O papel de São Bernardo na Ordem do Templo

São Bernardo de Claraval

Bernardo de Claraval, o grande provedor e protector da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, nasceu em 1090, no Castelo de Fontaines, perto de Dijon, filho de Sorrel Tescelin e Aleth, família nobre da Borgonha, que tiveram mais seis filhos, entre os quais apenas uma menina, foi uma importante figura religiosa e eclesiástica da sua época.

Ficou órfão de mãe quando estudava na faculdade Chatillon-on-the-sena. Segundo fontes pesquisadas, após esta perda, Bernardo entrou em depressão e num momento de oração, próximo dos seus vinte anos, em 1112, resolveu entrar para a vida religiosa num convento Beneditino. Quase todos os seus irmãos entraram para o mosteiro junto com ele, apenas o mais novo Nivard foi deixado para cuidar das terras da família.

Posteriormente, São Bernardo auxiliou na fundação das primeiras casas Cisterciense, Ordem que tinha sido fundada 15 anos antes, mas que somente a partir da sua entrada, passou a ser reconhecida como uma ordem separada da Ordem Beneditina.

Em 1112, dois anos depois de São Bernardo ter entrado na abadia de Cister, foi designado para fundar outro convento em Claraval (em francês: Clairvaux), onde foi eleito Abade. O Mosteiro de Claraval foi o berço de grandes mudanças históricas, pois o seu fundador, São Bernardo, foi um grande questionador das atitudes do clero e do comportamento ético e religioso, pois não aceitava comportamento em desacordo com as Sagradas Escrituras. Ele cultivava a austeridade e prezava pela simplicidade.

Em 1119, Bernardo foi convocado por Estevão Harding para participar do Capítulo Geral dos Cistercienses, que é um marco no processo de formação da Ordem do Templo. A Carta da Caridade, redigida no Capítulo, seria confirmada pelo Papa Calisto II.

Segundo fontes pesquisadas, foi após este acontecimento que Bernardo passou a escrever as suas principais obras, tratados e homilias. Destaca-se entre os seus escritos: Tratado do Amor de Deus, Comentário ao Cântico dos Cânticos e principalmente uma Apologia, que é escrita a (Publicado em freemason.pt) pedido de Guilherme de Saint-Thierry, na qual defende os princípios observados pelos mosteiros beneditinos “brancos” (os cistercienses, segundo a cor do seu hábito), opondo-os aos aspectos relacionados aos mosteiros beneditinos “negros” (cluniacenses). O Abade de Cluny, Pedro, O Venerável, responde-lhe amigavelmente e apesar dos seus embates ideológicos os dois homens tornam-se amigos.

São Bernardo foi um grande escritor, cuja obra é utilizada até hoje pelos cristãos por ser atemporal e actual. Segundo bibliografia pesquisada, a invocação “ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria” é da sua autoria. Dada a sua produção literária, em 1830 é declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio VIII.

Bernardo era parente de Hugues de Payns e de Andrés de Montbard (de quem era sobrinho), fundadores da Ordem do Templo. Payns, após fundar a nova Ordem com a aprovação do Patriarca de Jerusalém, buscou o reconhecimento oficial da Igreja Católica e para isso, viajou a Roma, em 1127 levando uma carta do regente de Jerusalém, Balduíno II, para o abade Bernardo de Claraval, pedindo que este desse o seu apoio ao Mestre da Ordem. Bernardo, vendo que a nova Ordem vinha de encontro às suas próprias ideias de sacralização da milícia, como meio para defender a fé, a moralidade da religião e aqueles considerados mais frágeis, como os idosos, crianças e viúvas, recebeu o pedido com entusiasmo e passou a ser o principal defensor dos Templários.

Com a sua influência, Bernardo conseguiu que o Mestre da Ordem fosse recebido pelo Papa Honório II e que fosse celebrado um concílio em 1128, em Troyes, presidido pelo representante do Papa, o cardeal Mateo de Albano.

Convocado pelo Papa Honório II, Bernardo participa do referido Concílio, onde, mesmo contra contestações veementes de parte do clero descontente com a presença do monge, é nomeado secretário do Concílio. Durante o Concílio de Troyes, São Bernardo expôs os princípios e primeiros serviços da nova Ordem do Templo e mesmo surgindo algumas questões, consegue atender-lhes com sabedoria e prudência. Após várias (Publicado em freemason.pt) semanas de interrogatórios, a Ordem foi aprovada e foi definido que Bernardo de Claraval redigiria uma regra original aos Templários, visto que eles já possuíam uma regra, que era a mesma de Santo Agostinho, mas São Bernardo considerou que os seus protegidos deveriam seguir a sua própria regra.

A nova Regra Monástica, que depois de aprovada apresentou os princípios e serviços da Ordem Templária, rapidamente se tornou o ideal de nobreza utilizado no mundo cristão. De acordo com a qual os Cavaleiros deviam observar os votos de pobreza, castidade e obediência, bem como devotar-se à defesa e custódia dos Lugares Santos, mesmo que com a própria vida, se necessário fosse. Esta nova Regra era restrita ao alto escalão da Ordem, os outros tinham de saber de cor. Era uma forma de a preservar, caso caísse em mãos erradas.

São Bernardo apoiou o Mestre Hugues de Payns na busca de novos membros, redigiu os estatutos da Ordem e conforme já exposto, conseguiu que o Papa convocasse o concílio de Troyes para a sua aprovação e reconhecimento.

Com evidente influência no seu tempo, Bernardo torna-se uma personalidade respeitada pela Cristandade e passa a intervir em assuntos públicos e a defender de forma mais ostensiva os direitos da Igreja contra os príncipes seculares, aconselhando papas e reis. Para alguns, São Bernardo era quem escolhia os Papas. A sua influência foi tão significativa que após a morte do Papa Honório II, em 1130, durante o cisma de Anacleto II, a sua voz é ouvida e culmina na aceitação de Inocêncio II.

Apesar de todo este poder São Bernardo cultivava um modo de viver austero e simples, que foi experimentado pelo Papa Inocêncio II na sua visita ao mosteiro em 1131. O Papa lá permaneceu até o ano seguinte quando retornou para a Itália na companhia de Bernardo, que viajou com a finalidade de participar do Conselho de Pisa. São Bernardo, antes de retornar para Claraval, passou ainda por Milão desenvolvendo a sua missão religiosa.

Em 1145, o papa Eugénio III, monge Cisteciense de Claraval, pede a São Bernardo que incentive uma nova cruzada, visto que o reino Cristão de Edessa estava em perigo. Apesar do fracasso desta cruzada São Bernardo consegue ser mais influente principalmente pela consolidação dos Templários e pelo crescimento da Ordem dos Cistercienses, inclusive São Bernardo faz os templários prometerem protecção aos Cistecienses em juramento.

Para muitos estudiosos, a coragem e a capacidade de resistência dos Templários resultaram da influencia de São Bernardo, pois o Santo assim como utilizava o seu carisma para conquistar mais adeptos para a vida monástica, também a utilizava para imprimir no guerreiro templário o destemor pela morte, pois

“apresentou a morte não como uma derrota e sim como uma vitória, pois morrendo em combate o cristão tornar-se-ia um mártir, os inimigos sabiam que enfrentando um templário estariam na frente de um guerreiro diferente, um guerreiro disciplinado, treinado, concentrado, destemido e sem medo da morte, São Bernardo deu aos Templários coragem, disciplina, organização, privilégios e respeito.”

São Bernardo dizia:

”Um Cavaleiro Templário é verdadeiramente, um cavaleiro destemido e seguro de todos os lados, para a sua alma, é protegida pela armadura da fé, assim como o seu corpo está protegido pela armadura de aço. Ele é, portanto, duplamente armado e sem ter a necessidade de medos de demónios e nem de homens.” 

Ele conseguiu para Ordem do Templo grandes privilégios, que nem reis ou outras ordens religiosas possuíam, graças ao seu enorme prestígio e influência entre os quais o de não pagar tributos e obedecer somente ao Papa. Além de todos os seus predicados, ficou conhecido como o grande organizador e propagandista da Ordem militar mais famosa do Ocidente, a Ordem dos Cavaleiros Templários.

O defensor dos Templários fundou 72 mosteiros, em toda a Europa, sendo 35 deles na França, 14 na Espanha, 10 na Inglaterra e Irlanda, 6 em Flandres (região Norte da Bélgica), 4 na Itália, 4 na Dinamarca, 2 na Suécia e 1 na Hungria, além de muitos outros que se vieram filiar (Publicado em freemason.pt) na Ordem Templária. Estes mosteiros receberam mais de 700 monges, sendo que muitos candidatos foram recusados por falta de espaço nos mosteiros existentes.   Faleceu em 20 de Agosto de 1153 na abadia de Claraval, aos 63 anos depois de viver por quarenta anos enclausurado. Foi canonizado por Alexandre III em 1174. Deixou o seu legado e a sua obra da regra monástica da Ordem dos Templários, mostrando o seu importante papel para o Templo. Pela sua história de vida é comemorado no dia 20 de Agosto.

Ruti Garcia

Bibliografia

  • GRACIA, Antonio Galera. Sobre a História do Templo, crónica tirada do livro “O último segredo dos cavaleiros templários”, Temple Brasil.

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