(Continua)
Tendo assim estabelecido qual era o significado e importância dos mistérios de Elêusis ou Dionisianos entre os antigos gregos, que nos transmitiram o conhecimento deles; e tendo mostrado que as cerimónias não se destinavam, na sua origem, ao culto do sol, considerado uma divindade, passaremos a examinar como esses mistérios foram comunicados a outras nações pelos gregos.
Cerca de cinquenta anos [71] antes da construção do Templo de Salomão em Jerusalém, uma colónia de gregos, principalmente jónios, reclamando dos limites territoriais do seu país, com uma população crescente, emigraram; e tendo-se estabelecido na Ásia Menor, deram a esse país o nome de Jónia [72].
Sem dúvida que as pessoas carregavam consigo as suas tradições, ciências e religião; e os mistérios de Eleusis [73] entre os demais. Consequentemente, descobrimos que uma das suas cidades, Biblos, era famosa pela adoração de Apolo, assim como Apolónia havia sido com os seus ancestrais [74].
Esses jónicos, participando do estado de civilização aprimorado em que a sua pátria mãe, a Grécia, então se encontrava, cultivavam as ciências e as artes úteis; e tornaram-se mais conspícuos na arquitectura e inventaram ou aprimoraram a ordem chamada pelo próprio nome de Jónica.
Eles formaram uma sociedade cujo propósito era se dedicar à construção de edifícios. A assembleia geral da sociedade foi realizada pela primeira vez em Theos; mas depois, em consequência de algumas comoções civis, passou para Lebedos [75].
Essa seita ou sociedade era agora chamada de Artífices Dionisianos, já que Baco era considerado o mentor da construção de teatros; e realizavam as festividades dionisianas [76]. Posteriormente, eles se estenderam à Síria, Pérsia e Índia [77].
A partir desse período, a Ciência da Astronomia, que deu origem aos símbolos dos ritos dionisianos, passou a se relacionar com tipos extraídos da arte de construir [78].
Essas sociedades jónicas dividiam-se em diferentes secções, ou assembleias menores [79]. Algumas dessas associações pequenas ou dependentes; também tinham os seus nomes distintos [80].
E eles estenderam as suas visões morais, em conjunto com a arte de construir, para muitos propósitos úteis e para a prática de actos de benevolência [81].
Encontramos registado que essas sociedades, com a sua utilidade, foram muitos anos depois investigadas por Cambises, rei da Pérsia, que as aprovou e deu a elas grandes marcas de favores [82].
É essencial observar que essas sociedades; tinham palavras significativas para distinguir os seus membros [83]; e para o mesmo propósito usavam emblemas retirados da arte de construir [84].
Notemos agora a passagem dos Artífices Dionisíacos para a Judeia. Salomão obteve de Hirão, rei de Tiro, homens hábeis na arte de construir, quando o Templo foi erguido em Jerusalém [85]. Entre os estrangeiros, que vieram nesta ocasião, encontramos homens de Gabel, chamados Giblim [86]; quer dizer, os Jónios estabeleceram-se na Ásia Menor, pois Gabbel, ou Biblos, era aquela cidade onde ficava o templo de Apolo, onde eram celebrados os ritos de Elêusis ou mistérios dionisianos, como já referimos [87].
Poderíamos, além desse argumento, produzir alguma autoridade; pois Josefo diz que o estilo grego de arquitectura foi decididamente usado no templo de Jerusalém [88].
Depois disso, não podemos nos surpreender ao descobrir que as cerimónias de Elêusis, ou Thamuz, deveriam ter sido introduzidas na Judeia, particularmente, porque o próprio Salomão, após ter entrado nas alusões científicas na construção do templo, não estaria livre da acusação de grosseira superstição da idolatria [89].
Assim, encontramos alguns anos depois o profeta Ezequiel reclamando que as mulheres israelitas choravam por Thamuz em certo período do ano, nos próprios portões do templo [90].
Mas é natural supor que os Artífices Dionisianos não teriam tentado introduzir esses ritos entre os judeus religiosos, por mera questão de idolatria, para a simbologia representativa do sol. As ideias dos israelitas, no que concerne à unidade de Deus, ter-se-iam revoltado com isso, induzindo uma crença no politeísmo dos gentios.
O símbolo, portanto, nesses mistérios, deve ter sido explicado aos judeus, para significar apenas o sol, no sentido verdadeiro e original desses mistérios; ou seja, como um imagem da bondade de Deus para com o homem; e os movimentos aparentes daquela luminosidade, primeiro como o guia para fixar as estações; em seguida, como tipos ou lembranças da imortalidade da alma: pois este dogma não aparece nem está claro nos livros dos judeus antes desse período, nem universalmente admitido entre eles em data posterior [91].
Para evitar, portanto, qualquer alusão à idolatria nessas cerimónias e símbolos, outro personagem ou outro nome deve ter sido substituído por Adónis ou Osíris; e como uma morte e ressurreição simbólicas eram essenciais, na alegoria do sistema, a história da morte de outro indivíduo deve ter sido substituída.
No entanto, no enquadramento desta nova história simbólica, tais circunstâncias deveriam ser relacionadas ou conectadas com a morte daquele personagem, de forma a tipificar e explicar a totalidade dos mistérios de Elêusis, ou a passagem do sol do hemisfério superior para o inferior, e o seu retorno novamente [92].
Na formação desse novo sistema, ou melhor, nova alegoria ao mesmo sistema, embora o nome do herói tenha sido alterado, as circunstâncias devem ter sido preservadas, na medida que são consistentes com os novos nomes. . .
Toda a construção do templo favoreceria uma alusão desse tipo.
A pedra fundamental foi colocada no segundo dia do segundo mês [93]; o que corresponde em média ao dia 20 de Abril; contando o ano sagrado, no zodíaco fixo.
Agora, se rectificarmos o globo para a latitude de Jerusalém (31° 30′) naquele período do ano, teremos o sol em Áries, o sol representado por um carneiro ou ovelha, ou um homem com pele de ovelha; como o hierofante foi representado, nos mistérios de Elêusis [94].
Portanto, o próprio período do ano em que a pedra fundamental do templo foi lançada, seria uma oportunidade de estabelecer sobre ela um novo sistema alegórico, para explicar o antigo mistério.
Se supormos que o globo representa o mundo na posição acima descrita, o neófito estando a oeste de frente para o hierofante, que se encontra a leste; ao nascer do sol, o candidato se encontrará entre os dois trópicos, representados pelas duas colunas [95] que eram colocadas na entrada oeste daquele templo.
Para melhor compreender a facilidade com que o antigo sistema poderia ser adaptado às circunstâncias do templo de Jerusalém, devemos considerar os seus simbolismos típicos, de acordo com as noções dos judeus e alguns dos padres cristãos.
Os templos construídos em homenagem aos vários deuses eram moldados de maneira a fazer alusão aos supostos atributos de tais deuses [96]. Mas os platónicos supunham que o universo era o verdadeiro templo do verdadeiro e único Deus [97]. O templo, dedicado ao Deus verdadeiro, era para ser um reflexo do universo.
Assim, descobrimos que o templo de Jerusalém estava situado de leste a oeste, e com dimensões e tipos, todos adaptados para representar o sistema universal da natureza [98].
Se o templo de Salomão era um reflexo do universo, para simbolizar que Jeová não era um Deus local, mas o Deus único, Senhor do universo; a tradição também nos diz que o local de reunião dos Artífices Dionisianos era alegoricamente descrito pelas suas dimensões, como um símbolo do universo, em comprimento, largura, altura e profundidade.
Os antigos representavam o curso das estrelas, pelo enrolamento de uma serpente; mas se esta fora colocada de forma a ter o rabo na sua boca, então representava a eternidade.
Agora, se considerarmos o início do ano civil entre os hebreus, o mês Tisri, que estava no equinócio de Inverno [99]; o sol, procedendo dali, se aproxima do sul e toca o trópico de Capricórnio; então retrocede em direcção ao norte, cruzando o equinócio e tocando o trópico de Câncer; daí retrocedendo novamente para o sul, chega ao equinócio, terminando o ano.
Esses pontos, em um mapa estendido dos dois hemisférios, parecem separados; mas a imagem da serpente mordendo o rabo, representaria o final do ano, encontrando o início do seguinte [100].
O Sr. Hutchinson provou que os globos, no topo das duas colunas, no pórtico do templo, eram orreries, ou representações mecânicas dos movimentos dos corpos celestes [101].
Penso que, depois dessas circunstâncias, que tantas facilidades proporcionaram à introdução do sistema dos Artífices Dionisianos na Judeia, a continuação do mesmo, em períodos posteriores, não pode ser de difícil explicação. Encontramos declarado, no Livro dos Macabeus [102], que existia naquela época na Judeia uma sociedade, chamada de Assidianos ou Cassidianos, cuja função era cuidar das reparações do templo.
Destes Cassidianos procedeu a seita ou sociedade dos Essénios, que, de acordo com Filo e Josefo, eram iguais aos Assidianos; e provavelmente, porque eles não admitiam mulheres nas suas assembleias, Plínio diz [103] que eles foram propagados sem esposas. Josefo [104] menciona o primeiro dos Essénios, na época de Aristóbulo, e Antígono, filho de Hircanus; mas Suidas [105] e outros achavam que eram um ramo dos Recabitas, que subsistiram antes do cativeiro.
Josefo, provavelmente ignorante dos princípios secretos dos Essénios, também os acusa de adorar o sol ou de fazer orações antes do nascer do sol, como se para incitá-lo a se levantar. Mas essa mesma acusação, mais uma vez, os identifica com a seita dos Artífices Dionisianos, que, como parece pelas razões acima expostas, deveriam adorar o sol. Josefo relata muitos outros detalhes, pelos quais, de maneira surpreendente, os traz ao que relatamos das outras sociedades que as precederam [106]. Também aponta a conformidade das suas ideias com as dos platónicos e dionisianos, sobre o natureza da alma [107]. Em suma, eles usaram símbolos, alegorias e parábolas, à maneira dos antigos [108].
As práticas desses Essénios são representadas por Philo [109] como as mais pacíficas e cheias de virtudes sociais; e aqueles entre eles que eram mais entusiastas dos seus princípios, tinham os seus bens em comum, como os cristãos tinham nos primeiros tempos do Cristianismo [110].
Os Essénios não tiveram as suas cerimónias e mistérios registados na história; mas até agora sabemos que eles transmitiram à posteridade as doutrinas que recebiam dos seus ancestrais [111]; tinham também placas distintivas [112]; e os banquetes de festa [113]; embora não pareça que seguissem exclusivamente a profissão de construtor ou arquitecto.
Fora da Judeia, encontramos também sociedades que se distinguem pelos mesmos personagens dos Essénios e com os mesmos princípios de Platão; pois os pitagóricos também empregavam os símbolos da arte de construir [114]. Os Artífices Dionisianos também existiam na Síria, na Pérsia e na Índia [115]; e os mistérios de Elêusis foram preservados na Europa, mesmo em Roma, até o século VIII da era cristã [116].
Depois dessa época, a Europa foi vitimada pelas nações mais bárbaras que, perseguindo todas as tradições científicas, espalharam uma era de escuridão geral, na qual todos os trabalhos dos antigos, em favor da humanidade, estavam quase perdidos na ignorância geral dos seus tempos.
Essas mesmas sociedades e seitas também haviam sido muito abusadas em períodos anteriores, e as cerimónias convertidas, como vimos, para os piores propósitos: esta foi outra causa poderosa para o seu declínio e ruína. O Cristianismo era então na Europa, o único vínculo de moralidade pelo qual o poder poderia, em alguma medida, ser controlado ou restringido. Quando as ciências começaram a se reviver, prevaleceu um fanatismo geral e apareceu um espírito de perseguição, que fez com que as antigas doutrinas dos filósofos e os velhos sistemas de moralidade fossem considerados apenas descendentes do ateísmo e práticas de idolatria.
Nestas circunstâncias, os Eleusianos, os Artífices Dionisianos, os Assidianos ou os Essénios caíram em tal esquecimento que nenhuma menção relevante a eles é feita na história contemporânea.
No século XI, durante as guerras das cruzadas, algumas sociedades foram instituídas na Palestina e na Europa, que adoptaram alguns regulamentos semelhantes aos das antigas fraternidades. Mas foi na Inglaterra, e principalmente na Escócia, onde os restos do antigo sistema, identificado com o dos Artífices Dionisianos, foram revividos nos tempos modernos.
Cætera desunt
Hipólito José da Costa
Tradução de Octávio Pimenta Sousa, M∴ M∴
Notas
[71] A emigração dos Jónios para a Ásia Menor é mencionada por Heródoto e outros, mas a época é fixada por vários autores de forma diferente:
- Por Playfair no ano A. C. de 1044
- Gillies 1055
- Anacharsis 1076
[72] “Diz-se que o chefe da colónia jónica era Androclus, um filho legítimo de Codrus, o rei de Atenas; portanto, é relatado que os jónios estabeleceram a sua realeza; e os descendentes dessa raça, mesmo agora, são chamados reis, e gozam das suas erecções, isto é, um lugar onde assistem aos espectáculos e aos jogos públicos, usando a púrpura real, e um bastão em vez do ceptro, e os ritos de Elêusis. ”
Strabo, Lib. XIV. p. 907.
Esta emigração também é mencionada por Herodotus, Lib. I. cap. 142, and 148; Aelianus, Lib. VIII. Pausanias, in Achaicis; Plutarchus, in Homero, Veleius Paterculus, in Chronico. Clemens, Lib. I. Strom.
[73] Vide Strabo, acima.
[74] “Byblos era a capital de Cinera, e havia um templo de Apolo, situado em um local elevado, não muito longe do mar. Depois fica o rio chamado Adónis.” Strabo, Lib. XVI. p. 1074.
[75] “Lebedos, foi a sede e assembleia dos Artífices Dionisianos, que habitam desde a Jónia ao Hellespont; lá eles tiveram anualmente suas reuniões solenes e festividades em homenagem a Baco. A sua primeira sede foi Theo.”
Strabo, Lib. XIV. p. 921.
O tradutor latino de Estrabão traduz os Artífices Dionisianos ( Διονυσιος τεχνε)
{Greek Dionusios texne}) scenicos artificers; porque Baco ou Dioniso era suposto ser o inventor dos teatros e cenas, derivado do Heb. זכש {Hebrew ShKZ}, para habitar.
[76] Polydor. Virg. de Rer. Invent, I. 3. c. 13.
[77] Strabo, p. 471.
[78] Da aplicação de instrumentos de arquitectura à moralidade, os filósofos platónicos e pitagóricos pegaram não apenas símbolos, mas palavras para explicar as nossas ideias morais.
Por exemplo, um homem certo (recto); obrigação, do ligamento (ligare) e da mesma lei (lex a ligare); para enquadrar nossas acções (quadrare) Justum aequum, etc. Mente rude, mente polida; de pedra bruta e pedra polida, etc.
[79] As reuniões ou assembleias dos Artífices Dionisíacos tinham vários nomes, ( ας συνοιχια
{Greek as sunoixia}) contubernium, o qual era o local do seu encontro. A sociedade era chamada às vezes de συναγωγη {Greek sunagwgh} (collegium); ἄρεσις {Greek á?resis}; (secta); συνοδος {Greeksunodos} (congregatio) χοινος {Greek xoinos}; (communitas). Aulus Gellius, Lib. cap. II.
[80] See Chiseul, Antiquitates Asiaticæ, p. 95.
[81] “Este exemplo imitou aqueles jónicos que emigraram da Europa para os países marítimos de Caria (Ásia Menor) e também os dórios, seus vizinhos, construindo templos com uma despesa comum. Os jónios construíram o templo de Diana em Éfeso, os dórios o de Apolo em Triopii, onde em um certo período eles se repararam com suas esposas e filhos, e lá realizaram ritos sagrados, e tiveram um mercado, da mesma forma jogos, corridas, lutas, festas musicais de diferentes tipos, e fizeram oferendas comuns aos deuses. eles realizaram os espectáculos e os negócios do mercado, ou feira, e cumpriram uns com os outros os deveres dos semelhantes, se houvesse algum litígio entre as cidades, eles se sentaram como juízes para resolver a disputa; além disso, nessas assembleias eles debateram quanto à guerra com os bárbaros, e os meios de manter um acordo mútuo entre as nações. “Dionis. Halicarn. Lib. III p. 229. edit. 1691.
[82] “Depois disso, os habitantes da Jónia consideraram apropriado recorrer a Cambises, e tendo-lhe apresentado qual era o seu negócio, o rei os ordenou que estivessem em sua presença e perguntou quem eram e como passaram a viver em seus domínios; e tendo examinado e verificado de onde eles procediam, ele os admirou, e preferiu que eles fossem erigidos em uma sociedade por si mesmo, do que permitir que ele recebesse como vindo de outro país; pois ele pensava que não era decoroso receber favores de outros, que peregrinaram em seu país, como se ele fosse receber aqueles serviços como pagamento por suas habitações; e, portanto, para demonstrar isso, despediu-os com presentes, como marcas da sua munificência ”. Libanius in Orat. XI. Antiochus. Vol. II. p. 343.
[83] Robertson’s Greece, p. 127.
[84] Eusebius de Prep. Evang. L. III. c. 12. p. 117.
[85] Reis, chap. v.
[86] A tradução inglesa da Bíblia em I Reis v. v. v. 18 onde o hebraico original diz Gibblim ( םילבג
{Hebrew GBLYM}) ou Gibblites, que significa habitantes de Gebbel, torna-o, pelo apelativo, quadrados de pedra. A prova de que esta leitura não é correcta, não é apenas por causa das opiniões diferentes de todas as outras traduções, que entendem por este Gibblim os habitantes de Gebbel; mas que o mesmo inglês p. 34 tradução, em outra parte da Bíblia, traduz a mesma palavra pelos antigos de Gebbal. (Ezek. Ch. xxvii. v. 9.) Agora que Gabbel era igual a Biblos, está claro; porque a versão da Septuaginta sempre traduz este Gebbel por Biblos, e embora houvesse várias cidades com esse nome, esta parece ser aquela que fica entre Trípoli e Berite; e ainda chamado Gebail. De facto, Luciano, em seu Tratado De Dea Síria, afirma expressamente que Gabala era Biblos, famosa pelo culto a Adónis.
[87] Pois encontramos em Ezequiel essas palavras “E eu vi as mulheres sentadas chorando por Thamuz”, isto é, Adónis. Assim, porém, foi o que fizeram os habitantes daquelas cidades, em testemunho de que enviaram cartas a mulheres que estavam em Biblos, quando Adónis foi encontrado, e depois escaladas e jogadas ao mar, dizem que foram carregadas espontaneamente para Biblos; e, quando lá chegaram, as mulheres pararam de chorar por Adónis. ”
Procopius em Isaiah c. xviii.
[88] Josephus Antiquit. Lib. VIII. c. 5.
[89] I Reis chap. xi. v. 5, and 6.
[90] Ezek. c. viii. v. 14. Thamuz significa o nome de um mês, e também o nome de um ídolo ou divindade, que mesmo na opinião de São Jerónimo é o mesmo que Adónis. Plutarco diz que os egípcios chamavam Osíris de Ammuz, e daí foi derivado de forma corrupta o nome de Júpiter Amon. Robertson (Thesaurus Linguæ Sanctæ) diz que a palavra Ammuz (leia Ammoum) usada por Heródoto e Plutarco, eram corrupções do hebraico Thamuz (hebraico זוםת {hebraico TMWZ}). Eu preferiria dizer que a palavra era originalmente egípcia e tornada hebraica pela adição do formativo ת (hebraico T); e ainda mais, porque Ammuz na língua egípcia significa (pela explicação de Manetho em Plutarco) algo obscuro ou oculto; que tem uma alusão evidente à ocultação ou morte simbólica de Osíris ou Adónis.
[91] Mark. chap. xii. v. 18.
[92] Assim, nos números, 3, 5, 7, 12, 15 deve ter sido preservado como essencial. Nas cerimónias, o símbolo da morte e ressurreição; o cruzamento do equinócio duas vezes, etc. Na época, a estação do ano, quando o sol chega aos dois trópicos, o nascente, o sul, o poente, etc.
[93] Chron. chap. iii. v. 2.
[94] Ver nota pág. 10.
[95] πετρωμα {Greek petrwma}
[96] Vitruvius Lib. IV. c. 5.
[97] “Com razão, portanto, Platão, sabendo que o mundo é o templo de Deus, mostrou um lugar na cidade onde os símbolos deveriam responder.” Clemens, Strom. Lib. V. p. 691.
[98] Devemos aqui primeiro citar a autoridade dos judeus neste ponto.
“Agora, consideremos o que pode ser sub-indicado pelos querubins e pela espada flamejante girando em todas as direcções. E se isso devesse ser considerado a circunvolução de todos os céus?”
“Mas, da espada flamejante girando para todos os lados, pode-se entender que significa o movimento perpétuo destes (Querubins) e de todos os céus. Mas e se fosse tomada de outra forma? De modo que os dois querubins significam os dois hemisférios.”
Philo Judeus, p. 111, & 112.
“A túnica do sumo sacerdote, visto que era de linho, representa a terra; o azul, o pólo do céu; os relâmpagos eram indicados pelas romãs; os trovões pelo som dos sinos, & c”… “Mas os dois sardonixes, com os quais a vestimenta pontifical é presa, denotam o sol e a lua, mas se alguém deseja referir as doze pedras aos doze meses, ou ao mesmo número de estrelas (constelações) no círculo, que os gregos chamavam de zodíaco, ele não se desviará do verdadeiro significado.”
Josephus, Antiq. Lib. III.
Agora para os Padres Cristãos:
“Seria muito longo seguir as (declarações) proféticas e legais que foram expressas por enigmas: quase toda a Escritura divina oferece esse tipo de oráculos.
“Aquele que raciocinar correctamente encontrará o suficiente para o propósito, daremos alguns exemplos. Então, por exemplo, o que os antigos falavam do templo, os sete recintos, que também se referem a outras coisas na história dos hebreus, e o que era por dentro pelo aparato de vários Símbolos, referentes às aparências, significam em sua composição o que se refere, ao céu e à terra. Eles significam, então, o que para a natureza dos elementos importa a revelação de Deus. o linho (Βυσοσ {Busos grego}) da terra, o azul (hyacinthus) da cor do céu, pois é escuro; o escarlate, o fogo. No meio do Templo, porém, estava o véu, além do qual apenas os sacerdotes podiam ir; havia o incensário, símbolo da terra, que é este mundo, e do qual acontecem as exaltações. Mas aquele lugar, que depois dentro do véu, onde só o sumo sacerdote tinha permissão de entrar, e em certos dias; o pátio externo que estava aberto a todos os hebreus, dizem eles, era o meio entre o céu e a terra. Outros dizem que era o símbolo do mundo, que é percebido por nossos sentidos intelectuais. Mas a abertura que separou a infidelidade do povo, p. 39 foi estendido diante de cinco colunas, e separou aqueles que estavam no tribunal.”
Clemens, Strom. L. V. p. 665.
Este padre cristão explica essas colunas, pela seguinte passagem de Platão:
“Platão diz que devemos contemplar essas colunas, e ver com diligência que nenhum profano se atreva a ir lá. São profanos que acreditam que nada existe, mas o que podem tocar com as mãos, as acções e gerações, e todas essas coisas, que não podemos ver, nas coisas que existem, são incontáveis. Tais são aqueles que não atendem a nada além dos cinco sentidos.”
Clemens, Strom. Lib. V. “Agora, para o castiçal, que foi colocado no sul do incensário. Por isso foi exemplificado o movimento dos sete planetas, que têm seus movimentos no sul. Pois em cada lado do castiçal havia ramos, e neles lâmpadas; porque, o sol também, como uma lâmpada, é colocado no meio das outras (estrelas) errantes, e aquelas que estão acima dele, e aquelas que estão abaixo dele, por uma certa harmonia divina recebem luz dele. ”
Clemens, Strom. Lib. V. p. 666.
“Essas coisas, porém, ditas sobre a arca sagrada, significam o mundo percebido pelos sentidos intelectuais, que são ocultos e fechados ao vulgar. Além dessas imagens douradas, cada uma com seis asas, elas significam os dois ursos, como alguns terá; ou, o que parece mais conveniente, os dois hemisférios. Na verdade, o nome de querubins significa um amplo conhecimento. Mas ambos têm duas asas e, portanto, significam o mundo sensível, e o tempo decorrido pelo círculo do zodíaco. ”
Clemens, Strom. Lib. V. p. 667.
“Mas os 360 sinos, pendentes do manto comprido (do sacerdote) são as épocas do ano; pois se diz que este é o ano do Senhor, pregando e ressoando a grande chegada do Salvador.”
Clemens, Strom. Lib. V. p. 668.
“As duas pedras esmeraldas brilhantes, que estão na ombreira, significam o sol e a lua, que são os ajudantes da natureza. Pois era suposto que o ombro fosse o começo da mão. Mas aquelas outras doze pedras, que estão dispostos em quatro linhas, descrevem para nós o círculo do zodíaco e concordam com as quatro estações do ano. “Clemens, Strom. Lib. V. p. 691.
[99] O primeiro mês civil dos judeus, chamado Tisri, (ירשית {Hebraico TYShRY}) foi do egipcio Misri, mudando apenas o ט {Hebraico T} formativo para ת {Hebraico T}. E a palavra foi derivada de רםי
{Hebraico YMR} (recto esse), como então o sol estava no equinócio: e os Rabinos, até hoje, chamam o equinócio de ירשים {hebraico MYShRY}. Os gregos soletrando mal o nome chamam este mês egípcio de ημυςορυ {grego hmusoru}.
[100] O número 12, que é o dos meses do ano, e aludido em tantos tipos de Templo, deve ter proporcionado também facilidades para estabelecer o sistema dos Artífices Dionisianos; e, portanto, daremos alguma ideia da filosofia pagã anexada a este número, nos seguintes extractos de Suidas: “O grande Demiurgos, ou arquitecto do universo, empregou doze mil anos, na obra que ele produziu, e dividiu em doze vezes as doze casas do sol. ”
Suidas, Art. Tyrrhenia.
“No primeiro mil, ele fez o céu e a terra. No segundo mil, o firmamento (expansão) que ele chamou de coelum. No terceiro mil, ele fez o mar, e a água que corre sobre a terra. No quarto , ele fez duas p. 41 grandes tochas da natureza. Na quinta, ele fez os quadrúpedes, animais que vivem na terra e nas águas. Na sexta, ele fez o homem. ”
“Tendo os primeiros seis mil anos precedido a formação da raça humana, parece que não existirá senão durante os seis mil anos, que serão os demais para completar o período de doze mil, ao fim do qual terminará o mundo.”
Suidas Ib.
Agora, se você considerar cada signo do zodíaco por 24.000 anos, você explicará o mistério acima. Quando o sol sai de Áries, ou o signo da Primavera, diz-se que o mundo nasce; aqui começa o período da vida. Quando o sol está em Câncer, ou no Verão, é o prazer e as delícias da vida. Quando em Libra, a vida declinou: depois disso, tudo é Inverno de morte; e daí surgem as fábulas sobre as quatro idades do mundo.
Os livros da mitologia persa nos explicam o mesmo significado.
“O tempo é de 12.000 anos, está dito na lei, que o povo celestial existia há três mil anos, e então o inimigo (Satanás ou Arhiman) não estava no mundo, o que faz seis mil anos”
“Os mil bons apareceram no Cordeiro, no Touro, nos Gémeos, no Câncer, no Leão e na Ovelha, que fazem seis mil anos. Depois do mil de Deus, vem a Escala (Libra), Arhiman veio ao mundo (ou seja, o Inverno). ”
Boun Dehesh; tradução de Perron, p. 420.
“Orsmud, falando na lei, diz, ‘Fiz as produções do mundo em 365 dias:’ é por isso que os seis gahs gahambars (meses) estão incluídos no ano.”
- p. 400.
Astronomicamente falando, não existe um período ou ciclo de 12.000 anos. Mas Dupuis resolveu o mistério, dizendo, que os períodos dos antigos indianos e caldeus respondiam à série 1, 2, 3, 4, ou 4, 3, 2, 1. Assim, a duração das quatro idades do mundo, de acordo com o Ezour Vedan, foram
- 1ª era 4.000 anos
- 2ª era 3.000
- 3ª era 2.000
- 4ª era 1000
Memoirs de l’Academie des Inscript. tom. 31. p. 254. The Baga Vedan counts thus, p. 41
- 1ª era 4.800 anos
- 2ª era 3.600
- 3ª era 2.400
- 4ª era 1.200
- Total 12,000
Os indianos conceberam esse sistema por meio de uma vaca com quatro patas; ou o número doze, tomado sucessivamente quatro vezes.
Outro período indiano estabelece a duração do mundo, assim,
- 1ª era 1.728.000 anos
- 2ª era 1.296.000 anos
- 3ª era 864.000 anos
- 4ª era 432.000 anos
- Total 4.320.000 anos
Agora, o menor desses números (432.000) elevado a 2, 3 e 4 dará uma soma total de 4.320.000. Os indianos dizem que o ano dos deuses é composto pelos 360 anos dos homens; se você dividir 4.320.000 por 360, terá 12.
No período caldeu, dado por Berosus, encontramos os mesmos números de 432.000, e para compô-lo, ele segue a ordem aritmética, assim:
- 1º grau 12.000
- 2º grau 24.000
- 3º grau 36.000
- 4º grau 48.000
- 5º grau 60.000
- 6º grau 72.000
- 7º grau 84.000
- 8º grau 96.000
- Total 432.000
[101] As colunas ou pilares foram denominados זיכי {hebraico YKYZ} e זעב {hebraico B! Z} o primeiro significa estabelecer, de זיכ {hebraico KYZ} estabelecer ou firmar; o segundo significa força, da proposição ב {hebraico B} em, e da raiz זוע {hebraico! WZ} força.
[102] “Ora, os Assideanos foram os primeiros entre os filhos de Israel a buscar a paz para eles.” Maccab. vii. v. 13.
Eu deveria traduzir esta passagem de forma diferente, assim:
“E aqueles, que entre os filhos de Israel eram chamados de Assideanos, foram os primeiros desta assembleia e desejavam pedir-lhes paz.”
De acordo com essa interpretação, por muito mais expressiva do texto, vê-se que os Assidianos eram um corpo respeitável, pois foram os primeiros daquela assembleia.
Em I Maccab. ii. v. 42, está dito: “Então veio a ele uma companhia de Assidianos, que eram homens poderosos de Israel, sim, todos os que foram voluntariamente devotados à lei.”
A própria palavra Assidiano ou Cassidiano é supostamente derivada do hebraico Cassidim, que no Salmo 78. v. 2. é tomado no sentido de homens piedosos, santos, cheios de piedade e misericórdia.
[103] “Portanto, por milhares de séculos, incrível de se dizer, este povo é eterno, sem que nenhum corpo tenha nascido entre eles.”
Pliny, Lib. V. cap. 17.
[104] Josephus, Lib. 13. cap. 19.
[105] in προγονοι {Greek progonoi}.
[106] “Antes de admitirem na sua seita quem o desejasse, põem-no em liberdade condicional de um ano e habituam-no à prática dos seus exercícios mais incómodos. Depois deste prazo, admitem-no no refeitório comum e no lugar onde banhar-se; mas não no interior da casa, até depois de outro julgamento de dois anos; então, eles são autorizados a fazer uma espécie de profissão, em que se comprometem por horríveis juramentos, a observar as leis de piedade, justiça e modéstia; fidelidade a Deus e seu Príncipe; nunca para descobrir os segredos da sua seita para estranhos, e para preservar os livros dos seus mestres e os nomes dos anjos com grande cuidado. ”
Josephus, loco citato.
[107] “Eles consideram a alma imortal e acreditam que as almas descem do ar mais elevado para os corpos por eles animados, para onde são atraídas por alguma atracção natural, à qual não podem resistir; e após a morte, retornam rapidamente ao lugar, de onde eles vieram, como se estivessem livres de um cativeiro longo e melancólico. No que diz respeito ao estado da alma após a morte, eles têm quase os mesmos sentimentos que os pagãos, que colocam as almas dos homens bons nos campos elísios, e aqueles dos ímpios no Tártaro. “Josephus, loco citato.
[108] Philo, Lib. V. cap. 17.
[109] “Alguns empregam-se na agricultura, outros no comércio e manufactura de coisas apenas úteis em tempos de paz, seus projectos sendo benéficos apenas para eles próprios e outros homens ”
“Você não encontra um artífice entre eles, que faria uma flecha, um dardo, ou espada, ou elmo, ou couraça, ou escudo, ou qualquer tipo de armas, máquinas ou instrumentos de guerra.
Philo, loco citato.
[110] “Suas instruções são principalmente sobre santidade, equidade, justiça, economia, política, a distinção entre o bem real e o mal real; do que é indiferente, o que devemos perseguir ou evitar. As três máximas fundamentais de sua moralidade são, o amor de Deus, da virtude e do nosso próximo. ”
Philo, loco citato.
[111] “os essénios transmitiram as doutrinas que receberam dos seus ancestrais.”
Philo. De vita contemplativa Apud opera, p. 691
[112] “Eles tinham sinais distintivos.” Ib.
[113] “Devo dizer algo sobre suas congregações e quantas vezes eles celebraram seus banquetes, etc.” Ib. p. 692.
[114] Vide Iamblicus, de Vita Pythagoræ, cap. 17. e Basnage, Historia dos Judeus, B. II. cap. 13.
[115] Strabo, p. 471.
[116] Psellus, citado por Clinch, Antologia Hibernica, de Janeiro, 1794.

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