O Condado Portucalense, a Infância de D. Afonso Henriques e a Relação com os Templários

Enquadramento histórico

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A queda do Império Romano verificou-se na data de 476 d.C. com a deposição do imperador Rómulo Augusto pelo chefe germânico Odoacro.

Inicia-se o período da Idade Média e do Feudalismo (Séc. V a XV).

O feudalismo iniciou-se no inicio do século V com as invasões germânicas do Império Romano do Ocidente. E o que se destacava no feudalismo como característica era: A descentralização do poder (nas mãos dos senhores feudais), economia baseada na agricultura e utilização do trabalho dos servos. Cada feudo vivia praticamente isolado dos demais, e em cada um deles a vontade do senhor feudal era soberana em todas as questões.

Com as invasões dos bárbaros (Francos, Anglos, Saxões, Vândalos, Visigodos, Lombardos e Hunos) o Ocidente ficou pulverizado de territórios estabelecendo-se  em toda Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suserano era o dono das terras e quem dava os lotes das suas terras aos vassalos, sendo que estes últimos deveriam jurar-lhe fidelidade, respeito e ajuda.

As redes de vassalagem estendiam-se por várias regiões, sendo o rei o suserano supremo.

A Igreja foi a instituição que sobreviveu às inúmeras mudanças ocorridas na Europa Ocidental no século V e, ao promover a evangelização dos povos bárbaros, concretizou a simbiose entre o mundo Romano e o Bárbaro. Tal facto tornou-a herdeira da cultura clássica, pois no universo medieval a Igreja era a detentora e manipuladora do conhecimento científico.

Carlos Magno (724-814) iniciou a dinastia Carolíngia e, em quase cinquenta anos de reinado, conduziu mais de cinquenta expedições militares que transformaram o Reino dos Francos num grande Império. Este Império acabou por abranger praticamente todos os territórios correspondentes à região ocidental do antigo Império Romano.

O império Carolíngio que dominou grande parte da Europa Ocidental até ao século IX desmoronar-se-ia perante as investidas de Vikings no norte, Magiares no leste e Sarracenos no sul.

Na Idade Média as igrejas eram propriedade dos senhores da terra e os clérigos eram nomeados por eles, ficando, assim, na sua dependência.

A partir do século VI, a maioria dos mosteiros no Ocidente eram da Ordem Beneditina. Devido à aplicação estrita das reformar das Regra de São Bento, (paz, oração, trabalho) a Abadia de Cluny tornou-se uma referência do monaquismo ocidental a partir do final do século X. Cluny criou uma grande ordem onde os priores das centenas de casas da ordem obedeciam ao abade de Cluny e respondiam perante ele. O espírito de Cluny teve uma grande influência na revitalização da Igreja, atingindo o seu auge a partir da segunda metade do século X até o início do século XII.

A segunda onda de reformas monásticas veio com o Movimento de Cister. Os primeiros cistercienses fundaram uma abadia em 1098, que ficou conhecida como Abadia de Cister. A tónica da vida cisterciense foi um retorno à observância literal das regras beneditinas, rejeitando a evolução dos beneditinos. A característica mais marcante da reforma foi o retorno ao trabalho manual, especialmente o trabalho de campo. Inspirados por Bernardo de Claraval, o principal construtor dos cistercienses, a ordem tornou-se a principal força de difusão tecnológica da Europa medieval. Até o final do século XII, as casas cistercienses chegavam a 500. No seu auge, no fim do século XV, falou-se ter perto de 750 casas. A maioria delas foram construídas em áreas de deserto, e desempenharam um papel importante na economia de então. Em Portugal temos o mosteiro de Alcobaça.

Conde D. Henrique, pai de Afonso

Nasceu em Dijon em 1057, data que se considera mais provável, e faleceu em Astorga em 1112. Era o 4.º filho do duque Henrique de Borgonha e de sua mulher, Sibila, neto de Roberto I, duque de Borgonha-Baixa, e bisneto de Roberto II, rei de França.

Quando em 1086 as notícias da guerra contra os muçulmanos se espalharam, o príncipe Henrique veio para Espanha na companhia de seu primo Raimundo de Borgonha, filho do conde Guilherme de Borgonha, irmão de sua mãe, em auxílio de D. Afonso VI, rei de Leão e de Castela (casado com D. Constança, tia de Henrique) contra a invasão das hostes muçulmanas comandadas pela dinastia marroquina dos Almorávidas, em 1093-1094. Os dois príncipes granjearam grande reputação pelo valor demonstrado, e como prémio dos serviços prestados, D. Afonso VI casou sua filha D. Urraca com Raimundo, e D. Teresa ou Tareja, filha bastarda, com D. Henrique.

Foi o seu sucesso como defensor, aliado à inegável destreza nos negócios políticos, que lhe permitiu, com o apoio imprescindível da alta nobreza duriense e do clero bracarense, consolidar o poder.

Em 1093 D. Afonso VI atravessou o rio Mondego, tomou Santarém, Lisboa e Sintra, dilatando assim o domínio cristão até ao rio Tejo. Como o ocidente da península hispânica formava um domínio já bastante extenso para que os seus chefes pudessem lembrar-se em se tornarem independentes, pensou em delegar o seu poder para esses lados num homem de confiança. Fez pois de Raimundo conde soberano de Galiza, e de Henrique governador do condado de Portucale, sob a suserania de Raimundo. O território entre o Minho e o Tejo compreendia então três territórios o condado de Portucale, que ia do Minho ao Douro; o de Coimbra, do Douro ao Mondego; e o novamente conquistado aos sarracenos, do Mondego ao Tejo, de que D. Afonso VI fizera governador Soeiro Mendes, com a sede do governo em Santarém. Este território foi retomado pelos mouros logo em 1095, e parece que este desastre contribuiu para que D. Afonso VI libertasse o conde D. Henrique da suserania de seu primo Raimundo, porque em 1097 já governava de modo independente o seu condado, e em 1101 encontrava-se na corte do rei de Leão e de Castela.

Estavam, portanto, sossegadas as fronteiras de Portucale, e os muçulmanos, concentrando todos os seus esforços no oriente da península e nas fronteiras de Castela, contentavam-se no ocidente só com a posse de Lisboa e de Sintra, que por esse lado limitavam o seu império já tão disseminado. Vendo a situação de Afonso VI quase tranquila, procurou o conde D. Henrique outro campo em que pudesse empregar a sua irrequieta actividade. Seduziu-o, como a tantos outros príncipes, o movimento das cruzadas.

D. Henrique tomou a defesa da cunhada, D. Urraca no processo de sucessão de D. Afonso VI (morreu em 1109), indo a Astorga, onde adoeceu e veio a morreu com 45 anos (D. Teresa tinha 20 anos). O seu corpo foi trasladado para Braga, e sepultado numa capela da Sé. Em 1512 o arcebispo. D. Diogo de Sousa o transportou para a capela-mor da mesma igreja, onde se tem conservado. Com morte prematura de seu marido em 1112, D. Teresa ficou a governar o Condado de Portucale durante 16 anos (1112-1128) na menoridade de seu filho D. Afonso Henriques que apenas contava três anos de idade.

Os primeiros anos do infante Afonso Henriques

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Filho do Conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa, filha ilegítima de Afonso VI de Leão, o primeiro rei de Portugal descendia, por via paterna, da Casa Ducal de Borgonha e, por via materna, da Casa Real de Leão. Pertencia, então, a uma linhagem muito respeitada, já que seu trisavô paterno tinha sido o rei Roberto I de França e o seu avô materno um dos homens mais poderosos da sua época.

Afonso Henriques nasceu em 1109, provavelmente em Viseu, pois é nesta cidade beirã que, por essa altura, se pode determinar historicamente a presença de sua mãe, a infanta D. Teresa, atendendo à reconstituição do seu itinerário com base nas fontes documentais da época. Em 1123, com 14 anos de idade, arma-se cavaleiro na catedral de Zamora.

O futuro rei foi educado (“criado”, como então se dizia) no Entre Douro e Minho, em terras de seu aio, possivelmente D. Egas Moniz de Ribadouro. Órfão de pai em 1112, portanto com 3 anos, certamente não pôde guardar dele outras recordações que não as memórias relatadas pelos seus educadores.

A ligação posterior da mãe com o magnata galego Fernão Peres de Trava, seguido do nascimento de filhas do casal (Sancha e Teresa Fernandes) e a tentativa (?), por parte da nova corte de D. Teresa, em atrair o território de Portucale de regresso à órbita galega, secundarizando-o, são factores (não os únicos) que teriam certamente contribuído para afastar o infante do convívio de sua mãe.

Egas Moniz era um destacado membro da elite político-militar duriense, representada pelas cinco linhagens dos antigos infanções (isto é, nobres por nascimento) de Entre Cávado e Douro que nutria um sentimento de autonomia face à monarquia leonesa. Geograficamente implantados dos dois lados do curso inferior do Douro, então a fronteira com o território muçulmano, tinham assegurado a sua defesa entre finais do século X e a primeira metade do século XI, preenchendo o lugar dos velhos condes de Portucale e de Coimbra, autores da conquista militar do núcleo primitivo do território de Portucale em nome de Afonso III, rei das Astúrias e Leão, no terceiro quartel do século IX.

Egas Moniz simbolizava, pois, a autonomia portucalense, que se opunha à integração de Portucale na Galiza, necessariamente subalternizando o jovem condado. Foi essa nobreza simpatizante da política separatista que fez de D. Afonso Henriques uma figura primordial da sua rebelião contra o governo de D. Teresa.

O novo poder condal de D. Henrique e D. Teresa já fizera deles ricos-homens (isto é, grandes senhores com responsabilidade pelo governo de grandes territórios).

Historiadores sugerem que D. Afonso Henriques viveu com a família de Egas Moniz até aos 12/14 anos e depois viveu sob os auspícios do arcebispo de Braga D. Paio Mendes da Maia; outros dizem que foram os templários quem formou o infante.

D. Paio Mendes da Maia, arcebispo de Braga, filho de D. Mendo Gonçalves da Maia, 3.° Senhor da Maia, Rico-Homem, falecido depois de 1065, e de sua mulher Ledegunda Soares Taínha de Baião.

Considerado por alguns historiadores como o verdadeiro aio de D. Afonso Henriques, em vez de Egas Moniz, foi um ardente defensor da causa do infante contra D. Teresa. Conselheiro do infante, viajou com ele até Zamora. Teve um papel influente na formação da independência de Portugal tendo-se servido da sua posição na corte papal do Papa Alexandre III conseguindo finalmente a aprovação da Bula “Manifestis Probatum que reconheceu a independência de Portugal pelo Papado e, consequentemente, por toda a Cristandade (1179); Afonso Henriques tinha perto de 70 anos.

Entre 1120 e 1127

Entre 1120 e 1127 mãe e filho (com 11 anos e até aos18 anos) foram colaborando e os documentos de D. Teresa são geralmente confirmados por D. Afonso Henriques, que assina antes de Fernão Peres, como sucede no foral de Ponte de Lima.

A partir desse período acentuam-se as divergências entre mãe e filho que os levou a dividir o Condado Portucalense pelo Douro ao norte com a capital em Guimarães, imperando D. Afonso Henrique e ao sul a Rainha D. Teresa e Fernão Peres Trava estabeleceram a sua Corte em Coimbra. Ressurgiram assim os antigos condados de Portucale e de Coimbra que estavam unidos há mais de 1 século e, como D. Afonso Henriques aparecia à frente do de Portucale, Afonso VII de Leão exigiu ao novo Conde acto de vassalagem, devido ao seu direito feudal, o que o nosso infante se demorou a fazer pelo que aquele veiro, à frente das suas hostes, exigi-lo a Guimarães.

Regularizada esta situação, D. Afonso Henriques quis recuperar o “condado de Coimbra”, satisfazendo os anseios dos barões que, por lhe terem sido dedicados e reconhecerem como legítimo herdeiro, iam sendo afastados por D. Teresa e não porque o monarca estivesse contra os fidalgos galegos, mas apenas contra Fernão Peres.

E D. Teresa, apesar de ter algumas terras galegas em seu benefício, como as tenências de Astorga, Zamora, Orense, Límia, etc., nunca revelou o desejo de unificação Galiza-Portugal, o que aliás equivaleria à sua submissão ao seu sobrinho Afonso Raimundes, rei da Galiza, pese embora ele soubesse que com a divisão do condado com o filho, perdia o contacto com a Galiza e a possibilidade de um eventual auxílio das tropas galegas.

Salvo uma oposição de projectos políticos quanto às vias para a independência, D. Teresa e seu filho nunca se encontraram em conflito pessoal.

Batalha de S. Mamede (1128)

Antecedentes

  • A aliança de D. Teresa com a nobreza galega, representada pela família Trava (tendo vindo depois a casar com um dos membros, Fernão Peres Trava), não agradou aos nobres portucalenses que se consideraram preteridos em relação aos galegos.
  • A ruptura dos nobres com D. Teresa dá-se em 1121 quando esta atribui a Fernão Peres Trava e irmão a governação de Coimbra.
  • Da ligação com o galego nasceram 2 filhas, havendo o receio do nascimento de um filho que disputasse a sucessão de D. Teresa.
  • O papa Calisto II, cunhado de Urraca e primo distante de D. Henrique, elevou Compostela a arcebispado, em detrimento de Braga, criada no ano 16 a.C. por Augusto com o nome de Bracara Augusta; foi capital de convento, passando a exercer funções religiosas, jurídicas e económicas sobre um território extenso. O Papa Pascoal II (1089-1103) tinha reconhecido Braga como metrópole da Galiza.
  • Rivalidade entre o Arcebispo de Braga D. Paio Mendes e o arcebispo de Santiago de Compostela D. Diego Gilmerez, que já vinha de trás com a transferência dos direitos metropolíticos de Mérida (ainda em poder dos muçulmanos) e as dioceses portuguesas de Lamego, Viseu, Coimbra, e mais tarde Lisboa e Évora) e que se acentuou com a nomeação pelo Papa de D. Diego Gilmerez como legado apostólico para as províncias eclesiásticas de Braga e Mérida, contribuindo para a autonomia portuguesa que servia também os interesses de Braga.

A Batalha (1128)

A batalha de São Mamede dá-se em 24 de Junho de 1128, perto de Guimarães, em que Afonso Henriques (tinha 19 anos) vence as forças antipatrióticas encabeçadas pelo amante de sua mãe, Fernão Peres de Trava, inaugurando a primeira de quatro dinastias de reis de Portugal, símbolos da nação até ao princípio do século XX.

Após a batalha

Em 1131 a corte foi transferida de Guimarães para Coimbra, D. Afonso Henriques beneficiaria do apoio de influentes nobres da Galiza. Estes reforçariam o seu poder, contrabalançando a hegemonia política das cinco linhagens – dos senhores de Sousa, da Maia, de Ribadouro, de Baião e de Bragança – que tinham prevalecido sem rival na corte do Conde D. Henrique.

Outro apoio regional de peso foi o dispensado pela elite política e militar dos cavaleiros de Coimbra. Situada na fronteira com o Islão, em 1111 a cidade arrancara a sua carta de liberdades ao Conde D. Henrique, após ter garantido com êxito a sua própria defesa. Nesse ano, D. Henrique doa o Castelo de Soure aos templários.

Tendo por base a urbe conimbricense a partir de 1131, ao longo daquela década e da de 1140 o infante D. Afonso alcançaria sucesso como defensor da fronteira, passando à condição de atacante após o desmembramento do espaço político muçulmano registado nesse período.

Tratado de Zamora 1143

Portugal será reconhecido como reino por Afonso VII de Leão em 5 de Outubro de 1143 (D. Afonso Henriques tinha 34 anos). O representante do Papa naquele Tratado chama a Afonso Henriques apenas dux portucalensis.

Os Templários e o Condado Portucalense

Sabe-se que na guerra contra os mouros, D. Henrique foi auxiliado por cavaleiros Templários. Num gesto de gratidão, D. Henrique atribuiu-lhes o castelo de Soure em 1111.

As suas relações com Borgonha (familiares, amizades) alimentadas pelas suas idas a Jerusalém, onde se encontravam nobres borgonheses para a defesa dos lugares santos, foram fortalecidas com as ligações com o movimento templário, iniciado em 1104 em Jerusalém, que se autonomizou posteriormente da Ordem de Sião. Os fundadores foram Hugues de Payens e de Andrés de Montbard em 1117.

D. Henrique fez várias doações aos cavaleiros templários (prototemplários) em que se destaca não só o castelo de Soure mas também o hospital de Braga. Os templários compraram várias terras à volta de Braga para assegurarem o assentamento no Condado.

D. Teresa também fez várias doações aso templários tais como a Fonte de Arcada – Penafiel (1123 ou 1125) e o castelo de Soure e Alpreade em 1128, e também a terra deserta e despovoada, entre Coimbra e Leiria.

Em Março de 1129, Afonso Henriques confirma aos Templários as doações que sua mãe anteriormente lhes fizera, como o castelo de Soure e a Fonte da Arcada e lhes acrescenta muitas mais. Das novas doações ressalta a do Termo de Ceras, vasto território a meia distância entre Santarém e Coimbra, onde os Cavaleiros fundaram o castelo e vila de Tomar, que será a comenda principal do Templo em Portugal.

Os Templários estavam, assim, estabelecidos no Condado Portucalense bem antes da fundação da Ordem dos Cavaleiros Templo em 1117 e da aprovação da Ordem em 1129.

A Ordem dos Cavaleiros do Templo (Templários) foi aprovada no concílio de Troyes (1129) pelo Papa Honório II, onde Bernardo de Claraval teve um papel determinante.

Bernardo de Claraval era parente de Hugues de Payens e de Andrés de Montbard (de quem era sobrinho), fundadores da Ordem do Templo. Payens, após fundar a nova Ordem com a aprovação do Patriarca de Jerusalém, procurou o reconhecimento oficial da Igreja Católica e para isso, viajou a Roma, em 1127 levando uma carta do regente de Jerusalém, Balduíno II, para o abade Bernardo de Claraval, pedindo que este desse o seu apoio ao Mestre da Ordem.

É pouco conhecida a importância dos Templários na consolidação da independência portuguesa, no reinado do nosso primeiro Rei, a par da Ordem de Cister. Em ambos os casos, D. Afonso Henriques contou com o forte apoio de Bernardo de Claraval,  mais tarde São Bernardo, cuja influência  nestas duas importantes instituições da Europa Medieval foi decisiva. Recorde-se que no caso da Ordem de Cister, derivada da Ordem de Cluny, foi concedido o Mosteiro de Alcobaça. Os Cavaleiros do Templo, decisivos na conquista de Lisboa em 1147, foi-lhes oferecida a cidade de Santarém. No entanto, esta cidade era também reclamada pelo Bispo de Lisboa, pelo que, com a intervenção de Gualdim Pais, a ordem acabou por se estabelecer em Tomar.

Os Templários foram importantes não só na conquista militar do Reino, mas também no reconhecimento do Papa Alexandre III em 1179 (36 anos após a Tratado de Zamora) através da Bula “Manifestis Probatum” (tinha D. Afonso Henriques 70 anos) da independência de Portugal, onde S. Bernardo foi certamente decisivo, ou não tivesse ele, tal como D. Afonso Henriques, raízes na região de Borgonha.

Bernardo de Claraval

Bernardo de Claraval nasceu em Dijon, em 1090, mesma Cidade do seu primo, o Conde D. Henrique (1066), mas trinta e quatro anos depois. Faleceu em 1153 na abadia de Claraval. Descendia da nobre Família borgonhesa de Condes, Duques, Papas, Heróis, Santos e Reis.

É uma das personalidades mais prestigiadas e influentes do século XII. Além da profunda remodelação da ordem beneditina, com o nome de Ordem de Cister (1115), foi ele o escolhido pelo Papa Eugénio III (de origem cisterciense) para pregar na Europa a 2ª Cruzada (1145).

Já antes – em 1128, data da Batalha de São Mamede – tinha defendido a criação da Ordem dos Templários, cujos estatutos ele mesmo redigiu. D. Afonso Henriques fez parte dos Templários.

Bernardo de Claraval, está naturalmente associado a Portugal, pelo parentesco com a embrionária Dinastia de Borgonha: deve ter estado, certamente, na introdução da Ordem Cisterciense em terras de Egas Moniz (Mosteiro de São João de Tarouca, 1142 e os outros que se lhe seguem); e até, logicamente, teria aprovado pessoalmente a escolha da traça arquitectónica e do lugar para a futura Abadia de Alcobaça, um dos maiores coutos cistercienses de toda a Europa.

Estudos recentes dão como certo que São Bernardo esteja associado à criação de Portugal como Reino – parece ter sido por sua mediação (ou pelo menos, por mediação da sua abadia) que o Papa enviou um legado à Península Ibérica, o qual reconheceu, senão a independência nacional, pelo menos o título de dux a Afonso Henriques e a submissão do novo país à Santa Sé, pelo pagamento de quatro onças de ouro anuais.

Os conventos cistercienses fundados nas terras de Egas Moniz forneceram importantes recursos económicos para as missões militares de expansão e consolidação de Portugal, como por exemplo, as vinhas, importadas da Borgonha, depressa produziram e exportaram grandes quantidades desse «vinho cheirante, de Lamego», que se transformará no ouro duriense, como o maná da Terra Prometida.

Questão:

Quem é que os Templários apoiaram na Batalha de S. Mamede? D. Teresa ou D. Afonso Henriques?

Sabe-se que:

  • Os templários auxiliaram o Conde D. Henrique na guerra contra os mouros.
  • Henrique fez várias doações aos templários.
  • Teresa fez várias doações aos templários, algumas nas vésperas da batalha de S. Mamede em 1128.

Daí, parecer que os templários estariam com D. Teresa.

Por outro lado,

Sabe-se também que:

  • D. Afonso Henrique se armou cavaleiro templário em 1125 em Zamora (apenas revelado em 1129) (tinha 20 anos).
  • Havia excelentes relações com os nobres de Borgonha, incluindo Bernardo de Claraval (relações familiares, de amizade) fortalecidas com as viagens a Jerusalém do Conde D. Henrique.
  • Havia o projecto de Bernardo de Claraval, Hugo de Payens e outros cavaleiros templários de criar uma nação templária independente no extremo ocidente da Europa com um dos seus como rei.
  • Os fidalgos portucalenses romperam com D. Teresa em 1121, quando Fernão Peres de Trava e irmão ficaram com a governação de Coimbra.
  • O arcebispo de Braga, D. Paio Mendes foi exiliado por D. Teresa, acontecendo o mesmo a D. Afonso, tendo D. Teresa sido advertida pelo Papa.
  • Em 1127 os fundadores da Ordem dos Cavaleiros do Templo pediram apoio a Bernardo de Claraval para elaborar as regras da Ordem e influenciar o Papa para aprovar a sua criação que veio a acontecer no Concílio de Troyes em 1129.

Daí, parecer que os Templários estariam com D. Afonso Henriques.

Conclusão:

Parece-me que os Templários estiveram com D. Afonso Henriques na batalha de S. Mamede e depois na conquista do território que faz parte de Portugal.

Carlos Pinheiro
R∴ L∴ Myosotis, nº 124 – GLLP / GLRP

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