O Papa Francisco e os maçons: uma dança cautelosa sob o céu estrelado

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Papa Francisco
Papa Francisco

O Santo Padre, o Papa Francisco, faleceu na segunda-feira de Páscoa. A equipa editorial quis reconstituir a carreira do santo homem. Durante o seu pontificado de 12 anos (2013-2025), o Papa Francisco, este jesuíta argentino com um sorriso malicioso, fez malabarismos com a Maçonaria como um equilibrista entre a tradição católica e a abertura pastoral. A Igreja e as lojas têm uma longa história de amor-ódio, e Francisco não reescreveu o guião, mas acrescentou o seu toque pessoal, entre a firmeza doutrinal e as piscadelas de olho fraternas.

Portanto, meus amigos, peguem nos vossos aventais (ou não) e vejamos o que este tango conseguiu.

Uma querela tão antiga como os menires: desde 1738, quando o Papa Clemente XII anatematizou a Maçonaria, a Igreja Católica e as lojas não se entendem. Porque é que os maçons, com os seus rituais secretos, o seu gosto pelo laicismo e a sua espiritualidade de geometria variável, são considerados incompatíveis com a fé católica? Francisco, fiel a esta linha, não fez uma revolução. Em 2023, deu luz verde a uma nota do Dicastério para a Doutrina da Fé, em resposta a um bispo filipino preocupado. O veredicto: um católico que use um avental maçónico está em “estado de pecado grave” e pode dizer adeus à comunhão. Não é suficiente para organizar um banquete fraterno no Vaticano!

Papa Clemente XII
Papa Clemente XII

Mas Francisco, com o seu estilo descontraído, também não agitou o espantalho maçónico como um inquisidor dos velhos tempos.

Um diálogo, mas sem o abraço fraterno: Francisco é o homem do diálogo, o homem que aperta a mão aos rabinos, aos imãs e até aos ateus convictos. Por isso, alguns maçons sonharam com um ramo de acácia a estender-se às suas lojas. Em 2016, durante o Ano da Misericórdia, apelou ao acolhimento de todos, o que suscitou a esperança dos optimistas de avental. “E se Francisco nos convidasse para um encontro na Loja?”, pensaram alguns irmãos. Mas não! Em 2017, bloqueou a nomeação de Johnny Ibrahim, diplomata libanês e Maçom, como embaixador junto da Santa Sé. A mensagem era clara: podemos falar, mas não ao ponto de trocar a tiara por um quadrado.

Alguns golpes bem colocados: Francisco não fez da Maçonaria o seu saco de pancada, mas não mediu as palavras quando necessário. Em Turim, em 2015, lançou uma pequena granada ao denunciar os “lobbies maçónicos” do século XIX, acusados de perseguir a Igreja com o seu anti-clericalismo. Foi uma forma de recordar que, embora prefira falar de amor e de ecologia, não esqueceu velhos rancores. No entanto, nunca fez dos maçons um bode expiatório, preferindo concentrar-se em batalhas como a luta contra a pobreza e o aquecimento global. É preciso dizer que, entre as crises mundiais e os ovos de Páscoa, ele tinha muito para preencher a sua agenda!

O caso do padre Maçom: Em 2013, um episódio pôs as gárgulas de Notre-Dame a falar. O padre Pascal Vesin, pároco de Megève e membro do Grande Oriente de França, foi expulso da sua igreja a pedido de Roma. Este sacerdote, que imaginava uma ponte entre o púlpito e a Loja, tentou a sua sorte indo a pé da Alta Saboia até Roma para defender a sua causa. O resultado? Um aperto de mão com um subsecretário e uma suspensão confirmada. O pobre Pascal esperava um tête-à-tête com Francisco, mas teve de se contentar com uma selfie com um guarda suíço! Este episódio mostra que François, apesar de ter uma mente aberta, não brinca com a dupla fidelidade.

Os teóricos da conspiração envolvem-se: É óbvio que um papa tão importante como Francisco não podia escapar à atenção dos teóricos da conspiração. Na Internet, alguns acusaram-no de ser um “maçon infiltrado” ou um jesuíta a puxar os cordelinhos de uma conspiração global. Outros viram nos seus gestos de abertura (como o diálogo com os leigos) provas de simpatias maçónicas. Pura ficção! François, que denunciava regularmente a desinformação, deve ter-se divertido ao ler estas fantasias. “Eu, numa Loja? Preferia estar a beber mate com o Messi”, terá dito.

Resumo de um pontificado cauteloso: em 12 anos, Francisco não abraçou a Maçonaria nem declarou guerra santa contra ela. Manteve a linha católica clássica: nada de ser membro, ponto final. Mas o seu estilo pastoral, caloroso e inclusivo, deu por vezes a impressão de que poderia estar a estender a mão. Na realidade, preferiu manter a distância, evitando transformar os maçons em vilões de um thriller do Vaticano. E, francamente, entre reformar a Igreja, salvar o planeta e abençoar ovos de Páscoa, ele tinha coisas melhores para fazer do que andar atrás de compassos e esquadros.

Por isso, meus amigos, brindemos com um copo de chouchen (ou de vin de messe) a este Papa que sabia dançar sobre este fio sem cair! QUE DESCANSE EM PAZ.

Fonte

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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