O Homem Lúcido

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homem lúcido

A Maçonaria não se mistura com dogmas de qualquer natureza e nem a situações que possam levar o homem e a sociedade à estagnação. Os seus valores são altruístas, sempre objectivando a evolução moral, social e espiritual, não somente do seu obreiro, mas de toda a colectividade que o cerca. Neste sentido ela alicerça-se em princípios e fundamentos que exaltam o amor, a fraternidade, a sinceridade, o respeito ao próximo, a sensatez da palavra e, sobretudo, a verdade.

Contudo, nós Maçons somos parte de uma humanidade que ainda engatinha sob o ponto de vista do respeito a tudo que a cerca. O ser humano, e muitos de nós Maçons, infelizmente é caprichoso e tende a ver no seu semelhante o mal que não consegue ver em si mesmo. Por isso julga e transporta para o outro tudo que é próprio da sua forma de ser e agir, ou seja, atribui para os demais, os vícios e defeitos que em verdade são marcantes na sua personalidade – como é fácil e cómodo sentir-se injustiçado e atribuir a outrem as suas mazelas íntimas e particulares.

Por isso todos os dias procuro fazer uma introspecção acerca das minhas atitudes diárias e tenho conseguido perceber algumas falhas que preciso corrigir. Para algumas as tratativas têm sido imediatas e para outras percebo que preciso me fortalecer e vencer certo orgulho que todo homem imperfeito tem dentro de si, mas um dia vencerei e serei senhor de mim mesmo.

Meu Irmão, é o orgulho, talvez o capricho, que incontestavelmente impede que o homem reconheça os próprios defeitos, especialmente aqueles de ordem ética e moral, e com isso viva num eterno dilema entre a razão e a emoção.

Dito isto, como é triste percebermos em algumas pessoas, inclusive em Maçons, a futilidade de se sentirem mais importantes que as demais, ao ponto de crerem na superioridade das suas personalidades e mais, de exaltarem os seus defeitos como se qualidades fossem. Quanta falta de lucidez. Falando em lucidez, permita-me compartilhar um texto de beleza ímpar – O Homem Lúcido, um texto Caldaico do século VI a.C., para que seja lido e reflectido sobre o quão sabedoria e lucidez, definitivamente, são essenciais.

O Homem Lúcido

O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.

O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.

Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará pelo seu campo aberto e pelas suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.

Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão a sua magnífica aventura. Pairará então, sobre a sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.

A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se igualem sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.

Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.

Pensem nisto. Pensem, como o homem lúcido, em optar pela Vida. Em urdir planos e realizá-los. Em resistir aos infortúnios. Em esgotar todas as possibilidades de ser feliz.

“A auto-imagem é a essência da personalidade e do comportamento humano. Mude a auto-imagem, e ambos serão transformados.”  (Maxwell Maltz, médico cirurgião e psicólogo norte-americano, pai da psicocibernética)

Leonel Ricardo de Andrade – Grão-Mestre ad Vitam – GLMMG

Fonte

  • Revista Triângulo

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