Religião e Maçonaria

religiao 234556gfdew

A palavra portuguesa religião deriva da palavra latina “religio”, mas desconhece- se ao certo que relações estabelece “religio”, com outros vocábulos. Aparentemente, no mundo latino anterior ao nascimento do cristianismo, “religio” referia-se a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão.

A palavra “religião” foi usada durante séculos no contexto cultural da Europa, marcado pela presença do cristianismo, que se apropriou do termo latino “religio”. Noutras civilizações não existe uma palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a palavra “rita”, que apontava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que, também, se referia à correcta execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o termo foi substituído por “dharma”, termo que actualmente, é também usado pelo Budismo e que exprime a ideia de uma Lei divina e eterna. “Rita” relaciona-se, também, com a primeira manifestação humana de um sentimento religioso, a qual surgiu nos períodos Paleolítico e Neolítico, e que se expressava por um vínculo com a Terra e com a Natureza, os ciclos e a fertilidade.

Neste sentido, a adoração à Deusa mãe, à Mãe Terra ou Mãe Cósmica estabeleceu-se como a primeira religião humana. Em torno deste sentimento formaram-se sociedades matriarcais centradas na figura feminina e nas suas manifestações.

Ainda, entre os hindus, destaca-se a deusa Kali, ou A Negra, como símbolo desta Mãe cósmica. Cada uma das civilizações antigas representaria a Deusa, com denominações variadas: Têmis (Gregos), Nu Kua (China), Tiamat (Babilónia) e Abismo (Bíblia).

Historicamente, foram propostas várias etimologias para a origem de “religio”. Cícero, na sua obra “De Natura Deorum” (45 a.C.), afirma que o termo se refere à “relegere”, reler, sendo característico das pessoas religiosas prestarem muita atenção a tudo o que se relacionava com os deuses, relendo as escrituras. Esta proposta etimológica sublinha o carácter repetitivo do fenómeno religioso, bem como o aspecto intelectual. Mais tarde, Lactâncio (século III e IV d.C.) rejeita a interpretação de Cícero e afirma que o termo vem de religare, religar, argumentando que a religião é um laço de piedade que serve para religar os seres humanos a Deus.

No livro “A Cidade de Deus” Agostinho de Hipona (século IV d.C.) afirma que “religio” deriva de “religere”, reeleger. Através da religião a humanidade reelegia de novo a Deus, do qual se tinha separado. Mais tarde, na obra” De Vera Religione”, Agostinho retoma a interpretação de Lactâncio, que via em “religio” uma relação com “religar”.

Macróbio (século V d.C.) considera que “religio” deriva de “relinquere”, algo que nos foi deixado pelos antepassados.

O filósofo Dewey faz uma distinção entre ter uma religião e ser religioso. Para ele, ter uma religião é pertencer a uma Igreja e obedecer aos dogmas por ela impostos. Ser religioso é encaminhar o pensamento para os aspectos cósmicos da vida, ou seja, para a humildade, a simplicidade e o amor ao próximo. A Parábola do Bom Samaritano, pronunciada por Jesus, é um bom exemplo. Nela, Jesus retrata o Samaritano, considerado herege, fazendo o que os conhecedores da lei e da religião deveriam fazer e não o faziam.

Muitas pessoas confundem o facto de uma pessoa não possuir determinada religião com o facto de ela ser ateia – o que não é uma realidade. Dentro desta linha de raciocínio, temos os aconfessionais, ou seja, aqueles que crêem em um Ente Superior, mas que não praticam qualquer tipo de religião, de entre as que estamos acostumados – catolicismo, messianismo, espiritismo etc..

Para crer em Deus, no G∴ A∴ D∴ U∴, não é preciso professar uma crença estabelecida, mas possuir um elo com o Criador.

Podemos ser religiosos sem que, com isso, participemos em qualquer das religiões conhecidas. Havendo a crença num Ente Superior, há religiosidade, apesar de a pessoa não estar ligada a qualquer religião.

Este trabalho justifica-se pelo facto de que muitos não entendem que a Maçonaria não é uma religião, apesar de ser religiosa.

Religiosidade, por sua vez, diz respeito à crença e está muito mais ligada a pessoas do que a grupos que professam uma crença específica de uma religião.

Vale a pena ressaltar que de todas as religiões, nenhuma foi fundada pelos Mestres de Sabedoria que, em sacro-ofício, se manifestaram na face da Terra e trouxeram os seus excelsos ensinamentos. A exemplo disto, somente após três séculos do aparecimento do Mestre Jeoshua Ben Pandira, o Mestre Jesus, o Cristo, é que, de seus ensinamentos surgiria o Cristianismo como religião. Assim aconteceu com todos os Avatares, como Hermes, Zoroastro, Krishna, Gautama, o Budha. Nenhum Deles fundou qualquer religião.

Portanto, a nossa Ordem, como uma Escola de Iniciação que é, tem o papel de “religar” o homem ao seu Criador, mas não pela fé cega revestida de dogmas, fazendo-o acreditar que, dos céus descerá um salvador que resolverá todos os seus problemas. A Maçonaria, através de sua doutrina, ensina ao Maçon a encontrar a Deus dentro de si mesmo, a despertar a Centelha Divina que habita em cada um de nós, ampliando o nosso estado de consciência e livrando-nos dos grilhões da ignorância, conduzindo-nos no caminho da Verdade e da Luz!

Francisco Feitosa

related posts y6t5768g

2 thoughts on “Religião e Maçonaria

  • Avatar

    Muito interessante gosto muito de ler sobre a marçonaria .

    Reply
  • Avatar

    Muy bueno

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *