Uma Loja Maçónica não é uma empresa, e jamais deve ser tratada como tal.
Os valores que regem uma empresa fazem sentido no seu próprio mundo, movido por metas, resultados, KPIs (do inglês Key Performance Indicator, que em português significa Indicador-Chave de Desempenho ou simplesmente indicadores de performance), cobranças e estruturas hierárquicas de autoridade.
Da mesma forma, os valores que regem a Maçonaria só fazem pleno sentido dentro de uma Loja Maçónica, liberdade, igualdade, fraternidade, acolhimento, empatia, respeito, paciência e compreensão.
Cada sistema vive e se sustenta por princípios próprios.
Ferramentas corporativas podem, sim, ser úteis dentro da Loja, na parte de organização, planeamento, gestão de actividades. Mas valores corporativos, quando aplicados na convivência maçónica, podem abalar aquilo que temos de mais sagrado, como a harmonia, o respeito, a fraternidade e a igualdade entre os Irmãos.
Do mesmo modo, uma empresa que tentasse adoptar valores maçónicos ao pé da letra, como a submissão da vontade, como a compreensão ou a tolerância, provavelmente não sobreviveria no ambiente competitivo do mundo profano.
Cada ambiente precisa das virtudes adequadas à sua natureza.
Por isso, trazer para dentro da Loja uma mentalidade de análise por desempenho (KPIs) é desvirtuar o espírito que sustenta o Templo.
Afinal, ninguém vem ao Templo para ser avaliado por alguém, todos vêm para se aprimorar.
Em uma empresa, o CEO pode reunir todos e chamar a atenção de um funcionário simples por alguma meta não alcançada, porque ali existe uma hierarquia funcional rígida e metas a serem cumpridas.
Na Maçonaria, porém, a beleza está justamente no oposto.
Numa Loja, o grande empresário CEO pode ocupar o cargo de Hospitaleiro, por exemplo, e entre colunas se dirigir respeitosa e humildemente ao Venerável Mestre que pode ser justamente aquele trabalhador humilde da empresa.
Numa Loja, não existe rico nem pobre, forte nem fraco.
Numa Loja, todos se assentam no mesmo nível, e isso ensina humildade.
Porque, dentro do Templo, não existe a pessoa mais importante e a menos importante, mas existem Irmãos em igualdade e fraternidade.
E é por isso que:
- ninguém deve agir como escultor da pedra alheia,
- ninguém tem o direito de tentar melhorar o outro impondo caminhos,
- ninguém deve usar critérios profanos para medir o valor de quem está ao seu lado.
O maço e o cinzel que o GADU nos confiou têm apenas um destino legítimo, a nossa própria pedra bruta.
Antes de corrigir o outro, acolha.
Antes de julgar o outro, compreenda.
Antes de exigir, seja exemplo.
A Maçonaria não molda pela força, ela transforma pela inspiração.
Ser Maçom é mais do que estar regular, é viver diariamente a tolerância, a empatia, o equilíbrio e a fraternidade.
Porque a verdadeira Loja não é movida por métricas, mas por corações.
Willian Cesar Silva – Obreiro da ARLS Fraternidade Cleuton Cândido Landre nº 298 – GLMMG – Or. de Alfenas MG Brasil

- Ordo Ab Chao (a ordem vem do caos)
- Transformação de pedra bruta em pedra cúbica
- Loja de Mesa (ou de Banquete Ritualístico)
- Grau 30 – Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra (REAA)
- Simbolismo dos Números na Maçonaria – O número Nove


entendi que o artigo critica apenas a mentalidade corporativa aplicada às relações fraternas em Loja (o uso de valores corporativos para com irmãos), mas não critica a administração necessária da Loja (que faz o uso de ferramentas corporativas).
Perfeita colocação Everton. Uma Loja maçônica se divide em duas partes: A parte ritualística e a parte administrativa. A parte ritualística é “imexível”, mas a parte administrativa tem que ser administrada conforme o “andar da carroça”. Temos um prédio que tem que ser administrado, ar condicionado, limpeza e manutenções em geral. Como fazer isto isto com tolerância, empatia, fraternidade, etc.? Esta parte, sim, tem que ser administrada como uma empresa. As mensalidades tem que ser cobradas, as ajudas também e, principalmente o comprometimento dos Irmãos para com a parte física da Loja. É o que penso. Grande e fraterno abraço a todos.
Achei que seu trabalho vai me trazer grandes reflexões, pois eu penso exatamente o inverso, e lendo o seu trabalho, me faz refletir sobre um outro ângulo das coisas….. eu tenho tentando ser um bom gestor da Loja, dos recursos, tenho tentado conversar com órgãos públicos, patrocinadores para eventos, organizar festas, coisas que não estão na minha seara no mundo profano, mas que, como gestor da Loja, escolhido pelos Irmãos, me sinto nessa obrigação de tentar gerir bem a Loja, como se uma empresa fosse, tentando trazer bons resultados, mantando a Loja/Empresa em boa pulsação…. tenho tentado coisas grandes realmente, pois eu sonho grande, e se ficar apenas na inércia, o sonho não se torna realidade sozinho….pra isso, a gente tem de agir como empresa, pois requer verba…. Não temos como ter um Templo próprio somente movido pelos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e a gente vê isso a cada rifa de Lojas Co-Irmãs que recebemos, cada evento realizado por Lojas vizinhas… é preciso ser empreendedor, proativo, e correr atrás….
Isso falando apenas da minha visão particular, mas que o trabalho traz importantes reflexões, isso é inegável…. Será que estou fazendo o certo? Será que vale a pena? Será que estou tendo sucesso no que me propus a fazer? Será que tenho sido honesto com meus Irmãos dado as expectativas que confiaram a mim? Será que meus Irmãos estão sendo honestos comigo? São vários os pontos de reflexão que seu trabalho traz…
Tive uma conversa muito boa com um Irmão da Loja, em um caminhada, onde, pelo menos pra mim, mostra toda a saudade do que era a maçonaria de outrora e a maçonaria que vivemos hoje. O mundo mudou, e não diferente disso, a maçonaria entrou nesse rol de mudanças, e mudou pra pior….Tudo se tornou pior, esportes, alimentação, programas de tv…. Assistir uma corrida de F1???? Assistir um filme de comédia?????? Antigamente, as coisas eram melhores, mas o que mudou? Nós? Ou eles todos? Ou todo o sistema??? Mais uma coisa pra gente refletir….
Administrar Loja é um desafio que poucos aqui vão entender, mas os problemas brotam do nada…. Quando você pensa estar fazendo o certo e estar tudo a mil maravilhas, um problema surge…. os bastidores são pesados…. coisas que muitas das vezes não chegam sequer ao conhecimento dos Irmãos, pois o VM é o guia da Loja…. ele toma decisões muitas das vezes para preservar a Loja e Irmãos, para que a Loja possa fluir em Harmonia…. muitas (e muitas mesmo) arcam com custos das mais variadas coisas, só pra evitar a fadiga e a burocracia que uma tesouraria, ou hospitalaria enfrentam….. Por vezes, deixa a família em casa pra ir retribuir uma visitação, e ainda assim, vai ficar devendo visitas…..
Então, achei que esse trabalho, baseado nas minhas vivências, me trará muitas reflexões….
Parabéns mais uma vez meu Irmão pelo seu trabalho, pelo expediente de ter publicado o mesmo, e que esse trabalho traga reflexões a toda maçonaria mundial…. trabalho bom é aquele que nos faz refletir…. nos provoca a reflexão….