Não são os viajantes que encontram as estradas, mas as estradas que encontram os viajantes.
(Assim, escreveu Tolentino Mendonça,
in Expresso, Alpinista…16 Jul. 21)
Quantos vezes ficamos à espera que sejam os outros a apanhá-Lo, cada um por si, seguir “o Caminho da Felicidade” é forçoso apanhar o Absoluto, trata-se de se deixar alcançar por Ele.
Na carta à comunidade de Filipos, S. Paulo dizia que continuava a correr para ver se apanhava quem o apanhou primeiro a ele (Fl. 3, 12).
Em S. Agostinho podemos temos mensagem de igual significado: “Não me procurarias, se não me tivesses já encontrado”.
Mudar o mundo, para melhor está nas nossas mãos e nas consciências, é esse o nosso caminho!
Um pequeno, grande exemplo:
Podemos perguntar a cada um de nós, sobre as alterações climáticas e suas causas e efeitos, uma preocupação cada vez mais premente nos dias de hoje e que já atingiu as consciências dos governantes de todo o Mundo (veja-se o desafio à COP26, irá mudar o Mundo?).
– Quais os cuidados que cada um tem dedicado à conservação da natureza, em prol de todos os seres que aqui vivem e seus vindouros?
Nem todos respondem afirmativamente!
Quantos vezes ficamos à espera de que os outros o façam por nós e a ameaça real de extermínio da vida no planeta está aí, à frente dos olhos de todos…
Sabemos que o homem é o maior beneficiador da Natureza e o único que não a preserva! Em países ditos desenvolvidos o imobilismo social e o abandono, são gritantes, a degradação do meio ambiente está aí.
Tem razão o mestre chinês quando diz: “O peixe esquece-se da água, porque vive no seu elemento“, os humanos esquecem-se da Terra onde vivem, permanecendo na sua bolha da ilusão e fragilidade, vivendo no esquecimento e morrendo na opacidade.
A tradição japonesa, cristalizou a arte da jardinagem, deixando uma mensagem adequada à presente era das “altas tecnologias”, relacionando a Estética com a Ecoética – pelo Princípio da Responsabilidade (ciência, natureza + realidade social).
“Age de tal modo que os efeitos da tua ação não sejam destrutivos, para a futura possibilidade dessa vida”
(Hans Jonas -1903-1993)
Vemos que a responsabilidade exige sabedoria, conhecimento e humildade.
A resposta dada até agora, é que a maioria de nós prefere não prestar atenção ao chamamento do dever:
“Todos somos chamados, mas poucos escolhem ouvir a chamada“.
Muitas das vezes, custa-nos escutar, porque estamos empenhados em exprimir a nossa própria opinião e a fadiga tira a vontade de contemplar o nosso interior.
Temos muita pressa de viver, dizia um outro ao amigo: “Há vinte anos que passo todos os dias por este parque e nunca tinha parado para o usufruir“.
Façamos a necessária pausa de atenção ao “nosso interior”, porque o que somos, não está longe, nem no fim do caminho, “mas no nosso interior”, lá tinha razão S. João da Cruz (1542-1591): “Alma, hás-de procurar-Me em ti, procurar-te-ás em Mim”
Cada um tem de percorrer o Caminho da verdade. Na vida terrena só nos espera:
– O nascer, envelhecer, adoecer, morrer e por fim, transformados em pó…
ouçamos o Poeta João de Deus:
…
A pó não se reduz
a luz, a alma do homem:
nem os vermes a consomem,
os vermes não comem Luz….
Vejamos adequadamente o mundo sem exageros, nem preconceitos e tratemos de captar as coisas como elas são sem complicar, ao “pintarmos os pés à serpente”, ela converter-se-á numa centopeia.
Para terminar, o que todos procuramos “o Caminho da Felicidade”: (do Salmo nº 1).
“Feliz o homem
Que não entra na assembleia dos maus,
Nem participa no conluio dos pecadores,
Nem toma parte na reunião dos que escarnecem!
Ele é como uma árvore
Plantada à beira da água.
Que dá o seu fruto na estação própria,
Cujas folhas não murcham
E tudo o que produz é bom”.
Diniz Flores, M∴ M∴ (R∴L∴ Conde de Paraty, nº 155 – GLLP / GLRP)


