O avental de mestre instalado

avental de mestre instaladoO Avental é um legado que a Maçonaria moderna recebeu da Maçonaria operativa. Esta peça, que foi de tanta utilidade para o Maçom operativo, já que lhe protegia a roupa, transformou-se para o Maçom moderno numa vestimenta importante e obrigatória nas Lojas Simbólicas, simbolizando o trabalho do Maçom.

Encontraremos alguns trabalhos tratando dos aventais maçónicos, mas, sobre o avental do Mestre Instalado, poucos ousaram falar. Permitam-me tal ousadia, embora sendo ainda portador de parco conhecimento, tentarei contribuir com este singelo trabalho, fruto da minha vivência maçónica e de compilações de trabalhos de outros autores, não menos ousados.

Não tenho a menor intenção de esgotar o assunto, e nem tería capacidade para tanto.

Para se perceber o simbolismo do avental do M∴ I∴ , é imprescindível entender a simbologia dos demais aventais, inerentes aos Graus do simbolismo.

O avental maçónico é muito rico em simbolismo. O avental de Aprendiz é a união de duas figuras geométricas (o quadrado e o triângulo). Sabemos que o quadrado está ligado ao quaternário da matéria, enquanto o triângulo, ao Espírito, como o Uno/Trino.

O profano, ou aquele que ainda não passou pela INICIAÇÃO, é representado, geometricamente, por estas figuras, porém, as mesmas, não se encontram sobrepostas. Por não ter, ainda, iniciado uma acção (inicia + acção) de religar o espírito à matéria, tem, como representação, o quadrado (matéria) separado do triângulo (espírito).

Ao iniciar a acção de juntar estas duas partes, ou seja, ao passar pelo processo de iniciação o triângulo (espírito) sobrepõe-se ao quadrado (matéria), pois ambos estão ligados por um “fio de prata”, ténue, chamado pelos orientais de anthakarana. Assim, o Aprendiz tem no seu avental a abeta levantada – o triângulo sobreposto ao quadrado.

Terminado o trabalho de aperfeiçoamento moral no Grau de Aprendiz, a abeta é baixada, ou seja, o triângulo começa a juntar-se ao quadrado, pois, neste grau, o trabalho é mais subtil do que no grau anterior.

Note-se, porém, que a brancura do avental de Companheiro  nos informa que, embora o triângulo (espírito) já esteja junto ao quadrado (matéria), nele, ainda, há ingenuidade, pois, apenas, lhe foi desvelada uma pequena parte dos Mistérios.

Ao chegar ao Mestrado, ou seja, quando o seu Mestre Interno despertar dentro de si, o seu avental apresentar-se-á de forma mais definida, com as rosetas, como representação da manifestação trina: corpo/alma/espírito.

Somente, quando ele se faz Mestre, é que, no seu avental, surgirá, de forma definida, a metástase do Espírito/Matéria.

Ao longo da sua caminhada pelo mestrado, deverá angariar conhecimentos sobre os Mistérios Maiores e, já experiente, a ponto de ser um instrutor dos demais, chegará o seu momento de ser instalado no Trono do Rei Salomão, o mais sábio Rei que a história já registou.

Assim, o Mestre, portador dos excelsos ensinamentos da doutrina maçónica e de sabedoria, para conduzir seus Irmãos, vencerá os 7 degraus do Templo (os 7 estágios da evolução humana) e receberá de dois Querubins a Espada Flamígera, como representação do perfeito domínio do Fogo Serpentino de Kundalini, e o Chapéu, representando a coroa do Rei.

O Ex Venerável Mestre usa igual Avental do Venerável Mestre em exercício, apenas, com os níveis (“T” (taus) invertidos) recobertos por tecido da mesma cor da orla do Avental.

Comumente, os Mestres Instalados, após passar o Veneralato, continuam a utilizar os seus aventais de Venerável Mestre. Muitos, por desconhecerem até que existe um avental próprio para o Ex Venerável Mestre.

Sabe-se que os “T” invertidos surgiram em 1800, em Londres, oriundos do Real Arco:

  • “T” = Tau – última letra do alfabeto hebraico e, sendo a última, sugere que o Maçom atingiu o ápice da sua caminhada no simbolismo;
  • “T” = Tao – do chinês, que significa caminho, que sugere o caminho a ser percorrido no simbolismo;
  • “T” o Tau (ou, para alguns, o nível), que se apresenta invertido, sugerindo que, no final da caminhada, deveremos retornar ao início, como eternos Aprendizes que somos.

Aqueles três “T”, que estão separados, se juntos fossem uns aos outros, sendo dois na horizontal e um na vertical, dentro de um triângulo e este circunscrito num círculo, estariam recompondo o símbolo do Real Arco, uma espécie de sétimo grau, correspondendo, hoje, ao nosso décimo oitavo Rosa-Cruz.

No lugar, onde ficavam as rosetas no avental de Mestre, ficam, agora, no do Venerável Mestre e Ex Venerável , os três “T” invertidos, que podem simbolizar a permanente existência do “dual” na vida de todos.

São três as figuras colocadas em posição triangular, o que lembra a divindade do homem (é bom saber que, na linguagem sagrada do simbolismo, a figura geométrica do triângulo e qualquer numeral ternário evoca Deus, deidades ou a divindade).

No Avental do Venerável Mestre e no do M∴ I∴ , cada uma das fitas pendentes termina por sete pequenas correntes de metal branco, sustentando sete esferas prateadas. São os sete planos da vida evolutiva, sustentados pelos sete raios do espectro solar.

Assim, o Mestre Instalado retrata no seu avental a sua trajectória maçónica vitoriosa. Ao reunir méritos, para ser revestido com o avental com os três taus “T” (como citamos anteriormente, Tau é a 22ª e última letra do alfabeto hebraico), mostra que atingiu o ápice, o cume do simbolismo.

Esperamos, com estas breves linhas, ter contribuído para fazer Luz aos nossos Irmãos, que se revestem de tão nobre avental e não tiveram, ainda, a oportunidade de melhor reflectir sobre o seu simbolismo.

Que este breve estudo seja como uma Chave de Conhecimentos, a fim de abrir novos portais de entendimento sobre este tema!

Francisco Feitosa

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