O Esquadro e o Compasso – para corrigir os nossos erros

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esquadro e compasso

A imagem do Esquadro deve ter uma presença constante no nosso pensamento. Na perpendicular das duas hastes encontramos o ângulo de 90 graus, chamado de ângulo recto, que nos remete à rectidão de carácter, à invariável angulação da moral, à equidade de tratamento e à impossibilidade do desvio nas acções.

O Compasso também apresenta instruções essenciais. Creio não ser a ponta que delineia o círculo a mais importante. Podemos tecer muitos elogios à capacidade de traçar as linhas em perfeita harmonia e às possibilidades de ampliação do tempo e espaço, o que nos remete ao progresso e à busca intelectual.

Explico o porquê da minha “preferência” pela ponta que fica “fixa”. A imobilidade de uma ponta, não está ligada à estagnação, mas, ao suporte necessário para as descobertas da outra.

A mensagem hermética está justamente na ampliação do nosso raio de acção, com um salutar ponto de apoio. A imagem de um círculo com um ponto ao centro é chamada de circumponto e tem centenas de significados. Mas, o seu símbolo principal está na harmonia e no equilíbrio.

Ao juntarmos o Esquadro e o Compasso, teremos as instruções necessárias para o progresso material e o enlevo espiritual.

Porém, não nos devemos esquecer da nossa natureza humana, passível de erros e recaídas.

Afinal “errar é umano”, mas esquadros e compassos não são instrumentos de correcção!

Sob a perspectiva maçónica, os erros, quando não resultam em danos para outros, são de suma importância na nossa caminhada. O erro maçónico não está em fazer algo errado, mas em falhar no fazer algo certo!

Se já tivemos acesso ao conhecimento e não o colocámos em prática, erramos. Por mais incrível que possa parecer, no Reino Mineral as pedras crescem, e quanto gostamos de dizer que ainda somos “Pedras Brutas” e às vezes, negativamente, em fase de crescimento.

As famosas arestas que o bordão maçónico preconiza esquadro são muitas vezes, “agregados minerais” conhecidos como “ouro” que é a vaidade, “chumbo” que é a intolerância, “sílica” que é a verborreia etc.

Basta então usarmos o Cinzel e o Maço e retirarmos estas arestas na lapidação do homem Maçom.

Simples assim?

Não!

O cinzel não é simplesmente um instrumento de corte e o maço não é apenas o equipamento que canaliza a força.

Mais do que retirar as arestas devemos propor-nos, no plano inconsciente, a não as produzir mais.

Neste ponto, o cinzel, com o seu fio de corte, simboliza a tomada de resoluções sábias, com a determinação enérgica representada na batida do maço.

Toda a acção é precedida de um pensamento. Tenha sempre em mente estes dois instrumentos que nos proporcionam decisões assertivas.

Sérgio Quirino

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