Simbolismo dos Números na Maçonaria – O número Nove

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Convidamos ao leitor, no limiar do estudo do número NOVE, a se preparar mental e intelectualmente, para pesquisar um campo inteiramente filosófico onde só a concentração, a meditação e o profundo pensamento filosófico poderão levar a uma perfeita compreensão.

Para maior facilidade, vamos reportar-nos e ter como base do nosso estudo, ao Ritual do Mestre Maçom, cuja instrução procuraremos desenvolver, conforme a nossa capacidade, escudando-nos nos conhecimentos de mestres como Jorge Adoum, Helena Blavatsky, Papus e outros.

O Ritual inicia o estudo do número NOVE chamando a atenção para a obrigação do Secretário, que é o “encarregado do traçado que assegura a continuidade da Obra”. Vemos, de início, que o Secretário de uma Oficina, simbolicamente, não é o funcionário que redige as actas e lê o expediente. Ele é, diz a Instrução, “o encarregado do traçado que assegura a continuidade da Obra”! O simbolismo deste traçado está expresso na figura de um quadrado, dividido em NOVE partes numeradas de UM a NOVE, seguindo-se a ordem natural dos números.

A primeira coluna horizontal encerra os números correspondente dos três graus da Maçonaria Operativa – Aprendiz, Companheiro e Mestre. As três colunas verticais representam os três termos que se apresentam nas manifestações unitárias. Assim, cada manifestação unitária pode ser decomposta em:

  • SUJEITO, que é o animador e a causa primeira de qualquer acção. Da sua vontade, que é o centro, emana a acção para daí sofrer as várias fases do desenvolvimento;
  • VERBO, que é aquela emanação inicial, brotada da vontade do sujeito, que se irradia e se manifesta para pôr em movimento o trabalho construtivo a fim de que possa ser realizada a vontade do mesmo sujeito;
  • OBJECTO, que é a obra concluída e perfeita, trabalhada pelo verbo e de acordo com a vontade do sujeito.

Temos, no traçado da Obra, a representação tríplice deste ternário, e uma vez entendida a sua significação básica, que nos dá, para os diversos números que nela se apresentam, motivos para as seguintes considerações de ordem filosófica:

  • NÚMERO UM – “O princípio presente, centro de emissão do pensamento”. Esta representação refere-se ao Homem Deus, de onde tudo se origina e principia. É a própria acção do centro do pensamento ou seja, a imaginação que estabelece os princípios da obra a ser realizada;
  • NÚMERO DOIS – “Pensamento, acto, acção de pensar”. O pensamento implica no projecto da obra e nele há que se estabelecerem os prós e os contras (característica específica do número dois) verificando-se cada acto e as suas consequências, superando-se as vantagens e as desvantagens do projecto, verificando-se, enfim, o que nele há de bom ou de mau para se avaliar das vantagens ou desvantagens para a sua realização;
  • NÚMERO TRÊS – “A ideia, pensamento formulado ou emitido”. A fase seguinte é a que estabelece definitivamente a estrutura do projecto. É o equilíbrio que resulta do exame dos dois contrários (característica do número três) e que, desta forma conseguiu realizar a dualidade que se antepunha no campo teórico para transformá-la em forma de vibração a ser seguida pelo Ritmo Criador do pensamento já agora com a ideia definitivamente pensada;
  • NÚMERO QUATRO – “O princípio votivo, o centro de emissão da vontade”. Até aqui, toda a obra se encontrava, ainda no projecto, no campo vibratório, mas, agora, a vontade do EU se manifesta e expõe o seu querer a fim de que a ideia se realize;
  • NÚMERO CINCO – “A energia volitiva, a acção de querer”. Passando ao campo da efectiva realização, a ideia elaborada amadurecida no Íntimo ou Inteligência Divina, utiliza-se dos instrumentos da Razão, ou seja, os sentidos, para, por meio deles, se expressar externamente no plano material;
  • NÚMERO SEIS – “O voto, o desejo, a volição desejada”. Agora a ideia realiza-se e isto quer dizer que aquilo que foi pensado está a transformar-se naquilo que se quis. O plano espiritual está, então, ligado ao plano físico. O que foi desejado está sendo realizado;
  • NÚMERO SETE – “O princípio activo, dispondo do poder executivo, dirigente e realizador”. Aqui, se instala o centro da acção, fruto do pensamento inteligente e da vontade consciente. O Poder da Unidade converte-se em conquista do corpo físico pela perfeição de todos os seus actos;
  • NÚMERO OITO – “A actividade operante”. A actividade operante realiza-se em função da acção perfeitamente acorde com o desejo pensado. É o uso correcto da razão manifestada, tanto no plano espiritual quanto no plano material. É o equilíbrio entre o acto de pensar e o acto de realizar;
  • NÚMERO NOVE – “O acto realizado e a sua repercussão permanente. A experiência do passado, semente do futuro”. Com a obra concluída, o poder da Divindade manifesta-se em todo o seu esplendor! Desejo, pensamento, acção e realização foram constantemente iluminamos pela Luz Divina, a eterna Criadora de mundos, a Experiência incansável que se aproveita das experiências do realizado para transformá-las em semente de futuras realizações! A perfeição da obra realizada constitui-se em permanente repercussão sobre a grandeza do Absoluto!

Este é o caminho básico para a inteligência do número NOVE. Segundo o Ritual, “Não há palavras capazes de traduzir o que este agrupamento de números sugere ao Iniciado”. “Não há palavra” diz o Ritual, mas isto não impede que o pensamento e a cogitação possam levantar uma pontinha do véu que encobre este simbolismo que ele classifica como “segredos incomunicáveis”!

A elevação de espírito, a concentração do pensamento podem levar-nos ao entendimento de que o número NOVE. O tríplice ternário, representa a materialização perfeita da UNIDADE. Enquanto esta, pela sua pureza e perfeição, actua no mais alto do Plano Espiritual, o NONO “céu”, aquele ocupa o lugar mais baixo no Plano Material, ou seja a matéria densa do Plano Físico. Mas é necessário também, ver-se aqui, mais uma vez, realizado o princípio de Hermes que afirma que “o que está em baixo é igual ao que está em cima”. As realizações do Macrocosmo, através da representação simbólica dos NOVE primeiros números, repetem-se no Microcosmo, de maneira idêntica. O homem, tal como Deus, elabora mentalmente os seus planos de trabalho, frutos da ideia, discute-os com inteligência e os executa, através dos seus cinco sentidos até conseguir a obra realizada! O homem repete; pois, o trabalho de Deus. Cria, como o faz o Criador e procura imprimir, em cada uma das suas novas criações a experiência adquirida nas criações anteriores.

O Plano Espiritual divide-se em NOVE sub-planos conhecidos como NOVE “céus”. Estes “céus” são “habitados” por entidades “angélicas” citadas na Bíblia como os NOVE coros de anjos e que nada mais são que focos atómicos de energia diversificada da Energia UNA.

Estes “céus” são simbolicamente representados pelos planetas do sistema solar, com exclusão da Terra e do planeta Plutão, só recentemente descoberto, e com a inclusão do Sol e da Lua. São assim distribuídos os “céus” cabalísticos e os seus respectivos focos “angélicos” de energia:

  • PRIMEIRO “CÉU” – A Lua, o mais próximo do mundo físico. Nele se localiza o Elemental dos desejos, também conhecidos pelos teosofistas como Plano Astral. Nele se encontram as aspirações que são o resultado dos pensamentos elevados. Os átomos energéticos deste plano denominam-se “Anjos”;
  • SEGUNDO “CÉU” – Mercúrio, o mundo dos átomos energéticos chamados “Arcanjos”. Ele constitui, para a Teosofia, o Plano Mental onde a inteligência humana no seu aspecto mais elevado, traduzindo as inspirações morais do homem, é considerada como a concretização da própria inteligência;
  • TERCEIRO “CÉU” – Vénus, o Plano Espiritual dos teósofos. Residência da mente abstracta onde pululam as inspirações elevadas que comunicam vida à matéria. Os seus átomos energéticos são os “Principados”. Estes átomos energéticos são os que comandam os fenómenos vitais de cada homem agindo sobre eles com a sua força de atracção;
  • QUARTO “CÉU” – O Sol, “residência” dos átomos energéticos que tomam o nome de “Potestades” ou sejam os Espíritos Puros que dispensam os fluidos vitais que vão constituir a energia individual para a consecução dos fenómenos vitais;
  • QUINTO “CÉU” – Marte, o planeta dos átomos energéticos, cognominados “Virtudes”. Eles são os responsáveis pela expansão individual originária do fogo sagrado do Criador que se comunica com o Espírito Divino;
  • SEXTO “CÉU” – Júpiter, “habitado” pelas “Dominações”, que são átomos energéticos que cuidam da gravitação universal e que equilibram as forças de retracção que se opõem à força de expansão. No campo da Moral eles responsabilizam-se pela rectidão e pela justiça;
  • SÉTIMO “CÉU” – Saturno, os seus átomos energéticos são os “Tronos”. Este “céu” é o responsável pelo Tempo Espaço e os seus constantes movimentos produzem a sucessão do tempo através do espaço;
  • OITAVO “CÉU” – Úrano, considerado “a porta do Éden”, é “residência” dos “Querubins” que possuem manifestação dupla pela Consciência individualizada e da Divindade no Espaço;
  • NONO “CÉU” – Páramo celeste onde todas as manifestações de tempo, espaço, vida, pensamento, energia e forma se encontram, reunidas pelo amor que lhes inspiram os “Serafins”, vindos da própria essência do Criador. É neste NONO “CÉU” que assiste o Absoluto.

O homem, criatura de Deus, o Microcosmo, encerra em si mesmo todos os “céus” e, por isto, tem capacidade para se erguer do seu Plano Material até ao Páramo Celeste, residência de Deus. Para isto ele conta com as emanações e vibrações dos átomos energéticos, oriundos dos “céus” por eles “habitados”. Estas vibrações conduzem-no à criatividade, à razão, ao amor, às manifestações de vida, à acção, à benevolência, à ventura, ao altruísmo, à crença. Todas estas virtudes são-lhe inerentes e com o cultivo delas ele garante para si a constante Evolução que é o imperativo da vida e que o conduz às regiões mais altas do Infinito!

A Mitologia grega tentou explicar esta ascensão espiritual do homem através da senda das Artes. Para os gregos, o artista era um ser privilegiado, evoluído e digno da maior consideração e do maior respeito. As Musas, representantes, ou mesmo a própria Inspiração Divina, eram as protectoras do artista e as incentivadoras das Artes.

Filhas de Júpiter, o Pai da Vida e de Mnemósine, a Memória, elas relacionavam os problemas actuais e os passados. Eram a semente que trazia em si o fruto das experiências anteriores e, por isto mesmo, davam ao seu protegido a oportunidade, sempre crescente, de melhorar e aprimorar a sua arte.

Os poetas da antiga Grécia não eram acordes quanto ao campo de actividade das diferentes Musas. Muitas vezes um mesmo campo de actividades era atribuído a Musas diversas. A classificação mais comum e conhecida das Musas e dos seus campos de actividades é a seguinte:

  1. Calíope – Poesia épica ou tragédia;
  2. Clio – História ou a arte de tocar harpa;
  3. Melpómene – Tragédia ou ainda a arte de executar a harpa;
  4. Euterpe – Tragédia, arte da harpa e da poesia lírica;
  5. Erato – Poesia de Amor, hinos, arte da lira e pantomima;
  6. Terpsícore – Dança e canto nos coros e artes de flauta;
  7. Urânia – Astronomia como cosmologia poética;
  8. Tália – Comédia ou idílio;
  9. Polímnia – Hinos , pantomima ou hinos e dança religiosa.

As Musas, segundo a Mitologia, habitavam os montes Hélicon e Parnaso e as fontes de Hipocrene e Castália, todos situados na Pieria, próximo do Olimpo.

Jorge Adoum prefere, talvez para uma melhor adaptação ao estudo da simbologia do número NOVE, atribuir às Musas os seguintes campos de actividade:

  1. Clio – Aspiração do ouvido; é a musa da história;
  2. Urânia – A inspiração divina, musa da verdade;
  3. Calíope – A da voz, musa da poesia épica e da eloquência;
  4. Erato – A do amor, musa das canções dos amantes;
  5. Euterpe – A encantadora, génio da música melodiosa;
  6. Polímnia – A inspiração religiosa, musa da tradição;
  7. Melpómene – A da tragédia, que penetra no mistério da morte;
  8. Tália – A inspiração jovial, musa da comédia;
  9. Terpsícore – Musa da inspiração animadora da dança.

Como se vê, em qualquer das classificações, o resultado é sempre o mesmo: a elevação do espírito pelo auxílio das Artes ou, das elevadas concepções. A Arte é a expressão máxima do adiantamento do espírito através da inteligência e, por isto mesmo, elas indicam o caminho da ascensão e da elevação.

Não poderíamos encerrar este estudo sobre o número NOVE sem citarmos a maior de todas as figuras exponenciais da humanidade, o farol que esparziu a sua luz através dos séculos e que até hoje, continua indicando à humanidade a senda do progresso espiritual: o Mestre Jesus.

Ele, filósofo dos filósofos, Guia dos Guia Espirituais, serviu e amou a humanidade com exemplar dedicação. Teve uma vida plena de ensinamentos e legou aos homens um acervo de conhecimentos, claros e herméticos, incomparável. Profundo conhecedor de todas as coisas, era versado no conhecimento da Numerologia e na magia dos números. Assim, sentindo e conhecendo a grandiosidade do número NOVE, exaltou as excelências deste número em NOVE Bem-aventuranças proclamadas no Sermão da Montanha. Já dissemos que os ensinamentos do Senhor Jesus se identificam plenamente com os ensinamentos da Maçonaria. Assim, vamos analisar, à luz daquelas Bem-aventuranças, o comportamento exigido ao verdadeiro Maçom:

PRIMEIRA – “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

Quem são os “pobres de espírito” que são felizes (bem aventurados), segundo diz o Mestre Jesus?

São aqueles que, com humildade, reconhecem a sua indigência de conhecimentos e estão certos de depender de outrem para as necessidades da vida espiritual. A humildade é a característica dos pobres de espírito. O: Maçom tem o dever precípuo de cultivar a humildade. Esta virtude é das mais importantes no Maçom porque ela o ajuda a praticar, entender e aceitar a Fraternidade Maçónica.

O Mestre Maçom ama os seus irmãos sem se importar qual seja a sua posição social ou financeira. Ainda, ele se reconhece, em si mesmo, um constante carecedor de conhecimentos, principalmente daqueles que se referem à simbologia na Filosofia Maçónica, por isto, ele se encontra sempre pronto a receber os ensinamentos que lhe puderem ser transmitidos. Esta humildade é a sua pobreza de espírito que, recebendo constantemente ensinamentos sobre a Filosofia Maçónica, se aperfeiçoa e instrui, a fim de que possa “entrar no reino dos céus”, isto é, adquirir os conhecimentos da Verdadeira Luz, que emana do Absoluto;

SEGUNDA – “Bem aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.

O Maçom que compreende a pobreza do seu espírito, o pouco conhecimento nas coisas da causa Maçónica, o seu desinteresse pelo estudo da Filosofia, chora por estas suas falhas. O seu pranto, entretanto, é movido pela sinceridade do reconhecimento destas suas deficiências e é desta sinceridade e com estas sinceridades que lhe advirá o consolo de que ele necessita. Os seus irmãos, por outro lado, estão sempre prontos a socorrê-lo, orientá-lo e encaminhá-lo na senda do conhecimento, através das instruções de que ele carece. Trar-lhe-ão o prometido consolo e ajudá-lo-ão a elevar-se, cada vez mais, até se tornar capaz de, por si mesmo, alcançar o entendimento das coisas espirituais;

TERCEIRA – “Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

Herdar a terra não é, aqui, a terra que actualmente conhecemos. É aquela terra descrita na segunda Epístola de Pedro 2a Ped III, 13): “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça”.

A principal característica desta “nova terra” prometida é a justiça! O Maçom deve ser, segundo os princípios da Sociedade Maçónica, um homem dedicado à justiça. Sem a justiça não pode haver Fraternidade, e este é um ponto de honra para o Maçom. O caminho para se encontrar esta “nova terra” está indicado na bem-aventurança: ser manso! O Maçom não deve e não pode se exaltar. Os seus actos e as suas palavras devem ser de comedimento, compreensão e paz! A mansidão de espírito traduz-se nos gestos tranquilos, nas atitudes calmas, nos procedimentos suaves. O Templo Maçónico é a habitação da Fraternidade Maçónica e, ali, há que se procurar meios de, realmente “habitarem juntos os irmãos” de maneira boa e agradável! Palavras bruscas, gestos desordenados, ataques verbais biliosos, atitudes falsas e desonestas não são, de nenhuma for, condizentes com aqueles que se propuseram a “erguer templos à Justiça”;

QUARTA – “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”.

A importância da justiça é tão grande que o Mestre Jesus a ela dedica três das suas bem-aventuranças! O Maçom, sendo como é, um construtor de templos à justiça, tem de ser, antes de tudo, um seu defensor integérrimo. Os homens, principalmente os que vivem no mundo profano, são eternos carecedores de justiça. As leis humanas não são, por si só, capazes de mitigar a fome e aplacar a sede de justiça em que todos vivem. Isto porque as leis são imperativos dos homens e a justiça não se faz com imperativos. A justiça faz-se com amor; faz-se com compreensão; faz-se com entendimentos recíprocos. O Maçom deve ser perfeito, deve cultivar o amor, deve exercer a compreensão e deve ser apto para entrar sempre em entendimentos com os seus semelhantes. Por si mesmo ele deve saber praticar a justiça para com ela tratar àqueles seus irmãos que dela têm sede e têm fome;

QUINTA – “ Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.

Misericórdia é a compaixão suscitada pela miséria alheia. É dever de todo Maçom, pelos princípios da Fraternidade que lhe devem ser inertes e pelos princípios da Caridade que constituem ponto de honra para ele, compadecer-se da miséria alheia. Aqui não se trata, apenas, da miséria material que pode, facilmente, ser satisfeita com algumas moedas. Trata-se, também, da miséria moral, esta terrível “doença” que, muitas vezes, ataca ao homem, tornando-o vil entre os mais vis! Quer se trate do campo material, quer se refira ao campo da Moral, o Maçom deve saber como prestar o seu socorro. Os seus estudos, a sua compreensão sobre a causa maçónica, serão os instrumentos de que ele se valerá para prestar misericórdia. É o exercício desta misericórdia sobre alguém, que permite ao Maçom alcançar a misericórdia para si próprio!

De uma maneira ou de outra, todos nós somos carecedores de misericórdia. Os nossos vícios dissimulados, as nossas faltas encobertas, os nossos secretos sentimentos menos dignos, fazem de nós miseráveis morais necessitados de socorro! Se, porém, nos agregarmos àqueles que necessitam dos nossos auxílios, se formos misericordiosos, compreenderemos a miséria e atentaremos para a nossa própria miséria podendo corrigir-nos, melhorando os nossos actos, burilando o nosso carácter e alcançando, pela nossa vez, a misericórdia;

SEXTA – “Bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”.

O coração é a parte mais importante do Templo de Deus que é o corpo humano. Nele residem, ou devem residir, todos os sentimentos nobres, todas as acções altruístas, todas as emoções puras. É necessária uma constante vigilância afim de que ele não seja conspurcado pelos maus instintos, pelos maus pensamentos e pelas más acções. O sangue é o distribuidor, em todo o corpo, da Energia vital e ele passa, a cada minuto, pelo coração. Por isto, o coração deve ser limpo e puro para que a impureza não seja levada a corromper o corpo!

O verdadeiro Maçom tem a obrigação de manter o seu coração em estado de absoluta pureza. Ele é um homem cuja nobreza não pode deixar nenhuma dúvida. É um exemplo a ser seguido por toda a humanidade. É um espelho onde os seus irmãos verão reflectidas todas as coisas perfeitas. É finalmente, um farol que ilumina com a inteligência, com o saber e com a cultura, o caminho a ser seguido por aqueles menos afortunados que se debatem nas trevas! Só um coração limpo poderá cumprir este desiderato. A pureza de coração é uma forma de manifestação da sua própria Divindade porque a pureza “é como a Luz que ilumina as trevas internas e nos põe frente com Deus no seu coração, o vê em todas as coisas”.

SÉTIMA – “Bem aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus”.

Ser filho de Deus, no sentido que o Mestre Jesus deu nesta bem-aventurança é ser puro. Só os puros podem ser pacificadores porque só eles vêem o equilíbrio e a harmonia das coisas. O pacificador vê, nas religiões, nos credos políticos, nos sistemas sociais, a possibilidade de uma harmonização, de um equilíbrio que atendam às “verdades” de que cada um se julga o único detentor e procura equilibrar estas “verdades” dentro de um conceito único a fim de que, de todas elas, ressalte a Verdade positiva.

É dever do Maçom ser pacificador, perceber a Unidade na diversidade trazendo com isto a paz e a harmonia entre os homens;

OITAVA – “Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.

Saber o que é “causa da justiça” é conhecer o que é Deus. A justiça é um atributo divino e, assim, aquele que é perseguido por se colocar ao lado das coisas divinas já se encontra identificado com elas!

O Maçom tem de ser um homem equilibrado. O seu sentimento de justiça deve ir além dos Conceitos que os profanos fazem dela. Ele não deve se cingir apenas aos textos frios da Lei. Tem de saber levar um pouco do calor do seu coração humano para aquecer a frialdade legal! Desta forma, procurando fazer a justa justiça, ele mesmo sendo por isto perseguido, já se encontra, antecipadamente, no reino da justiça ou seja, no reino dos Céus.

NONA – “Bem aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa”.

A Maçonaria tem contra ela inimigos gratuitos e ferrenhos. Estes, com algumas excepções, fingem desconhecer os elevados propósitos da Sociedade Maçónica, procuram diminuir os seus méritos, menosprezar as suas acções e, por todos os modos, procuram tomá-la, aos olhos dos menos avisados, uma sociedade ateia, puramente materialista.

Esta é uma forma disfarçada de combater a Deus. É uma maneira de negá-Lo sob falsas alegações. Os Maçons têm sido, e ainda hoje o são, perseguidos por professarem a sua crença no Grande Arquitecto! São injuriados porque têm a sua forma própria de amar e glorificar a Deus! São frequentemente vítimas de mentiras, as mais escabrosas, que carreiam o mal contra eles, trazem-lhes a desmoralização, induzem a sociedade profana a repudiá-los! O Maçom, nobre, altaneiro e impávido, a tudo resiste. Aceita os apodos sobranceiro. Enfrenta, desassombrado, a maldade humana, porque está certo de que, não obstante isto, e mesmo por isto, ele é um bem aventurado do Senhor!

Boanerges B. Castro

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