Os Grilhões da Hipersensibilidade

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grilhões, sensibilidades

Quando um irmão (até por dever fraternal) aconselha, orienta, adverte ou corrige, com ética e desvelo, não o faz por verrina [1], mas por carinho e amor à Ordem e ao Irmão…

Não muito incomum ou infrequente constatarmos as exacerbadas “sensibilidades” de Maçons. Quem nunca ouviu “- Maçom é bicho mofino” ou viu ou leu a respeito? (Há muitos maçons inclinados para os trabalhos e estudos, em serem ao máximo úteis e dedicados à Sublime Ordem, porém, outros tantos… por qualquer coisa que não isso, como por uma falta de compromisso ou diligência, ou por uma disfarçada “humildade despretensiosa”, vitimizam-se gratuitamente, por considerar o seu brio vaidoso contrariado).

Constatam-se estas “hipersensibilidades” de alguns poucos Maçons por produto, ou por consequência dos seus desleixos consigo mesmos; e, inevitavelmente, nesse sentido, à sua Loja e à sua Obediência, quem saiba por péssimos desbastes das suas asperezas e arestas rombudas, obtusas, advindas das “paixões” do mundo profano (não-maçónico), quem saiba pela justificação íntima e imanente dos seus “despreparos”, por falta de disciplina e dedicação, amor à Arte Real e, portanto, restando-lhe apenas a alegação para quase tudo a “humildade despretensiosa” e, ao todo o resto, atribuem-se-lhe o apanágio de “vaidosos”, em que “tudo é vaidade”, “nada mais que vaidade”, (caso não estejam quaisquer maçons comendo do mesmo pão, ou seja, sendo cum panis; companheiros desta situação anómala: a de “humildade despretensiosa”.

Na verdade, esta “humildade despretensiosa” tem, sim, pretensões!, e uma delas é a de exactamente tentar “justificar” a sua própria vaidade como portador de máximas “sabedorias inatas” e a sua velha indolência em ler ou estudar, ou pela total ausência da busca constante pela verdade, ou, ainda, por se supor, talvez, ter um ego que jamais erra e, portanto, na sua alienada mentalidade egoísta e vaidosa, pretende a TUDO justificar que é “humilde” e que “humildade” é exactamente não querer saber nada ou manter-se nas “trevas”. – Ora! Não fomos todos desejosos de Luz?! Deixou-se de ser?

Após longo acrisolamento, o Maçom torna-se, digamos assim… mais sensível à Fé, à Esperança, à Caridade, às Liberdade, Igualdade e Fraternidade, à Prudência, à Temperança, e, principalmente, à Tolerância. Mas, em verdade e em verdade, Tolerância não significa e nunca deve ser confundida com “permissividade omissa” para se tentar evitar “traumas” e, em “revanche”, ter eventuais evasões por “caprichos” pueris daqueles que se sintam irremediavelmente “traumatizados”. A estas confusões mentais e de conceitos internos emocionais caóticos é que a ciência da Psicologia nos auxilia e os confortáveis divãs existem…

Há, indubitavelmente, uma outra constatação (e se esta inexistir aos olhos dos retumbantes “permissivos”, assumo-a particularmente e sozinho), a de um fenómeno que poderíamos chamar de “hipersensibilidade despretensiosa”, a bem chamada popularmente de “mofinagem”, o “mofino”, reacção do “avesso” do espírito de lapidação do Maçom; do seu polimento; da melhor aquilatação do Maçom, do polimento do seu carácter; do trabalho, das suas resiliências às adversidades e desafios da vida; da tolerância às opiniões divergentes, às ideologias diferentes; aos conselhos zelosos e fraternalmente ofertados com carinho, ou mesmo, às advertências quando proferidas a bem da Ordem.

A esta “hipersensibilidade” (que deve, nos nossos corações, ser combatida, pois é contraproducente), corresponde inclusive ao lado deletério da convivência entre irmãos, e tem o seu fulcro, talvez, na falta ou insuficiência do verdadeiro trabalho de humildade no coração do Maçom “mofino”, o desbaste da P.B.. Humildade é virtude, e não erroneamente interpretada como mera submissão exibida em postura física ou de justificativa para qualquer coisa no mundo. Humildade é trabalho e busca. Humildade é amor a si, ao outro e ao mundo. Humildade é compreender as nossas limitações e melhorarmo-nos. Humildade é perdão e melhoria e nunca aceitação alienada de determinada “preguiça” mental ou laboral.

Quando um irmão (até por dever fraternal) aconselha, orienta, adverte ou corrige, com ética e desvelo, não o faz por verrina, por implicância, ou por “vaidade”, mas por carinho e amor à Ordem e ao Irmão e aos Irmãos e Rito professado de um modo geral. O que há é uma “confusão” entre o conceito de zelo, conselho, opinião fraternal, com “verrina ácida”, assimilada, em geral, pelos irmãos chamados de “mofinos”, “hipersensíveis embusteados”, em que tudo e para tudo são vítimas de qualquer um ou qualquer coisa que contrarie as suas presunções íntimas.

Por derradeiro, é corrente ouvir-se um dito jocoso: “Dentre todas as criaturas criadas pelo GADU, a mais “sensível” do universo é o Maçom”. Entretanto, existem os maçons sensíveis às Virtudes e ao polimento de carácter, e aqueles chamados de “mofinos”, que comumente se autovitimizam, assimilando tudo ou qualquer coisa ser dirigida a ele como se fosse verrina, falta de respeito ou desconsideração, insulto, humilhação, perseguição, etc., lamentavelmente, sentindo ou vendo que tudo é “Verrina das verrinas, tudo é verrina!” e infelizmente não atenta que é preciso para TODOS nós o processo de melhorarmos em todos os sentidos, difusamente, espargindo Luz e unindo o que está esparso.

O pior ainda pode existir… Posto que o pior que agir errado é não mudarmos os nossos próprios paradigmas, reflectirmos, conscientizarmo-nos, reconhecermos e mudarmo-nos NA PRÁTICA das nossas acções. Agiganta-se o problema, sobretudo, com a insistência cega e repetitiva de agir com o mesmo vício; com a “humildade despretensiosa” de permanecer como somos, talvez pela presunção de se nos considerarmos “privilegiados”, inatamente, pelo GADU. E, afinal, o que vindes fazer aqui?! Se onde habitamos também não é uma Escola Moral, um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos, o que realmente estamos a fazer aqui?!

Com todo o respeito fraternal e sem apropriação de “verdades absolutas”, fica, sem “verrinas”, o singelo intento deste articulista, apenas o de reflexão, e o devido “cuidado” real aos “mofinos”, para que não se traumatizem mais ainda, do que já o fazem a si mesmos, com tais práticas atrozes aos seus próprios caracteres, “psiques”, em autocondenarem-se os seus espíritos, desejosos de Luz que são (ou eram, a priori), a viverem em masmorras tenebrosas e escuras de uma “pseudo-sabedoria” de ignorância e nesciedade proposital, atados, presos em grilhões de “humildade despretensiosa”.

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Notas

[1] – Verrina – Relativo a discurso violento contra alguém, semelhante aos discursos feitos por Cícero (106 a.C.-42 a.C., cônsul romano) contra Verres (120 a.C.-43 a.C., magistrado romano).

– “verrina”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/verrina.

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