João Baptista (Joannis Baptista), João o Precursor (John the Forerunner), ou ainda João filho de Zacarias (Yochanan ben Zecharyah), foi primo de Jesus Cristo em segundo grau, e um pregador Judeu do início do século I. Segundo o Evangelho de São Lucas, era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima da Virgem Maria, mãe de Jesus. João nasceu numa pequena cidade chamada Aim Karim a cinco milhas de Jerusalém. Foi denominado Baptista por que era aquele quem baptizava, no Rio Jordão, pessoas que vinham de toda parte, especialmente de Judá e Jerusalém.
A comemoração em seu nome é na sua data natalícia, ou seja, 24 de Junho, segundo o Martirológio Romano (Martyrologium Romanum), que é o catálogo dos santos e beatos honrados pela Igreja Católica Romana cuja primeira versão foi escrita no século XVI e aprovada pelo papa Gregório XIII em 1586. Na versão de 1749, temos: “24 Junii […]Nativitas sancti Joannis Baptistae, Praecursoris Domini, ac sanctorum Zachariae et Elisabeth filii, qui Spiritu Sancto repletus est adhuc in utero matris suae.”. Traduzindo para o português: “24 de Junho […] nascimento de São João Baptista, o Precursor do Senhor, e filho dos Santos Zacarias e Isabel, que foi preenchido pelo Espírito Santo quando ainda estava no ventre da sua mãe.”. É importante frisar que, quanto à data de nascimento de João, nada pode ser dito com certeza, pois o evangelho sugere que o Precursor nasceu seis meses antes de Cristo, mas a data de nascimento de Cristo também não é conhecida com certeza e a atribuição desta data a 25 de Dezembro (data a qual 24 de Junho antecede em exactos seis meses) não está fundamentada em evidências históricas.
Vale ressaltar também que 24 de Junho é uma data próxima ao solstício de Inverno (no hemisfério Sul, e solstício de Verão no hemisfério norte), e esse mesmo dia, no ano de 1717, é marcado por ser a data da fundação da Grande Loja de Londres, tida como primeira Grande Loja Maçónica do mundo, marcando a organização da Francomaçonaria na forma como conhecemos hoje.
Zacarias, pai de João, era um sacerdote da ordem de Abias, a oitava das vinte e quatro ordens em que os sacerdotes eram divididos. Isabel, sua mãe, era paternalmente descendente de Aarão e maternalmente prima em primeiro grau da virgem Maria.
O nascimento de João o Precursor foi anunciado de uma forma muito marcante. Zacarias e Isabel eram, segundo a Bíblia, ambos justos perante Deus, andando em todos os mandamentos e preceitos do Senhor, mas infelizmente não possuíam filhos pois Isabel era estéril. Eles oraram por muito tempo para que Deus os abençoasse com um filho, mas já estavam avançados em idade e o peso da esterilidade pairou sobre eles.
Acontece que quando Zacarias estava a executar as suas funções sacerdotais de oferecer o incenso diante de Deus, a caminho do Templo do Senhor, e toda a multidão orava fora do Templo, um anjo de Deus apareceu a Zacarias em pé e à direita do altar de incenso. Zacarias ao vê-lo, perturbou-se e o temor caiu sobre ele. Entretanto, disse-lhe o anjo para que não temesse, pois as orações dele tinham sido ouvidas por Deus e sua esposa Isabel daria luz a um filho varão, que se chamaria João, e que nele teriam muita alegria e regozijo, assim como muitos outros também o teriam, pois João haveria de ser grande diante do Senhor, não haveria de beber vinho nem qualquer outra bebida forte e seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de Isabel.
O anjo anunciou ainda que João converteria muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, e que ele teria o poder de transformar os corações de pais e filhos, e também os incrédulos à sabedoria dos justos. Tudo isto para preparar ao Senhor um povo perfeito. Como Zacarias custou a acreditar na profecia do anjo, este anunciou a ele que como punição pela sua incredulidade ele permaneceria mudo até que seu filho nascesse. Acontece que após o seu serviço sacerdotal ele voltou para casa. Isabel logo ficou gravida e escondeu-se por cinco meses.
Durante o sexto mês, a Anunciação da vinda de Jesus à Maria já tinha ocorrido, e como ela sabia da gravidez da sua prima Isabel, ela foi às pressas para a felicitar. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, João encheu-se do Espírito Santo e saltou de alegria no ventre de Isabel pois reconheceu estar na presença do seu Senhor.
Quando chegou ao final da gestação, Isabel deu a luz ao menino, e no oitavo dia quando foram circuncisá-lo, queriam dar o nome a ele de Zacarias, assim como o seu pai. No entanto Isabel disse que o seu nome seria João, mas logo foi contrariada pelos presentes que alegaram não existir nenhum antecedente com esse nome na família e perguntaram a Zacarias qual seria o nome. Zacarias, ainda mudo, pediu uma prancheta e escreveu “João é o seu nome.” e imediatamente a sua boca se abriu, a sua língua se soltou e ele voltou a falar dizendo a João que seria o Profeta do Senhor, pois antecederia o Senhor preparando os seus caminhos, dando conhecimento ao povo da sua salvação para a remissão dos seus pecados através da misericórdia de Deus.
Dos primeiros anos da vida de João Baptista, sabe-se apenas que ele crescia e se robustecia em espírito, e que viveu nos desertos até o dia da sua manifestação em Israel. Passados então cerca de trinta anos, no décimo quinto ano do Império de Tibério César, a palavra do Senhor foi feita a João, o filho de Zacarias, no deserto. João percorreu toda a vizinhança do Rio Jordão pregando. Vestiu-se com vestes feitas de pele de camelo e com um cinto de couro. Alimentava-se apenas de gafanhotos e bebia mel silvestre e água. Tinha também o semblante rude e os cabelos e barbas agitados pelo vento. E embora a existência de todas estas peculiaridades pudesse assustar, todo o povo ia ter com ele, homens e mulheres de todas as condições, atraídos pela sua personalidade forte e pelo peso das suas palavras, reconheceram-no logo como um verdadeiro profeta.
Para confirmar a boa disposição dos seus ouvintes para com A Palavra, João baptizava-os no Rio Jordão. Foi esta característica do seu ministério que, mais do que qualquer outra coisa, atraiu a atenção do público a tal ponto que ele foi apelidado de “Baptista”, ou seja, aquele que baptiza.
João Baptista já tinha pregado e baptizado por algum tempo quando Jesus Cristo veio da Galileia para o Jordão para ser baptizado pelo seu primo. Pode-se perguntar: por que é que Jesus precisaria ser baptizado já que não tinha nenhum pecado para ser purificado? A igreja diz que o momento deste baptismo foi programado por Deus para que, através de João Baptista, Jesus se manifestasse ao mundo como sendo O Filho de Deus. A priori João recusou-se a baptizar Jesus dizendo que era Jesus quem deveria baptizá-lo, mas em seguida Jesus o convenceu e foi baptizado. Quando saia das águas do Jordão, os céus se abriram a Jesus e uma voz disse: “Este é o meu Filho amado, com quem me regozijo.”.
Parte do ministério de João Baptista foi exercido em Perea e também na Galileia. Eis que estas terras faziam parte da tretarquia de Herodes Antipas. Este era um príncipe, um filho digno do rei Herodes o Grande, que tinha se casado por razões políticas com a filha de Aretas rei de Nabathaeans. Porém, numa visita a Roma, ele apaixonou-se por Herodias, esposa do seu meio irmão Herodes Filipe, e induziu-a a partir para a Galileia com ele. Diz-se que sobre este adultério, João Baptista repreendeu Herodes, que em represália mandou que o prendessem. No entanto, existe uma outra vertente que diz ter sido a prisão de João premeditada por Herodes pelo medo que este sentia da influência moral do Precursor sobre o povo e de uma possível rebelião liderada por aquele.
Qualquer que seja o motivo da prisão de João, o facto é que Herodias nutria um grande ódio por ele e estava desejosa da sua morte, e embora Herodes a princípio compartilhasse do seu desejo, temia uma resposta do povo a qualquer mal que fosse causado ao Profeta João.
João Baptista ficou por muito tempo na prisão de Machaerus, mas a ira de Herodias, ao contrário da de Herodes, nunca diminuía e eis que ela viu uma chance de consumar a sua ira. Houve uma festa no palácio de Herodes Antipas na qual Salomé, sua sobrinha filha de Herodias e seu meio irmão Herodes Filipe, apresentou um espectáculo de dança que muito entusiasmou a Antipas e em retribuição este disse que Salomé poderia pedir qualquer coisa que ele o faria. Por instrução de Herodias, Salomé pediu a cabeça de João Baptista num prato. O rei, que não mais odiava João, entristeceu-se, mas como parte do seu juramento para com a jovem enviou um carrasco que logo trouxe a cabeça de João Baptista num prato e entregou à Salomé, que entregou a sua mãe Herodias.
A data da morte de João foi convencionada em 29 de Agosto do ano 30 d.C.
João Baptista foi canonizado num período de “pré-congregação”, isto é, uma época que antecedeu a instituição das investigações modernas realizadas pela Congregação para as Causas dos Santos. Logo, aqueles que foram canonizados ou beatificados antes da instauração desta Congregação, muito provavelmente foram assim feitos por bispos ou patriarcas locais como resultado de uma devoção popular local. Consequentemente, não existem muitos registros sobre as datas precisas da canonização.
São João Baptista é padroeiro de centenas de cidades ao redor do globo.
Sua imagem é representada vestindo roupas de pele de animal, com uma cruz alta e fina na sua mão, e por vezes acompanhado por um cordeiro. Também pode ser ilustrado por uma cabeça degolada sobre uma bandeja.
Guilherme Cândido
Bibliografia
- BLOG CATHOLIC SAINTS INFO. Saint John the Batist. 2015. Disponível em http://catholicsaints.info/saint-john-the-baptist/. Acesso em Nov. 2015.
- BLOG LITURGIA LATINA. Disponível em: http://www.liturgialatina.org/martyrologium/00.htm. Acesso em Nov. 2015.
- BLOG LUSI. Porque Lojas de São João. Disponível em: http://www.lusi.org.br/trabgeral/wat1.pdf. Acesso em Jul. 2015.
- BLOG OBREIROS DE IRAJA. São João: O Patrono da Maçonaria. Disponível em: http://www.obreirosdeiraja.com.br/sao-joao/. Acesso em Jul. 2015.
- CASTILHOS, Tiago Oliveira de. São João padroeiro da maçonaria: Mas qual João? Disponível em: http://www.maconaria.net/portal/index.php/artigos/310-sao-joao-padroeiro-da-maconaria-mas-qual-joao.html. Acesso em Jul. 2015.
- PIKE, Albert. The Porch and the Middle Chamber – The Book of the Lodge – Secret Work. 1872.
- SOUVAY, Charles. Catholic Encyclopedia – Saint John the Batist. 1913. Disponível em: http://catholicsaints.info/catholic-encyclopedia-saint-john-the-baptist. Acesso em Nov. 2015.

- As origens do Ritual na Igreja e na Maçonaria (Parte II)
- As origens do Ritual na Igreja e na Maçonaria (Parte I)
- De uma Loja de S. João
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