O primeiro Grau (Aprendiz)

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1º grau - aprendiz

A nossa caminhada maçónica, por mais estranho que pareça, começa fora da Maçonaria. Sem nos apercebermos somos constantemente observados, estamos sendo constantemente avaliados se possuímos potencial para entrar na Ordem Maçónica, até que um dia o “convite” é feito e a nossa primeira decisão deve ser tomada: recusar ou aceitar entrar para uma instituição “secreta” da qual pouco ou nada sabemos, tendo como garantia apenas a confiança que depositamos na pessoa portadora do convite.

Ninguém escolhe a Maçonaria, e sim a Maçonaria escolhe você.

Tomada a decisão de aceitar (que hoje diríamos acertada) segue-se um período de entrevistas e de longa espera até que o dia tão esperado é chegado.

A Iniciação

A Maçonaria é uma Ordem Iniciática, isto é, os seus membros são admitidos através de uma cerimónia denominada “iniciação” . É nesta iniciação que são transmitidos os primeiros ensinamentos da Ordem. Na Maçonaria, esotericamente, o iniciando a partir da iniciação morre para um mundo de vícios e preconceitos para renascer para um novo mundo onde a virtude e uma sã moral são as vigas mestres para a construção do seu Templo Interior.

Os instrumentos (conhecimentos) que nos são postos à disposição para construir este Templo, esta nova forma de vida, estão concentrados num quadro chamado “Painel Alegórico da Loja de Aprendiz” que passaremos a analisar de maneira bem sucinta, pois cada iniciado deve ser capaz de interpretar cada símbolo para que inicie o seu crescimento interior. O crescimento, o aperfeiçoamento de cada um, depende directamente da profundidade com que cada iniciado alcança na sua interpretação.

Antes de entramos directamente na interpretação dos símbolos do painel é preciso que se tenha em mente que grande parte da doutrina maçónica está calcada na construção do “Templo de Salomão”, narrada no 1° livro dos Reis, Cap. 6, da Bíblia Sagrada. Vale lembrar que a Maçonaria não segue exactamente a narração bíblica, havendo pequenas modificações que visam atender à transmissão do conhecimento que se quer passar ao iniciado.

Simbolicamente, todo templo maçónico representa o Templo de Salomão e também representa o Universo, daí as suas dimensões simbólicas de norte a sul, de leste a oeste e do centro da terra até ao Céu, isto porque se o Senhor a tudo preenche a sua casa não pode ser nem maior nem menor que ele, e sim exactamente igual a ele. Daí a importância do homem Maçom que não pode se esquecer que ele está em constante relacionamento com o Universo.

Bem, feito este lembrete vejamos agora o Painel de Aprendiz. Olhando para o painel o que primeiro se destaca são as três grandes colunas.

Estas três grandes colunas “sustentam” a loja maçónica e são chamadas de Sabedoria – Força – Beleza.

Sabedoria para bem escolher o caminho que vamos trilhar a partir da Iniciação; Força para manter o ânimo nas situações adversas e Beleza para, ao longo do caminho, só praticar boas acções que engrandeçam o nosso carácter e o nosso espírito.

Outro símbolo que se destaca no painel é o piso quadriculado preto e branco chamado Pavimento de Mosaico. Ele representa a dualidade existente em todas as coisas e principalmente a harmonia, dentro desta dualidade, que deve ser buscada pelo homem Maçom.

Oposto ao piso, encontramos a representação da Abóboda Celeste, com as suas estrelas e planetas. Lembra-nos que todo o Iniciado deve envidar todos os esforços na busca da Verdadeira Luz, que é a luz que emana do GADU.

Representando o caminho para se atingir ao céu, vemos no centro do quadro, uma escada – Escada de Jacob – que cada degrau, para nós maçons, representa uma virtude cuja prática nos tornará homens melhores. Destacam-se dentre estas virtudes a (simbolizada pela cruz) que devemos ter no GADU; a Esperança (uma âncora) que devemos ter em alcançar o aperfeiçoamento moral e a Caridade (um cálice) que deve morar no coração do Maçom, porque “Aquele que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar.” – Santo Agostinho.

Seguem-se os instrumentos herdados dos nossos irmãos operativos: o nível, o prumo, o esquadro, o compasso, o maço e o cinzel que usados na Pedra Bruta, a transforma em Pedra Polida. Cada um destes símbolos traz em si mensagens éticas, morais e/ou filosóficas, que devem ser assimiladas pelo Iniciado se o mesmo quiser prosseguir com o seu aperfeiçoamento moral.

São tantos os conhecimentos a serem transmitidos, que o ritual prevê sete instruções para cobrir todo assunto do 1° Grau. Na sua maioria, ele é referido ao plano material, porém na última instrução – Simbologia dos Números 1, 2 3 e 4 – faz uma espécie de introdução ao estudo do esoterismo maçónico, que é oferecido ao Iniciado a partir do 2° Grau.

É nesta instrução (Sétima) que vamos travar contacto com Pitágoras, mas não o Pitágoras matemático, mas sim o filósofo, o compilador de toda sabedoria da simbologia numérica existente naquela época ( estamos falando do Sec. VI a.C. (antes da era cristã)).

É na simbologia dos números 1, 2 e 3 que Pitágoras explica o nascimento do Universo e a Maçonaria, guardiã das antigas tradições, ensina aos seus membros esta visão e abre as suas mentes para novos ensinamentos, agora no campo esotérico.

Na minha Loja, terminada esta fase, os Aprendizes passam a se prepararem para o que chamamos de “Aumento de Salário”, que nada mais é que uma promoção ao 2° Grau. Um Trabalhos é apresentado à Loja e a Comissão Central emite um parecer se o mesmo atende ao esperado de um Aprendiz Maçom ao fim dos seus estudos. Aprovado, o Aprendiz é submetido a um exame oral, quando os mestres da Loja verificam a sua aprendizagem e julgam se o iniciado está pronto para assumir novas responsabilidades, agora como Companheiro Maçom.

Vimos assim, de uma maneira muito simples o início da caminhada maçónica. É a subida do primeiro degrau de uma série de trinta e três, no Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA, que é o praticado pela Loja 8 de Maio.

Respeitamos a opinião dos Irmãos que defendem a ideia de que o iniciado ao ser exaltado ao Grau de Mestre Maçom atinge a plenitude maçónica, lembramos porém, que o Maçom deve ser um eterno investigador da verdade e para que isso seja cumprindo de maneira justa e perfeita entendemos que o Maçom deve estar munido de todas as ferramentas que o rito coloca à sua disposição e no REAA estas ferramentas estão distribuídas ao logo de 33 graus.

Robson Santiago, M. I.

Fonte

  • Ritual do Aprendiz Maçom – Grau I, REAA

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