Ritualmente confinados

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Na imagem do momento de fusão que é a Cadeia de União, temos todo o peso do toque, da mão com mão, do ombro com ombro, na máxima afirmação de igualdade entre os elos que constituem essa corrente simbólica.

E este é apenas um momento que uso para exprimir a essencialidade do corpo na dimensão ritualística desde os tempos mais ancestrais, desde os gestos definidos e das palavras consignadas nos templos sumérios e egípcios, há mais de cinco mil anos.

Seja no horizonte religioso, ou não, a definição de rito passa, inquestionavelmente, pela sua vivência através do corpo, dos sentidos, da participação e da presença. Um rito implica uma afirmação de sacralidade, pelo espaço e pelo tempo fora dos espaços e do tempo comuns, que ocorre simbolicamente através de gestos e palavras nesse lugar que se transforma.

Só o estar nesse espaço, que se torna sagrado; só o viver esse tempo, que se torna fora do tempo profano, permite a dimensão ritual. O ritual é a presença participada nesse processo alquímico que transforma quem nele participa por ser, qualquer dos participantes, também oficiante.

E hoje, mais que nunca, esta equação que é a força da dimensão dos rituais, está fora do nosso alcance e fora do nosso quotidiano. Muitas têm sido as mecânicas que procuram responder à impossibilidade de nos reunirmos em Oficina devido ao confinamento. Mas nada substitui a participação ritual.

Criaram-se grupos nas redes sociais. As Oficinas reúnem os seus membros através de instrumentos de reunião online. Mas nada disto equivale ou significa o que um ritual nos oferece. Nada disto é ritual. É convívio. Ajuda a manter laços e a sobreviver psicologicamente à confinação, mas não é Maçonaria o que se faz nesses momentos.

E é aqui que reside o essencial, não no facto das plataformas usadas não serem seguras. O virtual, ao não ser presencial, não implica a participação com o que uma metafísica do corpo permite.

Só a presença nesse espaço e nesse tempo fora do profano nos permitirá regressar ao tempo e ao espaço do rito na sua verdadeira dimensão transformadora, alquímica.

P. M. P.

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