extensão da influência política das sociedades maçónicas, entre os fins do século XVIII e os primeiros vinte anos do século XIX, tem sido uma incógnita para a historiografia portuguesa e, em maior medida, para a historiografia brasileira. No que se refere aos maçons brasílicos e às primeiras lojas fundadas na América Portuguesa, o principal motivo do silêncio em torno do tema é a escassez documental do período assinalado. Além disso, também é difícil o acesso aos documentos maçónicos remanescentes, fragmentados e dispersos em arquivos e colecções particulares no Brasil, Europa e Estados Unidos.
A dificuldade de encontrar informações seguras pode ser explicada, também, pela própria natureza da maçonaria setecentista e sua relação controversa com o governo, as leis e as autoridades religiosas portuguesas. Os franco-maçons ou pedreiros-livres já eram condenados pela Igreja Católica desde a Bula In Eminenti (1738) do papa Clemente VII e pelo Breve Providus (1751) do papa Bento XIV, sendo perseguidos pelo Tribunal do Santo Ofício em Portugal, com mais determinação sob o governo de D. Maria I (1777-1816). Por essa razão, os historiadores da maçonaria têm se valido dos processos e documentos inquisitoriais portugueses para estudar o assunto, pouco utilizando os relatórios da Intendência de Polícia.
Uma das janelas que permite vislumbrar a sociabilidade e circulação política dos pedreiros-livres brasílicos, nos seus primeiros tempos, é um relatório datado de 14 de Abril de 1803, feito pelo corregedor do crime do Bairro Alto, José Anastácio Lopes Cardoso. Conservado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), lata 21, o documento integra um conjunto de papéis diversos, formando um dossiê sobre Hipólito José da Costa, o mais influente pedreiro-livre luso-brasílico no início do século XIX. Não há registos de quando aquele conjunto documental foi depositado no IHGB, mas é possível que tenha sido por meio de algum dos seus antigos sócios. É certo que já estava no Rio de Janeiro em 1881, pois consta no Catálogo da Exposição de História do Brasil. Naquele conjunto, destaca-se o relatório do corregedor, já estudado por Oliveira Marques e Mansur Barata, que recorreram a ele nos seus estudos sobre a sociabilidade maçónica, sem, contudo, aprofundar o exame do manuscrito [1].
O relatório de Lopes Cardoso permite observar uma visão de história política que praticamente desapareceu nos estudos contemporâneos sobre a maçonaria portuguesa: a da conspiração dos pedreiros-livres contra o trono e o altar, fundamentada na obra do jesuíta Augustin de Barruel (Villeneuve-de-Berg, 2 de Outubro de 1741 – Paris, 5 de Outubro de 1820) [2]. O manuscrito do IHGB é uma cópia expedida por Manoel Justino da Cunha, secretário da Intendência da Polícia de Lisboa, feito apenas dois dias após o original haver sido escrito. O destinatário era Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805), que seguia combatendo as sociedades maçónicas em Portugal desde 1788, chegando a interceptar o famigerado Giuseppe Balsamo, Conde de Cagliostro, em Lisboa, disfarçado de nobre, expulsando-o do país. Dez anos depois, em 1798, Manique afirmava ter expulsado 515 indivíduos que professavam princípios políticos jacobinos ou que se congregavam em associações maçónicas [3]. O intendente, contudo, já se encaminhava para os setenta anos quando a perseguição aos maçons se intensificou em Portugal. Sem o vigor da juventude, teve em Lopes Cardoso um agente confiável para executar as missões. Num relatório de 8 de Agosto de 1799, enviado ao marquês mordomo-mor, Manique cita o corregedor em três casos ligados aos pedreiros-livres, destacando que seu agente cumpria as missões “hábil e judiciosamente” [4]. Uma das cartas de Manique para o corregedor, datada de 5 de Agosto de 1802, foi publicada por Oliveira Marques, revelando contínua perseguição aos pedreiros-livres [5]. José Anastácio foi, nas palavras de Adelto Gonçalves, biógrafo de Tomás Gonzaga e de Bocage, correctamente descrito como “fiel cumpridor de ordens e implacável inimigo da maçonaria” [6].
Lopes Cardoso era um barruelista, admirador e adepto das ideias de Augustin de Barruel. Ele próprio confirma isso. No dossiê do IHGB, há outra carta de Lopes Cardoso, assinada de seu próprio punho, datada de 23 de Julho de 1803, na qual o corregedor afirma ser leitor de Barruel e acreditar naquilo que o jesuíta afirmara: “Eu já tinha lido em Barruel, a quem o tempo, e a posteridade fará mais justiça” [7]. Barruel foi o autor das Mémoires pour servir à l’histoire du Jacobinisme, publicadas em quatro volumes entre 1797 e 1799, nas quais denunciou a maçonaria como protagonista na Revolução Francesa (1789-1799). A obra, que teve grande repercussão e traduções em diversas línguas, com várias edições, afirma que um grupo denominado os Iluminados da Baviera (Iluminatenorden), fundado em Maio de 1776 por Adam Weishaupt, infiltrou-se na nascente maçonaria filosófica, pactuando com seus associados e levando a cabo um projecto secreto para a subversão das monarquias europeias e da Igreja Católica. Apesar da Iluminatenorden ter sido mantida afastada de Portugal, Cardoso acreditava na existência de uma cabala maçónica, que então buscava projectar sua influência sobre Portugal e o Brasil, sendo essa teoria a linha-mestra do Relatório de 1803. O presente artigo busca demonstrar, por meio da análise de episódios descritos no referido Relatório, que a acção política organizada por pedreiros-livres luso-brasílicos, buscando ampliar seu espaço de influência ou agindo contra as estruturas do Antigo Regime (particularmente, aqui, a luta contra o domínio colonial), tem fundamentos documentais e não era apenas produto da imaginação do corregedor.
Foi Hipólito da Costa, na Narrativa da Perseguição, de 1811, quem publicou as primeiras notícias biográficas de Lopes Cardoso. O redactor do Correio Braziliense, numa tentativa de menosprezar a origem do corregedor, afirma que este era filho de um pescador da Trafaria, pequena aldeia na margem meridional da foz do Tejo. Apesar da origem humilde, Cardoso se matriculou na Universidade de Coimbra a 27 de Outubro de 1784 [8]. Cursou matemática no primeiro ano (19/10/1785), direito no 2° ano (17.10.1785), leis no 3° ano (06/10/1786), concluindo o 5° ano a 07/10/1788. Hipólito da Costa, seu mais notável oponente (mesmo após a morte do corregedor), afirmou que Cardoso, “durante o tempo dos seus estudos em Coimbra, passava por um acérrimo Jacobino; o por este nome eram, naquelle tempo, designados lodos aquelles, que se distinguiam por adoptar princípios políticos oppostos ao Monarchismo” [9]. Nove meses após Cardoso concluir seus estudos em Coimbra, teve início a Revolução Francesa. A carreira do magistrado começou em sincronia com a disseminação dos influxos revolucionários, quando o jacobinismo começava a se espalhar pelas sociedades da Europa. Ainda em 1789, Cardoso requereu o cargo de guarda do lazareto; [10] em seguida, a 19 de Fevereiro de 1791, foi nomeado juiz de fora da Vila de Almada [11]. Foi, em 1797, alçado a Juiz do Crime do bairro do Mocambo, em Lisboa [12]. No ano seguinte, 1798, sob a intendência de Pina Manique, alcançou o cargo de corregedor do crime do Bairro Alto [13]. Por reconhecimento dos seus serviços, ingressaria na Ordem de Cristo e alcançaria o cargo de desembargador [14]. Hipólito observou a trajectória do corregedor e não o poupou de críticas:
Depois, intentando seguir a vida da Magistratura, e sabendo que, se agradasse ao Intendente Geral da Polícia, podia crescer em graduaçoens, e augmentar a sua fortuna, voltou destramente de comportamento, e affectou sempre o mais intranhavel aborrecimento a todos aquelles que tinhaõ, ou se presumia tivessem, os mesmos princípios políticos, que elle abertamente professara [no tempo da Universidade], naõ deixando escapar occasiaõ alguma, em que pudesse mostrar o seu zelo. E como era mui conhecida a aversaõ, que o Intendente de Policia tinha a tudo o que era homem de letras, seguio também estes passos o novo Ministro; e conseguio com este artificio, e vis condescendeucias, chegar a ser taõ privado do mesmo Intendente, que foi nomeado seu Ajudante: e só a elle se incumbiam as deligencias de que nenhum homem honrado se encarregaria; em uma palavra, podia reputar-se Ministro do Intendente, e não Ministro de justiça [15].
É perceptível que o intendente e o corregedor compartilhavam uma visão política contrária à maçonaria e ao jacobinismo. É um tanto controversa, por outro lado, a afirmação de Hipólito em que reputa ao corregedor aversão aos homens de letras. Ele teve aversão, de facto, aos pedreiros-livres e aos livros de autores maçónicos. Aliás, ele próprio era um letrado, conhecido por pedir autorização ao governo para ler livros proibidos de circular em Portugal, e, por esse meio, teve acesso aos livros que tratavam da maçonaria [16].
A leitura das Mémoires pour servir à l’histoire du Jacobinisme consolidou em Cardoso suas ideias antimaçónicas, definidas como a crítica, a oposição e a hostilidade manifesta contra a maçonaria e seus membros. A exemplo de Barruel, o magistrado se refere à maçonaria sempre como “seita”, que, segundo Antonio Morais Silva (também maçom), em 1789, significava um “sistema doutrinal, princípios Filosóficos ou dogmáticos, que alguém tem, ou defende” [17]. Sua admiração pelos escritos de Barruel era tanta que, no relatório de 14 de Abril, o corregedor fez uma veemente defesa da legitimidade da obra do jesuíta, à qual, desde aquela época, os críticos imputavam falta de provas para fundamentar suas afirmações. Segundo a irónica pena do corregedor:
Mente Barruel, he hum Declamador, a sua pena hé mercenaria, os seos dictos são livres dictos, e faltos da auctoridade da prova [Hé a resposta geral que sem se provar se profere contra Barruel]. Entretanto ainda não está provado que Barruel minta, e se mente então ja antes delle mentio Cagliostro nas suas confissoens impressas muitos annos antes que Barruel escrevesse: Mente Robinson a quem Barruel se Reffere, e que vay excencialmente concorde com elle: mente o auctor da Conjuração do Duque de Orleans, que Reffere factos tão pozetivos como o distico do sello das Cartas do Barão de Menou no tempo da Revolução = Inimigo do Culto, e dos Reys: mente a opinião publica que os olha como taes: e tinhão já mentido Le Franc-Maçon trahi; Les Franc-Maçons Ecrajeis; as Cartas de Utrecht nas Anadoctas (sic) Secretas; o Abbade Banier; os Auctores da Bibliotheca Franceza; e muitos outros que seguem apontados nos escriptos sobre este assumpto [18].
Cardoso busca confirmar a autoridade de Barruel apresentando uma lista de autores e livros que, no mais das vezes, serviram como fontes para as Mémoires do jesuíta, procurando legitimá-lo por meio de uma tradição antimaçónica que remonta aos anos de 1740 e que seguia firme até sua época. O corregedor cita John Robison (1739-1805), autor de Proofs of a conspiracy against all the religions and governments of Europe, Carried on in the secret meetings of free Masons Illuminati and reading societies, impresso na Escócia em 1797 [19]. Cita também a Histoire de la conjuration de Louis-Philippe-Joseph d’Orléans, cujo autor é Christophe Félix Louis Ventre de La Touloubre, dito Galart de Montjoie [20]; L’Ordre des francs-maçons trahi [21] e Les francs-maçons écrasés, ambos de Gabriel-Louis Calabre Péra [22]; as Cartas de Utrecht, nas Anedoctas Secretas [23]; Histoire générale des cérémonies, moeurs, et coutumes religieuses (1741), de Antoine Banier [24], e, por fim, a Bibliothèque française, ou histoire littéraire de la France (18 vols, Paris, 1740-1759), de Claude-Pierre Goujet.
A influência de Barruel já se fazia sentir em Portugal, visto que uma obra de sua autoria já havia sido vertida para o português entre 1795-97, traduzida por M. B, iniciais de frei Mateus de Assunção Brandão. Impressa no Porto, nela já era possível antecipar a ideia principal de Barruel, a da conspiração maçónica: “Porque a forma Constitucional que serve d’ensaio para aniquilar o governo monárquico, chegando a realizar-se, segundo os intentos e o voto constante dos sofistas e Pedreiros Livres com a aparência de democrática para lisonjear a vaidade do povo, será realmente aristocrática e fundará o património dos que mais arte tiverem para iludir o povo” [25].
Trechos das Memoires foram impressas em O segredo revelado ou manifestação do systema dos pedreiros livres e illuminados, e sua influencia na fatal revolução franceza [26]. Lúcia Neves resumiu bem o impacto da obra de Barruel em Portugal:
Nessa conjuntura, a Revolução chegou a ser concebida como uma tríplice conspiração, urdida contra o altar, o trono e a sociedade civil pela “pestilencial irmandade” dos jacobinos, formada a partir de seitas há muito tempo escondidas nas lojas maçónicas, cujo as ideias não tardaram a circular em Portugal e cuja principal obra teve trechos traduzidos para português. Eram textos escritos em uma linguagem exacerbada, em que se formulavam impropérios contra todo um mundo misterioso de ideias revolucionárias, de forças ocultas e condenadas [27].
Um caso envolvendo Lopes Cardoso e a morte de um alemão chamado Zeigler, ligou o corregedor à obra de Barruel. O jesuíta, nas suas Memoires, ao tratar brevemente dos projetos da seita dos iluminados, afirmou que “os iniciados da seita não se atreviam a se instalar em Portugal”, por conta do episódio da prisão e suicídio de Zeigler (o Brabaçon Segre), dentro da cadeia em Lisboa [28]. Tido por Barruel como propagandista dos iluminados, o alemão foi preso por Cardoso em 1797, e sua correspondência foi apreendida, implicando o ministro espanhol Dom Manuel de Godoy y Alvarez de Faria Rios Sanchez Zarzosa, nos seus negócios. Godoy, com o título de Príncipe da Paz, sabendo da prisão, teria reclamado o prisioneiro junto ao governo português, que não lhe atendeu conforme esperava. Depois disso, segundo Barruel, um colchão com uma navalha de barbeiro em seu interior teria sido introduzido na cadeia onde estava o prisioneiro, que usou a lâmina para se matar, protegendo os segredos dos seus correspondentes. Em uma nota do relatório, Cardoso fez a seguinte observação: “Barr[uel]. no tom[o]. 4.o diz que Zegres, que foi suiccida na Cadea do Castello de Lisboa, em 1797, que eu prendi, era Apostolo dos Maçons Illuminados mandado a Lisboa para fomentar a sedicção”. O Reino e a monarquia estavam a salvo da influência de um suposto grupo de conspiradores internacionais. Hipólito da Costa, oito anos depois, acusaria o corregedor de ter executado Zeigler na cadeia:
Certo homem, Alemaõ, de Naçaõ, por nome Zeigler, foi achado degolado, nas prizoens secretas do Castello de Lisboa, e o Povo chegou a dizer, que por ministerio deste Corregedor se tinha perpetrado taõ feio crime: as razoens que se alegavam para comprovar isto eram; primeira; que tendo este Ministro prendido, e levado com elle na sua sege, para a cadea, ao tal homen, lhe naõ havia consentir que trouxesse comsigo armas, com que se pudesse degolar: segunda; que sendo custume dos carcereiros apalpar miudamente os prezos, quando os mettera de segredo, necessariamente se havia practicar esta diligencia, com um prezo de tanta supposiçao; e entaõ se lhe achariam as armas, que tivesse com sigo: terceira; que o carcereiro naõ foi castigado, nem teve o menor encommodo por este facto, quando o deveria têr muito grande; pois, ao menos, tinha commettido um enorme erro de officio em consentir ao prezo, no segredo, armas com que se pudesse degolar. E naõ obstante conhecer eu, que esta circunstancia era um erro, naõ obstante haver elle examinado o caso conhecia que havia razoens para duvidar se o prezo se tinha degolado a si, ou se outrem o tinha degolado: e entretanto o mesmo Ministro, e o Intendente Geral de Policia deram por certo ao Publico, que o prezo se tinha degolado a si mesmo [29].
Hipólito sugere uma execução; Lopes Cardoso diz que o prisioneiro se suicidou. Ainda sobre a morte de Zeigler, o autor das Cartas sobre a framaçonaria, atribuídas a Hipólito, apresenta o mesmo episódio, com algumas variantes. Na Carta XVI (10 de Maio de 1802), o alemão é apresentado como um agente da corte espanhola enviado ao Marrocos para fomentar uma guerra civil naquele reino, vindo para Lisboa da Berberia. O autor das Cartas afirma que o “Ministro” (sem lhe dizer o nome) que prendeu Zeigler não deu explicações sobre o episódio da sua morte. Na verdade, como pode ser observado no relatório, Cardoso reportou o suicídio do alemão ao seu superior.
Em 1803, o embate contra os pedreiros-livres e os iluminados passaria também para o campo das letras. Naquele ano, foi impresso um folheto de 33 páginas e 14 cm de altura, intitulado de Epitome do sistema da seita dos pedreiros livres; e da dos chamados iluminados, apresentando como local e data de impressão a cidade de Serampore, na Índia, e o ano 1803. O local de impressão atribuído é falso, já que o folheto teria sido impresso clandestinamente na capital portuguesa. Trata-se de um documento excepcionalmente raro, do qual só foi possível localizar e examinar um exemplar, em posse de particulares. Não há registo de que exista exemplares em bibliotecas públicas de Portugal ou do Brasil. Esse folheto é o primeiro impresso sobre a maçonaria em língua portuguesa, antecedendo as Cartas sobre a framaçonaria (Madrid [sic, por Londres], 1805 [sic, por 1809]), sendo até o presente desconhecido pelos bibliógrafos portugueses, a exemplo de Inocêncio Francisco da Silva, e pelos historiadores da maçonaria, como Oliveira Marques, ambos maçons [30].
O Epitome do sistema revela a existência de uma conspiração contra as monarquias e a Igreja Católica, relatando-a em “Huma abreviada informação dos Pedreiros livres” e “Hum resumo dos graos e institutos dos Iluminados”. Também indica autores franceses, alguns dos quais pedreiros-livres, cuja obra inspirava os membros dessa conspiração que se espalhava pela Europa, fazendo referências a Voltaire, Rousseau e aos “Enciclopedistas juntos com Helveticos (sic), Reynal, Gudin, Condorcet e muitos dos membros da infernal junta d’Holbach”. Pelo conteúdo apresentado, o estilo e a forma como as notas de rodapé são dispostas, não resta dúvida de que o responsável pela sua edição foi José Anastácio Lopes Cardoso. O folheto é muito semelhante ao relatório apresentado no anexo deste artigo. O Epitome do sistema não possui qualquer tipo de licença de impressão e, portanto, não foi feito para ser vendido, mas entregue a indivíduos específicos, protegendo a verdadeira identidade do seu autor/editor.
Hipólito da Costa, que manteve uma explícita e contínua posição de indignação contra Barruel e seus seguidores, utilizaria as páginas do seu Correio Braziliense, impresso em Londres (1809-1823), para atacar uma edição posterior do Epitome, intitulada Os pedreiros livres e Iluminados, que mais propriamente se deverão denominar os tenebrosos, impresso tanto em Lisboa quanto no Rio de Janeiro, em 1809. Ao que parece, nem mesmo Hipólito da Costa, que em 1803 estava preso nos estaos do Santo Ofício, teve notícia da edição primitiva do impresso antimaçónico. O redactor do Correio só teria tido acesso à edição lisboeta, de 1809, que então atribuiu, sem qualquer fundamento, mas por ouvir dizer, ao baiano Vicente José Ferreira Cardoso da Costa. Ainda em 1809, Hipólito da Costa publicou, no Correio Braziliense, a Resposta a um Opusculo intitulado – Os Pedreiros Livres, e os Illuminados, no qual repudiou a tese da existência de uma “mistura de iluminados, framaçons e jacobinos” [31]. Não resta dúvida, a partir daqui, que a edição de 1809 apenas reproduz a de 1803, e que o responsável pela primeira foi o próprio algoz de Hipólito: o corregedor José Anastácio Lopes Cardoso [32].
Hipólito da Costa foi quem, em língua portuguesa, apresentou as críticas mais contundentes aos seguidores e tradutores de Barruel. Em 1812, publicou outro editorial contra o suposto tradutor de Os Pedreiros Livres, e os Illuminados, no qual observou que “O infeliz, como vós, que deixa entrar no cérebro um tal delírio, persegue, e mata julgando que assim faz um sacrifício agradável à Divindade”. Nas suas notas ainda advertiu que “As sociedades são differentes. Hé uma refinada malicia confundillas. Os P[edreiros] L[ivres] não respondem pelo que ignorão” [33]. Não deixa de ser curioso, apesar de ter escapado à leitura de todos os biógrafos de Hipólito, que, em 1801, ele traduziu a obra de um dos (supostos) iluminados que vivia à sua época, Benjamin Thompson, conde de Rumford [34]. Outros seguiriam contestando as leituras de Barruel, como o maçom pernambucano frei Joaquim do Amor Divino Caneca que, em 1823, questionou: “Como é que podia Barruel profundar a história de todas as seitas secretas sem ser sócio de todas elas como ele não era?” [35].
A tese da existência de uma conspiração dos Iluminados da Baviera continua tão frágil quanto na época em que Barruel publicou seu livro. É certo, porém, que, à mesma época, o território português tornou-se palco das acções de pedreiros-livres, muitos dos quais investigados por Cardoso. Ainda em 1799, o corregedor prendeu John Licok, mestre maçom e, segundo uma nota do relatório de 14 de Abril, responsável por tumultos contra industriais em Manchester. Sobre a segunda afirmação, nada foi possível de apurar. John Licok, filho de Cristovão e Maria Licok, nasceu em Lanchester, Inglaterra, por volta de 1766 (33 anos em 1799), e era debuxador de padrões de chita. No seu processo junto ao Santo Ofício, Licok confirmou, alinhado ao relatório do corregedor, que havia ascendido ao grau de mestre maçom em Lisboa. Estava associado a James Gordon, que serviu na América inglesa, vindo para Portugal em 1797, na tropa auxiliar da Inglaterra, recebendo “os graos de Aprendis, official, e Mestre, na Loge estabelecida no sítio de Belém” [36].
Para o corregedor, seu ofício era uma espécie de cruzada para defender a monarquia e a Igreja. Os pedreiros-livres, contudo, não eram os mouros, mas parte do alto escalão da sociedade portuguesa, presentes (ou infiltrados) nos quadros da nobreza, do exército e do clero. Assim, a situação política no começo do século XIX era complexa e exigia cuidados por parte de Lopes Cardoso. Ele sabia que alguns elementos da nobreza portuguesa já eram iniciados na maçonaria, a exemplo do Marquês de Alorna e do Conde de Novion, entre outros, bem como militares de elevada patente. Consonante a isso, ele mesmo observou que a maçonaria e o jacobinismo possuíam diferenças entre si, registando que “não são os princípios Maçónicos os germes desta Revolução”. É notório que a introdução da maçonaria em Portugal e Ilha da Madeira tem muita influência da maçonaria inglesa, de viés monarquista, limitando muito o espaço para o jacobinismo francês [37]. Por outro lado, Cardoso afirma que seguimentos da maçonaria em Portugal compartilhavam projectos sediciosos, “assinalados pela […] rebelião” e se identificavam com livros e autores que divulgavam ideais revolucionários franceses:
Não são os princípios Maçónicos os germes desta Revolução. Concedamos por hum pouco que assim seja. (a) Mas entretanto o que eu observo hé que homens assignalados, pela Impiedade, e Rebelião são os que mais se destinguem no zello Maçonico: o que eu observo hé que as liçoens de Mirabeau, de Diderot, de Freret, de Helvetins [sic], de Bolinbrochio, do Marquez de Argens, de Dupuiz, de Volney (b), e de hum sem numero desta estofa fazem a seo gosto, e estudo favorito; e famaliarizados [sic] os Maçons co os destes principios que se pode esperar delles. [A Bibliotheca Maçonica Portugueza compoem-se particularmente destes escriptos] [38].
É curiosa essa lista de autores cujos escritos formavam o que o corregedor denominou de Biblioteca Maçónica Portuguesa. Os oito autores indicados são Honoré-Gabriel Victor de Riquetti (conde de Mirabeu) [39], Denis Diderot, Nicolas Frerét, Claude Adrien Helvétius, Henry St. John (visconde de Bolingbroke), Jean-Baptiste de Boyer (Marquês d’Argens) [40], Charles François Dupuis, Constantin-François Chassebreuf (conde de Volney). A introdução de cada um desses autores nos espaços intelectuais luso-brasílicos merece estudo à parte, mas é possível identificar alguns dos livros desses autores relacionados com a maçonaria. O único inglês desse conjunto, St. John, é um dos fundadores do deísmo moderno. A obra de Dupuis, com suas ideias de um “Cristo Solar”, somente em 1913 foi publicada em português. Desses autores elencados, o que mais circulou em Brasil e Portugal foi sem dúvida Volney. Embora Les ruines (1791) tenha sido publicado em Portugal somente em 1822 e, no Brasil, em 1832, junto com o Catecismo da lei natural, seus exemplares eram comercializados clandestinamente em Lisboa desde fins do século XVIII, e traduções manuscritas circulavam nas mãos dos conjurados baianos em 1798.
Em outro caso envolvendo maçons em Lisboa, pode ser percebida a influência dos escritos de Barruel sobre as acções de Cardoso. Esse caso permite compreender os métodos de investigação aplicados pelo corregedor. Uma carta do acervo do IHGB, também de 1803, narra as investigações de Lopes Cardoso contra João Francisco d’Oliveira, médico da câmara real, “conhecido por authorizado Franco-Maçon da Ilha da Madeira”. Cardoso examinou os livros em poder do suspeito, relatando ao seu chefe que:
achei um folheto intitulado = Histoire de l’assassinat de Gustave 3.me = marcado nas paginas, em que particularmente se atribue o attentado aos Franc-Maçons, e Illuminados e no registo huma nota escripta pela letra de João Francisco, que diz = pertence ao Senhor Reicha = Ora este Reicha Capitão da Legião, hé hum Franc-Masson conhecido […] Pondere, portanto, V.a S.a que pelo tempo em que em Lisboa agora se fallava em Boheman, tinha João Francisco Medico da Camara de S.A.R. a lição daquele folheto; marcado nas paginas, em que a obra se atribuía aos Franc-Maçons [41].
A suspeita de regicídio de Gustavo III da Suécia, executado a 16 de Março de 1792, por uma conspiração envolvendo a maçonaria, surgiu no livro apreendido com João Francisco, Histoire de l’assassinat de Gustave III, roi de Suède, de autoria de Alexis-François Artaud de Montor, reproduzido também por Barruel nas suas Memoires. As páginas marcadas devem ter sido 126 e 127, nas quais o assassinato do rei sueco, que naquela época tentava articular uma aliança das monarquias europeias para esmagar a Revolução Francesa e restaurar o trono de Luís XVI, é atribuído “à la secte des illuminés, dans laquelle il renfermait indistinctement tous les adeptes de la maçonnerie” [42].
Já o caso Boheman, a que Cardoso se refere, foi notório na Europa àquele mesmo ano. Cari Adolf Andersson Boheman, nascido em Jõnkõpin, Suécia, a 3 de Setembro de 1764, era comerciante e secretário real, iniciado na maçonaria. Viveu na Dinamarca durante a década de 1790, onde teria actuado numa loja em que era grão-mestre o príncipe Carlos de Hesse-Cassel. Nas suas visitas à Suécia, Boheman foi apresentado por Gustaf Adolf Reuterholm à duquesa Charlotte de Sudermanniae e ao seu marido, duque Charles, o grão-mestre da maçonaria sueca, de quem tornou-se secretário e sobre o qual veio a exercer influência. Em 1802, Boheman fundou a loja maçónica Gula Rosen (Rosa Amarela) e, no ano seguinte, tentou iniciar o rei da Suécia, Gustavo IV Adolfo, filho do rei assassinado, mas sem sucesso. Gustavo IV passou a suspeitar de Boheman após um aviso do conde Gustaf Mauritz Armfelt, que o apontou como membro dos Illuminados e a Gula Rosen como uma sociedade de conspiradores. Boheman foi preso, posteriormente exilado, e o governo proibiu as sociedades secretas na corte, incluindo a maçonaria [43].
Cardoso se apresenta extremamente cuidadoso nos procedimentos técnicos em busca de provas materiais contra os maçons. É até possível afirmar que ele utilizava um método baseado na colecta e exame de indícios, particularmente nos manuscritos. Ainda em relação aos casos contra a maçonaria sueca, existem, no IHGB, duas traduções manuscritas reproduzidas possivelmente pelo corregedor, sendo que a primeira (doc. 20) chama-se Copia por tradução (começa com: “O chamado Boheman tendo sido prezo por ordem do Rey”) e a segunda (doc. 6) é intitulada Extracto de huma carta de Stokholm de 25 de Março de 1803.
As acções de Cardoso contra a maçonaria lisboeta entraram pelo ano seguinte, e nem mesmo os descendentes da influente casa de Pombal, chamado de Tirano Carvalho por Barruel, escaparam ao corregedor. Marcos de Noronha e Brito, o 8° Conde dos Arcos e governador da Capitania da Bahia, teria afirmado ao padre Ignacio José de Macedo que o “Marquez de Pombal era hum Pedreiro Livre feito na Inglaterra para em Portugal acabar com o Throno e o Altar” e que sua mãe, que vivera o governo de D. José, o ensinava que “o Marquez era Pedreiro Livre, e que sem razão alguma buscou pretextos para dar cabo de certos fidalgos de Lisboa”, certamente numa referência à excução da família Távora [44]. Os estudos de Oliveira Marques comprovam que o Marquês de Pombal e seus descendentes foram iniciados na maçonaria. Sebastião José de São Paio de Melo e Castro de Lusignan (Egas Moniz), neto do Marquês de Pombal, tornou-se o venerável do Grande Oriente Lusitano e era ligado a Hipólito da Costa, que o procurou após fugir dos cárceres inquisitoriais. A 26 de Setembro de 1804, o corregedor reportou a seu chefe que “Como V.a Ex.a me falou na ingerência que neste negócio podiam ter os franc-maçons, lembro […] Sebastião de Sampaio e a casa de José Monteiro de Carvalho, onde a polícia foi destruir uma loja” [45].
Entre 1799 e 1804, Lopes Cardoso interferiu em grande parte dos negócios da maçonaria em Lisboa. Foi sua acção que permitiu aos historiadores portugueses, a exemplo de Oliveira Marques, obter mais informações sobre as associações maçónicas naquele país. As notas no seu relatório extrapolam, contudo, sua jurisdição e fazem observações acerca dos franco-maçons brasílicos e da existência de um projecto para sublevar a colónia.
Pablo A. Iglesias Magalhães
(Continua – Ligação para a Parte II)
Notas
[1] MARQUES, Antonio de Oliveira. História da maçonaria em Portugal: das origens ao triunfo, vol. 1. Lisboa: Presença, 1990, p. 108ss. BARATA, Alexandre Mansur. A trajetória de José Joaquim Vieira Couto (1773-1811): cultura política, heterodoxia e crise do Império Português. In: CARVALHO, José Murilo & CAMPOS, Adriana Pereira (org.). Perspectivas da cidadania no Brasil Império. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p. 93, 112, e 148.
[1] A historiografia espanhola e francesa possui estudos sobre a presença do barruelismo em ambos os países: RIQUET, Michel. Augustin de Barruel : un jésuite face aux jacobins francs-maçons, 1741-1820. Paris: Beauchesne Editeur, 1989; FERRER-BENIMELI, José. Masoneria, Iglesia e Ilustración, vol. 4. Madrid: Fundación Universitaria Espanõla, 1976-1977. Ambos os historiadores são jesuítas. A primeira edição espanhola da obra de Barruel é de 1812: Compendio de las Memorias para servir a la historia del Jacobinismo, por Mr., el abad Barruel. Traducido del francés al castellano para dar a conocer a la nación española la conspiración de los filósofos, francmasones e iluminados contra la Religión, el Trono y la Sociedad. Por el muy Ilustre Señor don Simón de Rentería y Reyes, abad de la Insigne Iglesia Colegial de Villafranca del Bierzo y de su territorio abacial. Por Pablo Miñon, Impresor de la provincia de León y del sexto Ejército. Foi seguida por duas edições publicadas em Mallorca (1813 e 1814), pelo padre Ramón Strauch, das quais houve reimpressão em Santiago e Madrid.
[3] Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Ofício de Diogo Inácio de Pina Manique. Lisboa, setembro de 1798. DL 177, doc. 8.
[4] SORIANO, Simão José da Luz. História da guerra civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal comprehendendo a história diplomatica, militar e politica deste reino desde 1777 até 1834: primeira epocha. Lisboa: Imprensa Nacional, 1879, p. 73-75.
[5] MARQUES, Antonio Henrique de Oliveira (Org.). Arquivo de História da Maçonaria, Número 1. Lisboa: Lucifer Edições, 1990, p. 11-13.
[6] GONÇALVES, Adelto. Bocage: o perfil perdido. Lisboa: Caminho, 2003, p. 346.
[7] IHGB. DL 21, doc. 18, fls. 37-38.
[8] Arquivo da Universidade de Coimbra. José Anastácio Lopes Cardoso. 27/10/1784 a 07/10/1788. PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/C/002255.
[9] COSTA, Hippolito José da. Narrativa da perseguição de Hippolyto Joseph da Costa Pereira Furtado de Mendonça. London: W. Lewis, 1811, p. 9-11.
[10] Arquivo Municipal de Lisboa. Chancelaria Régia, Livro de consultas de 1789. 03/02/1782 a 13/07/1789. f. 35 a 88vol., CHR 240.
[11] Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT). Registo Geral de Mercês de D. Maria I. Lisboa, 19 de fevereiro de 1791. Livro 26, fl. 115.
[12] Arquivo Municipal de Lisboa. Chancelaria Régia, Livro de consultas de 1795-1797. fl. 155 a 155v.
[13] ANTT. Registo Geral de Mercês de D. Maria I. Lisboa, 22 de dezembro de 1798. Livro 30, n. 156, fl. 17.
[14] BORREGO, Nuno Gonçalo Pereira. Habilitações nas Ordens Militares: séculos XVII a XIX: Ordem de Cristo. Lisboa: Guarda-Mor, 2008, p. 271.
[15] COSTA, Hippolito José da. Narrativa da perseguição de Hippolyto Joseph da Costa Pereira Furtado de Mendonça, op. cit., p. 9-11.
[16] RAMOS, Luís A. de Oliveira. Da aquisição de livros proibidos nos fins do século XVIII: casos portugueses. Revista da Faculdade de Letras, Porto, vol. 4-5, 1973-1974, p. 332.
[17] SILVA, Antonio Morais. Diccionario da lingua portugueza, vol. 2. Lisboa: Simão Thaddeo, 1789, p. 386.
[18] IHGB. DL 21, doc. 2, fl. 40. Vide Anexo.
[19] ROBISON, John. Proofs of a conspiracy against all the religions and governments of Europe: carried on in the secret meetings of Free Masons, Illuminati and reading societies. Edinburgh: William Creech, 1797.
[20] MONTJOIE, Galart de. Histoire de la conjuration de Louis-Philippe-Joseph d’Orléans. Paris: [s.n.], 1796.
[21] PÉRAU, Gabriel-Louis. L’Ordre des francs-maçons trahi et le secret des Mopses révélé. Amsterdam: [s.n.], 1745.
[22] ABBÉ, Larudan. Les francs-maçons ecrasés : suite du livre intitulé L’Ordre des francs-maçons trahi. Amsterdam: [s.n.], 1747.
[23] VILLEFORE, Joseph-François Bourgoing de. Anedoctes ou mémories secrets sur la Constitution Unigenitus, tome II. Utrecht: chez Guillaume-Corneille Le Febvre, 1731.
[24] BARNIER, Antoine. Histoire générale des cérémonies, moeurs, et coutumes religieuses de tous les peuples du monde : représentées en 243 figures dessinées de la main de Bernard Picard, vol. 4. Paris: Chez Rollin Fils, 1741, p. 344.
[25] BARRUEL, Augustin. Historia abbrevada da perseguição, assassinato e do desterro do clero francez durante a revolução, vol. 3. Porto: Antonio Alvarez Ribeiro, 1795-1797.
[26] MACEDO, José Agostinho de. O segredo revelado ou manifestação do systema dos pedreiros livres e illuminados. Lisboa: Impressão Regia, 1809.
[27] NEVES, Lúcia Maria Bastos. Revolução: em busca do conceito no império luso-brasileiro (17891822). In: JÚNIOR, João Feres (org.). História dos conceitos: diálogos transatlânticos. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2007, p. 132.
[28] BARRUEL, Augustin. Memoires pour servir a l’histoire du Jacobinisme, vol. 4. London: De l’Imprimerie Françoise, 1798, p. 475.
[29] COSTA, Hippolito José da. Narrativa da perseguição de Hippolyto Joseph da Costa Pereira Furtado de Mendonça, op. cit., p. 9-11.
[30] A existência dessa edição de 1803 do Epitome do sistema da seita dos pedreiros livres; e da dos chamados iluminados é aqui registrada pela primeira vez. O folheto foi, contudo, reimpresso seis anos depois, em 1809, em Lisboa e no Rio de Janeiro, sob o título de Os Pedreiros Livres, e os Illuminados, que mais propriamente se deverião denominar os Tenebrosos. De cujas Seitas se tem formada a pestilencial Irmandade, a que hoje se chama Jacobinismo. Rio de Janeiro: Imprensa Régia, 1809. 36p.: 19 x 13 cm. A edição fluminense, da qual existe um exemplar na Brasiliana José e Guita Mindlin (n. 002362278), deve ter sido impressa por diligência de José da Silva Lisboa, possivelmente ex-maçom abjurado, que por volta de 1806 tornou-se opositor das sociedades iniciáticas. MAGALHÃES, Pablo Antonio Iglesias. Flores Celestes (1807): O livro secreto de José da Silva Lisboa, o visconde de Cairú. Revista de Indias, Madrid, vol. 73, 2013, p. 789-824.
[31] COSTA, Hippolito José da. Resposta a um Opusculo intitulado – Os Pedreiros Livres, e os Illuminados. Correio Braziliense, Londres, 1809, p. 141-148.
[32] Não parece correcto atribuir Os Pedreiros Livres, e os Illuminados (1809) a Vicente José Cardoso da Costa. O advogado era simpático às sociedades iniciáticas e esteve entre os setembrizados de 1811, deportados de Portugal por suspeita de jacobinismo. O próprio Hipólito, após a independência do Brasil, correspondia-se amistosamente com ele.
[33] COSTA, Hippolito José da. [Sem título]. Correio Braziliense, Londres, 1812, p. 635-647 e p. 736-745.
[34] EPSTEIN, Klaus. The genesis of German conservatism. Princeton: Princeton University Press, 1975, p. 84-104 e 440. É o mais acessível estudo sobre a origem e supressão da Illuminatenorden. Em 1801, J. M. Armbruster, um agente austríaco, reportou ao governo do seu país que a Illuminatenorden não fora destruída em 1784 e que continuava funcionando no começo do século XIX.
[35] MELO, Evaldo Cabral de (org.). Frei Joaquim do Amor Divino Caneca. São Paulo: Editora 34, 2001, p. 296.
[36] ANTT. Inquisição de Lisboa. Processo n° 6151 – João Licok ou Laycock, 1799. fl. 10 e 31. Oliveira Marques, p. 75 e 148-150.
[37] DIAS, Maria da Graça Silva. Anglismo na Maçonaria em Portugal no limiar do século XIX. Análise Social, Lisboa, vol. 16, 1980, p. 399-406.
[38] Cf. Anexo.
[39] RIQUETTI, Honoré-Gabriel de. Mirabeau franc-maçon : mémoire concernant une association intime à établir dans l’order des Francs-maçons. Rumeur des âges: La Rochelle, 1996.
[40] BOYER, Jean-Baptiste. Lettres cabalistiques, ou correspondance philosophique, historique et critique entre deux cabalistes, divers esprits élémentaires et le seigneur Astaroth, vol 6. La Haye: Chez Pierre Paupie, 1754. Essa é a segunda edição, aumentada com 80 cartas.
[41] IHGB. DL 21, doc. 18, fl. 37-38.
[42] MONTOR, Alexis-François Artaud de. Histoire de l’assassinat de Gustave III, roi de Suède. Paris: Forget,1797, p. 126-127.
[43] CARL, Adolf Andersson Boheman. In: Svenskt biografiskt lexikon, vol. 5. Estocolmo: Riksarkivet, 1925, p. 167.
[44] MACEDO, Ignacio de. O velho liberal do Douro. Lisboa: Imp. da Rua dos Fanqueiros, 1833, p. 272.
[45] ALVES, José Augusto dos Santos. A opinião pública em Portugal (1780-1820). Lisboa: Universidade Autónoma de Lisboa, 2000, p. 86.

- Formação – Os Números e a Maçonaria
- A arquitectura do universo
- A Maçonaria nos Açores
- Descrição de uma Iniciação – Guerra e Paz (Leão Tolstói)
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