O Reinado de D. Manuel II (e a Maçonaria)

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É inegável que, sem a conivência da Maçonaria inglesa e da Casa Real Britânica, a República não teria sido implantada em Portugal[1].

Por uma coisa que ouvi o Rei Eduardo dizer ao Marquês de Soveral depois do jantar, perdi esperanças do casório (…). Quem é que vae dar uma filha ao Rei d’um paiz insubordinado?” [2].

D. Manuel II (15.1.1.1889 - 2.7.1932)
D. Manuel II (15.1.1.1889 – 2.7.1932)

A morte de D. Carlos, considerado “(…) uma das mais belas expressões de Humanista na Europa do seu tempo (…)” [3], teve consequências políticas decisivas. O rei, o seu prestígio no exército e a sua popularidade junto de grande parte da população eram já o único esteio da Monarquia, e o atentado veio deixar os meios políticos paralisados de assombro e medo. Subiu ao trono D. Manuel II, com apenas dezoito anos de idade e escassa preparação para o cargo. João Franco, considerado o grande culpado do regicídio, foi demitido. A linha adoptada foi a da acalmação, isto é, a de uma acção descompressora baseada na cooperação e reconciliação dos partidos monárquicos. Contudo, depressa se voltou à agitação anterior, e D. Manuel, durante os dois anos em que reinou, viu-se obrigado a mudar sete vezes o Ministério.

A conjuntura então vivida encontra-se bem documentada por Jorge Morais. O autor refere que, em entrevista a Joaquim Leitão, o Embaixador Luís de Soveral contará que o rei inglês Edward VII, que nutria grande estima por D. Carlos, sofreu com a notícia do seu assassínio um desgosto que chegou a ser pessoal, “o maior desgosto da sua vida” [4]. Também o Marquês do Lavradio recordará:

passados anos, quando a Monarquia já tinha deixado de existir, contou­-me o Marquês de Soveral, em Londres, que tendo, depois do Conselho de Estado, regressado ao seu posto, logo que chegou à capital inglesa foi visitar o Rei Eduardo e este disse-lhe: «que país é esse onde matam um Rei e um Príncipe e a primeira medida que se toma é demitir o Ministério? A revolução triunfou, não é verdade?». Foi só então, acrescentou Soveral, que compreendi o erro que tínhamos cometido[5].

Na verdade, Edward VII nunca aceitará a complacência oficial portuguesa perante o regicídio, cujos autores materiais eram alvo, dias depois, da homenagem pública dos apologistas da República. Em Novembro de 1909, numa longa conversa privada com o Conde de Mafra, o soberano inglês lamentá-lo-á ainda. Regista Thomaz de Mello Breyner no seu Diário:

o grande Rei inglez com os seus olhos azuis húmidos (parecidos com os d’ El Rei D. Carlos) mostrou-me uma moldura de oiro com os retratos dos dois mortos queridos (…) e disse-me: « estes retratos acompanham-me para toda a parte. Fazem parte do meu sacco de viagem ». Depois, franzindo a testa e levantando a voz, acrescentou: « matam-se dois Cavaleiros da Jarreteira como se fossem dois cães e ninguém se importa no paiz d’Elles!» [6].

Duas semanas após o regicídio, a 19 de Fevereiro de 1908, D. Manuel deixa o Paço das Necessidades rumo ao seu primeiro acto oficial – a inauguração da estátua do Duque de Saldanha, para a qual fora convidado pelo Presidente da Edilidade, o Conselheiro António Castelo-Branco. “Está a vereação em peso, republicanos incluídos – e o Rei a todos cumprimenta” [7].

Em Abril, o maçon Magalhães Lima é autorizado a reunir em Lisboa o I Congresso Nacional do Livre-Pensamento, a que atrai activistas espanhóis e franceses. Decorrem eleições legislativas “(…) em que os republicanos conquistam sete especiosos lugares num Parlamento de cento e cinquenta e cinco” [8], sendo constituído, sob Francisco Ferreira do Amaral, um Ministério de Coligação, a chamada “Acalmação”, incluindo regeneradores, progressistas e “independentes”. A Monarquia Constitucional aparenta, desta forma, regressar à normalidade.

Todavia, logo a 1 de Novembro de 1908 o Partido Republicano vence a eleição para o Município de Lisboa e para várias outras câmaras [9] sitas no Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, enxovalhando os dois principais partidos da facção monárquica: o Regenerador e o Progressista. Refere Jorge Morais que “com lágrimas calculadas, a Imprensa republicana carpe a triste sorte de um Rei imberbe rodeado de incapazes e subordinado a uma mãe ‘beata’” [10].

Assim, em Dezembro de 1908 cai, sem surpresa, o Gabinete Ferreira do Amaral, dando lugar a uma longa série de Governos que, de fracasso em fracasso, se sucederão até à instauração da República.

Apesar de tudo, pensamos, como Morais [11], poder considerar que a sobrevivência das instituições, a par da relativa ordem burguesa das ruas daria a um observador mais desatento / incauto a ilusão de que a Monarquia portuguesa, velha de setecentos e cinquenta anos recuperara de apenas mais um sobressalto.

Porventura interessado em aparentá-lo também, D. Manuel II parte para Inglaterra em finais de 1909. Na verdade, o Rei vai em busca de noiva, bem como da confirmação do apoio de Edward VII, ferido ainda pela apatia de Lisboa aquando do regicídio. Para grande indignação da imprensa republicana, esta visita de D. Manuel II a terras de Sua Majestade vai orçada em sessenta contos de réis. Porém, para o Chefe da Casa Real Portuguesa, cada centavo seria bem empregue [12].

De facto, se tivermos em conta o “aperto” em que o Regime monárquico se via, um casamento de Estado com um rebento da Nobiliarquia real do “mais antigo aliado” surgia, indubitavelmente, como um instrumento político de alta potência. Segundo o Marquês do Lavradio, que integrou a comitiva de D. Manuel II nesta empresa na qualidade de seu secretário particular, as esperanças da corte lisboeta estavam depositadas em três jovens de sangue real em “idade útil”: as duas filhas do Duque de Fife – Alexandra (1891 – 1938) e Maud (1893 – 1945) – e Victoria Patricia (1886 – 1938), filha do Duque de Connaught. Um enlace com qualquer delas seria visto em Portugal como um reforço da aliança luso-britânica, e às pressões nesse sentido não era alheia a Rainha Dona Amélia, defensora confessa das vantagens políticas da “operação”.

Também, e em qualquer dos casos, o Rei Edward e a Rainha Alexandra viam o casamento com simpatia. Todavia, depressa se compreenderá que Edward VII, que tão dedicado fora a Portugal e ao seu rei, se encontrava “de mãos atadas” no âmago e no foco das necessidades dos seus vassalos expressas pelos ministros, enquanto que os dirigentes dos seus Governos encaminhavam como “conveniências de instante” o que poderia haver de generoso nas suas intenções. Deste modo, a Edward VII restava refrear a vontade de interceder com o intuito de conseguir de imediato o ambicionado pelo “moço rei de Portugal” e aguardar por ocasião “mais oportuna” [13].

Na realidade, por então já a conspiração republicana portuguesa passara por Inglaterra e fizera os seus estragos: abordado por Óscar Araújo [14], o Manchester Guardian iniciara uma campanha contra D. Manuel II. O Marquês do Lavradio assinala-o nas suas Memórias: “um jornal liberal escrevia mesmo que o casamento do Sr. D. Manuel com uma filha do Duque de Fife podia ser considerado como uma intervenção da Inglaterra nos negócios de Portugal, e, 328 como este país desejava a República não havia direito de intervir” [15].

Estava por demonstrar que este país desejasse a República… mas os trabalhos da propaganda republicana na sabotagem do casamento real não se ficaram por Londres. Ainda em Novembro de 1909, a própria imprensa portuguesa dá conta do rompimento das negociações para o casamento do monarca com uma inglesa: “diz-nos de Londres pessoa de absoluta confiança que o casamento de Sua Majestade El-Rei não pode realizar-se por ora com princesa daquela nação. Nada disto nos surpreende. Lá fora é bem conhecido o estado interno do nosso país” [16].

Contudo, as esperanças na concretização do matrimónio não haviam ainda desvanecido por completo e, se a dúvida atormentava a Realeza, tampouco tranquilizava os republicanos. Alguns activistas menos informados, desconhecendo as démarches da Maçonaria portuguesa nos subterrâneos da imprensa e da política britânicas, e cientes dos esforços monárquicos empreendidos na obtenção de um casamento, desesperavam, como era o caso de Guerra Junqueiro.

Conta Raúl Brandão nas suas Memórias que, já em Novembro de 1909, conversara com um Junqueiro “desalentado”. Lamentava este: “isto está liquidado, a ocasião passou. Agora o rei casa com uma inglesa e vem aí um caixeiro qualquer da Inglaterra, que manobra por trás da cortina (…). A ocasião passou, a República passou” [17].

No mesmo mês, porém, o melhor informado Augusto Fuschini, antigo dirigente da Liga Liberal [18] e ex-colega de Bernardino Machado num dos Governos da Monarquia, confidenciava ao mesmo Brandão: “o Marquês de Soveral obrigou agora o rei a ir a Inglaterra fazer uma figura triste. Pois posso garantir-lhe que há dois meses em Setembro de 1909 esteve em Lisboa um correspondente do Daily Mail, que contou (…) que o próprio Duque de Fife mandara ao jornal o seu secretário desmentir a notícia do casamento” [19].

Não obstante, em Janeiro de 1910 ainda D. Manuel mantinha a esperança de vir a desposar uma princesa de sangue inglês, dado que recebera uma missiva do Marquês de Soveral em que este se mostrava muito animado e lhe garantia estar bastante esperançado relativamente a esse assunto. E a 5 de Março desse ano ainda Dona Amélia se deixava iludir: “o Soveral chega daqui a pouco.

Veremos se ele traz alguma notícia boa” [20]. Mas a boa nova nunca chegou.

Em finais de Abril de 1910, o Partido Republicano volta a reunir em Congresso, desta feita no Porto (no ano anterior a escolha havia recaído em Setúbal), e aí toma uma “(…) decisão que há-de torcer o curso dos acontecimentos e precipitar a queda da Monarquia (…) [21] dos trabalhos sai nomeada uma comissão que viajará por França e Inglaterra com vista à angariação de apoios para a revolução.

Mas a D. Manuel II não é sequer dado tempo para reflectir, pois, logo na primeira semana de Maio, morre em Sandringham. Edward VII, “que desde o reinado de D. Luís amara Portugal e, com discrição mas firmeza, protegera a Casa de Bragança” [22]. Nas palavras do Marquês do Lavradio, era “(.) um verdadeiro desastre para a Monarquia portuguesa e, consequentemente, para Portugal” [23]. Por seu turno, o Conde de Mafra anota no seu Diário que não seria uma grande asneira afirmar que Edward fazia mais falta a Portugal do que à própria Inglaterra [24].

Neste contexto, Lord Granard é enviado a Lisboa, encabeçando uma Embaixada extraordinária e, recebido na Ajuda pelo monarca português, comunica formalmente a subida de George V ao trono inglês (devido à morte prematura do seu irmão mais velho, o Príncipe Albert Victor). O Rei George V acabará por confirmar-se como o elo mais fraco da cadeia de relações anglo-portuguesas do início do século XX [25]. Com Edward VII no poder dificilmente se tocaria na Coroa Portuguesa. Porém, três escassos meses após a sua morte, o seu irmão, Duque de Connaught, permitirá, enquanto Grão-Mestre da Maçonaria inglesa [26], que seja dada carta branca aos revolucionários republicanos portugueses para que avancem com os seus propósitos.

Este percurso e teia de cumplicidades são descritos sucintamente por Jorge Morais numa entrevista concedida a Paulo Pizarro [27]. Explica Morais que a conspiração republicana tinha, fundamentalmente, três problemas para resolver: França, Espanha e Grã-Bretanha.

A França estava indexada aos ingleses, uma vez que ao Governo francês não interessava romper a “Entente Cordiale” [28]. Por sua vez, a Espanha era um caso grave, dado que o Rei Afonso XIII não queria de todo ficar “ensanduichado” entre duas repúblicas, pelo que ponderava uma intervenção armada em socorro dos Bragança, embora jamais avançasse sem o aval de Londres. Quanto a Inglaterra, a sua fama de protectora da Casa Real portuguesa fazia recear uma intervenção anti-republicana.

No entender do autor, o “golpe de génio” do Grão-Mestre Magalhães Lima residiu em perceber que, “(…) cativando Londres para a sua causa (…) matava três coelhos com uma cajadada, pois nem Paris nem Madrid iriam mexer uma palha para socorrer os Braganças” [29].

Assim, em 1909, Magalhães Lima terá viajado rumo a Londres e garantido a cumplicidade dos altos graus da Maçonaria inglesa. Em 1910 obteve acesso ao Governo, assegurando, por essa via, uma “neutralidade cooperante” da parte do novo Rei, George V, sobrinho do Grão-Mestre Connaught.

Por outro lado, na capital inglesa tudo era propício aos republicanos: a Grande Loja Unida de Inglaterra; o Governo liberal de Asquith (com a pasta dos Negócios Estrangeiros a cargo do maçon Edward Grey); e a imprensa radical e a City coincidiam numa análise negativa ou céptica sobre a Monarquia portuguesa.

Em suma, era uma oportunidade única e Magalhães Lima foi exímio em aproveitá-la. Dois meses depois do seu regresso de Londres a República estava instaurada em Portugal [30].

A 27 de Maio de 1910, terminadas as exéquias de Edward VII, o até então “apagado” soberano português regressa a Lisboa decidido a mostrar a sua fibra.

Assim, em Junho, D. Manuel II chama a Lisboa o pioneiro francês da Sociologia Léon Poinsard para que estude as reivindicações operárias e dite soluções para os problemas sociais.

Na realidade, não era a primeira vez que o Rei manifestava interesse pela questão operária e pelas condições de vida dos trabalhadores. Já em 1908 essa preocupação o levara a estabelecer um contacto comprometedor com o Partido Socialista, que, contrariamente ao Partido Republicano, se mostrava bem mais interessado em reformas sociais do que propriamente numa eventual mudança de regime político.

No seu estudo, Jorge Morais dá-nos conta da existência de correspondência directa e informal trocada entre D. Manuel II, Azedo Gneco e Alfredo Aquiles Monteverde, estes últimos respectivamente ideólogo e principal organizador dos socialistas no período pré-republicano [32]. Numa dessas cartas, Monteverde confessa depositar no Rei uma confiança que se inspira na predilecção de Sua Majestade pelas classes laboriosas [32].

Alentado pelo patrocínio do jovem monarca, e a seu pedido, Azedo Gneco elabora, no início de 1909, um memorandum sobre as prioridades da política social portuguesa, defendendo a construção de bairros populares / operários “higiénicos”, bem como a criação de Caixas de assistência, pensões e reformas.

Pouco tempo depois, D. Manuel II escreve ao Primeiro-Ministro, Wenceslau de Lima, recomendando-lhe que proceda à leitura do memorandum de Gneco, de alguns recortes do jornal O Trabalho e ainda do Programa do Partido Socialista Portuguez, que junta no mesmo envelope. Depois de reconhecer que Aquiles Monteverde prestara “muitíssimos serviços”, o Rei solicita ainda ao seu “querido Presidente do Conselho” que mande chamar Monteverde e converse com ele.

Wenceslau de Lima, que “(.) não está, ele próprio, virgem de contactos com os socialistas (.)”[33], responde afirmativamente.

Nos bastidores, Aquiles Monteverde é informado da diligência e escreve a D. Manuel II, agradecendo e mostrando-se “reconhecidíssimo” pelo bilhete, a carta e o interesse que Sua Majestade continua a dedicar aos operários: “mal sabem êles do alto patrocínio que tam eficazmente os está auxiliando (.)”[34], e declara, sem margem para dúvidas, a feição positivamente monárquica (intervencionista) do movimento e a grande conveniência de não se desprezar 348 essa “(.) poderosíssima força proletária, que tam bem orientada se mostra” [35].

Em Portugal, para onde viajou a expensas pessoais de D. Manuel II, Léon Poinsard estabelece um quadro sociológico das várias regiões do país, estuda a agricultura, a mineração, as pescas e analisa o Ensino. As suas conclusões confirmam, em muitos aspectos, o teor do memorandum de Gneco e adoptam propostas do próprio monarca português sobre a criação de cooperativas de consumo. Porém, nenhuma das medidas chegaria a ser implementada: passados quatro meses, El-Rei estaria a caminho do exílio e os socialistas à beira do ostracismo [36].

Obviamente, a referida perspectiva de colaboração entre o trono e as forças socialistas não podia ser do agrado do Partido Republicano. Desde Antero de Quental, o movimento socialista português, apesar de crítico em relação a alguns aspectos da instituição monárquica, vinha dando especial relevo à colisão entre os interesses do proletariado e as conveniências da burguesia e reclamando reformas de profundidade.

Nas palavras de Morais:

desinteressando-se das pequenas operações de propaganda grandiloquente e das pugnas eleitorais em que os republicanos se consumiam, os socialistas faziam ponto de honra nas questões económico-sociais e em fórmulas solidárias de repartição da riqueza – o que em nada seduzia a burguesia urbana, que se encontrava, aliás, em fase de capitalização. Dificilmente se veria um comerciante da Baixa erguer o punho pela Comuna [37]. Precisamente (…) pelo contrário essa burguesia urbana aderia, desde o 31 de Janeiro de 1891, em magotes crescentes, ao Partido Republicano, ao ponto de este se transformar, de uma organização de intelectuais e pensadores de vanguarda, numa ruidosa amálgama de lojistas à espera da (.) sua vez (.) no (.) radioso dia da libertação (.)” [38].

Cativo da urgência, o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido promove, a 14 de Junho de 1910, a criação de uma “Comissão de Resistência”, encarregada de estabelecer a ligação entre a Maçonaria, a Carbonária, o Partido Republicano e as comissões militares do Exército e da Marinha, com vista à constituição de uma “força” que derrubasse a Monarquia e instaurasse a República.

Segundo José Magalhães Godinho [39], por essa altura o Grão-Mestre Magalhães Lima encontrava-se a residir em França, pelo que foi o seu substituto, José de Castro, quem tomou a iniciativa de reatar as relações entre a Maçonaria e a organização revolucionária (a Carbonária), a pedido do Directório do Partido Republicano. “Sem surpresa ou contestação, a Comissão de Resistência ficou sendo esmagadoramente dominada por carbonários” [40]: José de Castro, Grão­-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano Unido, ocupava o cargo de Presidente; integravam-na Miguel Bombarda (Loja José Estêvão), Machado Santos (Loja Montanha), José Cordeiro Júnior (Loja Acácia), José Simões Raposo (Loja Solidariedade), Martins Cardoso (Loja Acácia), António Maria da Silva (Loja Solidariedade) e o tesoureiro Francisco Grandela (Loja Futuro); em representação formal do Partido Republicano, entraram ainda Cândido dos Reis e António José de Almeida (ambos da Loja Montanha). É de sublinhar que mais de metade dos membros da Comissão pertencia às Lojas Montanha e Solidariedade, que constituíam o estado-maior carbonário no seio do Grande Oriente Lusitano Unido [41].

A 16 de Junho de 1910, um dia depois do fracasso de mais uma revolta militar de inspiração carbonária, D. Manuel II inicia diligências para constituir um novo Governo. Será o último do seu reinado, bem como da Monarquia Constitucional portuguesa.

Conta Morais que Teixeira de Sousa forma gabinete e que, por recomendação do Conselho de Estado, é decretada a dissolução das Cortes e agendada para Setembro a primeira reunião da nova Câmara, a eleger em Agosto.

O Rei, adoentado, parte rumo ao Bussaco, onde se mantém “(…) aparentemente alheio a que, menos de três meses depois, estará destronada a Casa de Bragança” [42]. É também ali que recebe Soveral, que deita definitivamente por terra as ilusões que o monarca ainda pudesse ter quanto a um eventual casamento na realeza britânica. No seu discurso de abertura das Cortes, a 23 de Setembro, D. Manuel esforça-se por mostrar que tem do seu lado a força imperial do Reino Unido da Grã-Bretanha, mas era demasiado tarde para fantasias.

Na verdade, desde a Entente Cordiale, de Abril de 1904, que algo de profundo mudara na velha Albion. Um novo xadrez na partilha das matérias­-primas e o advento de novos mercados e novos espaços para mercar determinavam alterações estruturais no mapa político; além disso, a Europa preparava-se para um inevitável confronto militar. Os conservadores haviam perdido o Governo, em 1905, em favor dos liberais; e, após o breve consulado de um Henry Bannerman doente, em 1908 chega a vez de Herbert Henry Asquith (1852 – 1928), que logo fere os direitos ancestrais da aristocracia; e a Câmara dos Lordes vê restringida a sua capacidade de veto às leis dos Comuns. Com Asquith no Governo estão os “falcões” do liberalismo, determinados a marcar o mundo do seu tempo, a saber: Edward Grey, o “homem de carácter” dos radicais liberais; John Burns, sindicalista e panfletário, a quem sintomaticamente chamavam o “bandeira vermelha”; Winston Churchill, o maçon trânsfuga que em 1904 se passara dos Conservadores para os Liberais e que, com Asquith, será sucessivamente Presidente da Câmara do Comércio, Ministro do Interior e Primeiro Lord do Almirantado [43]; e David Lloyd George (1863 – 1945), o combatente galês que se notabilizara já enquanto líder da ala radical do Partido Liberal [44].

Este contexto, associado ao falecimento do Rei Edward VII e à consequente subida ao trono de George V – acontecimentos referidos anteriormente – era claramente desfavorável à coroa portuguesa. Não será, portanto, exagero concordarmos com Jorge Morais quando o autor afirma que “do Império Britânico chegavam, sem que o Trono português pudesse soprá-las para longe, as nuvens negras da tempestade” [45].

De facto, à indiferença temerosa do novo rei, George V, e à “neutralidade empenhada” da Maçonaria inglesa, já sob Connaught, juntavam-se agora o forte empresariado colonial, as praças financeiras, o lobby liberal, os “falcões” do Governo de Asquith, e a imprensa radical, convergindo para o fim da Monarquia Constitucional em Portugal.

Como se tal não bastasse, Morais alerta ainda para a existência de um pouco divulgado, porém importantíssimo Memorandum secreto inglês intitulado “Atitude a ser observada pelo Governo de Sua Majestade na eventualidade de uma República ser instaurada em Portugal e uma terceira Potência intervir para restaurar a Monarquia” [46]. Neste documento, ficava bem claro que Inglaterra não “levantaria um dedo” perante o que sucedesse em Lisboa, excepto para ajudar a República ou travar Afonso XIII de Espanha, que insistia na necessidade de auxiliar os Bragança, pois temia a ocorrência de uma revolução no seu país num curto espaço de tempo, caso a República vingasse em Portugal. De modo algo extraordinário, os responsáveis ingleses consideravam este postulado como um exercício de “estrita neutralidade” e não, como na prática se veio a verificar, uma forma indirecta de decisão e ingerência [47].

Não se sabe se o Partido Republicano tinha, em Julho de 1910, conhecimento directo do conteúdo deste documento, demolidor para a Monarquia portuguesa e tão tranquilizador para os conspiradores; se o tinha, iludiu sagazmente, e durante muitos anos, a opinião pública em Portugal, pretendendo ter sido ele a “convencer” a diplomacia inglesa da “justeza” da sua causa.

É provável que somente Magalhães Lima soubesse previamente da sua existência, através das ligações maçónicas estabelecidas graças ao Venerável Mestre Alfred Robbins. Sem dúvida o Grão-Mestre português conhecia, desde Setembro do ano anterior, a tendência de opinião que se formara no Partido Liberal, no Governo britânico e no Grão-Mestrado de Connaught / Ampthill sobre a queda “inevitável” da Dinastia de Bragança e a instauração de um Regime alternativo em Lisboa. Por esta razão preparou caminho à embaixada do Partido, tendo sido oportunamente indicado para chefiá-la. Contudo, na hora de celebrar os resultados prodigiosos da missão, quando tudo faria do Grão-Mestre da Maçonaria portuguesa o arauto mais autorizado, este deixou o palco a José Relvas (que não era – ainda – maçon e representava, aos olhos de muitos, um testemunho “isento”), enquanto ele próprio se diluía em Paris nas suas tarefas conspirativas, saboreando de longe um triunfo que “só entre colunas” podia ser reivindicado pela Fraternidade [48].

Provavelmente, o nosso país deixara de ser vantajoso para as contas britânicas e para aquilo que Cunha Leal designou por “Sua Majestade a Libra, rainha do Universo”. Citando Jorge Morais:

“(…) o cúmplice de outrora tornara-se pesado a ponto de se desejar a sua dissolução. O Regime monárquico de Lisboa, requerendo para mais uma solidariedade cara e cansativa, era agora um fardo. Do ponto de vista cru dos interesses ingleses, uma República Portuguesa talvez pudesse ainda – desde que devidamente posta no seu lugar – tornar suportável esse ‘mais antigo aliado’, [49] sempre a pedinchar do alto do seu pergaminho histórico[50].

Por outro lado, em África mal poderia falar-se de uma efectiva soberania portuguesa, dado que os sectores estratégicos se encontravam quase exclusivamente sob domínio britânico, ou submetidos à sua influência. A situação vivida em Moçambique é disso um claro exemplo. Segundo Oliveira Marques [51],

“à empresa Nacional de Navegação faziam vantajosa concorrência a Union Castle Co., a British Indian Stream Navigation Co., a Harrison Rennie Line, a Natal Direct Line e outras companhias só de carga. Nos caminhos-de-ferro, 339 dos 539 Kms de vias existentes eram explorados pela The Beira and Mashonaland & Rhodesia Railway Co. (.). O cabo submarino estava nas mãos da Eastern Telegraph Co.. Outras companhias inglesas dedicavam-se à agricultura (Incomatti Sugar Estates Ltd., Mutamba Sugar Estates, Sena Sugar Co., etc.), à mineração (Mozambique Macequece Ltd., por exemplo), às técnicas comerciais e portuárias (The Mozambique Agencies Ltd.). Em Lourenço Marques [52], os ingleses tinham na mão o abastecimento de água e luz à cidade, a rede de eléctricos (todos concedidos à Delagoa Bay Development Corporation Ltd.), o serviço de estivadores (Delagoa Bay Stevedoring Co., The Lourenço Marques Forwarding Co. Ltd., Delagoa Bay Agency Co. Ltd.), à moagem (Lourenço Marques Milling Co.)” [53].

Ainda de acordo com o autor, passava pelo porto de Lourenço Marques 57% do comércio do Transval. Tudo isto tornava deveras evidente o papel subalterno de Portugal numa colónia que, afinal, lhe pertencia, denotando igualmente uma indesmentível “(.) dependência generalizada, da lã aos vinhos, dos portos às matérias-primas, dos telefones à tinta de caneta, do Minho a Lourenço Marques” [54].

Crescera, entretanto, um outro conflito de consideráveis proporções entre ingleses e portugueses: o caso da mão-de-obra usada na colónia portuguesa de São Tomé, ou, como era designado pela imprensa radical inglesa, “o caso do cacau escravo”. Foi seu principal protagonista William Cadbury [55], neto de John Cadbury, o negociante de chás e cafés de Birmingham que em 1831 criara um empório chocolateiro que chegou aos nossos dias. Financiadores do Partido Liberal e ligados à Religious Society of Friends (o movimento puritanista radical cristão Quaker) e à Temperance Society, os Cadbury consideravam ser seu dever estimular campanhas em favor da justiça, da igualdade e da reforma social, pondo fim à pobreza e ao infortúnio.

Vendo-se a si mesmos como pioneiros sociais, os Cadbury integravam-se numa poderosa rede Quaker a que pertenciam também os Fry, de Bristol (que viriam a fundir os seus negócios com os Cadbury), os Rowntrees, de York (igualmente ligados à indústria alimentar, e que no século XX criariam os primeiros “Smarties”), os Sampson Lloyd, de Birmingham (fundadores do Lloyd’s Bank), e outras famílias de grandes negociantes que “(.) equilibravam a tonelagem da sua consciência capitalista com o contra-peso cândido das boas obras [56].

Explica Jorge Morais que, desde finais do século XIX, muito do cacau usado pelos Cadbury nas suas manufacturas era originário da América do Sul e das ilhas portuguesas de São Tomé e Príncipe, ao largo da costa ocidental africana. William Cadbury já ouvira referências à existência de trabalho escravo em São Tomé, nomeadamente no decorrer de uma viagem de negócios a Trinidad, em 1901, mas só em 1902 teve a confirmação: foi-lhe proposta a compra de uma roça na colónia portuguesa, cujo preço incluía algumas centenas de trabalhadores que, juntamente com os hectares de terra, seriam vendidos a tanto por cabeça.

Indignado, Cadbury desloca-se propositadamente a Lisboa, com o intuito de obter pormenores e lavrar o seu protesto. Porém, as autoridades nacionais rejeitam taxativamente as acusações, alegando tratar-se de trabalhadores angolanos que haviam aceite, de sua livre vontade, ir trabalhar para São Tomé. Inconformado, o chocolateiro inicia uma campanha de denúncia que perdurará para além da instauração da República em Portugal [57].

Entre 1908 e 1909, Cadbury envia à ilha um seu delegado, o activista Quaker Joseph Burtt, enquanto o fundamentalista cristão Charles Swan é encarregue de conseguir provas da contratação esclavagista no interior de Angola, que conhecia como missionário. O relatório final é implacável: as condições de vida descem a um ponto tão degradante que metade dos trabalhadores morre durante o primeiro ano de trabalho.

Na sequência deste relatório, o próprio William Cadbury visita São Tomé e anuncia, a 15 de Março de 1909, que os manufactores de chocolate ingleses e alemães não voltarão a importar cacau são tomense até que lhes sejam dadas garantias reais de que não havia recurso a mão-de-obra escrava [58].

Por seu turno, o Governo inglês faz saber em Lisboa que perante a evidência de que a mão-de-obra contratada para São Tomé era escrava, só lhe restaria juntar-se ao Parlamento e à opinião pública contra um abominável crime social.

Em 1909, Cadbury faz publicar em Londres (e, meses depois, em Lisboa) o relatório de Burtt, bem como as suas próprias conclusões [59]. A 19 de Julho, sem, todavia, reconhecerem oficialmente razão ao persistente chocolateiro, os portugueses suspendem a contratação de pessoal em Angola, intensificando-a em Moçambique. Por sua vez, Cadbury cessa as suas compras em São Tomé e passa a abastecer-se no Gana, arrastando consigo dois outros manufactores de cacaus e chocolates do lobby Quaker: Fry e Rowntree [60].

Aparentemente, a crise estava ultrapassada, mas, como de resto seria de esperar, o caso de São Tomé apaixonou uma “Lisboa em camisa” [61]. Lisboa é, aliás, um vocábulo excessivamente vasto para designar o diminuto perímetro citadino onde tudo se passa [62].

Com efeito, a demografia portuguesa no início do século XX explica, em boa parte, como um “levantamento” de dimensões paroquiais pôde pôr fim, a 5 de Outubro de 1910, a um Regime com praticamente oito séculos de vida. Lisboa era o maior dos quatro centros de uma relativa dimensão, à frente do Porto, Coimbra e Setúbal. Tudo o resto, mesmo que a uma curta milha de distância, era remota província.

Em 1910 viviam na Grande Lisboa cerca de 570 mil pessoas (10% da população portuguesa residente), 65% das quais nas freguesias da própria capital e 35% nos “arrabaldes”. O Grande Porto contava 390 mil pessoas, habitando na cidade cerca de 42%. Crescendo contra o espartilho de uma ordem estratificada, as principais cidades vêem desenvolver-se, neste período, um formigueiro de novas oportunidades, economias e profissões. Desponta e “engorda”, grão a grão, uma gente nova, com alguma escolaridade e instalada nos grandes centros, que, embora sem meios financeiros, através de muito trabalho e de poupanças se tornaria uma nova classe industrial e comercial, até então inexistente. Era, em última análise, a ascensão de uma burguesia média, que em muitos casos, e com o passar dos anos, se tornou grande burguesia.

Neste campo “caçava” o Partido Republicano, atraindo “trepadores” das profissões liberais, oficiais descontentes, intelectuais, agentes de comércio e transportes, o politizado pessoal dos arsenais. O célebre escritor e maçon Eça de Queiroz (1845 – 1900) assinalara já em 1871, n’ As Farpas, o crescimento da conspiração republicana, na época circunscrita aos “clubes”, ironizando: “Que há-de fazer um pobre major a quem a Monarquia conserva major, senão conspirar pela República que o faça coronel?” [63]. Mais tarde, perto do fim da vida, Eça vaticinará à República um destino de “balbúrdia sanguinolenta”, sem que pudesse sequer prever que a matriz do Regime republicano viria a constituir-se sobre o homicídio do Rei e do Herdeiro.

Mas não era necessário ser-se republicano para perceber que a lei eleitoral carecia actualização, que a agricultura e o ensino clamavam por reformas e que num quadro em que as “leis de excepção” apenas beneficiavam o infractor, os processos de imprensa tinham de passar à alçada dos tribunais comuns (problemas, aliás, partilhados por várias democracias europeias da época); e tanto não era preciso ser-se republicano para vê-lo que o próprio Teixeira de Sousa tudo isso inscreveu no seu Programa e levou ao Parlamento em nome do Governo e de El-Rei D. Manuel II.

Porém, tampouco era necessário ser-se monárquico para reconhecer que, a 4 de Abril de 1910, havia em Portugal um Regime Constitucional, com um sistema democrático de eleição parlamentar e um Governo submetido ao Direito. Numa constatação monárquicos e anti-monárquicos estavam de pleno acordo: a influência do Partido Republicano na imprensa, na oficialidade subalterna e no rumorejar do formigueiro lisboeta ultrapassava largamente os 10% que, por meio do voto, detinha no Parlamento [64].

Um último aspecto que convém mencionar nesta fase do nosso trabalho prende-se com os rumores de que D. Manuel II terá pertencido à Maçonaria. Questionado por Paulo Pizarro a esse respeito, Jorge Morais mostra-se convicto de que o último rei de Portugal nunca terá integrado a Ordem. O autor explica que o tio de D. Manuel, o infante D. Afonso (o famoso “Arreda”) “(.) esse sim fora membro do Grande Oriente (.)“[65], quanto ao malogrado D. Manuel, “a ‘fama’ ficou-lhe, mas nunca teve o proveito” [66].

Segundo Morais, a sua fama de maçon resulta de uma campanha de desgaste mantida durante anos por facções “tradicionalistas” que responsabilizavam os dois últimos reis de Portugal (D. Carlos e D. Manuel II) pelo colapso da Monarquia; campanha essa em que se chegou ao ponto de mandar imprimir um postal em que, através de uma grosseira montagem fotográfica, D. Manuel de Bragança surge envergando balandrau e avental [67]. “Na minha investigação, ainda admiti que, depois da instauração da República, já no exílio [68], D. Manuel se tivesse feito iniciar na Grande Loja Unida de Inglaterra, de que, tradicionalmente, são obreiros os homens da Casa de Windsor. Mas não encontrei traço de filiação sob qualquer dos nomes ou títulos que usava (.), nomeadamente o de Conde de Ourém” [69] – esclarece.

Liliana Raquel Rodrigues Fernandes

Nota

Este texto integra uma excelente dissertação apresentada por Liliana Raquel Rodrigues Fernandes à Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Estudos Portugueses.

Dada a sua extensão, os diversos capítulos serão publicados autonomamente, incluindo-se sempre o link para a totalidade do trabalho.

Notas

[1] Jorge Morais em entrevista a Paulo Pizarro. Vide PIZARRO, Paulo, “Outro Mistério, outro olhar sobre a Maçonaria”, in: Magazine Grande Informação, N° 7, Junho de 2006, p. 38.

[2] Anotação constante no Diário do monárquico Thomaz de Mello Breyner, a propósito do tão desejado casamento de D. Manuel II com qualquer das filhas do Duque de Fife. Respeitada a redacção da época. Vide MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 43.

[3] Assim o classifica João Mendes Rosa, Historiador da Universidade de Salamanca, num texto que data de 1 de Fevereiro de 2006, disponível para consulta em http://jacarandas.blogspot.com/2006 02 01 archive.html.

[4] MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 38.

[5] ALMEIDA, D. José Luís de (Coord.), Memórias do Sexto Marquês do Lavradio. Lisboa, 1993. Citado a partir de MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 39.

[6] Vide MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 39.

[7] Op. cit., p. 40.

[8] Loc. cit..

[9] A saber: Moita, Montijo, Alcochete, Vila Franca, Benavente, Grândola, Santiago do Cacém e Lagos. Vide loc. cit..

[10] Loc. cit..

[11] Vide loc. cit..

[12] Cf. op. cit., p. 40 – 41.

[13] Cf. op. cit., p. 41 – 42.

[14] Agente em Londres do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, Óscar Araújo detém um papel fulcral nos contactos dos republicanos portugueses com o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico.

[15] Vide op. cit., p. 42.

[16] Vide loc. cit..

[17] Vide op. cit., p. 43.

[18] Órgão criado em Julho de 1894, juntando republicanos e monárquicos progressistas, de que Fuschini foi inspirador e dirigente. Não confundir com a chamada Junta Liberal, de inspiração carbonária, criada em 1909 por Miguel Bombarda, Egas Moniz, Cândido dos Reis, Avelino Lopes Cardoso, Marinha de Campos, pelo Visconde de Ribeira Brava, entre outros.

[19] Vide op. cit., p. 44.

[20] Vide loc. cit..

[21] Op. cit., p. 45.

[22] Loc. cit..

[23] Vide loc. cit..

[24] Cf. loc. cit..

[25] Jorge Morais refere que George V (George Frederick Ernest Albert – 1865 – 1936 -) é igualmente questionado em vários outros aspectos do seu reinado, marcado por um estilo que os seus biógrafos, talvez devido à grande paixão intelectual do monarca – a filatelia -, classificam de “doméstico”. De facto, mesmo sendo primo dos Bragança, Portugal pouco ou nada significava para o Rei inglês e, oito anos mais tarde, aquando do cativeiro e brutal homicídio da Família Imperial russa (que, aliás, lhe era muito mais chegada), George, primo-direito de Nicolai II (suas mães eram irmãs), não conseguirá erguer um dedo para salvar a vida dos Romanov. Por outro lado, em 1917, para não melindrar a opinião pública de uma Inglaterra em guerra com a Alemanha, aboliu o rule da Casa de Hannover, substituindo-a pela mais inglesa Casa de Windsor, ainda hoje reinante.

[27] Cf. op. cit., p. 53.

[27] O Duque de Connaught sucedeu a Edward no Grão-Mestrado da Maçonaria inglesa quando este ascendeu ao trono, em 1901. Até então, e desde que fora eleito Grão-Mestre, em 1875, Edward logrou desenvolver em muito a Maçonaria inglesa, sendo que, quando abandonou o cargo para se tornar Rei, a Grande Loja de Inglaterra contava com 2413 Oficinas maçónicas em pleno funcionamento, contra as 654 herdadas do seu antecessor. Ao resignar, e à semelhança de George IV, Edward (também carinhosamente chamado de Bertie) reservara para si o título de “Protector da Maçonaria”. Cf. Op. cit., p. 52 – 53.

[28] Vide PIZARRO, Paulo, “Outro Mistério, outro olhar sobre a Maçonaria”, in: Magazine Grande Informação, N° 7, Junho de 2006, p. 38.

[29] “Entente cordiale” é o nome dado às boas relações existentes entre a França e a Inglaterra, no início do século XX. Esta expressão divulgou-se após a assinatura de um tratado entre os dois países a 8 de Abril de 1904, sob proposta de Eduardo VII. Por meio deste tratado, as duas potências acabavam definitivamente com as suas quezílias e desavenças coloniais (algumas delas com largos anos de existência), tendo em vista a prossecução de uma política comum. Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Entente cordiale.

[30] PIZARRO, Paulo, “Outro Mistério, outro olhar sobre a Maçonaria”, in: Magazine Grande Informação, N° 7, Junho de 2006, p. 38.

[31] Na verdade, Magalhães Lima contou com a ajuda José Relvas, Bernardino Machado e Alves da Veiga para o sucesso da viagem. Juntos constituíam a “respeitável embaixada” que visava a instauração da República em solo nacional. Todo o processo da viagem, desde a sua preparação, é pormenorizadamente descrito e analisado por Jorge Morais em MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 68 – 156.

[32] Vide op. cit., p. 48 – 49.

[33] Cf. op. cit., p. 48.

[34] Loc. cit..

[35] Loc. cit..

[36] Loc. cit..

[37] Cf. op. cit., p. 48 – 49. A este respeito, o Conde de Mafra assinala premonitoriamente no seu Diário a 8 de Agosto: “como se calculava, os monarchicos declararam ódio ao Monarca por Elle ter ido para a esquerda e portanto adeus monarchia”. Vide op. cit., p. 49.

[38] A Comuna de Paris e as construções teóricas de Saint-Simon e Proudhon, as grandes referências socialistas anteriores a Marx e Engels, passam praticamente despercebidas aos olhos dos republicanos portugueses, que se concentram nas formulações do “iberismo” e da “República”. Cf. loc. cit..

[39] Loc. cit..

[40] Magalhaes Godinho, jurista, maçon decorado com o 33° Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite, foi colaborador do Primeiro-Ministro republicano e dirigente maçónico e carbonário António Maria da Silva, de quem se tornou genro. Tomou parte na primeira revolta contra a Ditadura Militar (Fevereiro de 1927), combateu o Estado Novo, foi co-fundador do novo Partido Socialista, e viveu para participar na reorganização do Grande Oriente Lusitano, após a restauração das liberdades, em 1974. Cf. op. cit., p. 51.

[41] Loc. cit..

[42] Loc. cit..

[43] Op. cit., p. 52.

[44] O equivalente a Ministro da Marinha.

[45] Cf. op. cit., p. 52 – 53.

[46] Op. cit., p. 54.

[47] O Documento n° 19708, arquivado nas Pastas FO 371-971/972 dos National Archives, em Kew, é constituído por onze páginas manuscritas e encontra-se dividido em oito capítulos. No frontispício, sob a indicação “Secreto”, surge o inequívoco título: “Atitude a ser tomada pelo Governo de Sua Majestade na eventualidade de uma República ser instaurada em Portugal e uma terceira Potência intervir para restaurar a Monarquia”. Cf. op. cit., p. 157.

[48] Vide op. cit., p. 157 – 168.

[49] Cf. op. cit., p. 161 – 162.

[50] Vide op. cit., p. 54.

[51] Op. cit., p. 54 – 55.

[52] MARQUES, A. H. de Oliveira, “O Império Africano 1890 – 1930″, in Nova História da Expansão Portuguesa, vol. XI. Lisboa, 2001.

[53] Actual Maputo. Nota nossa.

[54] Vide MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 55.

[55] Op. cit., p. 56.

[56] William Cadbury (1867 – 1957) viverá para presidir à Câmara de Birmingham (1919 – 1921), fundar o Queen Elizabeth Hospital e gerir a sua própria Fundação de caridade, que ainda hoje existe. Aos Cadbury se deveu, nomeadamente, a campanha contra o uso de menores como limpa-chaminés na cidade de Birmingham e a fundação, no Reino Unido, da Animals Friend Society, bem como da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals. Cf. loc. cit..

[57] Loc. cit..

[58] Esta campanha teve início em 1903, em três publicações britânicas: Harper’s Magazine, Moonshine e Punch. Cf. op. cit., p. 56 – 57.

[59] Os produtores americanos, apesar de instados, não se associaram ao boicote.

[60] Vide CADBURY, William, Labour in Portuguese West Africa. London, 1909. Edição portuguesa: CADBURY, William, Os Serviçaes de S. Thomé. Lisboa, 1910.

[61] Cf. MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 56 – 58.

[62] Op. cit., p. 58.

[63] Vide op. cit., p. 58 – 59.

[64] Vide op. cit., p. 60.

[65] Cf. op. cit.., p. 60 – 61.

[66] Vide PIZARRO, Paulo, “Outro Mistério, outro olhar sobre a Maçonaria”, in: Magazine Grande Informação, N° 7, Junho de 2006, p. 38.

[67] Idem.

[68] Cf. loc.cit..

[69] Após o capitular da Monarquia em Portugal, D. Manuel II exilou-se em Inglaterra, decidido a afastar-se da vida pública. Aí viria a casar, a rejeitar a ajuda de Afonso XIII para que a Monarquia fosse restaurada no nosso país, bem como a aconselhar a intervenção de Portugal na Primeira Grande Guerra. Vide MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 170 – 178.

[70] PIZARRO, Paulo, “Outro Mistério, outro olhar sobre a Maçonaria”, in: Magazine Grande Informação, N° 7, Junho de 2006, p. 38. Para mais pormenores acerca deste assunto vide MORAIS, Jorge, Com Permissão de Sua Majestade – Família Real Inglesa e Maçonaria na Instauração da República em Portugal. Via Occidentalis Editora, Lda., 2005, p. 178 – 180.

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