Há duas razões que justificam o segredo em maçonaria. A primeira, mais fácil de compreender, é histórica; e a segunda, complexa, é profundamente ritual.
- Na primeira temos de ler o contexto social e político onde nasce e se implementa a tradição maçónica – num espaço de tensão conflitual entre o iluminismo e um domínio do espaço público pela religião cristã.
- A discrição ritual e a intervenção político-social deram margem para um perspetivar subversivo da maçonaria, que poderia pôr em causa o establishment.
- Como tal, a atitude persecutória levou, invariavelmente, a uma postura dissimulada por parte dos seus seguidores – mais evidente em regimes políticos autocráticos e em países onde o catolicismo estaria mais vigente (não só pela presença da Inquisição, mas também pela obrigatoriedade teológica da condenação moral).
- Esta justificação parece demasiadamente datada, já que hoje não se verifica nenhum destes constrangimentos. Contudo o segredo permanece – por uma memória colectiva; e deverá permanecer – pela dimensão ritual, que é essência da própria maçonaria.
- A maçonaria é uma ordem iniciática e de fundamento gnóstico. Com uma dimensão mais esotérica que exotérica. Como tal, vive pela ideia da procura de uma verdade oculta, não doutrinada porque individual.
- Na tradição maçónica é suposto haver uma predisposição para esse conhecimento, que só é verdadeiramente revelado para quem o procura (numa espécie de círculo esotérico). Ou seja, a verdade é oculta porque não é revelada, nem pronunciada – só pode ser sentida.
- Concebamos este processo como uma descoberta perpétua, onde a tal “verdade” surge, não como presente, mas como troféu. É o velho cliché, importa a viagem não o destino. E agora temos o ritual, que é veículo para esta viagem.
- O ritual maçónico é uma recriação hermética onde se manifesta uma determinada realidade. O ritual é o símbolo em movimento, que assume um significado para lá literalidade. Partindo de arquétipos, o objecto passa a ter um sentido para lá da sua função imediata – tornando-se, por isso, um símbolo.
- A este processo (do “para lá do objecto”) chamamos conhecimento hermético, onde se transmite a chave hermenêutica do símbolo (na mitologia grega Hermes era o mensageiro do Deuses). A relação com este processo é silenciosa. Como tal, secreta. Assim sendo, quando temos o símbolo em movimento, e predisposição para o interpretar, é que se re-cria uma realidade que se apenas manifesta àqueles que nela querem estar. Por isso se diz que somente crianças e iniciados acreditam em contos – essa predisposição não é revelada, logo é secreta.
Autor não identificado
Esta Prancha é fruto de uma reflexão realizada no seio da R∴ L∴ Gomes Freire de Andrade nº4 (GLLP / GLRP)
Para mais informação:
- ASSOCIAÇÕES SECRETAS, Carta de Fernando Pessoa ao Deputado José Cabral, acerca de um projecto lei projecto de lei sobre proibição de “associações secretas”. (diário de noticias, 1935).
- BOUCHER, Jules (1948); La Symbolique Maçonnique; Paris: Dervy-Livres.
- ELIADE, Mircea (1999); O Sagrado e o Profano – A Essência das Religiões; versão port. Lisboa: Livros do Brasil.

- Encontro Mundial de Grão-Mestres da Maçonaria – Discurso de Fernando Teixeira (G∴ M∴) – 1996
- A tarefa da Maçonaria na modernidade
- Antigos deveres e novas obrigações
- Notas sobre a Conduta do Maçom


Boa noite o texto acima citado ainda não compreendi de total forma vou reler de novo para que possa citar …agradeço ..
Opa,eu novamente esse texto foi todo complexo para mim ainda não o compreendi exactamente o que quer dizer irei ler novamente ate que fique claro