A possível origem dos levantamentos ritualísticos do Rito de York

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Rito de York

I – A pergunta (problema)

Qual seria a origem e quando se passaram a realizar os 3 Levantamentos praticados no Rito de York, dirigidos pelo VM?

II – Hipóteses

  1. Costume antigo, e que sempre os Levantamentos Ritualísticos assim foram praticados?
  2. Derivariam os Levantamentos de algum tipo de procedimento não-maçônico? De práticas ou ritos regimentais de alguma câmara legislativa ou de tribunal?
  3. Teriam sido originados os Levantamentos das Reuniões Maçônicas do Rito de York durante a Reconciliação (dos Modernos e Antigos) ou pós Acto de União de 1813?

Os 3 Levantamentos Ritualísticos aos quais este articulista se refere, atualmente, estão elencados em:

  1. Ritual do RY – Cerimônias Aprovadas do Rito de York – Gr. 1 – GOB 2009. (páginas 35 e 36)
  2. Ritual do RY – Ritual de Aprendiz Franco-maçom para o Rito de York do Grande Oriente do Brasil – Gr. 1 – GOB 2020. (páginas 61, 62 e 63)

1 – O Rito de York do GOB

No Grande Oriente do Brasil são praticados 7 ritos maçônicos, Rito Adonhiramita, Rito Brasileiro, Rito Escocês Antigo e Aceito, Rito Moderno, Rito de Schröder, Rito de York e Rito Escocês Retificado, todos eles com as suas características e peculiaridades, bem como as suas similitudes. O nosso Rito chama-se “Rito de York”, estabelecido no Grande Oriente do Brasil desde dezembro de 1871, conforme Boletim Oficial GOB do referido ano.

A origem do Ritual que praticamos é fruto da união entre duas Grandes Lojas inglesas rivais, a dos “Modernos” (1717) e a dos “Antigos” (1751), e o Ritual foi definido em 1816 pela Reconciliation Lodge ou Loja da Reconciliação (1813 – 1816), baseado nas premissas da Promulgation Lodge  ou Loja de Promulgação (1809-1811).

2 – A Loja de Reconciliação

Quando às duas Grandes Lojas da Inglaterra, conhecidas como os Antigos e os Modernos, resolveram, em 1813 sob o respectivo Grande Mestrado dos Duques de Kent e Sussex, pôr fim a todas as diferenças e formar uma Grande Loja Unida, foi fornecido no quinto Artigo da União, que cada um dos dois Grão-Mestres deveria nomear nove Mestres Maçons para se reunirem em algum lugar conveniente; e cada parte tendo aberto uma Loja justa e perfeita num apartamento separado, eles deveriam dar e receber mutuamente e reciprocamente as obrigações de ambas Fraternidades e sendo assim devidamente e igualmente iluminados em ambas as formas, eles deveriam ser empoderados e dirigidos para manter uma Loja, sob o Mandato ou Dispensação a ser confiada a eles, e ter direito à Loja da Reconciliação.

O dever desta Loja era visitar as várias Lojas sob ambas as Grandes Lojas, e instruir os oficiais e membros da mesma nas formas de iniciação, obrigação, etc., em ambos, para que a uniformidade de trabalho pudesse ser estabelecida. A Loja da Reconciliação foi constituída em 27 de dezembro de 1813, dia em que a União foi aperfeiçoada. Esta Loja era apenas temporária, e os deveres para os quais ela fora organizada foram deixados de existir pela sua própria limitação em 1816.

3 – Sobre os levantamentos (The Risings), segundo o livro O Ofício do Maçom, (The Freemason at Work) de Harry Carr:

O OFÍCIO DO MAÇOM, O GUIA DEFINITIVO PARA O TRABALHO MAÇÔNICO. HARRY CARR, TÓPICO 54, P. 102.

LIVRE TRADUÇÃO, por Alexandre L. Fortes:

4 – Os levantamentos

  1. Qual é a derivação e o propósito das palavras faladas pelo V.M. nos Levantamentos, quando ele pergunta se ‘. . . qualquer irmão tem algo a propor para o bem da Maçonaria em geral. . . ‘Etc.?
  2. Essencialmente, os Levantamentos são uma parte das formalidades de Fechamento da Loja, e é nessa parte do trabalho da Loja que devemos procurar evidências iniciais do procedimento. ‘Abertura’ formal e ‘Fechamento’ da Loja foi estabelecido nas lojas Continentais c. 1742-1760, e não apareceram (na versão impressa) na prática inglesa até a década de 1760.

Le Maçon Démasqué, exposição francesa de 1751, na sua descrição das preliminares antes de fechar a loja, afirma que o Mestre, dirigindo-se ao Director, perguntou:

Não tem ninguém. . . quaisquer representações a fazer sobre os assuntos em que trabalhamos? Falem irmãos.

Estas palavras foram incorporadas na primeira tradução inglesa dessa obra, Salomão em todas as suas Glórias, 1766, e esta é a evidência mais antiga que consegui rastrear de qualquer coisa que se aproxima a propósito dos Levantamentos. Mas, fora isso, parece não haver nenhuma evidência no início do século XVIII da prática de qualquer coisa semelhante aos Levantamentos. Nem posso rastrear qualquer indício de tal procedimento nas importantes obras posteriores de Preston, Browne, etc. Preston, por exemplo, tem um breve capítulo sobre a ‘Cerimónia de abertura e fechamento de uma Loja’, que deve ter sido procedimento estabelecido naquela época (1775), mas não há vestígios de nada parecido com os Levantamentos. Nem tem nada sobre o assunto na Chave Mestra de Browne, 1798, onde o ritual completo e os detalhes procedimentais nos levariam a esperar alguns indícios de práticas de Levantamento.

Sou, portanto, de opinião que os Levantamentos foram provavelmente introduzidos na União das Grandes Lojas, 1813, ou logo depois, como resultado do trabalho da Loja de Reconciliação.

O OBJETIVO DOS LEVANTAMENTOS

Eu acredito que eles estavam ligados, de alguma forma, com o dever do Diretor Sênior de cuidar para que cada irmão tenha o seu direito assegurado – a si mesmo, como um vínculo com às Antigas Obrigações. (Veja AQC, Vol. 74, p. 151.) Os levantamentos foram projetados, principalmente, para garantir que cada Irmão na loja tivesse uma adequada oportunidade de fazer propostas, ou iniciar discussão, sobre assuntos de interesse para a loja e o ofício.

Por que três Levantamentos? Os triplos Levantamentos devem ser comparados, na origem, à tripla proclamação do novo V.M., ou proclamações públicas que foram repetidas três vezes a fim de que se certifique de que foram ouvidos por todos.

Isso necessariamente leva à conclusão de que os triplos Levantamentos não foram inicialmente planeados como três oportunidades separadas para três tipos diferentes de comunicação, que é a atual prática.

OS LEVANTAMENTOS NA PRÁTICA MODERNA

O texto da fórmula em que o V.M. pergunta ‘. . . se algum irmão tem algo a propor. . . ’ parece implicar que todo irmão tem o direito de responder, ou seja, o primeiro levantamento não foi originalmente reservado ao Secretário da Loja para ler as comunicações da Grande Loja, como é hoje em dia.

Claramente, uma padronização da prática em relação aos Levantamentos deve ser uma grande vantagem e, embora não sejam mencionados no Livro das Constituições, ou nos Pontos de Procedimento no Livro do Ano Maçônico, a Grande Loja, de facto, recomenda o seguinte procedimento:

Em Londres:

  1. Primeiro Levantamento – Comunicações da Grande Loja.
  2. Segundo Levantamento – Propostas para membros novos e ingressantes: avisos de moção.
  3. Terceiro Levantamento – Comunicações gerais, desculpas por ausência e outros assuntos devidamente levantados por membros da Loja.

Em lojas provinciais:

  1. Primeiro Levantamento – como o número 1 acima.
  2. Segundo levantamento – Comunicações da Grande Loja.
  3. Terceiro levantamento – uma combinação dos números 2 e 3 acima.

Reuniões de emergência. Os Levantamentos são omitidos nas reuniões de emergência porque as lojas não têm poderes para lidar com qualquer negócio que não seja o impresso na convocação da Loja.

III – Conclusão – à luz de O ofício do Maçom (Harry Carr)

(Ver item 4, p. 3 – OS LEVANTAMENTOS)

Muito provavelmente teriam sido originados os Levantamentos das Reuniões Maçônicas do Rito de York durante a Reconciliação (dos Modernos e Antigos), através da Loja de Reconciliação, período de 1813 a 1816. E devem ser comparados, na origem, à tripla proclamação do novo V.M., ou, a proclamações públicas de oficiais ou arautos do Estado, que eram repetidas por três vezes a fim de que se certificassem de que realmente eram ouvidos por todos.

5 – Texto em língua inglesa:

THE FREEMASON AT WORK. THE DEFINITIVE GUIDE TO CRAFT FREEMASONRY. HARRY CARR. 54, P. 102.

  1. THE RISINGS
  2. What is the derivation and purpose of the words spoken by the W.M. on the Risings, when he asks if ‘. . . any brother has aught to propose for the good of Freemasonry in general . . . ‘ etc.?
  3. Essentially, the  Risings  are  a  part  of  the  formalities  of  Closing  the  lodge,  and  it  is  in  that portion of lodge-work that we should look for early evidence of the procedure. Formal ‘Opening’ and  ‘Closing’  of  the  lodge  was  established  in  the  Continental  lodges  c.  1742-1760, and did not make its appearance (in print) in English practice until the 1760s.

Le  Maçon  Démasqué,  a  French  exposure  of  1751,  in  its  description  of  the  preliminaries before closing the lodge, states that the Master, addressing the Warden, asked:

has no one . . . any representations to make upon the matters in which we have worked? Speak brothers.

These words were incorporated in the first English translation of that work, Solomon in all his Glory,  1766,  and  this  is  the  earliest  evidence  I  have  been  able  to  trace  of  anything  approaching the purpose of the Risings. But, apart from this, there seems to be no evidence in early eighteenth-century practice of  anything  resembling  the  Risings.  Nor  can  I  trace  any  hint  of  such  procedure in  the  important  later works of Preston, Browne, etc. Preston, for example, has a brief chapter on the  ‘Ceremony  of  opening  and  closing  a  Lodge’,  which  must  have  been  established  procedure  at that  time  (1775),  but  there  is  no  trace  of  anything  resembling  the  Risings.  Nor  is  there  anything on  the  subject  in  Browne’s  Master  Key,  1798,  where  the  full  ritual  and  procedural  detail  would lead us to expect some indications of Rising practices.

I  am,  therefore,  of  the  opinion  that  Risings  were  probably  introduced  at  the  Union  of  the Grand Lodges, 1813, or soon afterwards, as a result of the work of the Lodge of Reconciliation.

THE PURPOSE OF THE RISINGS

I  believe  they  were  linked,  in  some  way,  with  the  Senior  Warden’s  duty  ‘to  see  that  every Brother  has  had  his  due’—itself  a  link  with  the  Old  Charges.  (See AQC, Vol.  74, p.  151.)  The Risings  were  designed,  primarily,  to  ensure  that  every  Brother  in  the  lodge  would  have  a  proper opportunity  of  making  proposals,  or  initiating  discussion,  on  matters  of  interest  to  the  lodge  and the craft.

Why three Risings?  The  threefold  Risings  are  to  be  compared,  in  origin,  to  the  threefold proclamation of the new W.M., or to public proclamations which were thrice repeated in order to ensure that they were heard by all.

This necessarily leads to the conclusion that the threefold Risings were not at first intended as three  separate  opportunities  for  three  different  types  of  communication,  which  is  the  present-day practice.

THE RISINGS IN MODERN PRACTICE

The wording of the formula in which the W.M. asks ‘. . . if any Brother has aught to propose . . .’ seems to imply that every Brother has the right to answer, i.e., the First Rising was not originally reserved  to  the  lodge  Secretary  for  reading  communications  from  the  Grand  Lodge,  as  it  is nowadays.

Clearly,  a  standardization  of  practice  in  regard  to  the  Risings  must  be  a  great  advantage  and, although they are not mentioned in the Book of Constitutions, or in the Points of Procedure in the Masonic Yearbook, the Grand Lodge does, in fact, recommend the following procedure:

In London:

  1. First Rising—Communications from the Grand Lodge.
  2. Second Rising—Propositions for new and joining members: notices of motion.
  3. Third Rising—General  communications,  apologies  for  absence,  and  other  matters  properly  raised  by  members  of  the lodge.

In Provincial lodges:

  1. First Rising—As nº 1 above.
  2. Second Rising—Communications from the Prov. Grand Lodge.
  3. Third Rising—A combination of nºs 2 and 3 above.

Emergency meetings.  The  Risings  are  omitted  at  emergency  meetings  because  lodges  are  not empowered to deal with any business other than that printed on the lodge summons.

Alexandre L. Fortes, MI – CIM 285969 – A.R.L.S. Ir. Cícero Veloso N° 4.543 – GOB-PI – GOB

6 – Fontes:

  1. The Freemason at Work. The Definitive Guide to Craft Freemasonry. Harry Carr. 54, P. 102.
  2. Ritual do Aprendiz Franco-Maçom para o Rito de York. Gob. 2020.
  3. Ritual do Aprendiz Maçom (Cerimônias Aprovadas do Rito de York.
  4. Encyclopedia of Freemasonry, Vol I (1873) & Vol II (1878). Albert G. Mackey.

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