O significado da cerimónia de elevação (III)

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esquadro e compasso, cerimónia

(Continuação – Ligação para a Parte II)

A retrogradação

A retrogradação característica da quinta viagem tem também vários sentidos, que se oferecem a nossa meditação. Fundamental entre eles nos parece a necessidade de revisar o caminho recorrido, correspondendo em certa maneira a nossa faculdade da memória, com a qual analisamos retrospectivamente os diferentes acontecimentos da nossa vida. É uma revisão completa de toda a nossa actividade e dos nossos esforços (de todo o nosso Curriculum Vitae) a que se impõem neste momento evolutivo, para poder passar adiante.

Outro sentido não menos importante é a da retrogradação aparente que se cumpre inevitavelmente em vários aspectos da vida individual, como a primeira consequência da liberdade desacostumada, efeito do abandono de todas as regras e limitações. Há, muitas vezes, efectivamente, uma recaída em vícios, defeitos e erros que pareceriam serem definitivamente superados; sem dúvida, trata-se de fenómenos transitórios, pois chega um momento em que o movimento de retrocesso se tem que deter, empenha então um novo progresso, sobre uma base mais firme, mais sólida e segura.

Como o número cinco representa também a queda do homem (ou seja a involução do Espirito ou do eu nos laços da ilusão, que o fazem num primeiro momento escravos da aparência material das coisas), é natural que haja também nesta viagem este sentido da queda ou involução, que se manifesta na vida do Iniciado como preliminar necessário de uma mais completa regeneração espiritual.

Se compara, também, esta retrogradação do Companheiro na sua quinta viagem, a retrogradação aparente do sol que, depois do Solstício de Verão, empenha um movimento no sentido inverso, em relação com o anterior, distanciando sempre mais, na sua declinação, do hemisfério boreal, incrementando assim a noite e o frio, que se fazem mais evidentes segundo nos afastamos do equador em direcção do polo, até a noite de seis meses que caracteriza a região circumpolar.

Finalmente esta retrogradação tem um sentido filosófico digno de nota, já que a medida em que nos acercamos a realidade, reconhecemos que esta sempre se manifesta e procede no sentido inverso da aparência.

Um exemplo físico desta Verdade encontramos no duplo movimento aparente do Sol ao redor da terra e do Zodíaco, que é na realidade a aparência invertida do movimento de rotação e revolução da terra; enquanto o sol se levanta para nós ao Oriente e se põem ao Ocidente, passando pelo Sul, e nos faz ver em sentido inverso, nos doze meses, os doze signos do Zodíaco, na realidade é a terra que gira sobre si mesma e ao redor do Sol, do Ocidente ao Oriente, e passando de Libra a Aries nos seis meses de luz crescente e de Aries a Libra nos meses de luz decrescente.

Assim tendo realizado o Companheiro, as suas quatro primeiras viagens, segundo o movimento aparente do sol, realiza a última inversamente, segundo o movimento real da terra, ingressando definitivamente no campo da realidade, e cessando assim de ser escravo da aparência externa.

A espada sobre o peito

Nesta revisão do caminho recorrido, a espada apontada sobre o seu peito recorda ao novo companheiro o seu ingresso no Templo, na cerimónia de iniciação como Aprendiz. Este é, efectivamente, um dos sentidos simbólicos da mesma.

Como na iniciação do Aprendiz, a espada sobre o peito indica fundamentalmente a dor que sempre nos faz “dirigir para dentro”, pensar, reflexionar, discernir e saber. Não pode existir sabedoria que não se faça de alguma maneira amadurecido com a dor; assim como também todos os nossos sentidos e faculdades nasceram e se manifestaram evolutivamente sob o seu estímulo benéfico.

Para o Companheiro, a espada do Experto que o impulsiona no seu movimento retrógrado, representa sobre tudo, aquela irrefreável desejo que nasce no seu mesmo coração e o impulsiona a abandonar todas as regras que seguiu até então, para conquistar a liberdade que lhe aparece como Bem Supremo e como a coisa mais desejável. Ao mesmo tempo, nasce uma espécie de remorso que esconde em si o constante anelo de progresso inerente em todo ser humano, e que o segue constantemente naquela recaída, que é a primeira consequência da liberdade que acreditou poder conquistar abandonando as regras seguidas até então; este mesmo remorso, esta voz da consciência que representa a espada, e faz sentir sempre mais forte a regra interior que será para ele desde agora Lei Suprema da sua conduta.

Portanto mais que uma ameaça, a espada representa uma indicação: mostra ao Companheiro onde tem de buscar de agora em diante a régua perdida, a lei da sua conduta, e o novo instrumento (o sétimo instrumento necessário na Grande Obra de Construção Individual) que no seu próprio coração, nas profundezas do seu eu, no centro se o seu Ser, deve ser efectivo, com o reconhecimento da sua verdadeira natureza, e com a intuição que o faz canal e veículo da Inspiração Divina. Este é o sentido real da espada que se acha apontada sobre p seu peito, já não para ameaçá-lo, senão para guiá-lo a reconhecer o privilégio da sua Divina Liberdade e fazer de tal privilégio o uso mais sábio e mais inteligente.

Assim, pois, mostra a espada ao novo Companheiro a necessidade de se conhecer a si mesmo, para que possa assim contestar a pergunta Quem somos?, que é o problema iniciático deste grau.

Os cinco degraus

Enquanto que as primeiras três viagens terminam próximas ao Segundo Vigilante, ao término da quarta e da quinta viagens o aspirante é conduzido junto ao Primeiro Vigilante, que lhe pede, primeiro, o toque e logo a palavra de Aprendiz. Isto significa que antes de receber, o aspirante deve dar tudo que possui ou conhece; além disso com o toque demonstra ter passado pelos primeiros três anos ou etapas do seu progresso, representados pelas três viagens, e com a palavra reafirma o Acto de Fé, representado pelo sentido dessa palavra, a qual adquire uma importância especial depois da quinta viagem.

Ao passar da coluna do Norte para a do Sul, ou da perpendicular ao nível, onde termina para ele a orientação do Segundo Vigilante e inicia-se a orientação do Primeiro Vigilante, estando entre ambos, já se observa desde da quarta viagem, depois de ter provado na terceira viagem, com o uso da alavanca em união com régua, ter conseguido a perfeição como Aprendiz, pondo em acção e fazendo operativa a Fé, que é a qualidade que especialmente deve desenvolver-se neste grau, em união com a rectidão dos propósitos.

O esquadro que se une à régua na quarta viagem, mostra também o domínio do nível, que se impõem sobre o prumo, que dizer, a necessidade de um perfeito equilíbrio e de uma constante estabilidade e firmeza nos seus propósitos e aspirações, qualidades muito bem expressas pelo simbólico Edifício que se constrói com o auxilio destes instrumentos. O prumo transforma-se assim no Tau sagrado, sobre o qual há de brilhar a Estrela da sua Chispa Divina.

Para subir ao trono do Primeiro Vigilante precisa subir os cinco degraus, emblemáticos das cinco etapas ou viagens até agora recorridos. Estes degraus podemos representá-los de diferentes cores, em correspondência com o elementos e experiências das provas iniciáticas.

A primeira é negra, e corresponde a prova da terra. Recorda ao aspirante a Câmara de Reflexão, na qual foi introduzido para a necessária preparação ao grau de Aprendiz, e mostra-lhe a necessidade de visitar o interior da terra, penetrando na realidade das coisas que se esconde atrás da sua aparência ou forma exterior.

A segunda é azul e corresponde à prova do ar. Recorda a primeira viagem do Aprendiz e a necessidade de enfrentar-se com os prejuízos e os erros, as correntes contrárias do mundo, permanecendo firme no seu juízo e nos seus convencimentos espirituais, como uma torre que não vacila e não se desapruma sobre o ímpeto dos furacões mais violentos.

A terceira é branca e corresponde a prova da água. Recorda a segunda viagem do Aprendiz, e que deve o iniciado dominar e acalmar constantemente as ondas das paixões que brotam no seu coração, mantendo-se constantemente sereno e tranquilo no meio dos combates, das lutas e das violências exteriores.

A quarta é vermelha, e corresponde à prova do fogo. Recorda a terceira viagem do Aprendiz e mostra ao iniciado o seu dever de se libertar igualmente da fria indiferença e da exaltação impulsiva e necessariamente passageira, fazendo que o seu entusiasmo seja um fogo sereno e constante que, como o do organismo em perfeita saúde (livre da frieza da morte e do ardor da febre) produz um benéfico calor vital permanentemente ascendido na invencível aspiração para o Melhor.

A quinta é incolor e policroma, correspondendo a quinta essência. Refere-se ao novo elemento que se apresenta em forma especial ao consideração do Companheiro, correspondendo ao Princípio Universal no que se originam os quatro primeiros elementos e no que se resolvem. É o principio da Luz e da Palavra, o veículo do Verbo, no que segundo nos diz o Evangelho de S. João , se encontra a origem primeira de todas as coisas e de todos os seres: “Todas as coisas por ele foram feitas e sem ele nada do que foi feito existiria”.

A estrela flamejante

Chegado ao quinto degrau da sua simbólica ascensão, o Iniciado adquire aquela iluminação ou visão espiritual, que faz dele um vidente e o capacita para discernir a Estrela Flamejante que brilha diante e por cima dele, na parte mais íntima do seu ser.

Esta Luz ideal, proveniente do seu Ser Espiritual o ilumina agora com toda a claridade e guia com acerto dos seus passos na Senda do Progresso, que o converterá em “mais que homem”, no verdadeiro Mestre em toda a extensão da palavra.

A Estrela (emblema do homem perfeito ou do Arquétipo Divino do Homem, do verdadeiro Filho de Deus feito ou emanado directamente Dele, e pela sua imagem e semelhança) tem cinco pontas que correspondem aos quatro elementos e a quinta essência dos que acabamos de falar, ou seja dos metais ordinários ou faculdades comuns do homem: o prumo dos seus instintos materiais, o estanho da sua compostura vital, o cobre dos seus desejos e o ferro do seu templo, aos quais se unem o mercúrio filosófico da Inteligência Soberana que todo o amálgama e o domina.

Representa em si aquele místico pentagrama que foi eleito pelos Magos como o símbolo do Poder Soberano do Iniciado, ante o qual toda a natureza se inclina e obedece, reconhecendo aquela Imagem Divina que, reflectindo a verdade e a Nobreza, faz fluir o melhor de si, com a sua única presença, todos os demónios dos prejuízos e dos erros, dos instintos e das paixões.

Como todo emblema, é susceptível de reversão e, enquanto a sua posição direita mostra o Pentagrama Luminoso do Ideal, o homem que adquiriu um domínio perfeito e equilibrado sobre si mesmo, podendo-se escrever no mesmo a figura humana direita, com a cabeça para cima, Quando a sua posição se inverte, o erro e o pecado, a Ilusão da matéria simbolizada pelo sexo que toma o seu domínio sobre a cabeça, triunfam e fazem ao homem o escravo dos seus lúbricos instintos e das paixões animais, que também representa uma cabeça de bode inscrita num pentagrama invertido.

A letra “G”

Dentro da Estrela Flamejante encontra-se um signo ou hieróglifo, que se identifica muito bem com a letra G do alfabeto latino, em que o seu significado originário fora talvez um pouco diferente. A letra G acha-se exactamente no centro do pentagrama, e é digno de nota que, inscrevendo no mesmo a figura humana, tal centro corresponde exactamente as partes genitais.

É, pois, em extrema evidência, a relação fundamental desta letra com o genesis e a “geração” em todos os seus aspectos, representando em primeiro lugar o Centro Criador, origem de toda manifestação as diferentes expressões da Força Criadora, manifestada tanto no homem como nos demais seres viventes, por meio dos órgãos da geração.

Maxell Egens

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