O que vindes aqui fazer? Aonde queremos chegar?

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candelabro, fazer

  • Quando a mente está adormecida ou entorpecida, é preciso despertá-la;
  • Quando se distrai, será necessário trazê-la de volta;
  • Quando se apega demais, fazer vê-la outras possibilidades;
  • Quando atingir o equilíbrio, manter sem a desviar.

Estas afirmações são contundentes e de carácter evolutivo, pois, proporcionam um caminho seguro e equilibrado para a dinâmica pessoal diária. Pergunta: será necessária uma prática diferenciada no conjunto da dinâmica que vivemos apesar da nossa “impecável” formação pessoal?

Sim, com certeza! Estamos tão envolvidos no processo da existência e sobrevivência que nos afastamos de nós mesmos. Sempre procuramos as soluções dos nossos problemas e dificuldades fora de nós, no outro, no próximo, profissional ou amigo, quando todas as possibilidades de desfecho estão dentro de nós, no nosso íntimo, no nosso interior.

A nossa Ordem proporciona esta possibilidade no seu conjunto. Conjunto este com regras, disciplina, ritual, simbologia, cargos e funções empurrando a nossa personalidade para aprimorar o carácter e a conduta. Dentro da Loja, somos envolvidos em responsabilidades que – por vezes – não desejamos assumir e nos vemos praticando funções que sutilmente nos despertam para um novo estado de ser.

As nossas actividades e conteúdo maçónicos são expressos de maneira prática e objectiva proporcionando uma oportunidade de abrandar o nosso ego, talvez até submetê-lo e dominá-lo; e isso não quer dizer submissão ou aceitação passiva dos obstáculos e exigências que enfrentamos durante os nossos trabalhos e durante a nossa vida, representa sim uma acção com equilíbrio consciente que se pode manifestar até num recolhimento cuidadoso (um agir não agindo, escolhas); temos que procurar entender ou aceitar que uma atitude silenciosa ou “não manifestação”, não significa aceitação ou consentimento com situações ou obstáculos.

No âmago do ser humano, na sua Alma [1] só tem uma condição: a sua liberdade. Não é a liberdade objectiva ligada aos nossos sentidos ou sensações e vontades, mas, uma liberdade interior, a grande tarefa de assumir a sua verdade pessoal, o “Conhece-te a Ti Mesmo”, o auto-descobrimento.

Esse é o nosso trabalho, e quem não o faz é porque não deseja, pois, tem todas as possibilidades de fazê-lo com as ferramentas disponíveis pelo processo maçónico; temos que fugir da “inércia mental” assumindo o controle da nossa existência interior.

As leis da vida social actualmente mudam a cada minuto. Não há mais segurança no conhecimento de alguma lei moral que foi comunicada. É preciso buscar os próprios valores e assumir responsabilidade pela nossa própria conduta, e não simplesmente seguir ordens transmitidas de algum período do passado. Ademais, estamos intensamente cientes de nós mesmos como indivíduos, cada um é responsável pela sua própria senda, diante de si mesmos e do seu mundo”.

(Joseph Campbell)

Somos motivados desde o nosso ingresso a procurar a Luz [2], devendo constituir-se como meta dos nossos interesses. Só podemos nos aproximar de outras dimensões [3] provocando um desapegado da nossa mente comum levando-a a outras condições ou situações em que se encontra distraída ou afastada, e assim, quando tivermos a convicção de que os nossos preceitos e postulados são verdades para nós e para todo ser humano, uma forte convicção que não precisa da razão para se impor, estaremos exercitando ou experimentando uma sabedoria que tem a força de uma corrente da qual somos um elo; e essa ligação torna-se mais forte pelo trabalho das Lojas nos seus diversos ritos que podem ter diferenças, mas com pouca alteração [4].

Neste actual estágio evolutivo que nos encontramos, o nosso contacto objectivo faz-se através dos nossos sentidos, pois, através deles recebemos as informações e estabelecemos valores, é um bombardeio de impressões e a nossa mente acaba flutuando continuamente nesse mar de estímulos.

E sendo ela dinâmica e estar em constante estado de alerta recebendo informações incessantes e ininterruptas torna-se difícil haver um controle adequado e consciente, tornando essas impressões imprecisas e enganosas podendo distorcer e até limitar o conhecimento, sendo necessário ultrapassá-las despertando outras possibilidades latentes, mas adormecidas.

E para que isso aconteça, para ascendermos a um plano mais subtil, subjectivo, a “busca da verdade”, o “tirar o véu”, deve ser motivada pelo desejo de alcançar a sabedoria e o método é assimilação [5] e não simplesmente pela retenção na memória do conteúdo apresentado.

Esta transformação da mente para a prática ou interiorização dos conceitos transmitidos é lenta necessitando sempre uma reflexão sobre a simbologia apresentada. Devemos passar de “teóricos” e passarmos a “construtores” do edifício social, ajudantes edificadores da humanidade em marcha para um mundo melhor e mais esclarecido.

José Eduardo Stamato – MI  – ARLS  Horus nº 3811, Santo André – SP / Brasil

Notas

[1] Alma – essência sublime intermediária entre a vida do espírito e a vida objectiva infusa no ser humano, que procura integrar a personalidade num processo superior progressivo de transformações para que perceba que é parte de um todo maior, ainda nesta existência.

[2] Luz – como possibilidade (hoje simbólica) apresentada para uma busca e um despertar para dimensões superiores de consciência. Como exemplo, o Sol dispersa a noite, a chama de uma vela afasta a escuridão, portanto a “luz” tem poder sobre as trevas (o que seriam as “trevas”?).

[3] Dimensão (termo muito utilizado nos grupos esotéricos) – planos expandidos diferentes na sua constituição, mas semelhantes na expressão, podendo ocupar espaços distintos ou não, coexistindo em diversas frequências vibratórias.

[4] Isto se vencermos a vaidade da afirmação de que o Rito que praticamos é o “eleito” ou o “escolhido” ou o “verdadeiro”. O mesmo acontece com as Lojas.

[5] Assimilar – do latim: tornar semelhante a si, integrar a si. Só aproveitamos aquilo que assimilamos. Há uma integração e adaptação progressiva na dinâmica proposta pelo ritual e a sua simbologia.

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2 thoughts on “O que vindes aqui fazer? Aonde queremos chegar?”

  1. Ladislau Rodrigues de Moura

    Sempre me proponho a aprender; não simplesmente aprender, mas aprender com afinco. A luz da sabedoria elencadas com a humildade e disciplina. Que o Gra.·.Arq.·.d.·.U.·., a nós emane suas gotas de sapiência.

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